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Montagem local de equipamentos digitais: a Guiné negoceia com investidores chineses.

Montagem local de equipamentos digitais: a Guiné negoceia com investidores chineses.
Quinta-feira, 25 de Junho de 2026

acesso a equipamentos digitais continua a ser um dos principais desafios da inclusão digital em África. As autoridades públicas, em conjunto com os intervenientes do setor, multiplicam iniciativas para tentar ultrapassar este obstáculo.

As autoridades da Guiné estão a intensificar os seus esforços para desenvolver uma indústria local de montagem de equipamentos digitais, em particular smartphones e outros dispositivos conectados. Para concretizar esta ambição, integrada nos objetivos de soberania digital do país, o governo aproximou-se de investidores chineses.

A questão foi discutida a 24 de junho durante uma sessão de trabalho entre o Ministério da Comunicação, da Economia Digital e da Inovação da Guiné e responsáveis do grupo chinês CRCC11, especializado em infraestruturas. O encontro decorreu à margem do Fórum de Verão de Davos 2026, realizado em Dalian. As discussões centraram-se nas oportunidades de cooperação em vários domínios ligados ao digital e às infraestruturas audiovisuais.

Esta aproximação aos investidores chineses surge poucas semanas depois de uma missão ao Quénia para conhecer o seu modelo de produção local de smartphones. A delegação guineense visitou a East Africa Device Assembly Kenya (EADAK), a primeira unidade de montagem de smartphones do país, cuja capacidade de produção é estimada em 3 milhões de unidades por ano.

Facilitar o acesso aos equipamentos digitais

Um dos principais objetivos das autoridades guineenses é tornar os equipamentos digitais mais acessíveis à população. Esta meta é partilhada por vários países africanos, incluindo o Quénia, o Uganda, o Gana e a Zâmbia, que já lançaram ou estudam iniciativas semelhantes.

A lógica é que a produção local possa reduzir os custos da cadeia logística e, consequentemente, baixar os preços para os consumidores. O elevado custo dos smartphones continua a ser um dos principais obstáculos à adoção da Internet e dos serviços digitais.

Segundo a GSMA, o preço médio de um smartphone básico na África Subsaariana era de 39 dólares em 2024, representando cerca de 26% do rendimento médio da população. Para os 40% mais pobres, este valor correspondia a 64% do rendimento, chegando a 87% entre os 20% mais pobres. Entre as mulheres, o custo representava 32% do rendimento médio, contra 23% entre os homens.

Neste contexto, os smartphones produzidos pela EADAK são comercializados entre 6 000 e 8 000 xelins quenianos, equivalentes a cerca de 46 a 62 dólares. Em janeiro de 2026, as autoridades quenianas anunciaram que cinco milhões de aparelhos já tinham sido montados e vendidos.

Custos de produção continuam elevados

Apesar das expectativas, a montagem local de equipamentos digitais em África levanta dúvidas quanto ao seu impacto económico real. Uma das principais questões diz respeito à capacidade efetiva de reduzir custos, numa altura em que a produção local continua a ser relativamente cara.

De acordo com um estudo realizado pelas autoridades do Ruanda e citado pela ministra das TIC, Paula Ingabire, o custo de fabrico ou montagem de um telemóvel em África permanece cerca de 5% superior ao de um aparelho produzido na China ou em Taiwan e posteriormente importado. Entre os fatores apontados estão os custos mais elevados das matérias-primas e da mão de obra.

Existe igualmente o risco de uma competitividade limitada em termos de relação qualidade-preço. Segundo a GSMA, os smartphones produzidos pela EADAK continuam a ter uma difusão reduzida, sendo frequentemente considerados pelos consumidores menos atrativos e de qualidade inferior quando comparados com marcas internacionais já consolidadas no segmento de entrada de gama, como Infinix, itel, Redmi e vivo.

Isaac K. Kassouwi

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