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A procura por meios de pagamento digitais está a acelerar em África. Os operadores de telecomunicações procuram posicionar-se neste segmento, no âmbito da diversificação das suas atividades.

Na Serra Leoa, o operador de telecomunicações Africell lançou no início da semana um cartão pré-pago associado ao seu serviço de mobile money. A empresa segue assim o exemplo do seu concorrente Orange, que já tinha introduzido uma solução semelhante num contexto de crescente procura por soluções de pagamento digitais.

Designado «Afrimoney Prepaid Visa Card», o cartão foi lançado em parceria com a Visa e a Ecobank. Permite aos utilizadores realizar transações digitais nacionais e internacionais diretamente a partir da sua carteira Afrimoney, sem necessidade obrigatória de uma conta bancária tradicional.

Segundo David Moinina Sengeh, esta solução poderá beneficiar particularmente pequenos comerciantes, jovens empreendedores, operadores de transporte, estudantes e famílias que vivem em zonas remotas, que até agora enfrentavam dificuldades no acesso a sistemas de pagamento internacionais.

Uma resposta ao aumento dos usos digitais

O surgimento desta solução, à semelhança da lançada pela Orange em março passado, insere-se num contexto de transformação digital marcado por necessidades crescentes de pagamentos digitais. Com o aumento da utilização da Internet e dos serviços digitais, os consumidores procuram meios de pagamento mais simples e acessíveis, capazes de funcionar além das fronteiras nacionais.

Os utilizadores precisam nomeadamente de realizar compras em plataformas internacionais de comércio eletrónico como Alibaba, Amazon ou Jumia, tanto para necessidades pessoais como profissionais. Para muitos pequenos comerciantes e empresários, estas plataformas representam canais importantes de abastecimento de produtos e equipamentos por vezes indisponíveis localmente.

Cada vez mais pessoas pretendem subscrever plataformas de entretenimento como Spotify, Netflix ou Prime Video. Outras procuram aceder a formações online através de plataformas como Coursera ou Udemy. Alguns utilizadores também necessitam de serviços digitais como iCloud ou ChatGPT. O acesso a estes serviços continua frequentemente limitado em vários países africanos devido ao baixo nível de bancarização e às dificuldades de acesso a meios de pagamento internacionais tradicionais.

O mobile money como alternativa aos cartões tradicionais

A dificuldade de carregamento de cartões de pagamento tradicionais pode igualmente favorecer as soluções propostas pelos operadores de telecomunicações. Em muitos casos, os cartões bancários clássicos exigem procedimentos complexos e o acesso regular a uma conta bancária formal, o que não é simples para uma grande parte da população.

Em contrapartida, as soluções baseadas em mobile money oferecem maior flexibilidade. Os utilizadores podem recarregar os seus cartões diretamente a partir da carteira móvel, recorrendo a redes de agentes amplamente disseminadas, incluindo em zonas rurais. Esta proximidade com os serviços financeiros reduz as barreiras de acesso e facilita a inclusão financeira, sobretudo para populações afastadas do sistema bancário tradicional.

Isaac K. Kassouwi

 

Posted On jeudi, 28 mai 2026 18:19 Written by

O presidente da República do Congo apresentou esta medida como mais um passo em direção à integração continental e à livre circulação em África.

O presidente congolês Denis Sassou N’Guesso anunciou, na segunda-feira, 25 de maio, à margem das Assembleias Anuais do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), em Brazzaville, a supressão dos vistos para os cidadãos africanos que entrem na República do Congo.

«A partir de 1 de janeiro de 2027, a entrada na República do Congo deixará definitivamente de estar sujeita a visto para todos os povos africanos», declarou. Segundo o chefe de Estado, esta decisão insere-se na concretização do seu «compromisso com uma África unida, soberana e próspera».

Um movimento continental de abertura progressiva

No plano económico, esta abertura aos cidadãos africanos deverá facilitar as trocas intra-africanas, sobretudo para empresários, investidores e operadores comerciais. A medida enquadra-se na dinâmica da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZLECAf), baseada na fluidez da mobilidade e na redução das barreiras não tarifárias.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INS), as trocas comerciais da República do Congo com os restantes países africanos continuam ainda modestas: África representou 9,28% das importações e 5,27% das exportações do país em 2025.

