Facebook Agence Ecofin Twitter Agence Ecofin LinkedIn Agence Ecofin
Instagram Agence Ecofin Youtube Agence Ecofin Tik Tok Agence Ecofin WhatsApp Agence Ecofin

Enquanto o seu mix elétrico é dominado pela geotermia e pela hidroeletricidade, o Kenya procura reforçar a flexibilidade da sua rede, com novos projetos que associam energias renováveis e capacidades de armazenamento.

No domingo, 10 de maio, o grupo francês Meridiam e a Craftskill Energy lançaram oficialmente no Quénia o projeto eólico Siruai, apresentado como o primeiro projeto da África Oriental a associar 100 MW de capacidade eólica a um sistema de armazenamento em baterias de 50 MWh. Segundo o comunicado, serão investidos mais de 200 milhões de euros nesta infraestrutura.

«Ao associar a produção eólica ao armazenamento em baterias, o Siruai oferece uma solução concreta para os problemas ligados à intermitência, reforça a estabilidade da rede e melhora a qualidade do serviço para particulares e empresas», indicou a Meridiam na sua publicação.

Consolidar o mix energético queniano

Localizado perto do parque eólico de Kipeto Wind Power Station, a cerca de 70 quilómetros a sul de Nairobi, o projeto insere-se na continuidade dos ativos quenianos adquiridos pela Meridiam após a compra da BTE Renewables à Actis em 2023. Numa publicação de junho de 2023, a empresa francesa de investimento e gestão de ativos já indicava que Siruai deveria tornar-se a primeira instalação de armazenamento em baterias do Quénia. O fundo também adquiriu o parque Kipeto de 100 MW, em funcionamento desde julho de 2021.

O projeto surge num país que já possui um dos mixes elétricos mais renováveis do continente. Segundo a International Energy Agency, a geotermia representava 43% da produção elétrica do Quénia em 2024, seguida da hidroeletricidade com 28% e da energia eólica com 14%. Neste contexto, a integração de armazenamento torna-se essencial para acompanhar o aumento das energias renováveis variáveis e reforçar a flexibilidade da rede.

Abdoullah Diop

Published in Noticias Industrias

O conflito no Médio Oriente, as tensões em torno do estreito de Ormuz e a volatilidade dos mercados petrolíferos continuam a alimentar, em África, reflexões sobre a soberania energética e a segurança do abastecimento.

O conflito no Médio Oriente e as perturbações das cadeias energéticas mundiais alimentam as ambições industriais africanas. Num contexto de dependência do continente das importações de combustíveis refinados, Aliko Dangote pondera agora reproduzir na África Oriental o modelo da sua Lekki Refinery, que entrou em funcionamento em 2024 na Nigéria e atingiu a sua plena capacidade no início de 2026.

No mês passado, em Nairobi, durante a cimeira «The Africa We Build», o empresário nigeriano afirmou, perante os presidentes William Ruto do Kenya e Yoweri Museveni, que estava disposto a construir na região uma refinaria de 650 000 barris por dia, caso os governos envolvidos apoiassem o projeto.

Até então, o porto tanzaniano de Tanga surgia como a opção preferida para acolher um projeto regional estruturado em torno dos recursos petrolíferos do Quénia, do Uganda, do Sudão do Sul e da República Democrática do Congo, com ligações logísticas entre Tanga e Mombasa, como referido por William Ruto. No entanto, algumas semanas depois, Dangote explicou ao Financial Times que inclinava-se mais para Mombasa.

Duas razões principais destacam-se nas suas declarações: as capacidades portuárias do local queniano e o peso económico do mercado local.

A vantagem logística de Mombasa

Para uma refinaria de 650 000 barris por dia, as infraestruturas portuárias são um fator central, sobretudo para o abastecimento de crude e a exportação de produtos refinados. Dangote sublinhou que Mombasa dispõe de um porto «maior e mais profundo» do que o de Tanga, o que pode pesar na avaliação logística de um projeto industrial desta dimensão.

