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A Guiné quer mobilizar 563 milhões de dólares para relançar a sua produção avícola

A Guiné quer mobilizar 563 milhões de dólares para relançar a sua produção avícola
Terça-feira, 30 de Junho de 2026

A Guiné depende das importações para cerca de 80% das suas necessidades de carne de aves. No âmbito da sua estratégia de soberania alimentar, Conacri procura reduzir esta dependência através do desenvolvimento da indústria avícola nacional.

Na Guiné, o Ministério da Pecuária apresentou, na segunda-feira, 29 de junho, a Estratégia Nacional de Desenvolvimento da Fileira Avícola para o período 2026-2030. Este novo roteiro visa reforçar a produção nacional de carne de aves e de ovos, reduzindo simultaneamente a dependência das importações.

Um plano de investimento de 563 milhões de dólares

Anunciada pela primeira vez em abril deste ano, a estratégia de desenvolvimento da fileira avícola, agora concluída, prevê um investimento global de 5,124 biliões de francos guineenses (563 milhões de dólares). Segundo informações divulgadas pelos meios de comunicação social locais, este montante será mobilizado conjuntamente pelo Estado, parceiros técnicos e financeiros e pelo setor privado.

As intervenções previstas estruturam-se em torno de sete eixos estratégicos, entre os quais o desenvolvimento da alimentação animal, a melhoria da biossegurança, a reforma do enquadramento comercial, bem como a organização da cadeia de valor e dos seus intervenientes.

O objetivo assumido pelas autoridades é alcançar a autossuficiência em carne de aves e ovos até 2030. A concretização desta meta implica um reforço da capacidade de produção nacional para substituir as importações, que têm registado um crescimento contínuo nos últimos anos.

Os dados compilados pela FAO mostram que as importações de carne de frango aumentaram 54,28% em cinco anos, passando de 57 421 toneladas em 2020 para 88 590 toneladas em 2024, representando uma fatura anual superior a 100 milhões de dólares.

Desafios a ultrapassar

Este plano de investimento surge numa altura em que a produção avícola permanece praticamente estagnada há vários anos. Segundo a FAO, a Guiné produziu, em média, 13 806 toneladas de carne de aves por ano entre 2020 e 2024, sem nunca ultrapassar a fasquia das 15 000 toneladas.

A principal razão é que o setor continua a ser amplamente dominado por sistemas tradicionais de criação, que apresentam baixos níveis de produtividade. De acordo com dados oficiais, a Guiné possui mais de 25,2 milhões de aves, das quais apenas 7% são provenientes de sistemas semi-intensivos, enquanto a grande maioria continua a ser criada em sistemas tradicionais.

Além disso, vários constrangimentos estruturais limitam o desenvolvimento da indústria nacional, incluindo as dificuldades de acesso ao financiamento, insuficiências do quadro regulamentar, problemas na organização do mercado e custos de produção elevados, que reduzem ainda mais a competitividade face aos produtos importados. «Estes produtos importados entram no nosso mercado a preços entre 40% e 60% inferiores ao custo real dos frangos produzidos localmente», explicou Félix Lamah, ministro da Pecuária.

Rumo a uma política mais protecionista?

Num contexto em que os produtos importados continuam, na maioria dos casos, a ser mais baratos do que a produção nacional, as autoridades de Conacri ponderam adotar medidas destinadas a proteger a fileira avícola.

«Importar, sim, podemos importar aquilo que não temos. Mas aquilo que produzimos, vamos estabelecer quotas e algumas barreiras, em conformidade com os acordos existentes, tal como outros países já estão a fazer. Não há qualquer impedimento», afirmou o primeiro-ministro Amadou Oury Bah.

Esta orientação reflete a vontade do Governo de regular mais rigorosamente as importações, tornando o setor mais atrativo para os investidores privados. A este propósito, a 26 de março, o conglomerado guineense Sonoco anunciou um investimento de 20 milhões de dólares num projeto avícola integrado que abrangerá toda a cadeia de valor, desde a produção de alimentos para animais até à distribuição.

Stéphanas Assocle

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