No setor do turismo, esta decisão deverá reforçar a atratividade do Congo, facilitando a chegada de visitantes africanos e estimulando atividades ligadas à hotelaria, restauração e transportes. O Plano Nacional de Desenvolvimento (PND 2022-2026) faz do turismo um eixo prioritário de diversificação económica fora do petróleo, com o objetivo de elevar a contribuição do setor para 10% do PIB, contra menos de 5% historicamente.

O anúncio do presidente congolês insere-se numa tendência mais ampla em África. Vários países africanos já adotaram políticas de flexibilização ou eliminação de vistos para cidadãos africanos, entre eles o Ruanda, as Seicheles, o Benim, o Gana e, mais recentemente, o Togo.

Charlène N’dimon

 

Posted On mardi, 26 mai 2026 18:36 Written by

Os países africanos estão a intensificar os seus esforços de transformação digital. A inteligência artificial (IA) ocupa um lugar cada vez mais importante como motor de inovação, eficiência e produtividade.

O governo da Serra Leoa iniciou a elaboração de uma estratégia nacional de inteligência artificial (IA). Desenvolvida em parceria com o Grupo Banco Mundial, a iniciativa surge num momento em que o país já está empenhado num processo de transformação digital.

A iniciativa foi revelada na semana passada pelo Ministério da Comunicação, Tecnologia e Inovação. Na ocasião, o governo reuniu durante três dias organizações de media, representantes da sociedade civil, atores públicos e do setor privado para contribuir para as reflexões em torno da futura estratégia nacional de IA. Segundo o ministério, o objetivo é garantir que esta reflita «as realidades, prioridades e vozes da população da Serra Leoa, incluindo as línguas e culturas locais».

As autoridades consideram igualmente que, antes de definir uma estratégia nacional, era necessário avaliar o nível de preparação da Serra Leoa para a IA. Esta abordagem analisa a capacidade do país para adotar esta tecnologia de forma responsável, inclusiva e em benefício de toda a população. Identifica também os investimentos, políticas, competências, infraestruturas e mecanismos de proteção necessários para fazer da IA um instrumento de desenvolvimento nacional.

Aceleração da transformação digital

Esta iniciativa surge numa altura em que o governo pretende conectar digitalmente toda a população da Serra Leoa. O executivo aposta em tecnologias inovadoras para fornecer serviços públicos mais transparentes, acessíveis e centrados nas necessidades dos cidadãos, tanto a nível nacional como local.

É neste contexto que as autoridades se interessam pela blockchain, tecnologia que consideram capaz de «reforçar a transparência, a confiança e a inovação na prestação de serviços públicos». Esta tecnologia já foi utilizada, nomeadamente no sistema nacional de identidade digital lançado em agosto de 2019, e também foi testada durante as eleições presidenciais.

No final de 2025, o governo lançou ainda o “Big 5 AI & Blockchain Hackathon”, uma iniciativa destinada a formar, orientar e incentivar os participantes na criação de soluções inovadoras baseadas em inteligência artificial e blockchain, duas tecnologias consideradas «das mais transformadoras da nossa época».

Além disso, a Serra Leoa obteve uma subvenção de 50 milhões de dólares do Banco Mundial em janeiro de 2023 para implementar o seu projeto nacional de transformação digital. Paralelamente, o governo afirma ter investido mais de 400 milhões de dólares no setor das telecomunicações para apoiar a modernização das infraestruturas digitais. Também está a reforçar os esforços em matéria de cibersegurança.

IA: potencial e desafios

A visão das autoridades da Serra Leoa para a IA insere-se numa dinâmica apoiada pelas Nações Unidas. No relatório “E-Government Survey 2024”, o Departamento dos Assuntos Económicos e Sociais (DAES) destaca que a inteligência artificial tem potencial para otimizar as operações do setor público. Graças à automatização de tarefas administrativas, pode melhorar a eficiência, reduzir atrasos e limitar redundâncias. Pode ainda contribuir para a deteção de anomalias, classificação de dados e formulação de recomendações.

Contudo, o DAES alerta para vários riscos, sendo o principal o viés dos dados, que pode conduzir a uma representação inadequada de determinados grupos. O organismo menciona também preocupações éticas, de segurança e sociais.

A organização chama igualmente a atenção para a fratura digital, que representa outro grande desafio para a implementação da IA no setor público, sobretudo nos países de baixo e médio rendimento e nos países menos desenvolvidos. Esta situação pode limitar o acesso das populações às infraestruturas, competências e serviços digitais necessários para tirar pleno proveito destas tecnologias. Por exemplo, segundo fontes oficiais, cerca de 60% da população ainda não utiliza serviços de telecomunicações.

