Face a restrições persistentes, Angola procura reforçar o desempenho do seu setor elétrico, nomeadamente através de esforços de modernização e melhoria da gestão da rede.
Angola quer apoiar-se na experiência técnica do Brasil em matéria de energia para modernizar o seu setor elétrico. Segundo informações divulgadas a 25 de março pela Agência Angola Press (ANGOP), os dois países reforçaram a cooperação durante uma missão oficial angolana em Brasília.
Esta missão resultou, entre outros, na assinatura de um protocolo de entendimento abrangendo todo o setor, da produção à distribuição. O documento enquadra uma cooperação centrada no planeamento do sistema elétrico. Neste contexto, prevê a partilha de experiências em organização setorial e elaboração de políticas públicas.
O protocolo detalha também modalidades de reforço de capacidades técnicas. Segundo a ANGOP, inclui ações de formação, mecanismos de transferência de competências e cooperação entre instituições públicas, com especial enfoque na gestão e regulação do setor. Além disso, o acordo abrange infraestruturas, nomeadamente a modernização das instalações existentes de produção, transporte e distribuição de eletricidade.
Fundamentalmente, este protocolo permanece um instrumento de cooperação. Define um quadro de colaboração e identifica eixos de trabalho comuns, sem vincular formalmente as partes a obrigações de execução ou a investimentos específicos nesta fase. A sua implementação dependerá da celebração de acordos subsequentes para concretizar os projetos definidos entre as partes.
Recurso alargado a parceiros
A iniciativa com o Brasil insere-se numa estratégia mais ampla de diversificação de parcerias no setor elétrico. Segundo o guia setorial do Departamento de Comércio dos Estados Unidos (2024-2025), a China continua a ser um parceiro central de Angola, nomeadamente no financiamento e construção de infraestruturas energéticas.
Ao mesmo tempo, Luanda multiplica cooperações técnicas e financeiras com outros países. Segundo informações divulgadas em novembro de 2025 pela Agência Ecofin, foram assinados acordos com a Alemanha na área da energia. Os Estados Unidos intervêm também através de financiamentos do Exim Bank para projetos solares e de acesso à eletricidade, segundo o GTReview.
Paralelamente, iniciativas específicas são desenvolvidas com outros atores europeus. Portugal, através do seu operador de redes energéticas Redes Energéticas Nacionais (REN), apoia projetos de eletrificação rural, segundo comunicação publicada em novembro de 2025.
Uma rede fragilizada por perdas elevadas
Apesar destes esforços, o sistema elétrico angolano continua marcado por um acesso ainda limitado e por restrições estruturais persistentes. Segundo dados do Banco Mundial, 51,1% da população tinha acesso à eletricidade em 2023.
Neste contexto, as capacidades de produção aumentam, sem contudo suprir totalmente as necessidades. O guia setorial publicado em 2024-2025 pelo Departamento de Comércio dos EUA indica uma capacidade instalada estimada entre 6,2 e 6,3 GW, inferior à meta de 9,9 GW definida no plano “Angola Energia 2025”.
Para além das capacidades de produção, o desempenho da rede continua a ser um desafio central. Um relatório do Banco Mundial publicado em 2025 no âmbito do Electricity Sector Improvement Project mostra que as perdas técnicas e comerciais oscilaram historicamente entre 40% e 55%.
Neste panorama, vários projetos estruturantes estão em curso. Segundo o Global Energy Monitor, a central de Caculo Cabaça (2,17 GW) deverá entrar em operação entre 2026 e 2027, enquanto a central de Laúca (2,07 GW) está operacional desde 2023.
Abdel-Latif Boureima













Bamako