53,6% das empresas africanas utilizam sistemas de pagamento digital para transações comerciais, apesar de desafios como altos custos de implementação, falta de confiabilidade nas conexões de internet e preocupações com segurança cibernética.
Quase 100% dos líderes empresariais entrevistados acreditam que a digitalização é importante para o futuro do comércio na África.
O relatório destaca que os líderes empresariais africanos estão agora prospectando além dos mercados tradicionais para diversificar seus parceiros comerciais em um contexto de grandes incertezas, com um interesse particular para as regiões do Golfo e Caribe.
Desse total, 53,6% das empresas africanas já utilizam sistemas de pagamento digital para realizar transações comerciais, apesar de vários desafios como os altos custos de implementação, a falta de confiabilidade das conexões de internet e as preocupações com segurança cibernética, de acordo com relatório publicado em 16 de outubro pelo Comitê Pan-Africano de Comércio e Investimentos do Setor Privado (PAFTRAC).
Intitulado “Africa CEO Trade Survey Report 2025: Leveraging the AfCFTA in an era of global trade uncertainty”, este relatório é baseado em um levantamento realizado com líderes de mais de 2100 empresas ativas em 51 países do continente, a maioria desses líderes são de pequenas e médias empresas (PMEs).
Além dos sistemas de pagamento digital, que estão se desenvolvendo rapidamente no continente, especialmente com o advento do dinheiro móvel e soluções baseadas em blockchain, as empresas cobertas pela pesquisa estão utilizando outras ferramentas tecnológicas para digitalizar suas transações comerciais. 49,68% delas utilizam plataformas de comércio eletrônico, 40,04% usam sistemas de gerenciamento de cadeia de suprimentos (SCM) e 28,18% usam sistemas de gestão de relação com os clientes (CRM).
No total, quase 100% dos líderes empresariais entrevistados acreditam que a digitalização é importante para o futuro do comércio na África, embora 12,74% não tenham adotado nenhuma ferramenta digital para facilitar as transações.
A pesquisa revela que os líderes empresariais africanos estão apostando cada vez mais na integração regional à medida que o comércio global enfrenta ventos contrários cada vez mais fortes, variando do aumento dos direitos aduaneiros americanos às tensões geopolíticas, passando pela fragilidade das cadeias de suprimentos e a redução da ajuda ao desenvolvimento. Neste contexto, 95% deles acreditam que a Área de Livre Comércio Continental Africana (ZLECAf) é essencial para salvaguardar os interesses comerciais da África.
A sustentabilidade está no centro das futuras estratégias comerciais.
Em detalhes, 48,74% dos líderes pesquisados declaram que a ZLECAf é "extremamente importante" para proteger os interesses comerciais da África, enquanto 29,61% observam que ela é "muito importante" e 17,48% a classificaram como "importante". Apenas 4,17% indicaram que o mercado comum africano "não é importante".
Enquanto 39 países africanos já aderiram à "iniciativa de comércio guiado", que lhes permite iniciar suas negociações comerciais sob as condições preferenciais da ZLECAf, mais de um quarto dos respondentes (25,24%) afirmaram já ter se beneficiado das preferências tarifárias da área de livre comércio continental, enquanto 30,29% declararam não ter se beneficiado até agora, mas pretendem fazê-lo em um futuro próximo. 21,17% no entanto, indicou que eles não estão cientes dessas preferências tarifárias.
Por outro lado, os empresários africanos não se contentam mais com mercados tradicionais como a União Européia, Estados Unidos e China, e estão buscando cada vez mais novos parceiros comerciais como os países membros do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) e do Caribe, refletindo uma tendência para a diversificação dos parceiros comerciais e o fortalecimento da cooperação Sul-Sul. Mais de 30% dos líderes empresariais entrevistados indicaram que atualmente mantém relações comerciais com os países membros do GCC e que planejam continuar a fazê-lo, enquanto 41,37% expressaram interesse em explorar essa possibilidade no futuro.
Neste mesmo esforço de diversificação de mercados, 43,95% estão interessados em explorar os mercados do Caribe, e 17,02% já mantém relações comerciais com esta região.
