A Etiópia é o maior produtor de cevada de África. Enquanto este cereal continua a ser um dos principais alimentos básicos do país, a par do milho, do trigo e do sorgo, a indústria cervejeira afirma-se progressivamente como um motor da transformação da sua cadeia de valor.
Na segunda-feira, 29 de junho, o Instituto Etíope de Investigação Agrícola (EIAR) assinou um protocolo de acordo com quatro das principais maltarias do país para financiar a produção de sementes de cevada destinadas à indústria cervejeira. As empresas envolvidas são a Asella Malt Factory, a Gondar Malt Factory, a filial etíope do grupo francês Soufflet e a também francesa Boortmalt.
Segundo as autoridades, esta iniciativa representa um passo importante para acelerar o desenvolvimento sustentável da cadeia de valor da cevada.
Uma parceria centrada na investigação e na inovação
O acordo prevê uma colaboração de longo prazo entre o EIAR e as empresas do setor para desenvolver novas variedades de cevada cervejeira, reforçar o sistema de produção de sementes, melhorar a qualidade dos grãos e divulgar práticas agrícolas adaptadas aos produtores.
Ao incentivar os industriais a investirem mais na investigação varietal a montante da cadeia de produção, Addis Abeba pretende reforçar a capacidade dos agricultores locais para responder às exigências das maltarias e das cervejeiras, bem como reduzir, a prazo, a dependência das importações.
«O acordo visa apoiar a iniciativa do Governo de reduzir e, posteriormente, eliminar as importações de cevada cervejeira, alcançando a autossuficiência na produção nacional», refere o EIAR.
Esta nova orientação surge num contexto de rápido crescimento da procura industrial de cevada cervejeira. No seu relatório de abril de 2026 sobre o mercado etíope da cevada, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indica que as maltarias e cervejeiras já absorvem cerca de 265 mil toneladas de cevada para malte por ano.
No entanto, os analistas preveem um crescimento de aproximadamente 15% do mercado etíope da cerveja e das bebidas não alcoólicas na próxima década, o que poderá elevar as necessidades de cevada cervejeira para mais de 300 mil toneladas no prazo de cinco a sete anos.
Para a campanha de 2026/2027, o USDA estima importações de 90 mil toneladas métricas, muito acima da média dos últimos cinco anos, de 28 mil toneladas, impulsionadas pela forte procura da indústria da maltagem e da produção de cerveja.
Porque interessa este acordo às maltarias?
Embora as maltarias possam continuar a satisfazer as suas necessidades adicionais através das importações, o contexto económico leva-as agora a privilegiar a produção nacional. Desde 2024, a reforma da fiscalidade aplicada às bebidas alcoólicas favorece os fabricantes que utilizam matérias-primas produzidas localmente.
A cerveja produzida exclusivamente com cevada cultivada e maltada na Etiópia está sujeita a uma taxa de 35%, enquanto a produzida com malte importado é tributada a 40%. Além disso, as bebidas fabricadas com pelo menos 75% de ingredientes de origem local (excluindo a água) beneficiam de uma taxa reduzida de 30%.
«Estas taxas diferenciadas destinam-se a tornar a cevada de origem local mais atrativa para os produtores de cerveja e a apoiar os agricultores que fornecem grão de qualidade para maltagem», refere o USDA.
Esta diferenciação fiscal altera igualmente as decisões estratégicas da indústria. Para as empresas, investir na investigação e na melhoria da qualidade da produção nacional representa uma forma de reduzir custos, garantir o abastecimento de matéria-prima e reforçar a sua competitividade.
Stéphanas Assocle













Paris Mariott Rive Gauche Hôtel