O porto de Mombasa é atualmente o principal hub marítimo da África Oriental e Central. Serve vários mercados regionais, incluindo o Uganda, o Ruanda, o Burundi, o leste da RDC, o Sudão do Sul e a Etiópia. As suas infraestruturas permitem gerir grandes volumes de tráfego e receber navios de grande capacidade.

O outro argumento avançado por Dangote diz respeito ao próprio mercado queniano. «Os quenianos consomem mais. É uma economia maior», afirmou. O Quénia é uma das principais economias da África Oriental e um centro regional de distribuição de produtos petrolíferos.

Equilíbrios regionais sensíveis

A reorientação para Mombasa ocorre também num contexto diplomático delicado. A presidente tanzaniana Samia Suluhu Hassan afirmou publicamente não ter sido consultada antes do anúncio do projeto de refinaria em Tanga feito em Nairobi. Esta situação evidenciou as sensibilidades regionais em torno de grandes projetos energéticos e logísticos. Ao mesmo tempo, Dangote mantém alguma flexibilidade quanto à localização final do projeto.

O empresário nigeriano indicou que uma instalação na Tanzânia continua a ser possível caso as negociações regionais avancem. Insistiu igualmente na necessidade de apoio público para garantir a viabilidade económica de uma refinaria desta dimensão. Defende, nomeadamente, um mecanismo de proteção contra importações de combustíveis a baixo preço, como acontece noutras regiões com forte capacidade de refinação.

O projeto, avaliado entre 15 e 19 mil milhões de dólares, dependeria também da disponibilização de terrenos, de um quadro regulatório estável e de apoio financeiro regional.

Uma lógica de soberania energética

Para além da escolha entre Mombasa e Tanga, o projeto insere-se numa reflexão mais ampla sobre a transformação industrial do continente. A África Oriental ainda importa a maior parte dos seus combustíveis refinados, sobretudo do Médio Oriente. As recentes tensões geopolíticas reavivaram o debate sobre a vulnerabilidade dos países africanos às perturbações dos mercados internacionais.

Desde a expansão da refinaria de Lekki, Dangote defende que África deve dispor de grandes capacidades de refinação localizadas, de forma a reduzir a dependência externa. Estima mesmo que seriam necessárias pelo menos três refinarias comparáveis à da Nigéria a nível continental.

A refinaria de Lekki já exporta produtos petrolíferos para vários mercados internacionais, abastecendo inclusive companhias como a Ethiopian Airlines em combustível de aviação.

O projeto na África Oriental insere-se assim num plano mais vasto de reforço da transformação local dos recursos energéticos africanos e de maior segurança no abastecimento regional.

Olivier de Souza

Published in Noticias Industrias

O conflito no Médio Oriente, as tensões em torno do estreito de Ormuz e a volatilidade dos mercados petrolíferos continuam a alimentar, em África, reflexões sobre a soberania energética e a segurança do abastecimento.

O conflito no Médio Oriente e as perturbações das cadeias energéticas mundiais alimentam as ambições industriais africanas. Num contexto de dependência do continente das importações de combustíveis refinados, Aliko Dangote pondera agora reproduzir na África Oriental o modelo da sua refinaria de Lekki Refinery, que entrou em funcionamento em 2024 na Nigéria e atingiu a sua plena capacidade no início de 2026.

No mês passado, em Nairobi, durante a cimeira «The Africa We Build», o empresário nigeriano afirmou, perante os presidentes William Ruto do Kenya e Yoweri Museveni, que estava disposto a construir na região uma refinaria de 650 000 barris por dia, caso os governos envolvidos apoiassem o projeto.

Até então, o porto tanzaniano de Tanga surgia como a opção preferida para acolher um projeto regional estruturado em torno dos recursos petrolíferos do Quénia, do Uganda, do Sudão do Sul e da República Democrática do Congo, com ligações logísticas entre Tanga e Mombasa, como referido por William Ruto. No entanto, algumas semanas depois, Dangote explicou ao Financial Times que inclinava-se mais para Mombasa.

