Perante o desfasamento entre a oferta de formação e as necessidades do mercado de trabalho, Abidjan está a diversificar as suas parcerias no domínio da formação técnica e profissional. A sua estratégia assenta em cooperações já existentes, que pretende agora aprofundar.
A Costa do Marfim e o Quebeque pretendem alcançar um novo patamar na sua cooperação educativa. Na segunda-feira, 22 de junho, em Abidjan, o ministro da Educação Nacional, N’Guessan Koffi, recebeu Élisa Valentin, vice-ministra do Quebeque responsável pelas Relações com a Europa, África e Médio Oriente. Jean-Louis Moulot, ministro delegado do Ensino Técnico da Costa do Marfim, também participou no encontro. Segundo o comunicado oficial, a reunião teve como objetivo reforçar as relações de cooperação entre as duas partes. Os sectores visados incluem a educação, a formação técnica e profissional e o desenvolvimento de competências.
Pedidos concretos em áreas estratégicas
As duas partes começaram por analisar as ações já desenvolvidas. Cerca de sessenta estudantes dos liceus técnicos marfinenses frequentam atualmente formações em colégios de ensino geral e profissional (CEGEPs) no Canadá, refere o comunicado. Estes estabelecimentos constituem um dos pilares do sistema de ensino técnico do Quebeque.
Com base nos resultados já alcançados, o ministro Koffi manifestou a sua vontade de aprofundar a cooperação. Solicitou o apoio da experiência canadiana na formação de formadores e no reforço das capacidades dos gestores de estabelecimentos de ensino. A transformação do sistema educativo marfinense e a elaboração de manuais escolares figuram igualmente entre as prioridades. A criação de currículos adaptados às necessidades do mercado de trabalho completa este conjunto de objetivos.
As discussões incidiram também sobre áreas de formação específicas. A agroindústria, as energias renováveis, a mineração e a construção civil estão no centro dos futuros programas conjuntos. Um dos pontos mais relevantes do encontro foi a proposta de criação de um centro de formação profissional cujos diplomas seriam reconhecidos no Canadá, oferecendo, segundo o comunicado, «novas perspetivas aos jovens estudantes marfinenses».
Um contexto marcado pela diversificação dos parceiros
Para compreender o alcance deste reforço da cooperação, importa situá-lo num contexto mais amplo. Nos últimos anos, a Costa do Marfim tem seguido uma estratégia deliberada de multiplicação das suas parcerias na área da formação técnica, recorrendo a vários parceiros com perfis distintos.
Marrocos, através do Gabinete da Formação Profissional e da Promoção do Trabalho (OFPPT), é um dos parceiros mais antigos. Desde 2011, esta entidade pública marroquina acolheu mais de 1.500 jovens marfinenses e formou cerca de uma centena de formadores. Em abril de 2026, os dois países atualizaram o seu roteiro de cooperação para o período 2026-2035.
A China intervém sobretudo no domínio das infraestruturas. Através da Agência Chinesa de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (CIDCA), está a construir vários liceus profissionais na Costa do Marfim. Dez estabelecimentos abriram portas no ano letivo de 2025-2026, incluindo um liceu especializado em energias renováveis e um centro de formação mineira.
A Coreia do Sul também desempenha um papel ativo. A sua agência de cooperação internacional, KOICA, entregou duas unidades móveis de formação em dezembro de 2025, destinadas a levar oportunidades de aprendizagem às zonas mais remotas do país.
Por sua vez, o Programa Quebeque-Francofonia de Formação Técnica, lançado em 2024, financia a implementação de programas colegiais em seis países francófonos, entre os quais a Costa do Marfim, segundo a Federação dos CEGEPs.
Responder aos desafios do emprego juvenil
É neste contexto que o reforço da parceria com o Quebeque assume toda a sua relevância. A iniciativa surge num momento em que a formação profissional é uma prioridade para responder aos desafios do mercado de trabalho marfinense. De acordo com dados oficiais, mais de 2 milhões de jovens entre os 16 e os 35 anos não estavam empregados nem integrados em qualquer programa de formação em 2023. O mercado gera apenas 100 mil empregos formais por ano para cerca de 400 mil candidatos.
Perante este desequilíbrio, o Governo lançou, em dezembro de 2025, a quarta edição do Programa Nacional de Estágios, Aprendizagem e Reconversão Profissional, uma iniciativa que pretende beneficiar 152.237 jovens em 2026. O orçamento do programa ascende a 26,52 mil milhões de francos CFA (cerca de 46 milhões de dólares), segundo o Ministério da Promoção da Juventude.
O executivo pretende aumentar para 15% a taxa de orientação dos estudantes para as vias técnicas até 2030. Para atingir este objetivo, a qualidade dos currículos e a formação dos professores são consideradas determinantes. São precisamente estes dois pilares que a parceria com o Quebeque procura reforçar.
Félicien Houindo Lokossou













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