Este mecanismo destina-se a melhorar o acesso das PME ao financiamento num país onde estas empresas representavam, em 2021, cerca de 23% do PIB e do emprego formal, segundo dados oficiais.
A União Europeia (UE) e o Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) anunciaram, na quarta-feira, 1 de abril, o lançamento do “Côte d’Ivoire Financing Facility”, um mecanismo financeiro que pode atingir 26,5 milhões de euros (30,5 milhões de dólares), destinado a financiar as micro, pequenas e médias empresas (MPME).
Esta iniciativa insere-se no âmbito da estratégia europeia Global Gateway e visa melhorar o acesso ao financiamento das empresas marfinenses, ao mesmo tempo que promove a criação de empregos e o desenvolvimento sustentável do setor privado.
Um mecanismo que combina financiamento e assistência técnica
Neste dispositivo, a BERD prevê 20 milhões de euros em empréstimos destinados às MPME, um montante que poderá ser complementado por 4 milhões de euros de cofinanciamento fornecidos por bancos parceiros. Por sua vez, a UE mobilizará 2,5 milhões de euros em assistência técnica para reforçar as capacidades das empresas, nomeadamente em matéria de responsabilidade social das empresas (RSE), estruturação de projetos de investimento e preparação de pedidos de financiamento.
“Combinando financiamento, assistência técnica e apoio não financeiro, este programa visa reforçar de forma sustentável o acesso das micro, pequenas e médias empresas da Côte d’Ivoire ao financiamento, ao mesmo tempo que acelera a sua transição verde, digital e inclusiva”, declarou Francis Malige, diretor-geral responsável pelas instituições financeiras na BERD.
Na Côte d’Ivoire, as PME representavam, em 2021, cerca de 23% do PIB e do emprego formal, segundo dados oficiais. Para reforçar ainda mais este setor, várias iniciativas foram implementadas, nomeadamente o Programa Económico para a Inovação e Transformação das Empresas (PEPITE), lançado em 2022. Na mesma dinâmica, a Agência Côte d’Ivoire PME apoiou 12.767 empresas em 2024, ilustrando a crescente importância atribuída a estas empresas no crescimento e na diversificação da economia nacional.
O novo mecanismo financeiro deverá beneficiar cerca de 700 empresas, das quais perto de uma centena terá acesso a empréstimos, podendo contribuir para as prioridades do Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) 2026-2030 da Côte d’Ivoire, nomeadamente a promoção do setor privado, a transição verde e digital, bem como a criação de empregos.
Charlène N’dimon
Após cinco anos sob a égide da SPE Capital, a Ademat acolhe a Amethis como acionista maioritária. A operação abre uma nova fase focada na expansão regional na África Ocidental e Central, bem como no desenvolvimento da oferta energética.
Na Costa do Marfim, a empresa Ademat, fornecedora de soluções de segurança energética, abre o seu capital à Amethis, que adquire uma participação maioritária por um montante não divulgado.
A operação, anunciada na sexta-feira, 27 de março, traduz-se na saída da SPE Capital, presente no capital da Ademat desde abril de 2021. Esta transação marca uma nova etapa na trajetória da empresa marfinense.
Entre 2021 e 2026, a SPE Capital indica ter reforçado o posicionamento da Ademat no mercado. A empresa estruturou uma marca própria, alargou a sua oferta e implementou ferramentas digitais para as suas atividades comerciais.
Fundada em 1983, a Ademat atua na produção, estabilização e transformação de energia, bem como no fornecimento, instalação e manutenção. Desenvolve também serviços de assistência, consultoria, formação e aluguer.
«Estamos orgulhosos do percurso realizado ao lado da Ademat nos últimos cinco anos. Juntos, reposicionámos a empresa, lançámos novas linhas de atividade e construímos uma plataforma mais sólida e resiliente, bem posicionada para captar oportunidades de crescimento na África Ocidental», declarou Stéphane Heuzé, managing partner da SPE Capital.
Uma estratégia de crescimento impulsionada pela Amethis
Com a entrada da Amethis como acionista maioritária, a Ademat inicia uma nova fase de desenvolvimento sob a direção de Christophe Giovacchini. A estratégia centra-se no desenvolvimento da oferta solar, no reforço da marca, no posicionamento no segmento dos geradores e na expansão na África Ocidental e Central. A empresa prevê igualmente uma trajetória alinhada com as questões ambientais, de modo a acompanhar a evolução do setor energético na região.