O relatório também destaca que a adoção de soluções sustentáveis e ecológicas está no coração das futuras estratégias comerciais de 98,29% das empresas cobertas pela pesquisa. As principais soluções sustentáveis consideradas são energia verde (36,01%), soluções para a redução de emissões de carbono (31,34%) e embalagens ecológicas (28,09%).
Para lembrar, o PAFTRAC é uma plataforma de defesa, que reúne os atores do setor privado e os decisores africanos, que trabalham para apoiar o comércio extra e intra-africano.
Walid Kéfi
O setor digital poderá acrescentar US$ 4 bilhões à economia ugandense até 2030, criar 1,79 milhão de empregos e conectar mais 4 milhões de cidadãos à Internet.
As conclusões constam num relatório divulgado pela GSMA, que enfatiza o papel central das políticas públicas na promoção da transformação digital de Uganda.
Num cenário de crescente conectividade no continente africano, a GSMA destaca o papel central das políticas públicas para o sucesso da transformação digital em Uganda. Segundo a organização, uma governança digital mais aprimorada pode estimular o crescimento inclusivo.
Uganda poderá gerar 14,6 bilhões de shillings ugandenses (cerca de US$ 4 bilhões) em valor econômico adicional, criar 1,79 milhão de empregos e conectar mais 4 milhões de cidadãos à Internet até 2030. Essas são as conclusões de um novo relatório divulgado pela Associação Global de Operadoras de Telefonia Móvel na segunda-feira, 3 de novembro, durante o GSMA Digital Africa Summit Uganda, em Kampala.
O relatório, intitulado "Impulsionando a Transformação Digital da Economia em Uganda - Oportunidades, Reformas Políticas e o Papel do Mobile", destaca o impacto transformador do setor móvel no crescimento econômico e na inclusão digital, em linha com as metas do Plano de Desenvolvimento Nacional IV (NDP IV) e da Visão Digital Uganda 2040.
Um motor de crescimento para setores produtivos
Segundo a Estratégia de Transformação Digital de Uganda, o setor móvel, que já representa 9% do PIB nacional e emprega 2,3 milhões de pessoas, é apresentado como um pilar fundamental na transformação digital do país. O setor impulsiona a produtividade em setores-chave como agricultura, comércio, manufatura e serviços, ao mesmo tempo que fortalece o acesso à educação, saúde e serviços financeiros digitais.
A GSMA estima que a digitalização pode impulsionar a produtividade agrícola e industrial, aumentar as exportações e fortalecer a resiliência das pequenas empresas. A organização identifica a conectividade móvel como a espinha dorsal digital que permitirá a Uganda acelerar seu crescimento inclusivo e reduzir a segregação digital.
Um potencial ainda subexplorado
Apesar de a cobertura 4G atingir 96% da população e de haver 11,46 milhões de usuários únicos de Internet móvel (representando 22% da população total e 48% dos adultos), três em cada quatro ugandenses que vivem sob cobertura móvel não utilizam a Internet.
Esta baixa adoção está relacionada a vários obstáculos, como o alto custo de smartphones básicos, acesso irregular à energia, taxas setoriais que afetam a acessibilidade e falta de habilidades digitais. Segundo a GSMA, eliminar essas barreiras é essencial para atingir os objetivos do NDP IV 2030, que visa a 70% de cobertura nacional de banda larga e 45% de uso de Internet até 2029 ou 2030.
Reformas para um crescimento digital inclusivo
O relatório da GSMA pede uma revisão nas políticas públicas para criar um ambiente mais propício para investimento e inovação. A organização recomenda maior estabilidade regulatória, uma tributação mais adaptada ao digital e um quadro de investimentos de longo prazo. A GSMA também defende o reconhecimento oficial das infraestruturas de telecomunicações como “infraestruturas nacionais essenciais”, uma coordenação reforçada entre os setores de energia e TIC, bem como um esforço maior para tornar os smartphones mais acessíveis.
A modernização do quadro regulatório também se encontra entre as prioridades. A GSMA recomenda a atualização da legislação relativa à inteligência artificial, ao cloud computing e à proteção de dados, a fim de encorajar uma economia digital mais competitiva e segura.