Isaac K. Kassouwi

 

Posted On mardi, 26 mai 2026 18:30 Written by

O país tem vindo a multiplicar esforços para melhorar a conectividade à Internet, com o objetivo de apoiar a transformação digital. Entre as iniciativas, destaca-se a intenção de se ligar a um segundo cabo submarino. Em dezembro de 2024, já tinha aumentado a capacidade da sua infraestrutura principal (backbone) de 50 Gb/s para 200 Gb/s.

A Guiné acaba de oficializar o aumento da capacidade da sua espinha dorsal nacional de fibra ótica, que passa de 200 Gb/s para 400 Gb/s. Trata-se da segunda expansão em cerca de ano e meio, elevando o crescimento acumulado para 700% da capacidade da rede nesse período, num contexto de forte aumento da procura por Internet de alta velocidade.

A iniciativa foi anunciada na quarta-feira, 20 de maio, pela Sociedade de Gestão e Exploração do Backbone Nacional (SOGEB), que a implementou com o apoio técnico da empresa tecnológica chinesa Huawei. Esta expansão de capacidade diz respeito, por agora, ao primeiro anel da rede. No entanto, os dois parceiros pretendem atingir uma capacidade de 600 Gb/s em toda a infraestrutura até ao final do ano.

Um reforço da qualidade de serviço

O aumento da capacidade da rede ocorre num contexto marcado não apenas pela crescente procura de banda larga, mas também pela pressão constante sobre a qualidade do serviço. A SOGEB considera que esta evolução “contribui para melhorar significativamente a qualidade das comunicações interurbanas e para acompanhar o descongestionamento digital do país”.

Para além do aumento das velocidades disponíveis, esta expansão pode reduzir a congestão da rede, um fator frequentemente responsável por lentidões e interrupções de serviço. Ao aumentar a largura de banda da espinha dorsal nacional, os operadores passam a dispor de maior capacidade para encaminhar o tráfego de Internet, especialmente nas horas de pico.

O tráfego de Internet móvel passou de 23,98 milhões de gigabytes (GB) no segundo trimestre de 2021 para 118,86 milhões de GB no mesmo período de 2025, segundo dados do regulador das telecomunicações. No mesmo intervalo, o número de assinantes de Internet móvel passou de 6,6 milhões para 8,3 milhões, um aumento de cerca de 25,7%. Ainda assim, a taxa de penetração era de apenas 33,3% em 2024, segundo a União Internacional das Telecomunicações (UIT), o que evidencia o potencial de crescimento do mercado.

Neste contexto, uma conectividade fiável surge como um desafio central. Para os particulares, os usos estão cada vez mais diversificados entre redes sociais, streaming, serviços financeiros móveis e teletrabalho. Para as empresas, a conectividade condiciona o desempenho das ferramentas digitais, a fluidez das trocas com clientes e parceiros e o desenvolvimento de novos serviços digitais.

Mais amplamente, o reforço da capacidade do backbone insere-se na dinâmica de transformação digital do país. Ao consolidar a infraestrutura de base, as autoridades criam condições para o desenvolvimento da economia digital, a modernização dos serviços públicos e a expansão de usos inovadores.

A generalização da rede, um desafio ainda por concluir

Se o reforço do backbone representa um avanço importante, a questão da generalização efetiva da rede continua em aberto. O desafio não se limita à capacidade da espinha dorsal nacional, mas inclui também o desenvolvimento da infraestrutura de “última milha”, essencial para ligar famílias, empresas e administrações, incluindo em zonas rurais e periurbanas. Sem essa extensão, uma parte significativa da população poderá continuar excluída das melhorias do núcleo da rede.

Esta questão está também ligada às disparidades territoriais de acesso, onde os elevados custos de investimento e a baixa densidade populacional frequentemente dificultam a expansão das redes de acesso. Acrescem ainda constrangimentos de manutenção e disponibilidade de equipamentos, que podem atrasar a cobertura efetiva do território apesar dos progressos na infraestrutura principal.

