Adoção dos serviços de telecomunicações acelera em África nos últimos anos. No entanto, as zonas rurais, que concentram uma parte significativa da população, continuam a avançar a um ritmo mais lento.
As autoridades marfinenses preveem ligar mais 300 localidades rurais em 2026. Esta iniciativa faz parte dos esforços para reduzir a exclusão digital num país onde cerca de 60 % da população não utilizava a Internet em 2024, segundo a União Internacional das Telecomunicações (UIT).
Os objetivos para 2026 foram apresentados na semana passada por Honoré Aka, diretor do desenvolvimento das infraestruturas e da rede nacional de banda larga da Agência Nacional do Serviço Universal de Telecomunicações (ANSUT). A declaração foi feita durante um painel organizado no âmbito da edição de 2026 do fórum INTECH Santé, realizado de quinta-feira, 18, a sábado, 20 de junho, no Parque de Exposições de Abidjan.
Segundo declarações de Honoré Aka citadas pelo meio de comunicação local Koaci, esta operação integra-se num programa de emergência de conectividade rural lançado em 2025. No primeiro ano de implementação, o programa permitiu dotar 500 aldeias de infraestruturas digitais e de acesso à conectividade.
Esforços a favor das zonas rurais
As autoridades marfinenses estão a intensificar os esforços para melhorar a conectividade nas zonas rurais, que representavam 46 % da população em 2024, segundo o Banco Mundial. Contudo, apenas 25,4 % dos habitantes dessas zonas utilizavam a Internet nesse ano, contra 57 % nas áreas urbanas, de acordo com a UIT.
Neste contexto, as zonas rurais isoladas, as escolas e os centros de saúde sem acesso à Internet estão entre os alvos prioritários da licença de exploração recentemente concedida à Starlink. A empresa utiliza uma constelação de satélites em órbita baixa (LEO), capaz de garantir cobertura em todo o território, incluindo áreas de difícil acesso para as redes terrestres.
Durante o anúncio da chegada da Starlink, em 11 de junho de 2026, o ministro da Transição Digital e da Inovação Tecnológica, Djibril Ouattara, apresentou igualmente várias iniciativas destinadas às zonas rurais. A 5G, cujo lançamento está previsto para julho de 2026, será progressivamente alargada a todas as cidades com mais de 25 000 habitantes antes de uma expansão a todo o território. Indicou ainda que as localidades com mais de 800 habitantes deverão estar cobertas por serviços GSM nos próximos quatro anos.
O ministro anunciou também a intenção de promover, «em breve», o acesso a smartphones nas zonas rurais, permitindo que as populações se liguem a custos mais baixos e beneficiem de serviços de alta velocidade.
Além disso, o Governo marfinense está a implementar um Programa Nacional de Conectividade Rural (PNCR) em várias fases. Em agosto de 2024, este programa já tinha permitido cobrir 175 localidades. O objetivo era alcançar 575 localidades até ao final de 2025, beneficiando cerca de 875 700 habitantes das zonas rurais.
Entre cobertura de rede e adoção efetiva dos serviços
Importa recordar que a instalação de infraestruturas em zonas rurais não garante automaticamente a adoção e utilização dos serviços. Na Costa do Marfim, onde a cobertura 2G atingia 98,9 % em 2024, a taxa de penetração da telefonia móvel limitava-se a 65,3 % da população, segundo a UIT. Ao mesmo tempo, as redes 3G e 4G cobriam respetivamente 98,3 % e 93,7 % dos marfinenses, com uma taxa de penetração da Internet de 41,4 %.
Embora as autoridades tenham anunciado uma iniciativa para facilitar o acesso a smartphones nas zonas rurais, o acesso aos equipamentos continua a ser um dos principais obstáculos à adoção dos serviços de telecomunicações e digitais. Segundo o Banco Mundial, 45,71 % dos marfinenses com 15 anos ou mais possuíam um smartphone em 2024.
Para além do custo dos dispositivos, a acessibilidade financeira dos serviços oferecidos pelos operadores e outros fornecedores de conectividade continua também a ser um desafio importante. Outros fatores relevantes estão relacionados com as competências digitais, o nível de alfabetização, a disponibilidade de serviços e conteúdos adaptados às necessidades locais, bem como a adequação dos usos às realidades socioeconómicas das comunidades. A estes fatores juntam-se a qualidade da cobertura de rede, a fiabilidade do fornecimento elétrico e a resiliência das infraestruturas.
Isaac K. Kassouwi













Boipuso Hall, Fairgrounds, Gaborone