As aprovações administrativas estão a avançar mais rapidamente no setor petrolífero namibiano, numa altura em que as autoridades procuram incentivar o crescimento de operadores nacionais, sobretudo no segmento offshore.
Na Namíbia, a Lambda Energy, uma empresa totalmente detida por interesses namibianos, prepara-se para operar o bloco petrolífero offshore PEL 98, depois de o Governo ter dado luz verde à sua transferência pela Eco Atlantic Oil & Gas. Na segunda-feira, 29 de junho, a empresa canadiana anunciou que poderá agora transferir 85% dos seus direitos sobre este bloco de exploração para a Lambda.
Na prática, a Lambda Energy efetuará um pagamento inicial à Eco Atlantic para cobrir custos administrativos, cujo montante não foi divulgado. Caso venha futuramente a vender parte dos seus direitos a terceiros, deverá efetuar pagamentos adicionais à Eco Atlantic, limitados a um total de 2 milhões de dólares. A Eco Atlantic manterá um lugar no conselho de administração da Lambda Energy para acompanhar o processo de transição.
Esta aprovação corresponde à última etapa administrativa exigida pela legislação petrolífera namibiana para validar uma transferência deste tipo. As duas empresas estão agora a concluir os últimos documentos antes de formalizarem definitivamente a operação. «Esta aprovação ministerial representa um passo importante para concluir esta cessão», declarou Gil Holzman, cofundador e diretor-geral da Eco Atlantic, num comunicado.
Uma estratégia de concentração nas águas profundas
Esta transferência insere-se num reposicionamento mais amplo da Eco Atlantic na Namíbia. A empresa pretende concentrar os seus recursos nas licenças PEL 97, 99 e 100, que também detém no país e que considera mais promissoras por se localizarem em águas mais profundas.
Relativamente a duas destas licenças, a Eco Atlantic está igualmente a negociar uma cedência parcial à britânica BP Namibia Energy, uma operação cuja conclusão é esperada no terceiro trimestre de 2026. Após a finalização do acordo, a BP pagará à Eco Atlantic 2,7 milhões de dólares em numerário e financiará a maior parte dos custos de exploração remanescentes nestes blocos.
No mês passado, outra empresa britânica, a Tower Resources, também obteve a aprovação final do Governo namibiano para transferir parte da sua licença offshore PEL 96 para uma empresa paquistanesa, após uma espera de dezassete meses.
Segundo Holzman, o ritmo das aprovações ministeriais na Namíbia está a acelerar, reforçando a confiança das empresas que operam no país e facilitando o avanço das transações comerciais no setor offshore.
Desde 2022, várias grandes empresas internacionais, incluindo a TotalEnergies, a Shell e a Galp, realizaram importantes descobertas petrolíferas nas águas namibianas, tornando o país um dos destinos mais atrativos para os investidores do setor dos hidrocarbonetos em África.
Abdel-Latif Boureima













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