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Gás: Quénia e Tanzânia apostam num gasoduto para apoiar a industrialização e o comércio

Gás: Quénia e Tanzânia apostam num gasoduto para apoiar a industrialização e o comércio
Quarta-feira, 6 de Maio de 2026

Quénia e Tanzânia querem reforçar a sua integração económica apostando na energia e nas infraestruturas. O objetivo é eliminar as barreiras comerciais e apoiar o desenvolvimento industrial regional.

O Quénia e a Tanzânia assinaram, na segunda-feira, 4 de maio de 2026, um acordo que prevê um estudo de viabilidade para a construção de um gasoduto entre Dar es Salaam e Mombaça, bem como o lançamento do comércio transfronteiriço de eletricidade. O acordo foi concluído em Dar es Salaam, na presença dos presidentes Samia Suluhu Hassan e William Ruto, no âmbito de uma visita de Estado marcada pela assinatura de oito convenções que abrangem energia, infraestruturas, comércio e segurança.

Os dois países incumbiram os seus ministros da Energia de conduzir um estudo conjunto destinado a avaliar a viabilidade técnica, económica e ambiental desta infraestrutura. O traçado previsto ligaria as reservas de gás da Tanzânia aos centros industriais do Quénia, com o objetivo de facilitar o abastecimento energético e reduzir os custos para as empresas.

As autoridades indicam que este projeto poderá apoiar a expansão industrial ao longo da costa da África Oriental. É apresentado como uma alavanca de integração energética regional e de otimização da distribuição de gás. Em paralelo, o acordo prevê o início das trocas de eletricidade entre os dois países, o que permitirá melhorar a fiabilidade das redes e reforçar o abastecimento energético.

A iniciativa insere-se numa abordagem progressiva, estruturada por etapas sucessivas de implementação e validação das diferentes componentes do projeto. O estudo de viabilidade condicionará a decisão de investimento, mas as trocas de eletricidade poderão ser implementadas mais rapidamente para responder às necessidades imediatas.

Um contexto comercial limitado por barreiras não tarifárias

Esta iniciativa ocorre num contexto de relações económicas intensas, mas ainda limitadas. O comércio bilateral atingiu 860 milhões de dólares em 2025, um valor inferior ao potencial identificado pelos dois Estados. Segundo William Ruto, este montante poderia ultrapassar mil milhões de dólares na ausência de barreiras não tarifárias que continuam a travar os fluxos de bens e serviços.

Perante esta situação, os dois dirigentes comprometeram-se a eliminar todas estas barreiras administrativas até ao final de maio de 2026. Foram igualmente previstos mecanismos de acompanhamento através de órgãos conjuntos de cooperação comercial.

A lógica desta abordagem é essencialmente económica. Ambos os países procuram facilitar o comércio, atrair investimento e reforçar a competitividade das suas economias. William Ruto estima que a eliminação destas barreiras poderá gerar até 500 milhões de dólares adicionais em investimentos transfronteiriços ao longo de três anos.

Cooperação alargada para além da energia

Para além da energia, os acordos assinados abrangem os transportes ferroviário e marítimo, a agricultura, a assistência jurídica e o reconhecimento de certificações profissionais. Os dois países discutiram ainda projetos estruturantes, incluindo interligações elétricas, corredores rodoviários e uma linha ferroviária que ligaria o norte da Tanzânia ao Quénia.

Estas iniciativas respondem a um desafio regional. O Quénia e a Tanzânia representam cerca de 40% do comércio intra-comunitário da Comunidade da África Oriental e desempenham um papel central no acesso dos países sem litoral aos mercados internacionais. Neste contexto, a otimização das infraestruturas e a harmonização dos quadros regulamentares surgem como condições essenciais para intensificar as trocas comerciais.

O futuro dependerá sobretudo da capacidade de transformar estes compromissos em ações concretas. A eliminação das barreiras não tarifárias, a coordenação regulamentar e os resultados do estudo de viabilidade serão determinantes. Se o projeto do gasoduto for aprovado, poderá estruturar um mercado energético regional e apoiar de forma duradoura a industrialização e o comércio na África Oriental.

Olivier de Souza

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