Rumo a uma prosperidade compartilhada
Se essas reformas forem implementadas, a GSMA estima que permitiriam expandir a cobertura 4G para 99% da população, conectar 19 milhões de ugandenses à Internet (representando 32% da população total e 61% dos adultos) e reduzir o déficit no uso de banda larga em 7%. A longo prazo, essas medidas poderiam gerar 2,1 bilhões de shillings ugandenses em receitas fiscais adicionais, compensando as perdas decorrentes da diminuição das taxas setoriais e dando ao governo margem para financiar suas prioridades nacionais.
"A transformação digital de Uganda diz respeito, em primeiro lugar, aos cidadãos, empreendedores e comunidades. Tornando o acesso mais acessível e as políticas mais previsíveis, Uganda pode garantir que o progresso digital beneficie todos", declarou Angela Wamola (foto à esquerda), diretora África da GSMA.
Por fim, a GSMA pede uma cooperação mais intensa entre o governo, o setor privado e os parceiros de desenvolvimento para consolidar as conquistas e permitir que Uganda avance na sua transformação digital.
Samira Njoya
A Aliança do Setor Privado do Quênia (KEPSA) e a Microsoft lançam a Aliança Nacional para capacitação em Inteligência Artificial no Quênia (KAISA)
A plataforma destina-se a desenvolver habilidades em Inteligência Artificial, inovação e colaboração política em setores econômicos-chave
Na África Subsaariana, 230 milhões de empregos requererão habilidades digitais, como a Inteligência Artificial (IA). De acordo com dados da Statista, o mercado africano de IA deverá passar de 4,5 bilhões de dólares em 2025 para 16,5 bilhões de dólares até 2030.
A Aliança do Setor Privado do Quênia (KEPSA) e a Microsoft lançaram a Aliança Nacional para formação em IA no Quênia (KAISA). Esta plataforma nacional visa coordenar o desenvolvimento de habilidades em IA, a inovação e a colaboração política nos principais setores econômicos, de acordo com um anúncio divulgado na quarta-feira, 29 de outubro.
A cerimônia de lançamento reuniu o governo, o setor privado, o meio acadêmico e parceiros de desenvolvimento para fortalecer a competitividade do Quênia no mercado global em expansão da IA. A iniciativa busca posicionar o Quênia como o hub africano de talentos em IA através de investimentos deliberados no desenvolvimento de habilidades, desde a simples alfabetização digital até a expertise avançada.
"A KAISA foca na inclusão, na criação de empregos e na transformação social. A juventude africana continua sendo nosso maior ativo", afirmou Ehud Gachugu, vice-diretor geral da KEPSA. "Através de esforços coordenados, a Aliança conectará inovação a oportunidade, melhorará a qualidade da formação e reproduzirá em larga escala modelos bem-sucedidos que permitem às comunidades participar de maneira significativa na economia digital global".
A plataforma baseia-se em programas de treinamento digital existentes que já formaram milhares de jovens quenianos e pequenas empresas nas tecnologias emergentes. Microsoft e KEPSA expandirão sua colaboração para incluir o desenvolvimento de currículos, a incubação de inovações e parcerias de pesquisa nas áreas de agricultura, saúde, educação, finanças e manufatura.
O plano da KAISA inclui a criação de grupos de trabalho setoriais para orientar a adoção da IA em indústrias-chave, a implementação de programas de treinamento nacional e a criação de um depósito de IA e um centro de inovação apresentando usos locais. A plataforma incentivará parcerias de pesquisa, o engajamento político e os quadros éticos de governança.
O Quênia ocupa a quarta posição na África na preparação de talentos em IA, com uma pontuação de 49,7, de acordo com uma pesquisa feita em 2025 pela consultora digital Qhala e Qubit Hub. Paralelamente, a Access Partnership indica que a IA poderia gerar um valor econômico de 136 bilhões de dólares até 2030 para Gana, Quênia, Nigéria e África do Sul. A KAISA procura posicionar o Quênia para captar uma parte significativa desta oportunidade alinhando o desenvolvimento de talentos com as prioridades nacionais de inovação.
