Facebook Agence Ecofin Twitter Agence Ecofin LinkedIn Agence Ecofin
Instagram Agence Ecofin Youtube Agence Ecofin Tik Tok Agence Ecofin WhatsApp Agence Ecofin
×

Message

Failed loading XML... XML declaration allowed only at the start of the document

Quem E Quem

Quem E Quem (5)

 

 
 

O secretário de Estado das Finanças, Eyob Tekalign, foi nomeado governador do Banco Central da Etiópia. Próximo de Abiy Ahmed, ele assume um mandato decisivo, marcado por uma inflação persistente, pressões sobre o birr e uma dívida insustentável.

O primeiro-ministro Abiy Ahmed nomeou Eyob Tekalign (na foto), secretário de Estado das Finanças desde 2018, como governador do Banco Central da Etiópia (National Bank of Ethiopia – NBE). Ele sucede Mamo Mihretu, que deixou o cargo no início de setembro após conduzir uma série de reformas econômicas importantes.

Um tecnocrata no coração das reformas

Com 44 anos e doutorado em Economia Política pela Universidade de Maryland, Tekalign é considerado um dos principais membros do círculo reformista de Abiy Ahmed. Ele liderou dossiês sensíveis como a reestruturação da dívida externa, as reformas fiscais e a planificação nacional. Além disso, faz parte dos conselhos de administração de várias empresas estratégicas, incluindo a EthioTelecom e a Ethiopian Electric Power.

Sua nomeação ocorre num momento em que o Banco Central precisa reforçar o seu papel na estabilização da economia, enquanto a Etiópia executa um programa de quatro anos com o FMI, no valor de 3,4 mil milhões de dólares, ao abrigo da Facilidade de Crédito Ampliada.

Uma transição monetária delicada

Sob a liderança de Mamo Mihretu, a NBE iniciou um processo de liberalização gradual: transição para um regime cambial mais flexível, introdução de um quadro de política monetária baseado em taxas de juros e abertura do setor bancário ao capital estrangeiro. Essas medidas ajudaram a corrigir parte dos desequilíbrios, a melhorar a disponibilidade de divisas e a reduzir a inflação, que caiu para cerca de 14% na primavera de 2025, contra mais de 30% dois anos antes.

Mas os desafios permanecem enormes: a inflação continua em dois dígitos, o birr segue vulnerável às pressões do mercado paralelo, e a dívida pública aproxima-se de 50% do PIB, apesar de um acordo de princípio com o comitê de credores oficiais no âmbito do Quadro Comum do G20. O país continua, entretanto, em incumprimento em relação ao eurobond de 1 mil milhão de dólares que venceu no fim de 2024, segundo o FMI. A instituição também aponta atrasos com alguns credores bilaterais e comerciais, confirmando que a dívida externa continua insustentável. Embora as negociações de reestruturação avancem, Adis Abeba ainda precisa chegar a um acordo com os detentores privados — condição essencial para restabelecer uma trajetória fiscal sustentável e restaurar a confiança dos mercados.

Confiança e pressões externas

De acordo com o FMI, o crescimento deverá atingir 7,2% em 2024/25, impulsionado por uma boa campanha agrícola, exportações recordes de café e ouro e pela retomada dos financiamentos externos. A médio prazo, o governo etíope ambiciona manter um ritmo de crescimento entre 7,5% e 8%, desde que as reformas se mantenham no curso atual.

Eyob Tekalign também terá de lidar com um contexto internacional mais incerto, marcado pela redução da ajuda externa — a ajuda pública ao desenvolvimento (APD) passou de 12% do PIB em 2011 para menos de 4% em 2023 — e pelos efeitos das mudanças climáticas, que ameaçam um setor agrícola que ainda representa cerca de 40% do PIB.

Fiacre E. Kakpo

Posted On mardi, 28 octobre 2025 12:18 Written by

Uma semana após o golpe de Estado que derrubou Andry Rajoelina, o coronel Michael Randrianirina, novo homem forte de Madagáscar, nomeou o empresário Herintsalama Rajaonarivelo como primeiro-ministro, num contexto de isolamento diplomático e de vigilância por parte da agência S&P.

Na segunda-feira, 20 de outubro, o coronel Michael Randrianirina, chefe da unidade de elite CAPSAT e principal artífice do golpe de 14 de outubro, anunciou a nomeação do empresário Herintsalama Rajaonarivelo para chefiar o governo. Segundo Randrianirina, a escolha se deve à “experiência e às conexões internacionais” do novo primeiro-ministro.

Rajaonarivelo, figura destacada do setor privado, ex-presidente da confederação patronal e atual presidente do Conselho de Administração do banco BNI Madagascar, liderará um governo de transição “civil e inclusivo”. Esse executivo deverá coexistir com o exército por dois anos, até a realização de eleições gerais — uma fórmula que busca tranquilizar os parceiros financeiros e atenuar o isolamento diplomático do país.

Ele tem as competências, a experiência e também as relações que mantém com organizações internacionais e países que continuarão a colaborar com Madagáscar”, declarou o novo dirigente da ilha, empossado na sexta-feira, 17 de outubro.

