O algodão é o quarto produto agrícola de exportação da Costa do Marfim, atrás do cacau, da borracha natural e da castanha de caju. Depois de vários anos de bons desempenhos, o setor atravessa, contudo, uma fase de recuo há duas campanhas.
Em Abidjan, um novo clima de otimismo começa a surgir no setor algodoeiro. No dia 24 de junho, Brou Kouakou, diretor executivo da Associação Profissional das Empresas Algodoeiras da Costa do Marfim (APROCOT-CI), anunciou uma meta de produção de 400 mil toneladas de algodão para a campanha 2026/2027. Este nível representaria o terceiro melhor resultado desde 2020/2021 e permitiria ao país reduzir a diferença face aos seus principais concorrentes regionais, como o Benim, o Mali e o Burkina Faso.
Para além desta competição regional, os profissionais esperam sobretudo ultrapassar uma campanha anterior cujo balanço continua marcado por várias deceções.
2025/2026, um ano de desilusões
A recuperação esperada para a próxima campanha demonstra a dimensão da frustração registada no final da época 2025/2026, que inicialmente tinha sido encarada com grande otimismo.
Na principal economia da UEMOA, onde a produção já tinha diminuído cerca de 10% em 2024/2025, o governo multiplicou as iniciativas para mobilizar novamente os intervenientes do setor, sobretudo os produtores concentrados nas regiões do Centro e do Norte.
Na quinta-feira, 31 de julho, Kobenan Kouassi Adjoumani, então ministro da Agricultura, anunciou um pacote de 25,3 mil milhões de francos CFA (43,8 milhões de dólares) destinado a subsídios.
Este orçamento recorde, duas vezes superior ao anterior, inclui um apoio estimado de 44 francos CFA por quilograma no preço pago aos produtores, bem como um subsídio adicional de 18 mil francos CFA por hectare. Em paralelo, o preço de compra ao produtor foi mantido em 310 francos CFA/kg.
Com estas medidas, a APROCOT-CI apresentava fortes ambições: esperavam-se 550 mil toneladas de algodão para a campanha 2025/2026, um nível próximo do recorde alcançado em 2020/2021 (559 266 toneladas), que tinha permitido à Costa do Marfim subir ao segundo lugar continental atrás do Benim. Mas os resultados acabaram por ficar aquém das expectativas.
«Foram registadas baixas precipitações durante o período de sementeira, especialmente em junho (da campanha anterior), o que, em algumas zonas, comprometeu uma boa instalação das culturas», afirmou Brou Kouakou à Reuters.
O responsável destacou também o impacto do aumento dos custos de produção, associado nomeadamente às tensões no Médio Oriente e à subida dos preços dos combustíveis, que afetou os fatores de produção agrícola, em particular fertilizantes e pesticidas.
No final, a colheita atingiu apenas 310 398 toneladas, o segundo nível mais baixo registado em cinco anos, depois da campanha 2022/2023 (280 447 toneladas).
No terreno, o número de produtores também diminuiu significativamente, passando de 99 793 para 79 979 agricultores, uma queda próxima de 20% num ano. «A redução do número de produtores de algodão explica-se pelo facto de os agricultores estarem a optar por culturas consideradas mais rentáveis comercialmente, como a soja e a castanha de caju», destaca o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) num relatório sobre o setor publicado no início de abril.
O único ponto positivo foi a melhoria da produtividade do algodão, que atingiu 1,14 toneladas por hectare durante a campanha 2025/2026, contra 871 kg por hectare em 2024/2025, segundo a APROCOT-CI. Esta evolução ocorreu apesar de uma redução de 18,7% das áreas cultivadas, que passaram para 290 208 hectares.
Objetivo 2030
Após esta campanha difícil, a APROCOT-CI pretende agora olhar para o futuro. O período de sementeira deverá terminar até ao final do mês. Embora ainda não tenham sido divulgados detalhes sobre as áreas previstas ou os rendimentos esperados no âmbito da nova meta, o setor já demonstra grandes ambições para os próximos anos.
Segundo Brou Kouakou, a produção deverá aumentar progressivamente até atingir 600 mil toneladas em 2030.
Até lá, os observadores consideram que os intervenientes do setor serão avaliados na próxima colheita, prevista entre outubro e janeiro.
Recorde-se que o setor algodoeiro marfinense assenta em seis principais empresas: a Companhia Marfinense para o Desenvolvimento Têxtil (CIDT), a Global Cotton, a Ivoire Coton, a Companhia Marfinense de Algodão (COIC), a Sociedade de Exploração Algodoeira (SECO-OLAM) e a Sociedade Industrial Algodoeira das Savanas (SICOSA 2.0).
Espoir Olodo













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