Hikmatu Bilali
Digital Realty, operadora mundial de datacenters, inaugurou seu novo centro de dados ACR2 em Acra, Gana, em outubro de 2025.
A estrutura oferece um ambiente confiável e seguro para empresas locais, start-ups e multinacionais e promete a mesma qualidade de infraestrutura encontrada em Londres, Amsterdã ou Joanesburgo.
A Digital Realty, que possui mais de 300 datacenters ao redor do mundo, continua a solidificar sua posição na África com a inauguração, em outubro de 2025, de seu novo datacenter ACR2 em Acra, Gana. Essa iniciativa fortalece a presença da empresa no continente africano ao proporcionar um ambiente seguro e confiável para empresas locais, start-ups e multinacionais que desejam expandir suas atividades sem depender de datacenters offshore.
O centro ACR2 está estrategicamente localizado no coração de uma densa rede de rotas de fibra óptica e cabos submarinos, entre eles o 2Africa. O site vai fornecer serviços de colocation neutros para operadoras, com uma capacidade de computação instalada estimada em 1,7 MW. Com uma área de 1.100 m², pode acomodar 500 baías de servidores. O centro também se conecta à rede global de mais de 300 datacenters operados pela Digital Realty.
"ACR2 oferece a confiabilidade, conformidade e conectividade necessárias para bancos, fintechs, operadoras de telecomunicações e provedores de serviços em nuvem. Não se trata apenas de soberania de dados - trata-se de oferecer às empresas ganesas infraestrutura da mesma qualidade que em Londres, Amsterdã ou Joanesburgo, sem sair de Acra", afirma Joseph Koranteng, diretor-geral da Digital Realty Ghana.
Essa inauguração acontece na sequência de outra, realizada em agosto passado em Lagos, na Nigéria, onde a empresa agora possui quatro instalações. A Digital Realty entrou no mercado nigeriano em 2021 com a aquisição da Medallion Data Centres por 29 milhões de USD, dando início a um investimento de 500 milhões de USD em dez anos para sustentar sua expansão no continente. Em agosto de 2022, concluiu a aquisição da Teraco, uma transação avaliada em 3,5 bilhões de USD, que adicionou a África do Sul aos seus mercados africanos existentes: Quênia, Moçambique e Nigéria. Atualmente, a empresa possui cerca de quinze instalações no continente.
Na África, o potencial de mercado é notável, considerando o atraso acumulado no desenvolvimento de datacenters. Em meados de 2023, o continente ainda representava menos de 2% da oferta global de datacenters de colocation, mais da metade deles situados na África do Sul. Um relatório de abril de 2024 publicado pelo Oxford Business Group estima que a África precisa de aproximadamente 1.000 MW de capacidade e 700 instalações adicionais para atender à demanda.
Segundo a Mordor Intelligence, o tamanho do mercado africano de datacenters deve passar de 1,94 bilhão de USD em 2025 para 3,85 bilhões de USD em 2030, com uma taxa de crescimento anual composta de 14,69%. Para lembrar, a Digital Realty registrou uma receita de 4,49 bilhões de USD nos primeiros nove meses de 2025, com um lucro líquido de 1,22 bilhão de USD no período.
Isaac K. Kassouwi
No início de outubro, o país já havia firmado um acordo com a Qhala, uma empresa de transformação digital com sede em Nairobi. O objetivo é treinar funcionários públicos para o uso prático da IA em seu trabalho diário.
O governo de Serra Leoa está explorando maneiras de usar a tecnologia blockchain para incentivar a transformação digital do país. Com esse objetivo, Salima Bah, Ministra da Comunicação, Tecnologia e Inovação, recebeu no dia 30 de outubro, uma equipe de especialistas em blockchain do grupo Sovereign Infrastructure for Global Nations (S.I.G.N.), acompanhada do embaixador de Serra Leoa na China, Abubakarr Karim.