Chamberline Moko
O Mali e o Burkina Faso figuram entre os principais produtores de algodão da África Ocidental, ao lado do Benim e da Costa do Marfim.
O Banco Oeste-Africano de Desenvolvimento (BOAD) atribuiu um envelope de 75 mil milhões de FCFA (131,8 milhões de dólares) para financiar a fileira do algodão no Burkina Faso e no Mali.
O objetivo é garantir as campanhas agrícolas atuais e futuras nestes dois países, ao mesmo tempo que reforça a competitividade dos produtores locais. Este financiamento faz parte de 17 novas operações aprovadas por um montante global de 501,5 mil milhões de FCFA durante o seu último conselho de administração realizado no Senegal.
Deste montante, o Mali receberá 25 mil milhões de FCFA para apoiar parcialmente a campanha algodoeira 2025-2026 da Companhia Maliana para o Desenvolvimento dos Têxteis (CMDT), uma empresa estatal fundada em 1974 para supervisionar a indústria do algodão. Estes fundos servirão para financiar as atividades de colheita e descaroçamento de cerca de 433 700 toneladas de algodão em caroço transformado em fibra.
O Mali é um ator importante do setor algodoeiro na África Ocidental, mas a fileira continua fragilizada por constrangimentos climáticos e de segurança. Segundo dados do Trade Map, as exportações de algodão geraram 69,7 milhões de dólares em 2024, contra 256 milhões de dólares em 2020, refletindo uma queda ao longo do período. Ainda assim, o país ambiciona ultrapassar 650 000 toneladas de produção de algodão em caroço na campanha 2026/2027, o que representa um aumento de mais de 50% em relação à colheita estimada para a campanha em curso.
No Burkina Faso, o BOAD concedeu 50 mil milhões de FCFA para a compra de 120 000 toneladas de insumos agrícolas para a campanha algodoeira 2026-2027. Este montante visa assegurar aos produtores os meios necessários para manter a sua produtividade e garantir os rendimentos. A produção de algodão em caroço é esperada em 336 812 toneladas em 2025/2026, representando um aumento de 15% em relação à campanha anterior.
Segundo o relatório mensal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) sobre o mercado mundial do algodão, publicado em dezembro de 2025, os dois países da África Ocidental estão entre os dez com maiores rendimentos de algodão no continente. O Mali e o Burkina Faso apresentaram, respetivamente, rendimentos de 0,53 tonelada e 0,46 tonelada por hectare em 2023/2024. No entanto, estes resultados continuam abaixo dos do Camarões, que lidera o ranking com 1,54 tonelada por hectare, à frente do Uganda, Sudão, Egito, Benim e Nigéria.
Sandrine Gaingne
O setor bancário compromete-se a conceder anualmente 300 mil milhões de shillings em novos empréstimos às MPME durante os próximos três anos.
No Quénia, em 2025, um volume total de 326,5 mil milhões de shillings quenianos (KES), equivalentes a 2,5 mil milhões de dólares, foi concedido a micro, pequenas e médias empresas (MPME) pelas principais instituições bancárias do país.
Segundo a Kenya Bankers Association, organismo representativo dos bancos comerciais e regulado pelo Banco Central do Quénia (CBK), que divulgou estes dados na segunda-feira, 31 de março, as instituições financeiras superaram largamente a meta anual de 150 mil milhões KES, ultrapassando-a em mais de 117%.
Em detalhe, em dezembro de 2025, a Equity Bank liderou o mercado, com 90,7 mil milhões KES de empréstimos concedidos ao longo do ano. Seguiram-se KCB Bank, subsidiária do grupo KCB, com 56,1 mil milhões KES, e Co-operative Bank of Kenya, com 37,69 mil milhões KES. Stanbic Bank Kenya e Family Bank ultrapassaram ambos os 30 mil milhões KES, enquanto I&M Bank concedeu mais de 26 mil milhões KES. Kingdom Bank, Absa, National Bank e Sidian Bank concederam, respetivamente, 9,8 mil milhões, 6,3 mil milhões, 5,7 mil milhões e 5,4 mil milhões KES.
Este desempenho, que reflete a vitalidade do setor e a crescente importância das MPME na economia nacional, deve-se a vários fatores, segundo um relatório da Kenya Bankers Association. Em primeiro lugar, uma resolução setorial tomada no final de 2024 visava dobrar a capacidade de financiamento.
