A baunilha é uma das especiarias mais comercializadas no mercado mundial. Principal produtor e exportador da matéria-prima, Madagáscar suscita cada vez mais o interesse dos grandes grupos internacionais que operam no segmento da transformação.
A multinacional norte-americana IFF (International Flavors & Fragrances), ativa na formulação de perfumes, bem como de aromas e ingredientes alimentares, anunciou a 11 de maio a abertura de um Centro de Inovação dedicado à baunilha na cidade portuária de Toamasina, em Madagáscar.
Esta nova infraestrutura, instalada num espaço de 650 m² próximo das principais zonas de cultivo e dos locais de transformação pós-colheita, reúne capacidades de análise laboratorial, extração, criação de aromas e desenvolvimento de aplicações destinadas às indústrias de lacticínios, panificação e confeitaria.
Através deste investimento, cujo custo não foi divulgado, a IFF dá mais um passo na sua integração na cadeia da baunilha, reforçando a sua presença nos segmentos de maior valor acrescentado. O grupo afirma assim a sua vontade de diversificar as suas atividades no país, para além do simples fornecimento de baunilha em bruto.
“Este centro foi concebido para passar do nível de insights para ações concretas […] Ao reunir a ciência, a criação de aromas e o desenvolvimento de aplicações na origem, podemos colaborar mais estreitamente com os nossos clientes, ganhar em rapidez e consistência, e oferecer soluções prontas a comercializar que permanecem ancoradas nas realidades da produção de baunilha”, declarou Marcus Pesch, vice-presidente de investigação e desenvolvimento da divisão “Taste” (Sabor) da IFF. Está também previsto que esta instalação sirva como centro de formação e de partilha de competências em benefício dos atores locais da fileira.
Um impulso para reforçar a cadeia de valor?
Com este novo investimento, a IFF poderá contribuir para o reforço da criação de valor acrescentado local através das atividades de transformação e inovação. Este desafio é ainda mais estratégico num contexto marcado por uma crise mundial no mercado da baunilha, caracterizada pela queda dos preços no mercado internacional ao longo dos últimos cinco anos, situação que afeta a competitividade dos atores do setor.
Segundo dados compilados pelo Centro de Comércio Internacional (ITC), os preços por quilograma de baunilha no mercado internacional caíram mais de 80%, passando de 650 dólares em 2019 para menos de 100 dólares FOB em 2023, principalmente devido a uma saturação do mercado cujos efeitos ainda persistem.
Na sua mais recente nota de conjuntura económica, publicada a 11 de maio, o Banco Central de Madagáscar (BFM) indica que o preço médio de venda da baunilha no mercado internacional recuou 40,2% no 4.º trimestre de 2025, fixando-se em 38 dólares/kg, contra 63,6 dólares/kg um ano antes. Consequentemente, as receitas de exportação do setor diminuíram 34,7%, situando-se em 13,6 milhões de dólares no mesmo período, apesar de um aumento de 9,2% nos volumes exportados, que atingiram 357,3 toneladas.
“A situação de excesso de oferta no mercado, associada ao aumento histórico do volume das exportações em 2024, que permitiu aos grandes importadores constituírem stocks a baixo custo, continuou a exercer pressão descendente sobre o preço da baunilha”, explica a instituição financeira.
Para recordar, Madagáscar concentra cerca de 80% da produção mundial de baunilha. Esta dominância na oferta explica o crescente interesse dos grupos internacionais por uma presença mais integrada na fileira local, apesar da atual degradação das condições de mercado.
Stéphanas Assocle













Nairobi. Kenya