Além disso, coloca-se também a questão da segurança da rede. Vários países africanos enfrentam atos recorrentes de vandalismo nas infraestruturas de telecomunicações. O roubo de cabos, a destruição de sites técnicos ou de equipamentos afetam diretamente a continuidade do serviço e a qualidade da conectividade. Estes incidentes provocam cortes, lentidões e elevados custos de reparação para os operadores, podendo travar os esforços de expansão da rede.

Isaac K. Kassouwi

Posted On vendredi, 22 mai 2026 14:16 Written by

O desenvolvimento dos MVNO está a acelerar em África, impulsionado sobretudo por mercados como a África do Sul e a Nigéria. As autoridades veem este tipo de operadores como uma solução para colmatar as lacunas deixadas pelos operadores tradicionais de telecomunicações.

As autoridades nigerianas pretendem reforçar a regulação do mercado dos operadores de rede móvel virtual (MVNO). Esta iniciativa visa estruturar um segmento ainda emergente do setor das telecomunicações e clarificar as regras aplicáveis aos novos entrantes.

A Comissão Nigeriana de Comunicações (NCC) publicou recentemente um projeto de “Business Rules for Mobile Virtual Network Operations in Nigeria”. Num comunicado divulgado na quarta-feira, 20 de maio, o regulador das telecomunicações convida as partes interessadas a apresentarem as suas observações até 29 de junho. Está igualmente prevista uma consulta pública para 9 de julho.

Segundo a NCC, estas regras prosseguem vários objetivos principais. Pretendem, antes de mais, estabelecer um quadro claro que defina os direitos, obrigações e requisitos de conformidade aplicáveis aos MVNO e aos operadores hospedeiros (HNO), reforçando a supervisão e a aplicação da regulamentação. O texto visa também garantir que cada MVNO opere dentro dos limites da sua licença, assegurando simultaneamente um acesso justo e não discriminatório aos recursos de rede e aos acordos de alojamento. Prevê ainda a redução dos prazos de integração entre MVNO e HNO, bem como a clarificação das regras relativas à interligação, à numeração e às responsabilidades associadas aos cartões SIM e eSIM.

Em termos concorrenciais, o projeto procura estimular a concorrência para melhorar a qualidade dos serviços, a acessibilidade dos preços e a escolha dos consumidores, ao mesmo tempo que reforça as exigências em matéria de qualidade de serviço, fiabilidade, proteção de dados e atendimento ao cliente. Por fim, esclarece que qualquer violação destas regras será considerada uma infração e poderá dar origem a sanções administrativas, medidas corretivas ou outras ações previstas na legislação em vigor.

Esta iniciativa surge num momento em que o mercado de MVNO está em fase de estruturação na Nigéria. A NCC atribuiu, em junho de 2023, licenças de operação a 25 MVNO por um montante total de 5,9 mil milhões de nairas (cerca de 4,3 milhões de dólares). No total, já foram emitidas cerca de quarenta licenças desde o lançamento do regime. Alguns operadores como Vitel ou Visafone já iniciaram os seus serviços.

O regulador estimava que a entrada destes novos atores contribuiria para colmatar a lacuna entre as populações mal servidas e as não servidas, reforçando a concorrência e alargando a escolha dos consumidores no mercado das telecomunicações. Atualmente, a Nigéria conta com 185,7 milhões de assinantes de telemóvel e 153,8 milhões de utilizadores de Internet no final de março de 2026, segundo dados da NCC.

Apesar deste volume elevado, a fratura digital persiste: cerca de 20 milhões de pessoas continuam excluídas do ecossistema digital, segundo as autoridades. Por sua vez, a GSMA estima que, em 2023, cerca de 120 milhões de nigerianos não utilizavam a Internet móvel. A esta fratura digital juntam-se preocupações relacionadas com o elevado custo dos serviços e a qualidade por vezes insuficiente das prestações dos operadores de telecomunicações.

Isaac K. Kassouwi

Posted On vendredi, 22 mai 2026 14:00 Written by

Com a aceleração da transformação digital, a procura e o uso dos serviços de telecomunicações registam um forte crescimento em África. Esta dinâmica continua, contudo, condicionada por vários fatores, incluindo o custo de acesso aos serviços.

No Senegal, o custo global dos serviços móveis caiu 10,9% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o quarto trimestre de 2025, segundo fontes oficiais. Trata-se do quarto trimestre consecutivo de queda dos preços no mercado senegalês das telecomunicações móveis.

