Na Argélia, a aquacultura ainda ocupa um lugar modesto no abastecimento de peixe. Perante o aumento da procura de produtos halieúticos e os limites da pesca tradicional, as autoridades estão a apostar no desenvolvimento desta atividade para melhorar a oferta local de peixe.
A Argélia está a reforçar as suas capacidades em aquacultura. É nesse sentido que o Ministério da Agricultura prevê duplicar a produção aquícola para atingir 20 000 toneladas em 2026. Segundo informações divulgadas pelos meios de comunicação locais, o anúncio foi feito a 23 de abril, por ocasião de uma reunião nacional organizada pelo ministério com os atores do setor.
Esta perspetiva de crescimento é sustentada pela sementeira de 80 milhões de alevins de dourada e robalo durante a presente época, contra 50 milhões de alevins introduzidos em gaiolas flutuantes em 2025. As autoridades indicam ainda que existem atualmente 28 explorações marinhas em atividade no país, com uma dinâmica de expansão das capacidades de produção através do aumento do número de gaiolas de cultivo e da abertura de novas zonas de exploração.
Para além do aumento da oferta de alevins, Argel aposta também na melhoria do acesso aos alimentos para peixes, que representam uma parte importante dos custos de produção.
Neste sentido, vários projetos industriais foram lançados ou relançados. As autoridades anunciaram, por exemplo, a reativação da unidade de produção de alimentos para peixes e camarões de Ouargla, no âmbito de uma parceria com a Coreia do Sul. “Colocada sob a tutela do Gabinete Nacional de Alimentos para Gado (ONAB), esta unidade encontra-se atualmente em fase de testes e deverá produzir alimentos específicos, nomeadamente destinados à criação de camarões”, explicou Miloud Triaa, diretor-geral da pesca e aquacultura no Ministério da Agricultura, em declarações citadas pela Algérie Presse Service a 29 de abril.
Segundo o responsável, o setor privado também participa nesta dinâmica com a entrada em funcionamento da AviFish, uma unidade especializada na produção de alimentos aquaculturais instalada na província de Bouira.
Num relatório publicado em janeiro de 2026, o Fórum Económico Mundial (WEF) sublinha que, em África, as dificuldades de abastecimento de alimentos para peixes tornam os custos de produção aquícola 10% a 20% mais elevados do que a média mundial. “Estes custos elevados explicam-se por uma forte dependência de alimentos para peixes convencionais, frequentemente importados devido à falta de capacidade local de produção […]”, explica a organização.
Um ambiente favorável ao investimento no setor
Para apoiar a expansão do setor aquícola, o governo argelino também reforçou as medidas de incentivo destinadas a investidores e fabricantes de insumos aquaculturais.
Desde janeiro de 2026, a lei orçamental prevê, por exemplo, a isenção de direitos aduaneiros e a aplicação de taxa reduzida de IVA às importações de matérias-primas utilizadas na fabricação de alimentos para a aquacultura. Prevê igualmente que os produtos locais resultantes desta produção sejam sujeitos à taxa reduzida de IVA, de forma a reforçar a competitividade nacional.
As autoridades esperam assim reduzir os custos de produção, atrair mais investimento e garantir a sustentabilidade das explorações aquícolas. “Esta medida constitui uma prioridade para assegurar a disponibilidade de alimentos de qualidade para os aquacultores e ajudará a reduzir os custos de gestão, diminuindo a carga fiscal na importação, o que favorecerá inevitavelmente a continuidade das atividades aquícolas”, refere o documento de apresentação do Projeto de Lei Orçamental para 2026.
De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a produção halieútica da Argélia foi de 82 366 toneladas em 2023, das quais 93% provenientes da pesca. Com um consumo aparente estimado em cerca de 127 000 toneladas nesse ano, o país registava então um défice de produção de cerca de 45 000 toneladas.
Stéphanas Assocle













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