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IA, cibersegurança, tecnopolo: Maurícia reforça as suas ambições digitais

IA, cibersegurança, tecnopolo: Maurícia reforça as suas ambições digitais
Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

Maurícia pretende afirmar-se como um centro regional de tecnologias digitais e de inteligência artificial. Para o exercício orçamental de 2026/2027, o país definiu objetivos ambiciosos para modernizar a administração pública e acelerar a inovação tecnológica.

O primeiro-ministro e ministro das Finanças das Maurícias, Navin Ramgoolam, apresentou na sexta-feira, 19 de junho, as principais linhas do orçamento nacional para o exercício de 2026/2027. O documento atribui um papel central ao digital e prevê um conjunto de reformas e investimentos destinados a modernizar os serviços públicos, reforçar a competitividade da economia e estruturar um ecossistema dinâmico de start-ups e tecnologias emergentes.

A IA ao serviço da modernização dos serviços públicos

O Governo pretende acelerar a digitalização da administração pública através de uma maior integração da inteligência artificial nas plataformas públicas existentes, nomeadamente o National Electronic Licensing System (NELS). Esta plataforma será reforçada com um chatbot multilingue e ferramentas de automatização capazes de prestar assistência contínua 24 horas por dia, 7 dias por semana, reduzindo simultaneamente os prazos de processamento dos pedidos de licenças.

Na mesma linha, a plataforma Digital Interactive Virtual Assistant (DIVA) será modernizada para melhorar a acessibilidade dos serviços públicos digitais. O objetivo declarado é simplificar os procedimentos administrativos e melhorar a experiência dos utilizadores através de interfaces mais inteligentes e mais eficientes.

Investimentos significativos nas competências e na IA

O orçamento dedica também uma parte importante ao desenvolvimento das competências digitais. Vários programas de capacitação serão implementados em larga escala, incluindo a formação de 8000 professores do ensino secundário, a disponibilização de soluções de aprendizagem em IA para 12 000 alunos, bem como o reforço das competências digitais de 25 000 cidadãos.

Em paralelo, 5000 funcionários públicos receberão formação sobre a utilização responsável da IA na administração pública. Um programa denominado «Champion of AI», desenvolvido em parceria com a Índia, pretende igualmente promover a adoção destas tecnologias a nível nacional.

Uma estratégia estruturada em torno da inovação e da cibersegurança

Uma verba de 25 milhões de rupias mauricianas (cerca de 523 132 dólares americanos) será destinada à implementação de uma plataforma nacional de aprendizagem em inteligência artificial e ao apoio a start-ups especializadas. Será também publicado um guia nacional sobre inteligência artificial para enquadrar a utilização ética destas tecnologias.

A cibersegurança surge igualmente como uma prioridade. Está prevista uma dotação de 13 milhões de rupias mauricianas para a criação de um laboratório de investigação forense digital, o reforço das investigações cibernéticas e a implementação de sistemas de gestão da segurança da informação. Será também criada uma plataforma de partilha de informações sobre ameaças cibernéticas.

Um ecossistema de start-ups apoiado por novas reformas

O orçamento de 2026/2027 introduz várias medidas destinadas a estimular o empreendedorismo tecnológico. Está prevista uma lei sobre start-ups para estruturar o quadro regulamentar do setor, acompanhada por um programa de aceleração liderado pelo Economic Development Board (EDB).

As jovens empresas beneficiarão de uma isenção fiscal de dez anos, bem como de mecanismos de financiamento que incluem bolsas de inovação no valor máximo de 500 000 rupias mauricianas. Está igualmente prevista uma reforma do enquadramento das PME, com a criação de uma plataforma digital única que reunirá apoios públicos, financiamentos e mecanismos de acompanhamento.

Uma zona tecnológica estratégica em Côte d’Or

Uma das principais medidas do orçamento é a criação de uma zona económica especial dedicada às tecnologias avançadas em Côte d’Or, numa área de 83 arpents. Esta zona pretende atrair investimentos em inteligência artificial, centros de dados, serviços digitais e indústrias inovadoras.

O projeto prevê fortes incentivos, incluindo a possibilidade de participação estrangeira a 100%, tarifas elétricas preferenciais para centros de dados, benefícios fiscais e procedimentos acelerados para a obtenção de autorizações de trabalho. Estão também previstas condições de arrendamento atrativas a longo prazo para os investidores.

Rumo a uma economia digital de maior valor acrescentado

Com este orçamento, as Maurícias reforçam a sua estratégia de transformação digital apostando simultaneamente na inteligência artificial, cibersegurança, inovação e empreendedorismo tecnológico. As autoridades esperam assim atrair mais investimentos, aumentar a eficiência dos serviços públicos e posicionar a ilha como um polo regional das tecnologias digitais.

Segundo os dados orçamentais, a economia digital representa 5,7% do PIB mauriciano. O país apresenta uma taxa de penetração da Internet de 180,5% e uma taxa de penetração da telefonia móvel de 173,6%.

O setor gerou 9,64 mil milhões de rupias mauricianas em exportações de serviços e atraiu 985 milhões de rupias mauricianas em investimento direto estrangeiro.

Samira Njoya

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