Estes dados constam da “Nota trimestral do índice de preços dos serviços móveis (IPSM)”, publicada em conjunto pela Autoridade de Regulação das Telecomunicações e dos Correios do Senegal e pela Agência Nacional de Estatística e Demografia do Senegal. O índice, base 100 em 2023, mede a evolução dos preços dos serviços de telefonia móvel no mercado nacional. É calculado a partir das tarifas praticadas pelos operadores para as principais ofertas de comunicação, nomeadamente voz, dados móveis e SMS.

Segundo a nota, a descida do quarto trimestre de 2025 para o primeiro trimestre de 2026 foi impulsionada pela redução de preços registada em todos os operadores de redes móveis, nomeadamente a Orange com uma queda de 17,2%, a Expresso Senegal com 3,5% e a Yas Senegal com 1,8%. Em contrapartida, os preços do operador de rede móvel virtual (MVNO) Promobile registaram um aumento de 3,4% no período analisado, embora o seu impacto global no mercado seja marginal.

Segundo a ARTP e a ANSD, a redução dos preços dos serviços móveis é sobretudo impulsionada pelas ofertas destinadas a perfis com maior consumo de dados. Em sentido contrário, os perfis com maior consumo de voz registaram aumentos tarifários no trimestre, embora estes sejam inferiores às reduções observadas nas ofertas de dados.

Um potencial motor de adoção e utilização dos serviços

Esta tendência de descida surge num contexto africano marcado por queixas recorrentes dos consumidores sobre o nível elevado dos preços dos serviços de telecomunicações. Em muitos mercados do continente, o custo dos serviços móveis é frequentemente apontado como um dos principais obstáculos à adoção e a um uso mais intensivo da Internet móvel, sobretudo para populações de baixo rendimento.

Segundo a União Internacional das Telecomunicações, o cabaz móvel combinado (voz e baixo consumo de dados — 70 minutos de chamadas, 50 SMS e 1 GB de Internet) representava 2,57% do rendimento nacional bruto per capita no Senegal em 2025. Embora este nível esteja abaixo da média africana estimada em 4%, permanece acima do limiar de acessibilidade fixado em 2% pela organização. Para a Internet móvel isoladamente, este rácio atinge 4,68%, contra 5,32% em média em África.

No entanto, a melhoria dos preços não é suficiente para eliminar todas as barreiras à adoção dos serviços de telecomunicações e, de forma mais ampla, dos serviços digitais. Outros fatores continuam a desempenhar um papel importante, nomeadamente as disparidades de cobertura de rede, os problemas de qualidade de serviço e as diferenças no acesso a terminais compatíveis. Segundo o Banco Mundial, 60,84% da população senegalesa com mais de 15 anos possuía um smartphone.

Para recordar, o Senegal contava com 23,38 milhões de assinantes de Internet móvel, com uma taxa de penetração de 125,78% no final de dezembro de 2025, segundo dados da ARTP. Estes números devem ser interpretados com cautela, uma vez que os reguladores contabilizam geralmente cada cartão SIM como um assinante, embora um mesmo utilizador possa possuir vários. A União Internacional das Telecomunicações estima, assim, que 60,1% dos senegaleses utilizavam a Internet em 2024.

Isaac K. Kassouwi

Posted On jeudi, 21 mai 2026 15:43 Written by

O operador histórico namibiano tem registado, nas últimas semanas, um aumento das perturbações na sua rede. Esta degradação da experiência do cliente poderá fragilizar a sua posição num mercado onde já enfrenta dificuldades para competir com a MTC.

A empresa pública de telecomunicações Telecom Namibia alerta os seus assinantes para eventuais perturbações na rede no âmbito do seu programa de modernização em curso. Este anúncio surge num momento em que o operador enfrenta desafios relacionados com a qualidade do serviço em algumas zonas do país.

Num comunicado publicado na quarta-feira, 20 de maio, o operador histórico explica que as atividades suscetíveis de causar estas perturbações são necessárias para dispor de uma rede mais robusta e orientada para o futuro.

«O programa de modernização em curso reflete a determinação da Telecom Namibia em responder às necessidades de conectividade em constante evolução dos particulares, empresas e comunidades. Estamos confiantes de que estes investimentos se traduzirão em melhorias mensuráveis no desempenho da rede e na satisfação do cliente nos próximos meses», indica a empresa no seu comunicado.