De acordo com o ministério, a equipe deveria se encontrar com vários parceiros nos dias seguintes para discutir maneiras específicas pelas quais a blockchain pode fortalecer o ecossistema digital nacional. No entanto, nenhuma atualização ainda foi comunicada sobre o assunto. "Essa visita destaca a vontade do governo de usar a blockchain para fortalecer a transparência, a confiança e a inovação na prestação de serviços públicos", disse o ministério.
Esse não é a primeira vez que o governo de Serra Leoa menciona a blockchain. O executivo está atualmente envolvido no processo de seleção dos participantes do "Big 5 AI & Blockchain Hackathon", que visa treinar, orientar e desafiar os participantes a desenvolver soluções inovadoras a partir do zero, com base em tecnologias de IA e blockchain, consideradas "entre as mais transformadoras de nossa época". Segundo o ministério, essas tecnologias têm "o potencial de remodelar setores de atividade, fortalecer a governança e resolver desafios de desenvolvimento urgentes".
Serra Leoa já usou a blockchain para seu sistema nacional de identidade digital, lançado em agosto de 2019 em parceria com as Nações Unidas e a organização americana sem fins lucrativos KIVA, especializada em serviços financeiros. Em 2018, a empresa suíça Agora testou essa tecnologia durante as eleições presidenciais no país, registrando manualmente os votos da região Oeste em uma blockchain autorizada. Era um registro público, mas cuja validação era reservada a atores autorizados, a fim de reforçar a transparência e a confiabilidade do processo eleitoral.
A mudança para a blockchain ocorre em um momento em que o governo aspira a conectar digitalmente todos os cidadãos de Serra Leoa. O poder executivo conta com tecnologias inovadoras para fornecer aos cidadãos serviços digitais mais transparentes, acessíveis e centrados em suas necessidades, em nível nacional e local. Além disso, o país obteve uma doação de 50 milhões de dólares do Banco Mundial em janeiro de 2023 para implementar seu projeto nacional de transformação digital. No índice de desenvolvimento de e-governo das Nações Unidas em 2024, Serra Leoa registrou uma pontuação de 0,3042 em 1, ficando abaixo da média africana (0,4247) e mundial (0,6382).
De acordo com o relatório "Blockchains Unchained" da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a blockchain pode transformar os serviços públicos assegurando a gestão de identidades e registros pessoais, facilitando as transações financeiras e experimentando moedas digitais, além de garantir a rastreabilidade das propriedades e das cadeias de suprimento. Pode também otimizar a distribuição de auxílios e subvenções, reforçar a transparência dos contratos públicos, modernizar a gestão de redes de energia, proteger direitos autorais, assegurar o voto eletrônico, combater fraudes e simplificar o compartilhamento de informações entre agências governamentais.
Porém, a OCDE ressalta que "o uso e a implementação da tecnologia blockchain apresenta alguns desafios, e a blockchain não é uma solução para todos os problemas do setor público". A organização cita vários obstáculos, incluindo a imutabilidade dos dados, privacidade, capacidade limitada de armazenamento de grandes quantidades de dados, qualidade das informações inseridas, governança, altos custos, complexidade de comunicação e compreensão, escalabilidade limitada e alto consumo de energia de certos modelos.
Isaac K. Kassouwi
Em um contexto onde a digitalização está transformando o mercado de trabalho senegalês, os jovens precisam adquirir habilidades digitais para se manter competitivos. O setor de logística, em plena expansão, se torna um campo chave para testar essa inclusão digital.
Em uma publicação em seu site oficial na quarta-feira, 29 de outubro, a Force-N - uma iniciativa apoiada pela Universidade Digital Cheikh Hamidou Kane (UN-CHK) e a Fundação Mastercard - anunciou que 1200 entregadores passaram por um treinamento intensivo de digitalização em Dakar, no Senegal. O programa consistiu em oito sessões práticas, realizadas de 23 de setembro a 25 de outubro de 2025, em vários Espaços Digitais Abertos (ENO) localizados em Mermoz, Guédiawaye, Pikine, Keur Massar e Sébikotane.
