Face a uma persistente inadequação entre a formação e as necessidades das empresas, os países africanos estão a reforçar os seus laços com o setor privado de forma a melhorar a inserção profissional dos jovens e apoiar a transformação das suas economias.
A Guiné está a iniciar um recentramento da sua política de emprego para aproximar a formação do mundo produtivo. Durante um conselho de ministros realizado na segunda-feira, 23 de março, o ministro da Educação Nacional, Alpha Bacar Barry, apelou a uma «parceria reforçada com o setor privado para a empregabilidade».
Esta estratégia visa colocar a ação pública sob o signo da rigorosidade e da cultura de resultados, segundo o ministério. As autoridades procuram envolver mais as empresas na conceção e no acompanhamento das formações, de modo que as competências adquiridas correspondam às necessidades reais dos empregadores.
O ministério incentiva os diferentes serviços a melhorar a sua eficiência e a valorizar as suas inovações, promovendo o desenvolvimento de formações em regime de alternância, a co-construção dos programas com os empregadores e a valorização das competências técnicas.
Mais do que um simples ajustamento, esta reforma pretende corrigir um desequilíbrio estrutural entre a oferta de formação e a procura do mercado. Insere-se na ambição de construir um sistema educativo eficiente, útil e orientado para o futuro, capaz de formar perfis imediatamente operacionais.
Esta iniciativa surge num contexto em que a taxa de desemprego jovem na Guiné, para indivíduos entre os 15 e os 24 anos, se situava em cerca de 7,08 % em 2024, segundo o Banco Mundial. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego total era estimada em 5,23 %. Estes números ilustram os desafios enfrentados pelos jovens que entram no mercado de trabalho e sublinham a importância de criar oportunidades em setores capazes de absorver esta força de trabalho.
De acordo com a instituição de Bretton Woods, o crédito concedido ao setor privado representava cerca de 9 % do PIB guineense, refletindo o acesso das empresas ao financiamento e a sua capacidade de investir e criar empregos. Salienta-se também que cerca de 38 % do emprego total no país pertencia ao setor dos serviços em 2025, segmento amplamente dominado por empresas privadas ativas no comércio, transportes, telecomunicações e serviços financeiros.
Félicien Houindo Lokossou













Bamako