No Senegal, o setor têxtil é uma das fileiras prioritárias com potencial para posicionar o país como uma importante plataforma industrial da África Ocidental. Neste contexto, Dakar está a incentivar investimentos destinados ao desenvolvimento das capacidades de produção e das infraestruturas locais.
No Senegal, o Presidente Bassirou Diomaye Faye inaugurou, no sábado, 20 de junho, uma fábrica têxtil dedicada à confeção de vestuário para homens e mulheres, localizada na zona industrial de Diamniadio, perto de Dakar. O investimento, estimado em 6 mil milhões de francos CFA (cerca de 10,45 milhões de dólares), é liderado pelo grupo de investimento turco AVCI Global Industrie.
Segundo informações divulgadas pela Radiotelevisão Senegalesa (RTS), a unidade industrial dispõe de uma capacidade de produção de cerca de 1.200 peças por dia e deverá gerar aproximadamente 200 postos de trabalho.
Um elo operacional na estratégia de valorização do algodão?
A entrada em funcionamento da fábrica ocorre na sequência de um acordo assinado em fevereiro de 2025 entre o Ministério da Indústria e do Comércio, a Agência de Ordenamento e Promoção dos Sítios Industriais (APROSI) e a AVCI Global Industrie. Segundo as autoridades, esta parceria tripartida visa desenvolver unidades industriais dedicadas à transformação do algodão bruto senegalês em produtos têxteis de maior valor acrescentado, reforçando simultaneamente a competitividade do setor transformador nacional.
Assim, este novo investimento insere-se na lógica de valorização da fileira do algodão através da sua transformação local. Importa salientar que quase toda a produção de fibra de algodão continua a ser exportada em estado bruto, principalmente devido à insuficiência de unidades de transformação.
No seu mais recente relatório sobre a fileira do algodão na África Ocidental, publicado em abril, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima que o país deverá produzir 55.000 fardos de fibra, equivalentes a cerca de 12.500 toneladas (1 fardo = 227 kg) em 2026/2027, dos quais apenas 3,6% serão transformados localmente.
Por outro lado, a construção da fábrica da AVCI Global está alinhada com as ambições de Dakar de reduzir a dependência das importações de produtos têxteis acabados. Os dados compilados pela Agência Nacional de Estatística e Demografia (ANSD) mostram que o Senegal importou, em 2024, vestuário e acessórios de vestuário no valor de cerca de 19,45 mil milhões de francos CFA (34 milhões de dólares).
Rumo à abertura de mercados regionais
Para além do mercado interno, está previsto que a fábrica de Diamniadio abasteça também os mercados dos países vizinhos da África Ocidental, onde a procura por vestuário e produtos têxteis continua elevada. Esta orientação regional poderá contribuir para reforçar as perspetivas de exportação de produtos manufaturados e aumentar as receitas de exportação geradas pela indústria têxtil do país.
Segundo a ANSD, as exportações senegalesas de vestuário e acessórios de vestuário geraram receitas de 1,62 mil milhões de francos CFA (2,83 milhões de dólares) em 2024. Num contexto marcado pelas ambições do programa nacional de transformação «Senegal 2050», a industrialização do setor têxtil surge como uma alavanca para a diversificação económica e a criação de emprego.
Resta agora saber se este tipo de investimento conseguirá manter-se de forma sustentável e impulsionar a estruturação de uma verdadeira cadeia de valor têxtil integrada, tanto a nível nacional como regional.
Stéphanas Assocle













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