A Nigéria é o principal mercado de produtos lácteos importados na África Ocidental. O Governo, que procura reduzir a dependência das importações, está a criar um ambiente favorável para atrair investimento privado no desenvolvimento das capacidades de produção local.
Na Nigéria, a empresa Pure Dairy Herds anunciou na terça-feira, 23 de junho, ter iniciado os procedimentos para a criação de uma exploração leiteira avaliada em 250 milhões de dólares no Estado de Ogun. Segundo informações divulgadas pelos meios de comunicação locais, a unidade deverá ser instalada na zona de Ogun Oeste.
De acordo com Farouk Gumel, representante da empresa, os trabalhos deverão começar nas próximas semanas, após uma cerimónia de lançamento anunciada pelas partes envolvidas.
Até ao momento, os detalhes relativos à capacidade de produção ainda não foram divulgados. No entanto, caso este investimento se concretize, poderá contribuir para reforçar as capacidades produtivas da indústria leiteira, que continua fortemente dependente das importações.
Uma dinâmica de investimento impulsionada pelo setor privado
Este anúncio surge num contexto marcado pela intensificação dos investimentos na cadeia de valor do leite na Nigéria. Já em março de 2026, o fundo soberano do país (NSIA) assinou um memorando de entendimento com a gestora britânica Asset Green Ltd para um projeto avaliado em cerca de 500 milhões de dólares.
Este projeto prevê a criação de um complexo agroindustrial integrado, incluindo 20.000 hectares de culturas forrageiras e uma exploração moderna capaz de acolher 10.000 vacas leiteiras. O projeto incluirá também a construção de uma unidade de transformação com capacidade anual de 200.000 toneladas, destinada à produção de leite fresco, manteiga, natas e leite em pó.
Pouco antes, em junho de 2025, o grupo agroalimentar catariano Baladna tinha anunciado a sua intenção de instalar uma unidade leiteira no Estado de Ogun. O valor do investimento e os detalhes relativos à capacidade de produção não foram divulgados.
Estes novos projetos estão alinhados com as ambições do Governo para o setor leiteiro. Importa igualmente destacar que, em junho de 2025, Abuja comprometeu-se a duplicar a produção anual de leite, atingindo 1,4 milhões de toneladas até 2030, com um reforço da participação do setor privado.
No país, esta dinâmica já é impulsionada por vários intervenientes privados, como a cooperativa dinamarquesa Arla Foods, a neerlandesa FrieslandCampina, bem como empresas nacionais como a Promasidor e a Integrated Dairies, que exploram explorações leiteiras e unidades de transformação.
Se a indústria leiteira conseguir duplicar a sua produção, a Nigéria ficará mais próxima da autossuficiência neste produto. No seu mais recente relatório sobre o mercado leiteiro nigeriano, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indica que o país mais populoso de África depende em 60% das importações para satisfazer as suas necessidades de consumo de produtos lácteos, estimadas em cerca de 1,6 milhões de toneladas por ano.
Para apoiar este objetivo, várias iniciativas já foram lançadas por Abuja desde o ano passado, incluindo a elaboração de um roteiro nacional para a pecuária, a expansão de programas de desenvolvimento da fileira bovina, bem como parcerias internacionais centradas na genética animal e nas tecnologias agrícolas.
Os novos projetos apoiados por capitais privados, quer estejam em fase de execução ou ainda em preparação, terão gradualmente de demonstrar a sua capacidade de reduzir de forma sustentável a dependência do país face às importações.
Stéphanas Assocle













Boipuso Hall, Fairgrounds, Gaborone