A África Ocidental é a principal zona de produção de algodão em África. Na região, o cultivo desta fibra representa uma importante fonte de receitas públicas e de emprego nas zonas rurais.
Após a campanha algodoeira de 2025/2026, chegou o momento dos preparativos para a nova época na África Ocidental. Enquanto alguns países procuram reafirmar as suas posições, outros pretendem recuperar terreno para continuar na corrida regional. Uma análise das perspetivas de produção no grupo dos quatro principais fornecedores africanos da fibra.
Burkina Faso: crescimento espetacular previsto
Foi no passado dia 25 de junho que o Burkina Faso apresentou as suas previsões para a campanha algodoeira de 2026/2027. Em Conselho de Ministros, as autoridades estabeleceram uma meta ambiciosa de 532.000 toneladas de algodão em caroço. Este nível representaria um aumento de cerca de 69% face ao ano anterior (314.293 toneladas), sendo uma das maiores taxas de crescimento esperadas na África Ocidental.
Para apoiar este objetivo, as autoridades mantiveram o preço do saco de 50 kg de fertilizante em 17.500 FCFA, graças a uma subvenção de 15,8 mil milhões de FCFA (27,4 milhões de dólares) financiada pelas empresas algodoeiras, com o objetivo de reduzir os custos suportados pelos produtores.
O Benim quer consolidar a posição de líder
Primeiro produtor de algodão da África Ocidental na campanha 2025/2026, o Benim pretende manter a sua vantagem. Para 2026/2027, as autoridades preveem um crescimento de cerca de 8% na produção de algodão em caroço, elevando-a para 700.000 toneladas.
No âmbito desta ambição, o Governo introduziu, no início de junho, um prémio de 10 FCFA por quilograma, que será pago aos produtores caso a produção nacional ultrapasse o limite previsto de 700.000 toneladas.
Paralelamente, Cotonou aumentou em 22,5% o orçamento destinado à subvenção de fertilizantes para a campanha 2026/2027, elevando-o para 31,87 mil milhões de FCFA (56,9 milhões de dólares), com o objetivo de garantir o acesso a fatores de produção a preços acessíveis num contexto de subida dos preços no mercado mundial.
Mali em recuperação
Após o fraco desempenho registado em 2025/2026, quando perdeu a liderança regional para o Benim, o Mali procura agora recuperar terreno. Para a campanha 2026/2027, Bamako prevê uma colheita de 598.500 toneladas de algodão em caroço, cerca de 38% superior à campanha anterior (433.700 toneladas).
Para alcançar este objetivo, a Companhia Maliana para o Desenvolvimento dos Têxteis (CMDT), empresa pública responsável pela organização, acompanhamento da fileira e comercialização da fibra, aposta num aumento das áreas dedicadas ao cultivo do algodão de cerca de 18%, atingindo 630.000 hectares.
Esta meta implica um aumento dos volumes de fatores de produção (fertilizantes, pesticidas e inseticidas), geralmente subsidiados pelo Governo, mas também um melhor controlo das pragas, nomeadamente o jassídeo, atualmente considerado um dos principais desafios pelos operadores do setor.
Costa do Marfim quer reduzir o atraso face aos outros
Na Costa do Marfim, as ambições são mais moderadas após duas campanhas consecutivas de queda. Para 2026/2027, a Associação Profissional das Empresas Algodoeiras da Costa do Marfim (APROCOT-CI) pretende aumentar em 29% a produção de algodão em caroço, atingindo 400.000 toneladas.
O sucesso desta trajetória dependerá, nomeadamente, da capacidade do setor em voltar a atrair os produtores, uma parte dos quais se voltou nos últimos anos para culturas consideradas mais rentáveis, como a soja ou a castanha de caju.
Segundo dados oficiais, o número de produtores ativos no setor diminuiu cerca de 20%, passando para 79.979 pessoas em 2025/2026.
Stéphanas Assocle













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