A iniciativa foi apoiada por programas de mitigação de risco, como o Inuka PME, que formou mais de 14 000 empreendedores em 2024 para melhorar o acesso ao crédito. Paralelamente, a transformação digital, marcada pela adoção da norma ISO 20022 e pela autorização de 85 credores digitais, também facilitou o acesso aos fundos.
Mesmo num clima de confiança, o setor bancário, que conta com cerca de trinta bancos comerciais, deve manter-se vigilante, já que os créditos malparados continuam a aumentar, atingindo 16,4% em dezembro de 2024, devido a dificuldades económicas e atrasos de pagamento por parte do Estado.
Sandrine Gaingne
Os Estados membros da CEMAC planeiam captar 3 906,5 mil milhões de francos CFA (cerca de 7 mil milhões de dólares) no mercado regional de títulos públicos da BEAC em 2026, segundo os seus programas previsionais de emissão.
Os seis Estados membros da Comunidade Económica e Monetária da África Central (CEMAC) ambicionam mobilizar, no segundo trimestre de 2026, uma verba global entre 1 669,5 e 1 797 mil milhões de francos CFA (2,9 a 3,1 mil milhões de dólares), de acordo com os calendários de emissão dos Tesouros Nacionais.
Este montante representa um aumento de 67% a 80% em relação ao primeiro trimestre de 2026, em que as previsões de mobilização se situaram pouco acima de 1 000 mil milhões de francos CFA.
A captação de recursos será realizada através de Bons do Tesouro Assimiláveis (BTA) e Obrigações do Tesouro Assimiláveis (OTA), incluindo operações de securitização no caso do Camarões. O Camarões e o Gabão privilegiam os BTA, instrumentos de curto prazo para atender necessidades pontuais de liquidez. Por sua vez, o Chade e a República Centro-Africana apostam mais nas OTA, com maturidades mais longas, entre dois e sete anos, para estruturar a dívida no médio e longo prazo.
Principal motor económico da sub-região, o Camarões concentrará sozinho 750 mil milhões de francos CFA em emissões previstas. O Congo prevê mobilizar 380 mil milhões de francos CFA, o Gabão entre 293 e 335,5 mil milhões, o Chade entre 155 e 240 mil milhões, a Guiné Equatorial 70 mil milhões, enquanto a República Centro-Africana terá uma emissão mais modesta de 21,5 mil milhões de francos CFA, concentrada nos meses de abril e maio.
Estes recursos permitirão aos Estados financiar os seus orçamentos e apoiar as suas economias num contexto de finanças públicas frágeis. O défice orçamental regional ronda 1,3% do PIB, enquanto a dívida pública ultrapassa 70% do PIB em alguns países, nomeadamente no Congo e no Gabão, segundo o Barómetro Económico da CEMAC de dezembro de 2025, publicado pelo Banco Mundial. Além disso, as receitas públicas permanecem insuficientes para cobrir o aumento das despesas, e o endurecimento das taxas diretoras da BEAC poderá dificultar o acesso ao crédito.
Reunidos em Paris a 17 de março de 2026 com as autoridades francesas, os ministros das Finanças da CEMAC enfatizaram a necessidade de mobilizar mais recursos internos. Esta estratégia visa complementar os programas apoiados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), consolidar as reservas cambiais e apoiar as reformas indispensáveis para reforçar a estabilidade económica e monetária da sub-região.
Sandrine Gaingne
Esta linha de crédito beneficiará as filiais da Coris Bank na Burquina Faso e no Senegal. Faz parte das 17 novas operações, num montante total de 501,5 mil milhões de francos CFA (877 milhões de dólares), recentemente aprovadas pela BOAD.
A Banque Ouest-Africaine de Développement (BOAD) aprovou duas linhas de refinanciamento, num valor global de 30 mil milhões de francos CFA (cerca de 52,5 milhões de dólares), ao grupo burquinense Coris Bank International, para as suas filiais na Burquina Faso e no Senegal.
O anúncio foi feito por ocasião da 150.ª sessão ordinária do conselho de administração, presidida por Serge Ekué. Estes financiamentos visam reforçar a liquidez das filiais e apoiar o desenvolvimento das suas atividades de crédito em benefício da economia.
