As autoridades do Burkina Faso lançaram uma série de reformas destinadas a modernizar a arquitetura financeira do país, num contexto marcado por incertezas económicas internacionais e por persistentes desafios em matéria de segurança.
O Burkina Faso prevê um crescimento médio anual de 9,3% das suas receitas públicas entre 2027 e 2029. O anúncio foi feito pelo Governo a 27 de junho, após a análise do Documento Plurianual de Programação Orçamental e Económica (DPBEP) para o período 2027-2029.
«Segundo o cenário de base apresentado aos deputados, as receitas orçamentais totais deverão atingir 3,9243 biliões de francos CFA (cerca de 7 mil milhões de dólares) em 2027, 4,3288 biliões de francos CFA em 2028 e 4,6864 biliões de francos CFA em 2029, o que corresponde a uma taxa média anual de crescimento de 9,3%», refere o comunicado do Governo.
Estas previsões têm em conta um contexto internacional, regional e nacional marcado por numerosas incertezas, refletindo simultaneamente a vontade das autoridades de reforçar a soberania económica do país e de apoiar as prioridades definidas no âmbito da Revolução Progressista Popular (RPP).
As projeções inserem-se na estratégia do Governo para consolidar as finanças públicas e adaptar o quadro regulamentar às evoluções económicas. Em 2025, o Burkina Faso prosseguiu o reforço das suas finanças públicas, apesar de um contexto de segurança e económico ainda difícil, graças a uma melhor mobilização dos recursos internos.
O país arrecadou, nomeadamente, 501,6 mil milhões de francos CFA em receitas fiscais em 2025, face a uma previsão inicial de 408,48 mil milhões de francos CFA, o que representa uma taxa de execução de 122,76% e um excedente de 93,12 mil milhões de francos CFA.
Esta dinâmica traduziu-se igualmente na mobilização de 85,72 mil milhões de francos CFA para o Fundo Mineiro de Desenvolvimento (FMD) em 2025, de acordo com o balanço apresentado a 5 de março, em Ouagadougou, pela Comissão Técnica Nacional das Minas e do FMD.
Além disso, em 26 de maio de 2026, o Burkina Faso e o Fundo Monetário Internacional (FMI) chegaram a um acordo de princípio no final das consultas realizadas ao abrigo do Artigo IV, abrangendo igualmente a quinta revisão da Facilidade Alargada de Crédito (FEC) e a primeira revisão da Facilidade para a Resiliência e a Sustentabilidade (FRD). O país solicitou ainda um aumento de 80 milhões de dólares do seu programa FEC, elevando o montante total para 384 milhões de dólares.
Carelle Yourann (estagiária)













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