Num contexto de revitalização do ensino superior, o Estado burquinabê está a mobilizar financiamento para modernizar e reforçar a capacidade de acolhimento e de ensino dos seus institutos universitários de tecnologia e de formação profissional.
O Burkina Faso prossegue o processo de modernização do seu ensino superior. Durante o Conselho de Ministros de 18 de junho, presidido pelo capitão Ibrahim Traoré, o Governo aprovou um relatório do Ministério do Ensino Superior, da Investigação e da Inovação (MESRI).
Esta decisão enquadra-se na dinâmica de reforma académica iniciada em 2025. O objetivo é corrigir os atrasos acumulados ao longo de anos de perturbações e estabilizar de forma duradoura o calendário universitário. O Governo pretende, assim, criar as condições para um ensino superior mais competitivo e melhor alinhado com as necessidades do país.
O documento prevê dois grandes projetos simultâneos. O primeiro consiste na continuação da construção de infraestruturas nos Institutos de Ensino Superior e de Investigação (IESR). Segundo o comunicado oficial, estas estruturas deverão estar operacionais no ano académico de 2026-2027.
O segundo projeto prevê a aquisição de equipamentos pedagógicos e consumíveis laboratoriais, com o objetivo de apoiar os trabalhos práticos já a partir do próximo ano letivo.
O custo total da operação ascende a 5,97 mil milhões de francos CFA, o equivalente a cerca de 10 milhões de dólares. O financiamento será assegurado integralmente pelo orçamento do Estado para o exercício de 2026, sem recurso a parceiros externos. Esta dotação reflete uma clara vontade de soberania no financiamento do ensino superior.
Uma reforma universitária estruturante
Este esforço financeiro está alinhado com a reforma universitária conduzida pelo MESRI desde 2025. Um novo mapa universitário organiza atualmente 17 IESR especializados e 4 instituições generalistas.
Cada campus está orientado para um polo regional de excelência em áreas definidas de forma soberana. Um referencial de formações prioritárias abrange 9 domínios, 37 especializações e 485 áreas de formação. Agricultura, informática, minas, ciências médicas e energias renováveis figuram entre as prioridades.
O Burkina Faso encontra-se atualmente num processo de recuperação académica. Os anos de turbulência provocados, nomeadamente, pela crise de segurança e pelas greves recorrentes deixaram marcas profundas no ensino superior, conforme indicou o ministro do Ensino Superior, Adjima Thiombiano, em novembro de 2024.
A principal universidade pública do país, a Université Joseph Ki-Zerbo, é um reflexo dessa realidade. A instituição acolhia mais de 60 mil estudantes no ano letivo de 2024-2025, tendo o número de alunos aumentado 3,4 vezes em vinte anos.
Em setembro de 2024, 63% dos seus 65 cursos já tinham recuperado o calendário académico, segundo dados oficiais. Esta dinâmica de recuperação dá sentido à nova iniciativa governamental, que procura consolidar os progressos alcançados e acelerar a modernização do ensino superior no país.
Félicien Houindo Lokossou.













Boipuso Hall, Fairgrounds, Gaborone