Refinanciamento na Burquina Faso
A Coris Bank International (CBI) Burquina Faso receberá 20 mil milhões de francos CFA. Esta linha destina-se a facilitar o acesso a energia renovável e a apoiar as necessidades de tesouraria da Société nationale de gestion des stocks de sécurité (SONAGESS) para a constituição de stocks alimentares da campanha 2025/2026, indica a BOAD. Estes financiamentos deverão contribuir para reforçar a segurança energética e alimentar do país, ao mesmo tempo que facilitam o acesso das populações e empresas a soluções energéticas limpas.
Refinanciamento no Senegal
A Coris Bank Senegal receberá uma linha de refinanciamento de 10 mil milhões de francos CFA. Esta permitirá à instituição expandir a sua atividade de financiamento a médio prazo de projetos de investimento produtivos para PME e PMI, acelerar o seu desenvolvimento e contribuir para o crescimento da economia senegalesa.
Expansão regional gradual
Estes apoios ocorrem enquanto o grupo Coris Holding, liderado pelo empresário burquinense Idrissa Nassa, continua a sua expansão no continente e planeia entrar em novos mercados, como o Camarões e o Gabão, na África Central. Esta expansão baseia-se num reforço progressivo dos seus recursos financeiros, combinando endividamento e consolidação de fundos próprios.
Para acompanhar o crescimento dos bancos e responder às necessidades de financiamento da região, a BOAD prevê quase duplicar as suas intervenções entre 2026 e 2030, com uma meta de 6 500 mil milhões de francos CFA, inscrita no seu plano estratégico «Djoliba… La suite», aprovado pelo Conselho de Ministros da UMOA.
Esta ambição é apoiada por uma sólida situação financeira: no final de 2025, o total do balanço da BOAD atingiu 5 363 mil milhões de francos CFA, um aumento de 38% em relação a 2024, enquanto os seus fundos próprios ascenderam a 1 780,5 mil milhões de francos CFA, representando 33,2% do total do balanço.
Sandrine Gaingne
Ao tornar-se acionista maioritário da Banque agricole et commerciale, a Vista Group Holding inicia a sua entrada no mercado bancário do Chade. O grupo pretende aí implementar a Vista Bank num contexto caracterizado por um baixo nível de inclusão financeira e um acesso limitado ao crédito.
A Vista Group Holding, controlada pelo banqueiro burquinabê Simon Tiemtoré, obteve todas as autorizações regulamentares necessárias para a aquisição de uma participação maioritária no capital da Banque agricole et commerciale (BAC) do Chade. O anúncio foi feito na segunda-feira, 30 de março, pelo Ministério das Finanças chadiano.
Na sequência desta operação, o grupo financeiro da África Ocidental torna-se acionista maioritário da instituição. Os detalhes relativos ao volume de ações adquiridas e ao montante da transação não foram divulgados.
Além disso, as modalidades da operação não foram especificadas, quer se trate de um aumento de capital ou de uma cessão de participações por acionistas existentes. Através desta aquisição, a Vista Group pretende criar e implementar a Vista Bank no Chade. A BAC deverá passar a designar-se Vista Bank Chade.
Uma estratégia de expansão na África Subsaariana
Presente em cinco países da África Subsaariana, através de filiais bancárias na Gâmbia, Guiné, Serra Leoa, Burkina Faso e Moçambique, a Vista Group Holding inicia com esta operação a sua primeira implantação na África Central. O grupo prossegue o objetivo de expandir a sua rede para 25 países do continente nos próximos anos. Em julho de 2025, anunciou projetos de abertura de novas entidades bancárias na Costa do Marfim e no Senegal, com um nível de avanço significativo no projeto marfinense.
A aquisição da BAC insere-se nesta dinâmica, permitindo ao grupo aceder a um novo mercado e implementar o seu modelo bancário num ambiente onde a procura por serviços financeiros ainda está em fase de estruturação.
Um mercado bancário pouco desenvolvido e pouco inclusivo
Criada em 1998, a BAC atua no financiamento de atividades agrícolas e comerciais no Chade. Ocupa uma posição limitada no sistema bancário local, com uma quota de mercado de crédito de 0,39% no primeiro trimestre de 2025, segundo o relatório da Banque des États de l’Afrique centrale sobre a evolução das taxas de juro praticadas pelas instituições de crédito na Communauté économique et monétaire de l’Afrique centrale.