O treinamento cobriu quatro módulos complementares: profissionalismo e atendimento ao cliente, segurança no trânsito, uso de GPS e ferramentas digitais de geolocalização, além de gerenciamento de incidentes e pagamentos. Cada módulo unia competências técnicas e habilidades interpessoais para profissionalizar os entregadores e melhorar a qualidade do serviço.
A Force-N salienta que a iniciativa visa a apoiar jovens com idade inferior a 36 anos para obter emprego e oportunidades empreendedoras na economia digital. Ao treinar os entregadores nas novas tecnologias e nas expectativas dos clientes, o programa contribui para uma melhor inclusão no setor digital.
Após o sucesso desta fase piloto em Dakar, a Force-N planeja expandir os treinamentos para as regiões de Thiès, Saint-Louis, Kaolack e Ziguinchor, com o objetivo de treinar 5000 entregadores em todo o país. A ambição é permitir que jovens trabalhadores em todo o país adquiram habilidades valorizadas nos campos de transporte, logística e empreendedorismo digital.
Essa ação ocorre quando a Agência Nacional de Estatística e Demografia (ANSD) relata uma taxa de desemprego ampliada de 19% no segundo trimestre de 2025, com uma proporção ainda maior entre os jovens (24%) em comparação aos adultos (13,6%). Ao profissionalizar os entregadores e equipá-los com as habilidades digitais necessárias, a Force-N espera fortalecer a empregabilidade dos jovens, estimular o acesso a novas oportunidades em logística e transporte, e contribuir para uma inserção duradoura no mercado de trabalho senegalês.
Félicien Houindo Lokossou
Governo marroquino aprova licenças 5G para as principais operadoras de telecomunicações do país
A iniciativa coloca o Marrocos entre os países africanos que iniciaram o desenvolvimento comercial da 5G
A 5G permite alcançar velocidades até dez vezes superiores à 4G e uma latência significativamente reduzida, facilitando o desenvolvimento da Internet das Coisas e de aplicações baseadas em inteligência artificial.
As autoridades marroquinas aprovaram na semana passada três decretos que autorizam os principais operadores de telecomunicações do país a implementar a tecnologia móvel de quinta geração (5G). Essa informação provém do Conselho de Governo de quinta-feira, 30 de outubro, divulgado nas redes sociais na segunda-feira, 3 de novembro, pelo Ministério Marroquino da Transição Digital e da Reforma Administrativa.
Segundo informações do governo, a atribuição das licenças ocorre no âmbito do decreto nº 2.25.565 de 11 de julho de 2025, que define os termos e as obrigações técnicas e financeiras dos operadores. Cada titular deverá investir nas infraestruturas necessárias, assegurar uma cobertura progressiva do território e garantir a qualidade dos serviços, de acordo com os padrões internacionais.
A chegada da 5G abre o caminho para uma nova geração de serviços digitais em diversas áreas, como a indústria, a saúde, a educação, os transportes, entre outros.
Com essa decisão, o Marrocos se junta ao grupo de países africanos que começaram o desenvolvimento comercial da 5G, tais como a África do Sul, Benin, Tunísia, Quênia e Nigéria. Vale ressaltar que o setor de telefonia móvel marroquino conta com cerca de 58,8 milhões de usuários até 30 de junho de 2025, segundo dados da Agência Nacional de Regulação das Telecomunicações (ANRT).
O mercado marroquino é dominado pela Orange, com 34,7%, seguida pela Inwi (33,21%) e pela Marrocos Telecomunicações (32,1%).
Adoni Conrad Quenum
Ruanda busca atrair investimentos tecnológicos e desenvolver habilidades digitais
País já atraiu 819 milhões de dólares em investimentos digitais entre 2013 e 2023
O setor digital está se estabelecendo como um motor de crescimento e inovação em Ruanda. O país está em busca de atrair investimentos tecnológicos, desenvolver competências digitais e estruturar um ecossistema competitivo, superando os desafios inerentes à sua transformação digital.
