Principal cereal cultivado em África, o milho é vital para a segurança alimentar, sobretudo na África Subsaariana, onde constitui um produto básico. A Zâmbia ambiciona tornar-se um ator importante desta fileira, que alimenta fortemente o comércio intra-regional.
O governo zambiano pretende elevar a produção nacional de milho para 10 milhões de toneladas até 2031, ou seja, cerca do triplo da colheita de 3,6 milhões de toneladas registada em 2025. Esta ambição foi reiterada em abril pelo presidente Hakainde Hichilema, durante um encontro com parceiros vietnamitas, segundo informou o Ministério da Agricultura.
A concretização deste objetivo permitiria ao país integrar o Top 5 dos produtores africanos do cereal. Na última década, apenas quatro países do continente conseguiram atingir uma produção de milho igual ou superior ao limiar de 10 milhões de toneladas.
Líder histórico do continente, a África do Sul ocupa o topo desta classificação, apresentando, por exemplo, uma produção de quase 13 milhões de toneladas em 2024, segundo dados compilados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Seguem-se a Etiópia (11,7 milhões de toneladas), a Nigéria (11,1 milhões de toneladas) e a Tanzânia (10,08 milhões de toneladas).
Um plano de investimento de 760 milhões de dólares estruturado em vários eixos
No âmbito das suas ambições para o setor, Lusaka aposta no “Zambian HandinHand Investment Plan”, um quadro estratégico de desenvolvimento agrícola elaborado com o apoio da FAO e oficialmente lançado em outubro de 2025 durante o Fórum Mundial da Alimentação organizado em Roma. Este roteiro, que cobre o período 2025-2030, prevê a mobilização de 760 milhões de dólares para aumentar a produção nacional de milho, através de investimentos direcionados para a mecanização, irrigação e gestão pós-colheita.
Segundo uma nota informativa da FAO, os investimentos na mecanização agrícola incluirão a criação de 838 polos integrados de mecanização no país, destinados a fornecer serviços de aluguer de equipamentos para a fileira do milho, mas também para outras culturas.
Os investimentos na irrigação incidirão sobre a expansão das infraestruturas, com um plano destinado a fornecer a 50 000 agricultores kits de irrigação compostos por furos de água, bombas solares e sistemas de rega gota-a-gota, através de programas de crédito com taxas preferenciais.
“Os investimentos na seleção de sementes, diversidade nutricional e redução das perdas pós-colheita concentrar-se-ão na construção de 200 armazéns, cada um com capacidade para 5 000 toneladas, de forma a facilitar a agregação e comercialização. Estes armazéns serão disponibilizados aos comerciantes de cereais através de contratos de arrendamento, melhorando o acesso a instalações de armazenamento de qualidade e reduzindo as perdas”, acrescenta a nota informativa.
Para além deste roteiro, o encontro do presidente Hichilema com os vietnamitas traduz igualmente a vontade de Lusaka de se abrir à experiência internacional e à troca de competências e tecnologias com parceiros estrangeiros, a fim de acelerar o crescimento do setor agrícola zambiano.
Um interesse pelas exportações?
Na Zâmbia, as necessidades de consumo de milho são avaliadas em cerca de 3 milhões de toneladas por ano, colocando o país numa situação de autossuficiência há vários anos. Neste contexto, uma parte do excedente de produção será destinada à constituição de reservas de segurança, enquanto a outra será orientada para a exportação, como acontece na maioria dos países com oferta excedentária.
No seu mais recente relatório sobre o mercado cerealífero do país, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indica, por exemplo, que as exportações de milho zambiano para o Malawi, país vizinho da África Austral, poderão atingir até 400 000 toneladas através de circuitos formais e informais durante a campanha de comercialização de 2025/2026.
Enquanto o país visa uma produção de 10 milhões de toneladas até 2030, a fileira zambiana tem a oportunidade de reforçar o seu peso no comércio intra-regional para além do Malawi. Os dados compilados na plataforma Trade Map mostram, por exemplo, que os países membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), excluindo a Zâmbia, importaram cerca de 3,56 milhões de toneladas de milho, num valor de 1,13 mil milhões de dólares, no mercado internacional em 2025.
Stéphanas Assocle













Nairobi. Kenya