O setor bancário chadiano conta com dez instituições em atividade. De acordo com o relatório país Chade 2025, publicado pelo Banco Africano de Desenvolvimento, caracteriza-se por uma baixa inclusão financeira, com apenas 15% da população a ter acesso a serviços bancários formais. O crédito ao setor privado permanece limitado (menos de 10% do PIB, contra mais de 30% em média na África Subsaariana) e os bancos concedem sobretudo créditos de curto prazo.
Chamberline Moko
Sete centros financeiros africanos figuram entre os internacionais mais competitivos, mas apenas dois estão no Top 50 global
A Casablanca Finance City (CFC) destronou o centro financeiro de Maurício, assumindo o título de centro financeiro mais competitivo de África, segundo a 39.ª edição do «Global Financial Centres Index» (GFCI), publicada na quinta-feira, 26 de março de 2026, pelo think tank londrino Z/Yen Group em colaboração com o China Development Institute.
A CFC ocupa o 49.º lugar neste índice semestral, que avalia 120 centros financeiros internacionais com base na sua competitividade e atratividade para investidores, profissionais da área financeira e empresas em todo o mundo.
Casablanca Finance City subiu sete posições em relação à edição anterior do relatório e ocupa agora o 4.º lugar na região África & Médio Oriente, atrás apenas dos centros financeiros dos Emirados de Dubai, Abu Dhabi e Doha. Este hub financeiro, voltado para o continente africano, serve como porta de entrada para a África e conta com mais de 200 empresas membros, distribuídas em quatro categorias principais: instituições financeiras, sedes regionais de multinacionais, prestadores de serviços e holdings.
O Mauritius International Financial Centre, em Maurício, ocupa a segunda posição africana e o 50.º lugar global, subindo duas posições em comparação com a edição anterior do GFCI.
O centro financeiro de Kigali (Rwanda, 72.º global) é o terceiro a nível africano, apesar de ter caído sete posições, à frente de Joanesburgo (África do Sul), que subiu 14 posições e se posiciona no 80.º lugar global e 4.º na África. Seguem-se os centros financeiros da Cidade do Cabo (África do Sul, 96.º global), Nairóbi (Quénia, 114.º) e Lagos (Nigéria, 118.º).
Dos sete centros africanos presentes no ranking, quatro registaram progressos em relação à 38.ª edição do GFCI (Casablanca, Maurício, Joanesburgo e Lagos), enquanto três recuaram (Kigali, Nairóbi e Cidade do Cabo).
Segundo a pesquisa com participantes ativos nos mercados financeiros globais, Maurício, Kigali e Casablanca estão também entre os 15 centros com maior potencial de crescimento nos próximos dois a três anos.
Metodologia baseada em dados e perceção de mercado
O GFCI avalia os centros financeiros com base em duas principais fontes de dados. A primeira integra 147 indicadores quantitativos de competitividade distribuídos por cinco categorias: ambiente de negócios, capital humano, infraestruturas, desenvolvimento do setor financeiro e reputação. Esses dados provêm de instituições multilaterais como o Banco Mundial, o Fórum Económico Mundial (WEF), a ONU e a OCDE.
A segunda fonte é uma pesquisa com 5.218 participantes ativos em centros financeiros globais, incluindo gestores de ativos, traders, bancos e empresas de tecnologia financeira.
No ranking global, Nova Iorque mantém-se no topo, seguida por Londres, Hong Kong, Singapura, São Francisco e Xangai.
Walid Kéfi
O Estado senegalês assegura 304 mil milhões de FCFA no primeiro APE de 2026, com taxas entre 6,40 % e 6,95 %
O Senegal anunciou no domingo, 29 de março, o encerramento bem-sucedido do seu primeiro Apelo Público à Poupança (APE) de 2026, lançado no final de fevereiro. A operação mobilizou 304,15 mil milhões de FCFA (533 milhões de dólares), bem acima do objetivo inicial de 200 mil milhões, correspondendo a um índice de cobertura de 152 %.
As taxas de remuneração foram estruturadas para atender diferentes perfis de investidores: 6,40 % para 3 anos, 6,60 % para 5 anos, 6,75 % para 7 anos e 6,95 % para 10 anos. Este esquema diversificado permitiu atrair tanto investidores institucionais como particulares, incluindo a diáspora, reforçando a confiança na assinatura do Senegal no mercado financeiro regional.
Recursos destinados a prioridades do Estado
Segundo o Ministério das Finanças e do Orçamento, os fundos arrecadados serão utilizados principalmente para:
O ministério destacou que esta operação integra-se numa dinâmica de mobilização de recursos domésticos e desenvolvimento do mercado financeiro sub-regional, alinhada às orientações estratégicas do Estado.
