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A Nigéria lançará um fundo de 1 mil milhões de dólares dedicado às start-ups da economia azul em março de 2026

A Nigéria lançará um fundo de 1 mil milhões de dólares dedicado às start-ups da economia azul em março de 2026
Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2025

A Nigéria lançará, em março de 2026, um fundo de mil milhões de dólares destinado a start-ups da economia azul e do setor marítimo.

O anúncio foi feito no domingo, 14 de dezembro de 2025, em Abuja, por Ronke Kosoko, diretora-geral do Maritime Innovations Hub, durante uma conferência de imprensa organizada à margem da cimeira sobre o investimento na economia azul.

O fundo será oficialmente lançado por ocasião da Cimeira sobre o Investimento na Economia Azul, prevista para decorrer em Lagos, de 9 a 11 de março de 2026. Terá como alvo jovens empresas ativas em vários segmentos do setor marítimo, nomeadamente o transporte marítimo, a pesca, o turismo costeiro, a construção naval e as energias marinhas renováveis.

Segundo Ronke Kosoko, o objetivo é fornecer financiamento direto às start-ups e reforçar as suas competências. O fundo prevê programas de formação, acompanhamento técnico e acesso a redes internacionais. Insere-se na continuidade de um financiamento de 100 milhões de dólares já obtido pela Nigéria para a formação e o reforço de capacidades no setor marítimo. A responsável indicou ainda que as negociações com os parceiros financeiros estão na fase final e que os representantes do fundo deverão regressar em breve à Nigéria para finalizar os compromissos.

A economia azul no centro da diversificação

Esta iniciativa surge num contexto de diversificação da economia nigeriana. O país procura, de facto, reduzir a sua dependência das receitas provenientes do petróleo, desenvolvendo setores alternativos. A economia azul faz parte das prioridades definidas pelo governo federal.

A Nigéria possui um dos mais extensos litorais da África Ocidental, com mais de 850 km, e uma posição estratégica nas principais rotas marítimas internacionais. Apesar destes trunfos, a sua contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB) permanece inferior a 3%, segundo Ronke Kosoko.

Vários fatores explicam esta situação. O setor sofre com a falta de infraestruturas portuárias, a escassez de dados económicos fiáveis e um enquadramento regulamentar por vezes instável. Estas limitações restringem o desenvolvimento das atividades marítimas e travam a entrada de capitais privados.

De acordo com a diretora-geral do Maritime Innovations Hub, um apoio financeiro estruturado poderia permitir que a economia azul contribuísse para colmatar parte do défice do PIB da Nigéria, estimado em cerca de 750 mil milhões de dólares. As autoridades consideram que investimentos direcionados podem transformar atividades informais em empresas estruturadas e geradoras de receitas fiscais.

Um sinal para os investidores internacionais

Ao apoiar start-ups com capital, formação e exposição internacional, o fundo pretende reduzir os constrangimentos associados ao setor marítimo e à economia azul. Os promotores do projeto acreditam que a estruturação do ecossistema local facilitará a entrada de fundos de investimento e de parceiros industriais.

Este anúncio surge algumas semanas após o regresso da Nigéria ao Conselho da Organização Marítima Internacional (OMI), após 14 anos de ausência. No final de novembro de 2025, o país foi eleito para o Conselho da OMI para o mandato de 2026, na categoria C, que reúne os Estados com interesses específicos no transporte marítimo.

O ministro dos Assuntos Marítimos e da Economia Azul, Adegboyega Oyetola, apresentou esta eleição como um sinal de reconhecimento das reformas em curso e dos esforços de segurança desenvolvidos no Golfo da Guiné. Segundo o ministro, este regresso deverá dinamizar o setor, reforçar as parcerias internacionais do país, melhorar o acesso à assistência técnica e aumentar a confiança dos investidores.

Chamberline Moko

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