Uma transformação inscrita no plano estratégico ISBP 2027

Esta iniciativa insere-se nos compromissos mais amplos da Telecom Namibia no âmbito do seu Plano de Negócios Estratégico Integrado (ISBP) 2027, lançado em 2023. O programa inclui vários eixos de modernização destinados a reforçar o desempenho global da rede e a melhorar a experiência do cliente.

Prevê, nomeadamente, a atualização do núcleo da rede com uma arquitetura convergente fixo-móvel, a implementação de uma nova plataforma OSS/BSS destinada a simplificar a gestão dos serviços e a otimizar a experiência do utilizador, bem como o reforço dos sistemas de segurança e de alimentação elétrica. O operador está também a modernizar as tecnologias de acesso, com a migração progressiva das redes 2G e 3G para 4G e 4.5G.

Em paralelo, a Telecom Namibia acelera a expansão da fibra ótica a nível nacional, a extensão da rede móvel através de novas estações base, bem como a melhoria da cobertura em zonas mal servidas. A empresa reforça igualmente as infraestruturas de backbone e as ligações internacionais, nomeadamente através de cabos submarinos, para aumentar a redundância e a continuidade do serviço. O conjunto é complementado pela implementação de ferramentas avançadas de monitorização que permitem uma deteção e resolução mais rápidas dos incidentes de rede.

Reforçar a posição no mercado e aumentar as receitas

A médio prazo, o operador estima que estes investimentos permitirão reforçar significativamente a sua maturidade digital e melhorar a experiência do cliente em mais de 75%. Prevê também uma redução da taxa de cancelamento de assinaturas, impulsionada pela melhoria da qualidade do serviço.

Estes investimentos deverão ainda aumentar a rentabilidade dos ativos da empresa e consolidar a sua competitividade. Como resultado, o operador espera um aumento da sua quota de mercado e das suas receitas, que deverão atingir 2 mil milhões de dólares namibianos (120,6 milhões de dólares).

Para recordar, a Telecom Namibia reivindicava 451.837 assinantes de telefonia móvel e 189.180 assinantes de telefonia fixa no final do exercício financeiro de 2022/2023. O operador atua principalmente face à MTC, que detinha uma quota de mercado de 91% segundo o seu «Company Profile 2024-2025». As receitas da Telecom Namibia ascenderam a 1,39 mil milhões de dólares namibianos no exercício de 2022/2023.

Isaac K. Kassouwi

Posted On jeudi, 21 mai 2026 15:40 Written by

O digital dava até agora a impressão de ter escapado às velhas restrições da geografia, da energia e das infraestruturas. Os debates centravam-se sobretudo nos algoritmos, nos dados, nos semicondutores ou nos talentos tecnológicos. Mas a corrida mundial pela inteligência artificial recorda uma evidência muito mais material: por trás de cada infraestrutura de IA esconde-se, antes de mais, uma questão energética.

No Quénia, esta realidade voltou a surgir de forma espetacular. Quase dois anos após o anúncio com grande destaque do projeto de centro de dados liderado pela Microsoft e pelo grupo emiradense G42, as discussões avançam mais lentamente do que o previsto. As dificuldades dizem respeito naturalmente às garantias financeiras, mas sobretudo às necessidades energéticas da infraestrutura. O próprio presidente William Ruto reconheceu recentemente que seria quase necessário “cortar a eletricidade a metade do país” para alimentar uma instalação desta dimensão. Se a expressão marcou os espíritos, ela revela sobretudo algo muito mais profundo sobre a nova economia mundial que está a emergir.

A IA dá um valor ainda mais estratégico à eletricidade

O problema vai muito além do caso do Quénia. Segundo a Agência Internacional de Energia, o consumo elétrico mundial dos centros de dados poderá quase duplicar até 2030 devido à explosão da inteligência artificial.

Por trás das promessas de soberania digital, a IA coloca novamente os Estados perante uma equação muito clássica: sem energia abundante, estável e controlável, não haverá nem cloud soberano nem capacidade de computação sustentável. Melhor ainda, a capacidade de produzir e garantir grandes quantidades de eletricidade torna-se progressivamente um dos principais determinantes da hierarquia digital mundial.

É precisamente isto que torna a situação africana paradoxal, enquanto a McKinsey prevê que a procura de centros de dados no continente será multiplicada por mais de três até ao final da década. No momento em que o continente procura acelerar a sua transição digital, a IA transforma as infraestruturas energéticas em ativos geopolíticos fundamentais e a África tem de lidar com sistemas elétricos ainda frágeis, caros ou insuficientemente interligados.

