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Senegal: por detrás das 2.000 lojas de referência, a nova batalha da distribuição alimentar.fils

Senegal: por detrás das 2.000 lojas de referência, a nova batalha da distribuição alimentar.fils
Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

No Senegal, tal como em muitos países africanos, o comércio de proximidade é um elo fundamental no abastecimento das famílias com bens alimentares básicos. Na sua busca pela soberania alimentar, Dakar procura estruturar melhor este setor, transformando-o num mecanismo de distribuição mais eficiente.

O Senegal pretende avançar com uma reforma destinada a reestruturar o comércio de proximidade, ainda amplamente informal e fragmentado, transformando-o progressivamente numa rede de distribuição mais organizada. É neste contexto que o Ministério da Indústria e do Comércio organizou, no passado dia 18 de junho, um encontro nacional que reuniu cerca de 100 intervenientes que atuam em diferentes níveis da cadeia de valor, com o objetivo de lançar as bases desta nova orientação.

Um plano de investimento de 8 milhões de dólares

Concretamente, o programa prevê a criação de 2.000 «lojas de referência» em todo o território nacional, apoiadas por um fundo de 5 mil milhões de francos CFA (8,73 milhões de dólares) destinado a acompanhar os comerciantes e proprietários de lojas que aderirem ao projeto.

O modelo adotado assenta numa governação híbrida. Os comerciantes e operadores seriam chamados a deter 75% do capital das lojas, contra 25% para o Estado. Esta estrutura demonstra uma vontade de manter uma forte participação do setor privado, preservando simultaneamente um papel de enquadramento público na organização da rede.

A nível operacional, está previsto que as lojas de referência sejam abastecidas por uma central de compras coletiva, de modo a garantir um acesso regular aos produtos de grande consumo, um melhor controlo dos preços e uma redução significativa das ruturas de stock que frequentemente afetam os estabelecimentos de bairro.

Subjacente a esta iniciativa está uma vontade de Dakar de reforçar a sua capacidade de regulação do mercado de bens essenciais, nomeadamente produtos alimentares básicos como arroz, massas alimentícias e açúcar.

«Através desta iniciativa, o Governo senegalês pretende transformar o comércio de proximidade num verdadeiro motor de desenvolvimento económico, criação de emprego e soberania alimentar, oferecendo simultaneamente aos consumidores um melhor acesso a produtos de qualidade a preços competitivos», destaca o Ministério da Indústria e do Comércio num comunicado publicado no seu site.

Esta orientação ganha especial importância num contexto em que o escoamento de algumas produções agrícolas locais continua a representar um grande desafio, particularmente no caso do arroz.

Persistem tensões no escoamento do arroz local

No Senegal, o mercado interno continua amplamente abastecido por arroz importado, frequentemente mais barato e melhor integrado nos circuitos de distribuição, o que limita automaticamente a quota de mercado do arroz produzido localmente. Como consequência, uma parte da produção nacional tem dificuldade em encontrar compradores, provocando a acumulação de stocks junto dos produtores e transformadores.

Já em outubro de 2025, os produtores de arroz do departamento de Dagana, no vale do rio Senegal, alertavam para o risco de cerca de 195.000 toneladas de arroz em casca e processado, provenientes da campanha de 2025, permanecerem sem comprador. Esta situação obrigou as autoridades a multiplicar medidas de apoio, desde subsídios à compra de arroz local até ao controlo das importações, passando por incentivos ao consumo nas administrações públicas até março de 2026. Contudo, a dificuldade em escoar a produção local parece persistir, segundo informações divulgadas pelos meios de comunicação locais.

«Os circuitos de comercialização do arroz cultivado no Senegal são inexistentes em algumas zonas destas três regiões [Kolda, Sédhiou e Ziguinchor, nota do editor]», referia, por exemplo, a Agência de Imprensa Senegalesa (APS) no dia 17 de abril. O desafio já não consiste apenas em produzir mais, mas também em organizar melhor os circuitos de comercialização para ligar a produção local à procura interna.

Neste contexto, a reforma do comércio de proximidade poderá inserir-se numa reconfiguração mais ampla dos instrumentos de política alimentar. Ao atuar sobre os canais de distribuição através da criação de lojas padronizadas e de uma central de compras, as autoridades procuram potencialmente corrigir um desequilíbrio que já não depende apenas da produção, mas também da capacidade de transportar e valorizar os produtos agrícolas locais no mercado interno.

Os próximos desenvolvimentos permitirão acompanhar a implementação efetiva do programa.

Stéphanas Assocle

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