O Ministério das TIC e Inovação (MINICT), em parceria com a Digital Cooperation Organisation (DCO), apresentou o relatório "Digital FDI Rwanda" na 9ª edição da Future Investment Initiative, realizada de 27 a 30 de outubro, em Riade, na Arábia Saudita. Desenvolvido em conjunto com o Fórum Econômico Mundial, o documento traça uma estratégia para atrair investimentos estrangeiros diretos (FDI) no setor digital, impulsionar as exportações tecnológicas e acelerar a criação de empregos no setor digital em rápido crescimento do país.
"A visão de Ruanda é baseada na transformação digital como um motor de crescimento, empregos e inclusão. Este relatório oferece um plano de ação para fortalecer a confiança em nosso ecossistema, facilitar a entrada de investidores e desenvolver habilidades digitais", disse Paula Ingabire (foto, à direita), ministra das TIC e Inovação.
O relatório detalha reformas escolhidas para aumentar a competitividade do país. Coloca ênfase na simplificação do quadro regulamentar, facilitação de investimento, desenvolvimento de competências digitais e intensificação da cibersegurança, a fim de posicionar Ruanda como um destino preferencial para investimento tecnológico na África.
Entre 2013 e 2023, o país atraiu $819 milhões em investimento digital estrangeiro, um indicador de sua crescente atratividade. Apoiado por marcos legais robustos, como a Lei nº 006/2021, facilitando investimento estrangeiro e priorizando o setor de TIC, Ruanda continua sua ascensão. No entanto, o país ainda precisa competir com rivais regionais, como o Quênia, que capturou $1.1 bilhões em IDE digital em 2023, para se estabelecer como um líder tecnológico regional.
O relatório também identifica alavancas-chave para consolidar o ecossistema digital, incluindo formação de uma força de trabalho qualificada, desenvolvimento de infraestruturas digitais de alto desempenho, cibersegurança e facilitação de fluxos de dados transfronteiriços. Setores de alto potencial – fintech, serviços em nuvem, centros de dados, govtech (tecnologia governamental) – são apresentados como motores de inovação e competitividade internacionais.
Baseando-se nessa política, Ruanda pode atrair mais investimentos digitais, fortalecer sua resiliência econômica e acelerar a emergência de uma economia baseada em conhecimento. Este ímpeto, apoiado por uma estrutura estratégica clara, deve ajudar a consolidar a posição de Ruanda como um dos centros tecnológicos mais promissores do continente africano.
Samira Njoya
Governo nigeriano lança amplo programa para transformar salas de aula em espaços interativos e garantir acesso digital a todos os alunos.
Mais de 60 mil tablets já foram distribuídos e 30 mil são esperados em breve; intenção é preparar jovens para um mercado de trabalho cada vez mais digital.
O Governo nigeriano lançou um grande programa para transformar as salas de aula em espaços interativos e conectar todos os estudantes à era digital, em resposta a um mercado de trabalho que exige habilidades digitais e um sistema educacional que busca modernização.
O governo federal da Nigéria iniciou um programa nacional de distribuição de tablets em todas as escolas públicas. Na quinta-feira, 30 de outubro, o ministro da Educação, Morufu Olatunji Alausa, apresentou o projeto em uma mesa redonda em Abuja como uma ferramenta para modernizar e reduzir a lacuna digital na educação. A iniciativa é parte da estratégia do presidente Bola Ahmed Tinubu para fazer a educação adequar-se aos desafios contemporâneos.
Segundo Morufu Olatunji Alausa, mais de 60 mil tablets já foram distribuídos aos alunos nos estados de Adamawa, Oyo e Katsina, e mais 30 mil tablets estão prestes a serem distribuídos. Esses recursos visam permitir que os professores integrem livros digitais, conteúdos multimídia e exercícios interativos nas aulas. O mesmo informante acrescentou que o ministério também planeja digitalizar o censo escolar a partir de 2026, para monitorar em tempo real a frequência escolar e o desempenho dos alunos, além de melhorar o planejamento educacional.
O ministro Alausa destacou que a iniciativa visa preparar os jovens para um mercado de trabalho cada vez mais digital. Os dados do Sistema de Informação Gerencial de Educação da Nigéria (NEMIS), em 2022, mostram que cerca de 30 milhões de alunos estão na escola primária, mas esse número cai para entre 10 a 20 milhões quando eles passam para o ensino médio, com uma perda adicional estimada de quatro milhões antes do início do ensino médio. Ao introduzir o uso de quadros interativos em suas escolas, a Nigéria espera tornar o ensino mais atrativo e reduzir essa evasão escolar.
