Os citrinos constituem a segunda categoria de frutas mais comercializada no mundo, depois da banana. Enquanto a Espanha é o líder histórico no segmento das exportações, a África do Sul alterou a hierarquia no final da campanha de 2025, que lhe foi mais favorável.
A África do Sul tornou-se, em 2025, o primeiro exportador mundial de citrinos em volume, segundo declarações da Associação Sul-Africana de Produtores de Citrinos (CGA), divulgadas esta semana por vários meios de comunicação locais. Os dados comerciais compilados pela plataforma Trade Map, desenvolvida pelo Centro de Comércio Internacional (ITC), que incluem citrinos frescos e secos, confirmam esta informação.
Esses dados mostram, de facto, que a África do Sul exportou 3,23 milhões de toneladas de citrinos em 2025, registando uma subida de cerca de 28% em termos homólogos, o que ilustra a dinâmica de crescimento observada no setor ao longo dos últimos anos. Nas duas últimas décadas, as exportações sul-africanas de citrinos mais do que duplicaram, passando de 1,43 milhões de toneladas em 2006 para o nível recorde registado em 2025.
A Espanha ultrapassada
Esta evolução permite à “nação arco-íris” ultrapassar pela primeira vez a Espanha, líder histórico das exportações mundiais de citrinos, agora em segundo lugar. Segundo os dados do Trade Map, o país europeu exportou 2,98 milhões de toneladas de citrinos em 2025. É apenas a segunda vez em vinte anos, depois de 2023, que as exportações espanholas ficam abaixo da marca dos 3 milhões de toneladas.
Embora a plataforma não apresente explicações para este recuo, vários fatores podem ser considerados. No seu mais recente relatório sobre o mercado europeu dos citrinos, publicado em janeiro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicava uma má colheita em Espanha durante a campanha 2025/2026, devido à combinação de seca persistente e envelhecimento das plantações. Segundo a entidade norte-americana, a produção espanhola de laranjas (principal citrino cultivado no país) caiu cerca de 6% no período, atingindo o nível mais baixo em 16 anos.
“Esta situação deve-se principalmente a condições meteorológicas desfavoráveis, como chuvas na primavera, temperaturas elevadas durante as fases de desenvolvimento dos frutos e tempestades de granizo intensas, que afetaram toda a produção de citrinos, apesar de algum otimismo inicial de recuperação após um período de seca. Na região de Valência, para além das condições climáticas desfavoráveis, desafios estruturais de longo prazo, como o envelhecimento das plantações, a falta de uma cartografia varietal adequada e o abandono das explorações, também contribuem para a tendência de queda da produção”, pode ler-se no relatório.
Em contrapartida, a África do Sul beneficiou de condições meteorológicas favoráveis nas principais zonas de produção, bem como da entrada em produção de novos pomares plantados nos últimos anos, o que permitiu aumentar a colheita e os volumes exportáveis em 2025. Segundo a CGA, o setor sul-africano também beneficiou de uma procura internacional acrescida, nomeadamente por laranjas e limões destinados à transformação, bem como de um fim mais precoce da campanha no hemisfério norte, o que prolongou a janela de comercialização.
Perspetivas para 2026
O desafio será manter esta liderança nas próximas campanhas. Uma missão que já se antecipa difícil em 2026, num contexto de instabilidade geopolítica que perturba o comércio internacional. A escalada militar entre os EUA, Israel e o Irão, iniciada no final de fevereiro, está a fragilizar o transporte marítimo e o acesso aos mercados do Médio Oriente, um destino estratégico para os citrinos sul-africanos. Neste contexto, os operadores sul-africanos receiam uma redução das exportações para esta região.
“O Médio Oriente tem sido, há muito, um mercado importante para os nossos citrinos. As perturbações tanto ao nível da procura como do transporte – bem como o efeito dominó internacional dos atrasos nas expedições – são riscos de que todos devem ter consciência. As tarifas de transporte também aumentaram significativamente. Ao mesmo tempo, alguns mercados do Golfo mantêm limites de preços no retalho de citrinos, o que reduz a capacidade dos exportadores de compensar estes custos logísticos mais elevados”, sublinhava a CGA numa nota informativa publicada a 27 de março.
Os dados do Trade Map mostram, por exemplo, que os países do Médio Oriente importaram cerca de 619 270 toneladas de citrinos provenientes da África do Sul em 2025, o que representa 19,12% do volume total exportado pelo setor nesse ano. Resta ver em que medida este conseguirá adaptar-se às novas realidades do mercado.
Stéphanas Assocle













Nairobi. Kenya