Facebook Agence Ecofin Twitter Agence Ecofin LinkedIn Agence Ecofin
Instagram Agence Ecofin Youtube Agence Ecofin Tik Tok Agence Ecofin WhatsApp Agence Ecofin

×

Message

Failed loading XML... XML declaration allowed only at the start of the document

Do Quénia ao Golfo, como as crises geopolíticas afetam o mercado mundial do chá.

Do Quénia ao Golfo, como as crises geopolíticas afetam o mercado mundial do chá.
Sexta-feira, 22 de Maio de 2026

O chá é a bebida mais consumida no mundo depois da água. Em 2026, o mercado mundial enfrenta fortes tensões devido à volatilidade dos preços das matérias-primas agrícolas e às tensões geopolíticas que estão a redesenhar o comércio marítimo.

As exportações mundiais de chá geraram cerca de 8,1 mil milhões de dólares por ano, em média, entre 2021 e 2025, dos quais 20% foram realizados por países africanos, segundo dados compilados na plataforma Trademap. Por ocasião do Dia Internacional do Chá, proclamado pela ONU em 2019 e celebrado anualmente a 21 de maio, eis os principais pontos a reter sobre os desafios do mercado mundial da folha em 2026 e os fatores suscetíveis de perturbar o setor.

Segundo ano consecutivo de queda dos preços

O chá prepara-se para registar, em 2026, o segundo ano consecutivo de queda dos preços no mercado mundial, segundo as mais recentes projeções do Banco Mundial publicadas em abril no relatório Commodity Outlook. Depois de atingir uma média de 3,04 dólares/kg em 2024, o preço da folha recuou 4% em 2025 e deverá registar uma nova descida de 2% este ano.

Segundo a instituição de Bretton Woods, os preços mundiais já caíram 8% no primeiro trimestre de 2026, em comparação trimestral, devido a uma oferta mundial abundante, sobretudo proveniente da Ásia, principal centro de produção.

«Apesar de algumas preocupações relativas à produção no Quénia e no Uganda, o mercado mundial do chá continua bem abastecido, principalmente graças ao aumento da produção na Índia… As perturbações da oferta ligadas às condições meteorológicas, combinadas com uma forte procura de chá de qualidade superior, sustentaram os preços no leilão de Mombaça, enquanto os preços nos leilões de Calcutá e Colombo caíram 22% e 5%, respetivamente, refletindo uma oferta abundante», sublinha o relatório.

O impacto do conflito no Médio Oriente

Para além dos fatores ligados à oferta mundial, o mercado do chá enfrenta há vários meses as consequências das tensões geopolíticas no Médio Oriente.

Numa análise publicada na segunda-feira, 30 de março, a agência especializada Expana Markets indica que o conflito regional resultante da ação militar dos Estados Unidos e de Israel no Irão está a perturbar cada vez mais os fluxos comerciais da folha desde fevereiro de 2026.

Segundo várias fontes industriais citadas pela agência, os comerciantes da África Oriental e do Sul da Ásia enfrentam dificuldades logísticas e financeiras, num contexto de desaceleração da procura proveniente do Irão e dos mercados do Golfo. Vários compradores do Golfo hesitam atualmente em confirmar encomendas ou efetuar pagamentos devido ao aumento dos prémios de risco e às incertezas logísticas. Esta situação reduz a participação nos leilões e exerce pressão adicional sobre os preços das qualidades premium, historicamente destinadas aos mercados do Médio Oriente.

O impacto é particularmente visível no Quénia, principal exportador mundial de chá preto. Numa entrevista concedida à Reuters em abril passado, George Omuga, diretor-geral da Associação dos Comerciantes de Chá da África Oriental, responsável pelos leilões de chá de Mombaça, indicava que as perdas acumuladas desde 1 de março atingiam cerca de 8 milhões de dólares por semana.