A tomada do poder pelos militares ocorreu após várias semanas de manifestações lideradas pelo movimento juvenil “Gen Z Madagascar”, surgido em reação à escassez de água e eletricidade e ao agravamento das condições de vida. Esses protestos culminaram na destituição do presidente Andry Rajoelina por “abandono de cargo”, após sua fuga para o exterior. O ex-chefe de Estado, atualmente no exílio, denuncia um “golpe de Estado inconstitucional” e afirma que a carta de demissão divulgada online é falsificada.

A União Africana condenou a tomada de poder pelos militares e suspendeu Madagáscar de todas as suas instâncias, exigindo um retorno rápido à ordem constitucional. A ONU e a SADC também apelaram ao diálogo entre as partes.

No plano econômico, a agência S&P Global Ratings colocou a nota soberana do país (“B-/B”) sob vigilância negativa, avaliando que a instabilidade política compromete o crescimento e o processo de consolidação fiscal. A previsão de crescimento para 2025-2026 foi revista para 3%, ante 4,1% anteriormente.

Ao nomear um primeiro-ministro civil, o coronel Randrianirina procura legitimar o seu poder e preservar os laços com os parceiros internacionais. Além disso, anunciou a formação iminente de um governo civil que incluirá “todas as forças vivas da Nação”.

 Olivier de Souza

 

Posted On mardi, 28 octobre 2025 11:21 Written by

Pouco conhecido do grande público, mas incontornável nos círculos estratégicos do setor energético africano, o bilionário nigeriano Benedict Peters assinou um acordo de grande envergadura com o Estado moçambicano para construir uma refinaria de petróleo bruto com capacidade final de 240 mil barris por dia. Um projeto estruturante numa região carente desse tipo de infraestrutura, conduzido por um homem cujas atividades vão muito além do petróleo.

No dia 13 de julho, Benedict Peters (foto), por meio da sua empresa Aiteo, firmou um contrato de engenharia, fornecimento e construção (EPC) para erguer uma refinaria em Moçambique. Com uma capacidade final anunciada de 240 mil barris por dia, a unidade será construída em duas fases, prevendo-se uma capacidade operacional inicial de 80 mil barris por dia dentro de 24 meses. A execução foi confiada à norte-americana Deerfield Energy Services LLC. O projeto poderá transformar Moçambique num hub regional estratégico para a distribuição de produtos petrolíferos.

A tecnologia escolhida baseia-se em módulos de refinação de baixa complexidade, garantindo implantação rápida e maior estabilidade operacional. Gasolina, diesel, querosene e nafta estão entre os produtos visados, respondendo tanto à procura interna quanto ao objetivo de dinamizar o comércio regional. O presidente moçambicano, Daniel Chapo, presidiu pessoalmente à cerimónia de assinatura, sublinhando o alinhamento do projeto com a estratégia nacional de industrialização e de acesso à energia.

Benedict Peters construiu a sua fortuna no setor petrolífero nigeriano. Depois de iniciar a carreira na Oando e na MRS Oil, nos anos 1990, fundou a Aiteo em 1999. A empresa deu um salto em 2014 com a aquisição do bloco OML 29 e do oleoduto Nembe Creek a um consórcio liderado pela Shell, por 2,56 mil milhões de dólares. A operação fez da Aiteo o principal produtor independente de petróleo da Nigéria.

Quando a ambição encontra as batalhas geopolíticas: o braço-de-ferro com a Shell

Mas, se a ambição de Benedict Peters hoje se projeta à escala continental, ela também se forjou nas arenas jurídicas e políticas mais disputadas do setor energético. Prova disso é o longo litígio que o opõe à Shell em torno do bloco OML 29. Peters reclama 9 mil milhões de dólares ao gigante anglo-holandês, acusando-o de ter sabotado repetidamente o oleoduto Nembe Creek, peça central das infraestruturas adquiridas. Este diferendo ilustra as crescentes tensões entre as majors internacionais e os operadores africanos independentes, num contexto de reconfiguração do panorama petrolífero regional.

Desde então, Peters ampliou o seu campo de atuação, integrando comércio, armazenagem, distribuição, transporte marítimo e produção de eletricidade. Investe em ativos elétricos na Nigéria e desenvolve uma estratégia multinacional, com presença na Costa do Marfim, Guiné, Namíbia, Suíça, Serra Leoa, Líbia e agora em Moçambique.

A diversificação estende-se também aos minerais estratégicos. Por meio da Bravura Holdings, explora recursos críticos para as cadeias de produção ocidentais: ouro no Gana, cobre na Zâmbia, cobalto na RDC, lítio no Zimbabué, urânio e platina na África Austral. Aliás, segundo Gbenga Ojo, CEO da Bravura Holdings, a empresa deverá iniciar a produção de lítio no Zimbabué antes do final deste ano, nomeadamente no projeto Kamativi. A expectativa é produzir 30 mil toneladas de concentrado de espodumena, utilizado para fabricar carbonato ou hidróxido de lítio, compostos essenciais na produção de baterias de iões de lítio.