A África possui ativos energéticos muito procurados

O paradoxo não significa, contudo, que o continente esteja condenado a ficar à margem. Pelo contrário, a África dispõe provavelmente de alguns dos ativos energéticos mais estratégicos da futura economia digital mundial. Hidroeletricidade, energia solar, geotermia, potencial eólico, hidrogénio verde… várias regiões africanas possuem recursos consideráveis num momento em que as grandes potências e os gigantes tecnológicos procuram capacidades energéticas capazes de alimentar as suas infraestruturas digitais.

Durante muito tempo considerados sobretudo sob o ângulo do acesso à eletricidade ou da transição energética, estes recursos ganham agora um novo valor. A escolha de Olkaria pela Microsoft e pela G42 não é, aliás, inocente. A região é conhecida pelo seu importante potencial geotérmico, frequentemente apresentado como uma das fontes de energia renovável mais estáveis do continente.

Os gigantes do cloud já não procuram apenas mercados ou utilizadores. Procuram também territórios capazes de produzir a energia necessária às suas infraestruturas digitais. E é precisamente aí que começa o verdadeiro desafio estratégico para a África.

A questão já não é apenas saber se o continente participará na revolução da inteligência artificial. Trata-se agora de determinar sob que forma o fará. Construirá a África a sua própria soberania digital em torno das suas capacidades energéticas e infraestruturas de computação? Ou tornar-se-á sobretudo um território energético destinado a alimentar as infraestruturas cloud e as ambições tecnológicas dos outros?

Por trás dos megawatts necessários aos centros de dados e à inteligência artificial joga-se também uma parte do futuro industrial do continente. Mineração, transformação local, mobilidade elétrica, cloud, serviços digitais, indústria transformadora… todos estes setores dependerão, no futuro, da capacidade dos Estados africanos de construir sistemas energéticos muito mais robustos, interligados e financiados em grande escala.

Enquanto as promessas de transformação energética do continente ainda não foram plenamente concretizadas, a revolução da IA devolve um novo valor económico, geopolítico e industrial a investimentos durante muito tempo considerados demasiado caros ou complexos.

Será ainda necessário que os Estados africanos, as instituições regionais, os bancos de desenvolvimento e os atores privados consigam pensar esta questão energética como um projeto estratégico continental, e não como uma sucessão de projetos nacionais isolados.

Louis-Nino Kansoun, Redator-Chefe

Posted On jeudi, 21 mai 2026 15:36 Written by

A Nigéria lançou plataformas digitais para modernizar a mediação fiscal. Esta iniciativa faz parte da reforma fiscal do governo, que visa reforçar a transparência, aumentar as receitas públicas e facilitar a resolução de litígios através do gabinete do “Tax Ombud”.

O governo nigeriano lançou oficialmente, na segunda-feira, 18 de maio, novas ferramentas digitais do gabinete do “Tax Ombud”, com o objetivo de melhorar a equidade, a transparência e a eficiência da administração fiscal do país.

Criado no âmbito das novas reformas fiscais, o “Tax Ombud” é apresentado como um organismo independente e imparcial encarregado de proteger os direitos dos contribuintes, tratar reclamações de forma rápida e justa e reforçar a confiança no sistema fiscal através da mediação e da defesa dos contribuintes.

As plataformas inauguradas incluem, nomeadamente, um site oficial, um centro de atendimento gratuito e um sistema digital de gestão de reclamações. Segundo as autoridades, estes dispositivos deverão contribuir para melhorar a relação entre os contribuintes e a administração fiscal, ao mesmo tempo que facilitam a resolução de conflitos e reforçam a transparência do sistema.

Durante a cerimónia de lançamento, o ministro da Informação e Orientação Nacional, Mohammed Idris Malagi, afirmou que esta iniciativa demonstra o compromisso do governo federal com uma governação fiscal mais responsável e transparente. Ele também qualificou o “Tax Ombud” como um “mecanismo essencial” para reforçar a confiança dos contribuintes e garantir uma gestão eficaz dos litígios fiscais.

Esta iniciativa surge num contexto de transformação do sistema fiscal nigeriano. As autoridades procuram ampliar a base tributária, melhorar a conformidade através da digitalização e reduzir gradualmente a dependência do país das receitas petrolíferas.