«O atual conflito no Médio Oriente teve um impacto direto e negativo sobre este leilão… Nenhum chá estava atualmente a ser enviado para o Médio Oriente, que representa entre 20% e 25% das exportações de chá do Quénia, enquanto os compradores também reduziam as suas aquisições, porque até os stocks já adquiridos deixaram de circular.»

Com o abrandamento das compras iranianas e dos países do Golfo, os exportadores são agora obrigados a redirecionar parte dos seus volumes para outros mercados na África do Norte, Europa ou Ásia Central, muitas vezes a preços inferiores. Esta situação fragiliza ainda mais fileiras já expostas à volatilidade dos preços mundiais e aos riscos climáticos.

Estrutura das exportações africanas

Entre a queda dos preços e as tensões geopolíticas, África encontra-se inevitavelmente influenciada pela dinâmica do mercado internacional. Esta situação exerce uma pressão crescente sobre os países exportadores, sobretudo os da sub-região oriental, motores da oferta continental.

Os dados da Trademap mostram que as exportações africanas de chá geraram 1,45 mil milhões de dólares em 2025. Líder histórico das exportações, o Quénia representou cerca de 80% das remessas, tanto em volume como em valor. Entre os outros grandes intervenientes destacam-se o Uganda, o Ruanda e o Malawi. Para estes países, a queda prolongada dos preços representa um risco direto para as receitas de exportação e para os rendimentos de milhões de pequenos produtores.

Importa igualmente referir que, em 2025, os países do Médio Oriente absorveram cerca de 20% das exportações de chá provenientes do continente africano, num valor aproximado de 321,2 milhões de dólares.

Stéphanas Assocle

Sobre o mesmo tema

A África do Sul enfrenta, desde o início de 2026, episódios recorrentes de inundações que afetam tanto as zonas urbanas como as áreas rurais. Esta...

A Tanzânia afirma-se como o segundo maior produtor africano de mel, depois da Etiópia. Tal como na maioria dos países do continente, a apicultura...

O chá é a bebida mais consumida no mundo depois da água. Em 2026, o mercado mundial enfrenta fortes tensões devido à volatilidade dos preços das...

A criação de abelhas faz parte integrante da agricultura e do desenvolvimento rural em África. Em Moçambique, onde ainda ocupa um lugar marginal na...

MAIS LIDOS
01

A 5G está a avançar progressivamente em África, impulsionada pelas crescentes necessidades de conect…

Banda larga: a Mauritânia junta-se ao grupo de países que lançaram a 5G comercial.
02

Durante muito tempo, Dar es Salaam foi vista sobretudo como a capital económica da Tanzânia — uma ci…

Dar es Salaam, a sofisticação tranquila do oceano Índico
03

Enquanto milhares de jovens entram todos os anos no mercado de trabalho e o desemprego entre os 15 e…

Au Mali, formar para empregar torna-se uma prioridade nacional.
04

A transformação digital está a acelerar-se em África. Os Estados procuram, assim, enquadrar melhor e…

Regulação do digital: o Senegal aproxima-se da Turquia.

A Agência Ecofin cobre diariamente as atualidades de 9 setores africanos: gestão pública, finanças, telecomunicações, agro, energia, mineração, transportes, comunicação e formação. Também concebe e opera mídias especializadas, digitais e impressas, em parceria com instituições ou empresas ativas em África.

DEPARTAMENTO COMERCIAL
regie@agenceecofin.com 
Tel: +41 22 301 96 11
Cel: +41 78 699 13 72

Mídia kit : Link para download
REDAÇÃO
redaction@agenceecofin.com


Mais informações :
Equipe
Editora
AGÊNCIA ECOFIN

Mediamania Sarl
Rue du Léman, 6
1201 Genebra – Suíça
Tel: +41 22 301 96 11

 

A Agência Ecofin é uma agência de informação econômica setorial, criada em dezembro de 2010. Sua plataforma digital foi lançada em junho de 2011.

 
 
 
 

Please publish modules in offcanvas position.