Em todo o continente, as autoridades estão a acelerar a implementação de infraestruturas de telecomunicações para reduzir a exclusão digital. No entanto, estas infraestruturas continuam expostas a vários riscos.
O Governo burquinabè lançou uma operação de controlo de algumas infraestruturas públicas de telecomunicações instaladas em todo o território nacional. A iniciativa pretende proteger melhor estes equipamentos, garantindo um acesso mais fiável à Internet e aos serviços digitais.
A operação, iniciada na segunda-feira, 15 de junho, pelo Ministério da Transição Digital, dos Correios e das Comunicações Eletrónicas, decorrerá até quarta-feira, 24 de junho. Segundo as autoridades, as inspeções abrangem as redes de fibra ótica, os equipamentos técnicos, os sistemas de fornecimento de energia, bem como outras instalações essenciais ao funcionamento dos serviços de telecomunicações.
«O objetivo é preservar os investimentos públicos realizados no setor, prevenir falhas, reforçar o desempenho das infraestruturas e melhorar progressivamente a qualidade da conectividade em benefício das populações», indicou o ministério num comunicado publicado nas redes sociais na quinta-feira, 18 de junho.
Esta iniciativa surge alguns meses depois de as autoridades burquinabè terem lançado os trabalhos de construção de um Centro de Supervisão das Infraestruturas Digitais. Com um custo estimado em 3,05 mil milhões de francos CFA (cerca de 5,4 milhões de dólares americanos), o centro terá como principais funções a supervisão centralizada da rede nacional backbone, a proteção do ciberespaço, a gestão dos centros de dados, bem como a manutenção e proteção das infraestruturas digitais críticas do Estado. A entrada em funcionamento está prevista para outubro de 2026.
Uma proteção necessária perante múltiplas ameaças
Estes esforços acontecem num contexto em que as infraestruturas digitais continuam expostas a vários riscos, limitando o acesso aos serviços. O vandalismo continua a ser uma das principais ameaças, um fenómeno frequente em vários países africanos.
Os atos de vandalismo afetam principalmente as redes de fibra ótica e de cobre. Incluem o roubo e a destruição de cabos por particulares, por vezes revendidos no mercado informal devido aos seus componentes metálicos. A estas degradações juntam-se danos provocados por obras públicas e privadas, nomeadamente durante projetos de urbanização, construção imobiliária, reabilitação rodoviária ou instalação de redes de água.
Além da fibra ótica e do cobre, os locais técnicos dos operadores de telecomunicações também são alvo de ataques. Registam-se roubos de equipamentos como geradores, painéis solares e combustível diesel, essenciais ao funcionamento das estações base, sobretudo em zonas onde o acesso à rede elétrica é limitado.
No caso específico do Burkina Faso, a situação de segurança também afeta fortemente as redes de telecomunicações. As autoridades indicaram que cerca de um quarto das antenas foram vandalizadas por grupos armados, provocando uma redução estimada entre 10% e 20% da cobertura dos serviços móveis e de Internet, além de uma degradação geral da qualidade do serviço.
Segundo um estudo da Autoridade de Regulação das Comunicações Eletrónicas e dos Correios (ARCEP), o número de torres de telecomunicações destruídas aumentou de 11 em 2019 para 106 em 2022. Ao mesmo tempo, o número de locais fora de serviço ou inacessíveis passou de 632 em 2022 para 681 em agosto de 2023, segundo dados posteriores do regulador. Os operadores, incluindo a Orange e a Moov Africa, também destacaram o impacto destas degradações nas suas operações.
Uma infraestrutura essencial
A proteção da infraestrutura digital enquadra-se num contexto em que esta constitui um pilar central da transformação digital em curso no país. Atualmente, é indispensável para o funcionamento das administrações públicas, empresas e serviços digitais, garantindo um acesso seguro à Internet.
Para os particulares, o acesso à Internet tornou-se essencial em casa para utilizações como casas inteligentes, streaming, jogos online, ensino à distância ou teletrabalho. As empresas, por sua vez, dependem dela para ferramentas colaborativas, serviços na nuvem, gestão de dados e soluções de comunicação.
Recorde-se que o Governo burquinabè pretende alcançar uma cobertura nacional de banda larga até 2030. Entretanto, cerca de 28,3% da população tinha acesso à Internet em 2024, segundo a União Internacional das Telecomunicações (UIT). A taxa de penetração da telefonia móvel situava-se em 63,9%.
Isaac K. Kassouwi













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