Perante a persistente fragilidade do sistema educativo do Mali, marcada por milhares de estabelecimentos de ensino não funcionais, um novo apoio financeiro regional pretende reforçar a capacidade de acolhimento das escolas e alargar o acesso dos alunos a um ensino de qualidade.
Na sua 151.ª sessão ordinária, realizada na sexta-feira, 26 de junho, em Lomé, no Togo, o Conselho de Administração do Banco Oeste-Africano de Desenvolvimento (BOAD) aprovou um financiamento de 48 mil milhões de francos CFA, equivalente a 83,5 milhões de dólares, para o Mali. Segundo o comunicado oficial, este montante destina-se a financiar a primeira fase de um projeto de reforço das infraestruturas escolares do país.
Uma implementação ainda por definir
O financiamento abrange a construção, reabilitação e apetrechamento de estabelecimentos de ensino e tem como objetivo «alargar o acesso a uma educação de qualidade» para os alunos malianos.
Nesta fase, continuam por definir o número de estabelecimentos abrangidos e as localidades selecionadas. Também permanece por confirmar a entidade maliana responsável pela execução do projeto. Além disso, ainda não foi divulgado qualquer calendário para a sua implementação. Estas incertezas não permitem, por enquanto, avaliar plenamente o alcance operacional da iniciativa.
O facto de o projeto estar estruturado por fases deixa antever a possibilidade de novos financiamentos para este setor. Esta abordagem progressiva sugere uma implementação faseada, suscetível de ser ajustada em função das necessidades identificadas no terreno. Contudo, permanece uma questão essencial: estarão as zonas mais afetadas pelo encerramento de escolas entre as primeiras a beneficiar da intervenção?
A urgência de garantir o acesso à escola
O desafio ultrapassa a dimensão financeira, pois está diretamente relacionado com a capacidade do projeto para chegar às populações mais vulneráveis. Estas incertezas assumem especial relevância num contexto nacional particularmente difícil.
No Mali, a insegurança continua a afetar gravemente o sistema educativo. Segundo o mais recente relatório do Cluster da Educação do Mali, que reúne, entre outros, o Ministério da Educação Nacional, a organização Save the Children e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), 2 444 escolas permaneciam encerradas no final de abril de 2026.
Dos 11 860 estabelecimentos de ensino existentes no país, esta situação priva mais de 733 000 alunos do acesso à educação e afeta cerca de 14 700 professores. A região de Ségou concentra o maior número de escolas encerradas. O relatório assinala, contudo, a reabertura de 12 escolas entre março e abril de 2026, um sinal positivo, embora ainda frágil.
Félicien Houindo Lokossou













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