Em junho de 2025, o presidente Bola Ahmed Tinubu promulgou quatro leis de reforma fiscal, incluindo o Nigeria Tax Act e o Nigeria Tax Administration Act, que entraram em vigor em 1 de janeiro de 2026. Estas reformas preveem, nomeadamente, o aumento do imposto sobre as mais-valias das empresas de 10% para 30%, bem como a introdução de uma taxa mínima efetiva de 15% para grandes empresas e grupos multinacionais.

Importa salientar que a administração fiscal nigeriana estabeleceu como objetivo mobilizar 40 biliões de nairas (29,1 mil milhões de dólares) em receitas ao longo do ano.

Charlène N’dimon

Posted On jeudi, 21 mai 2026 11:20 Written by

À escala do continente africano, a transformação digital das administrações públicas está a acelerar, impulsionada pela vontade dos Estados de modernizar os seus serviços e reforçar a inclusão. No entanto, a questão do acesso real aos serviços digitalizados continua a colocar-se.

As autoridades tunisinas inauguraram na semana passada quatro Casas de Serviços Administrativos Digitais em três governorados do país. O executivo prossegue assim o desenvolvimento destas estruturas destinadas a facilitar o acesso dos cidadãos aos serviços digitais, com o objetivo de atingir 34 até junho.

Este objetivo foi revelado por Faten Makhlouf, conselheira dos serviços públicos na Direção-Geral das Reformas e Estudos de Prospetiva Administrativa da Presidência do Governo, citada pela imprensa local. Ela precisou que estas estruturas abrangerão 21 governorados e prestarão serviços a cerca de 900 000 cidadãos nas diferentes regiões do país.

A Sra. Makhlouf explicou que a criação destes espaços visa reforçar a inclusão social, direcionando-se nomeadamente às categorias que dominam pouco as tecnologias modernas ou enfrentam dificuldades na sua utilização. O projeto ambiciona também promover a inclusão financeira através dos meios de pagamento eletrónico, bem como a inclusão digital, aproximando os serviços administrativos dos cidadãos, sobretudo nas regiões interiores onde a cobertura geográfica dos serviços prioritários continua limitada.

Por exemplo, numa primeira fase, a « Casa dos Serviços Digitais » de Tebourba, no governorado de Manouba, disponibilizará 26 serviços de sete entidades públicas, incluindo a Companhia Tunisina de Eletricidade e Gás, a Companhia Nacional de Exploração e Distribuição de Água, a Caixa Nacional de Seguro de Doença, a Caixa Nacional de Segurança Social, a Caixa Nacional de Reforma e Previdência Social, a Tunisie Telecom e o Ministério das Tecnologias da Comunicação, nomeadamente através do serviço de identidade digital.

Entre ambições e desafios de adoção

Esta iniciativa surge num contexto em que as autoridades tunisinas apostam na transformação digital para acelerar o desenvolvimento socioeconómico. A integração das TIC em todos os setores é vista como uma alavanca de eficiência e produtividade. Na administração pública, as tecnologias digitais contribuem para simplificar procedimentos e melhorar o acesso aos serviços.

Apesar desta aproximação, a adoção dos serviços públicos não é uniforme. Cerca de 24% da população não utiliza a Internet, segundo dados da União Internacional das Telecomunicações. O Banco Mundial indica, por sua vez, que 66,95% da população dispunha de um smartphone em 2024, o que revela uma conectividade ainda desigual em termos de utilização efetiva dos serviços online.

Neste contexto, as Casas de Serviços Administrativos Digitais surgem como um mecanismo de inclusão, facilitando o acesso aos serviços administrativos para populações excluídas do digital. Permitem ultrapassar algumas barreiras estruturais, nomeadamente o baixo nível de competências digitais básicas, bem como as dificuldades de utilização das plataformas públicas.

O desenvolvimento destas estruturas levanta, contudo, várias questões, nomeadamente sobre a formação dos agentes e a sustentabilidade da iniciativa. Acrescem ainda desafios relacionados com a qualidade e continuidade das infraestruturas básicas, como o acesso estável à Internet e à eletricidade em algumas zonas, bem como a interoperabilidade entre administrações e a capacidade de resposta a uma procura crescente sem criar novos estrangulamentos administrativos.

Isaac K. Kassouwi

 

 

Posted On mercredi, 20 mai 2026 08:43 Written by
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