Esta iniciativa surge em um contexto africano marcado pela rápida digitalização e pela competição por talentos. Em seu breve intitulado "Habilidades Digitais para Acelerar o Capital Humano para a Juventude na África", o Banco Mundial destaca que 87% dos líderes empresariais africanos consideram o desenvolvimento de habilidades digitais como prioridade, mas apenas 11% dos graduados do ensino superior receberam formação formal. Acrescenta ainda que 65% das contratações requerem conhecimento básico em digital e que, até 2030, 625 milhões de pessoas na África precisarão dessas competências para participar plenamente do mercado de trabalho.
Félicien Houindo Lokossou
O grupo panafricano Cassava Technologies e o gestor de ativos STANLIB Infrastructure Investments firmaram parceria para desenvolvimento de centros de dados de próxima geração na África do Sul.
O acordo pretende ampliar os complexos da Africa Data Centres em Joanesburgo e Cape Town, tornando-os adequados para aplicações de inteligência artificial (IA).
Apesar dos investimentos em centros de dados nos últimos anos, a África ainda enfrenta uma grande demanda por conectividade e serviços de nuvem. Fortalecer essas infraestruturas é crucial para apoiar o crescimento da IA e a transformação digital do continente.
O grupo panafricano Cassava Technologies anunciou na quarta-feira, 29 de outubro, uma parceria com a STANLIB Infrastructure Investments, com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento de centros de dados de nova geração na África do Sul. O acordo visa a expansão dos complexos da Africa Data Centres (ADC) em Joanesburgo e Cape Town, com a finalidade de torná-los compatíveis com as aplicações de inteligência artificial (IA).
Essas infraestruturas de nova geração servirão para atender a crescente demanda por serviços de nuvem, conectividade segura e soluções digitais de alta capacidade, diante de um mercado sul-africano que vem se expandindo digitalmente.
"Esta parceria com a STANLIB reforça nossas operações na África do Sul e valida a base sólida que construímos”, afirmou Hardy Pemhiwa, CEO do grupo Cassava Technologies. “Ela nos oferece a escala necessária para atender às necessidades dos hiperescaladores e das grandes empresas da região, cuja demanda por serviços de nuvem rápidos e confiáveis está em constante crescimento."
STANLIB Infrastructure Investments, um dos principais gestores de ativos da África Austral, enxerga nesta colaboração uma oportunidade econômica e tecnológica significativa. "Os centros de dados são uma infraestrutura essencial para a economia moderna. Nossa parceria com a Africa Data Centres fortalecerá a espinha dorsal digital da África do Sul e contribuirá de maneira significativa para o crescimento do país", afirmou Andy Louw, co-diretor de investimentos em infraestruturas da STANLIB.
O investimento permitirá à Africa Data Centres, subsidária da Cassava Technologies, aumentar sua capacidade operacional, melhorar sua eficiência energética e construir instalações otimizadas para aplicações de IA e computação intensiva.
Com sete centros de dados ultramodernos já operacionais no continente e mais de 400 empresas clientes, a Africa Data Centres se estabelece como um ator chave para a transformação digital africana. Essa parceria ocorre alguns meses após a divulgação de uma grande colaboração entre a Cassava Technologies e a Nvidia, visando a implantação da primeira fábrica de inteligência artificial na África, na África do Sul.
Esse futuro centro de dados, equipado com tecnologias avançadas de computação acelerada da Nvidia, terá como objetivo fornecer serviços de IA e de nuvem em larga escala (AI as a Service) em todo o continente, além de promover a soberania digital e o armazenamento local de dados africanos.
A combinação dessas iniciativas deve permitir o desenvolvimento de uma rede integrada de centros de dados, capazes de apoiar o crescimento da inteligência artificial, acelerar a transformação digital do continente e fortalecer a competitividade da África na economia global de dados.
Samira Njoya