Inaugurada há quase dois anos, a linha ferroviária Tema–Mpakadan continua a ter dificuldades em explorar todo o seu potencial. A chegada de novos equipamentos ocorre numa altura em que as autoridades procuram reforçar o transporte ferroviário de mercadorias e reduzir o congestionamento dos acessos ao porto de Tema.
A Ghana Railway Development Authority (GRDA) anunciou a receção, no Porto de Tema, de um lote de material ferroviário destinado à exploração da linha Tema–Mpakadan. Este passo representa mais um avanço nos esforços das autoridades para melhorar o desempenho desta infraestrutura estratégica.
Embora o número exato de equipamentos recebidos não tenha sido oficialmente divulgado, a imprensa local indica que o lote inclui duas novas locomotivas e 20 vagões de mercadorias. Estas aquisições deverão aumentar a capacidade de transporte no corredor que liga o porto de Tema a Mpakadan, nas margens do Lago Volta.
Com cerca de 97 quilómetros de extensão, esta linha ferroviária de bitola padrão foi construída no âmbito de um investimento estimado em 449 milhões de dólares. O contrato foi adjudicado em novembro de 2016 à AFCONS Infrastructure, tendo as obras começado em 2017. Após vários anos de construção, a infraestrutura foi concluída e entrou em operação em 2024.
Contudo, segundo a GRDA, a linha continua a funcionar abaixo da sua capacidade. Uma das principais limitações é a ausência de sistemas de sinalização totalmente operacionais, o que atualmente permite apenas a circulação de um comboio de cada vez. Esta situação reduz significativamente a capacidade de exploração, numa altura em que a procura por transporte de passageiros e mercadorias tende a aumentar.
A GRDA anunciou anteriormente a obtenção de um financiamento de 20 milhões de euros da União Europeia para modernizar os sistemas de sinalização. A atualização destes equipamentos deverá aumentar a frequência das circulações e otimizar a utilização da infraestrutura.
O reforço do parque ferroviário ocorre também num contexto em que a maior parte do transporte de mercadorias de e para o porto de Tema continua a ser feita por estrada. Esta dependência contribui para congestionamentos frequentes nas vias de acesso à plataforma portuária, sobretudo durante as horas de ponta.
A longo prazo, o desenvolvimento do corredor ferroviário Tema–Mpakadan faz parte de uma estratégia regional mais ampla. A linha deverá ser prolongada até ao Burkina Faso, facilitando o acesso dos países do Sahel sem litoral, nomeadamente o Mali e o Níger, ao porto de Tema. Esta perspetiva poderá reforçar o papel do Gana como centro logístico regional e aumentar o tráfego de mercadorias numa linha chamada a tornar-se um dos principais elos das trocas comerciais na África Ocidental.
Henoc Dossa













Boipuso Hall, Fairgrounds, Gaborone