Ciente do peso geopolítico do setor, Peters estrutura este ecossistema através de um programa trianual lançado em parceria com o Africa Center do think tank norte-americano Atlantic Council. Um grupo de trabalho internacional coordena assim governos, agências de desenvolvimento e atores privados em três continentes.

De Lagos a Harare, passando por Maputo, a estratégia de Benedict Peters parece clara: controlar infraestruturas críticas, enraizar-se nas cadeias de valor e influenciar as negociações internacionais sobre matérias-primas estratégicas. Se a sua visibilidade pública permanece limitada, a sua pegada industrial expande-se rapidamente.

Resta saber até onde o bilionário nigeriano, à frente de um conglomerado tão discreto quanto influente, conseguirá levar a sua vantagem num ambiente cada vez mais geopolítico.

Olivier de Souza

 

Posted On lundi, 27 octobre 2025 18:29 Written by

 A Sociedade Financeira Internacional (SFI), braço do Banco Mundial que apoia o setor privado nos países em desenvolvimento, estuda a possibilidade de conceder um empréstimo em fundos próprios de 51,5 milhões de dólares à Asonha Energie, uma joint-venture entre o Fundo Gabonês de Investimentos Estratégicos e a Meridiam, empresa francesa de private equity especializada em infraestrutura.

Esse montante representa um terço do total necessário (154,4 milhões de dólares) para a construção de uma barragem hidrelétrica no rio Mbe, a cerca de 90 km da capital, Libreville. A SFI também deve participar da mobilização do restante dos recursos via empréstimos, embora ainda não haja detalhes sobre essa etapa.

Esse tipo de apoio não é novidade para a instituição internacional. Na região da CEMAC, a SFI já desempenhou um papel crucial na construção da usina térmica a gás de Kribi, em Camarões, considerada um dos maiores projetos energéticos de seu tempo. A instituição também foi decisiva na mobilização de recursos para a construção da barragem de Nachtigal, igualmente em Camarões.

Idriss Linge

 

Posted On mardi, 25 août 2020 10:08 Written by

 No Quénia, pouco mais de 6 bilhões de ações garantem empréstimos bancários desde o início de 2018. Essa situação, até então considerada normal, pode tornar-se um risco diante das consequências da covid-19 sobre a capacidade de reembolso dos mutuários.

Segundo a imprensa local, que cita dados publicados pelas autoridades de regulação, 6,5 bilhões de ações emitidas por empresas listadas na Nairobi Securities Exchange (NSE) foram usadas como garantia de empréstimos bancários. O limiar de 6 bilhões já havia sido ultrapassado no final do primeiro trimestre de 2018 e manteve-se estável até o final do primeiro trimestre de 2020.

Tecnicamente, isso não deveria representar um problema, já que os montantes concedidos pelos bancos são geralmente inferiores ao valor das ações dadas em garantia. Quando os mutuários reembolsam, os títulos são devolvidos. Mas a covid-19, com suas consequências financeiras, gerou riscos adicionais.

O primeiro risco está ligado à dificuldade de os mutuários reembolsarem, pois a pandemia afetou as cadeias de atividades econômicas de forma totalmente imprevisível. O segundo risco é que o valor das ações dadas em garantia pode ter diminuído ao longo do tempo.

O NSE 20, índice que reúne as 20 maiores empresas cotadas no Quénia, recuou 68,6% desde o início de 2015. Contudo, para o mercado como um todo, o valor das ações permanece em níveis superiores aos de setembro de 2013.

Idriss Linge

 

Posted On mardi, 25 août 2020 10:07 Written by
Sobre o mesmo tema

O secretário de Estado das Finanças, Eyob Tekalign, foi nomeado governador do Banco Central da Etiópia. Próximo de Abiy Ahmed, ele assume um mandato...

Uma semana após o golpe de Estado que derrubou Andry Rajoelina, o coronel Michael Randrianirina, novo homem forte de Madagáscar, nomeou o empresário...

Pouco conhecido do grande público, mas incontornável nos círculos estratégicos do setor energético africano, o bilionário nigeriano Benedict Peters...

 A Sociedade Financeira Internacional (SFI), braço do Banco Mundial que apoia o setor privado nos países em desenvolvimento, estuda a possibilidade...

A Agência Ecofin cobre diariamente as atualidades de 9 setores africanos: gestão pública, finanças, telecomunicações, agro, energia, mineração, transportes, comunicação e formação. Também concebe e opera mídias especializadas, digitais e impressas, em parceria com instituições ou empresas ativas em África.

DEPARTAMENTO COMERCIAL
regie@agenceecofin.com 
Tel: +41 22 301 96 11
Cel: +41 78 699 13 72

Mídia kit : Link para download
REDAÇÃO
redaction@agenceecofin.com


Mais informações :
Equipe
Editora
AGÊNCIA ECOFIN

Mediamania Sarl
Rue du Léman, 6
1201 Genebra – Suíça
Tel: +41 22 301 96 11

 

A Agência Ecofin é uma agência de informação econômica setorial, criada em dezembro de 2010. Sua plataforma digital foi lançada em junho de 2011.

 
 
 
 

Please publish modules in offcanvas position.