Contexto financeiro e desafios
O sucesso do APE surge num contexto financeiro tenso. Em 27 de março, a agência S&P Global Ratings rebaixou a notação em moeda local do Senegal para CCC+/C, apontando que as necessidades de financiamento em 2026 atingirão 26 % do PIB, sem progressos num programa com o FMI.
Desde 2024, o Senegal tem enfrentado uma série de rebaixamentos nas notas de crédito sobre a dívida em divisas estrangeiras, realizados pela Moody’s e pela S&P, limitando o acesso aos mercados internacionais e aumentando o custo de financiamento.
Sandrine Gaingne
Aprovado em 27 de março pelo Conselho de Ministros da UMOA, o novo plano quinquenal da BOAD estabelece um objetivo de financiamentos sem precedentes para a região, apoiado numa reestruturação profunda do seu modelo operacional.
A Banco Oeste-Africana de Desenvolvimento (BOAD) entra numa nova era. Reunido na sexta-feira, 27 de março, em Dakar, o Conselho de Ministros da UMOA aprovou formalmente o plano estratégico “Djoliba, a continuação”, que compromete a instituição para o período 2026-2030 com um objetivo de 6.500 mil milhões de FCFA (cerca de 11,5 mil milhões de dólares) em financiamentos, quase o dobro do ciclo anterior.
Um alicerce financeiro que sustenta a ambição
Esta aceleração assenta em fundamentos sólidos. Entre 2021 e 2025, a BOAD mobilizou 3.765 mil milhões de FCFA, com um crescimento médio anual de 11% do seu produto líquido bancário e uma taxa de créditos em atraso contida em 2,5%. O programa Djoliba 2021-2025 apresentou uma taxa de realização de 107,4%, com 5,2 mil milhões de dólares comprometidos em cinco anos, superando os objetivos iniciais em infraestruturas, agricultura e setores sociais.
Os resultados de 2025 confirmam esta dinâmica:
As notações Baa1 (Moody’s) e BBB (Fitch), categoria “Investment Grade”, mantêm-se, enviando um sinal forte aos mercados de capitais internacionais. Isto reflete-se nas operações e captações internacionais realizadas nos últimos anos.
Uma estrutura financeira que industrializa a securitização
Para atingir os 6.500 mil milhões de FCFA, a BOAD apoia-se em três alavancas:
Este recurso massivo à securitização baseia-se numa experiência consolidada. Em 2023, a primeira operação Doli-P captou 150 mil milhões de FCFA em créditos soberanos, distinguida com o prémio de operação inovadora nos BRVM Awards 2024. Em 2024, uma segunda emissão sobre ativos não soberanos mobilizou 160 mil milhões de FCFA num único dia de subscrição.
No final do ciclo anterior, a BOAD já cobria 26% do seu balanço através de mecanismos de securitização e seguro-crédito. O novo ciclo pretende sistematizar esta gestão ativa do balanço, libertando capital regulamentar e redirecionando-o continuamente para novos projetos, aproximando a BOAD das práticas de grandes bancos de desenvolvimento multilaterais.
De banco a grupo: uma mutação estrutural
A ambição vai além do volume de financiamentos. A BOAD pretende transformar-se num grupo bancário integrado, à semelhança do Banco Mundial, da Agência Francesa de Desenvolvimento ou do Banco Africano de Desenvolvimento. Segundo o presidente Serge Ekué, “trata-se de transformar o ciclo de projetos, passando de uma lógica de aprovação para uma lógica de execução plena e de impacto”.
Na prática, a transformação implica a criação de entidades especializadas em torno da sede em Lomé, seguindo o modelo já iniciado pela filial BOAD Titrisation e pelo recém-lançado BOAD Market Solutions. O plano foi elaborado com o apoio do Boston Consulting Group, após um seminário de concertação alargado aos acionistas e ao setor privado, com quatro eixos prioritários:
Primeiros sinais operacionais de 2026
O impulso inicial confirma a ambição:
Ao ultrapassar o marco simbólico de 10.000 mil milhões de FCFA em financiamentos cumulativos desde 1976, alcançado durante a sessão em Dakar com a aprovação de mais 501,5 mil milhões, a BOAD inicia um novo capítulo.
Fiacre E. Kakpo