Duas razões principais destacam-se nas suas declarações: as capacidades portuárias do local queniano e o peso económico do mercado local.

A vantagem logística de Mombasa

Para uma refinaria de 650 000 barris por dia, as infraestruturas portuárias são um fator central, sobretudo para o abastecimento de crude e a exportação de produtos refinados. Dangote sublinhou que Mombasa dispõe de um porto «maior e mais profundo» do que o de Tanga, o que pode pesar na avaliação logística de um projeto industrial desta dimensão.

O porto de Mombasa é atualmente o principal hub marítimo da África Oriental e Central. Serve vários mercados regionais, incluindo o Uganda, o Ruanda, o Burundi, o leste da RDC, o Sudão do Sul e a Etiópia. As suas infraestruturas permitem gerir grandes volumes de tráfego e receber navios de grande capacidade.

O outro argumento avançado por Dangote diz respeito ao próprio mercado queniano. «Os quenianos consomem mais. É uma economia maior», afirmou. O Quénia é uma das principais economias da África Oriental e um centro regional de distribuição de produtos petrolíferos.

Equilíbrios regionais sensíveis

A reorientação para Mombasa ocorre também num contexto diplomático delicado. A presidente tanzaniana Samia Suluhu Hassan afirmou publicamente não ter sido consultada antes do anúncio do projeto de refinaria em Tanga feito em Nairobi. Esta situação evidenciou as sensibilidades regionais em torno de grandes projetos energéticos e logísticos. Ao mesmo tempo, Dangote mantém alguma flexibilidade quanto à localização final do projeto.

O empresário nigeriano indicou que uma instalação na Tanzânia continua a ser possível caso as negociações regionais avancem. Insistiu igualmente na necessidade de apoio público para garantir a viabilidade económica de uma refinaria desta dimensão. Defende, nomeadamente, um mecanismo de proteção contra importações de combustíveis a baixo preço, como acontece noutras regiões com forte capacidade de refinação.

O projeto, avaliado entre 15 e 19 mil milhões de dólares, dependeria também da disponibilização de terrenos, de um quadro regulatório estável e de apoio financeiro regional.

Uma lógica de soberania energética

Para além da escolha entre Mombasa e Tanga, o projeto insere-se numa reflexão mais ampla sobre a transformação industrial do continente. A África Oriental ainda importa a maior parte dos seus combustíveis refinados, sobretudo do Médio Oriente. As recentes tensões geopolíticas reavivaram o debate sobre a vulnerabilidade dos países africanos às perturbações dos mercados internacionais.

Desde a expansão da refinaria de Lekki, Dangote defende que África deve dispor de grandes capacidades de refinação localizadas, de forma a reduzir a dependência externa. Estima mesmo que seriam necessárias pelo menos três refinarias comparáveis à da Nigéria a nível continental.

A refinaria de Lekki já exporta produtos petrolíferos para vários mercados internacionais, abastecendo inclusive companhias como a Ethiopian Airlines em combustível de aviação.

O projeto na África Oriental insere-se assim num plano mais vasto de reforço da transformação local dos recursos energéticos africanos e de maior segurança no abastecimento regional.

Olivier de Souza

Published in Noticias Industrias

Egito: diante dos desafios energéticos, o país aposta em novos contratos e no aumento da produção de petróleo

Perante desafios energéticos significativos, o Egito está a multiplicar iniciativas para inverter a tendência. O país pretende duplicar a produção de petróleo bruto até ao final da década, enquanto novas descobertas têm sido registadas nos últimos meses.

O Ministério egípcio do Petróleo e dos Recursos Minerais pretende implementar novos modelos contratuais para estimular o investimento estrangeiro no setor dos hidrocarbonetos. O anúncio foi feito na terça-feira, 5 de maio, pelo ministro Karim Badawi, durante uma reunião alargada com representantes de parceiros internacionais e dirigentes do setor petrolífero nacional.

Concretamente, o ministério prevê adotar dois tipos de contratos avançados, nomeadamente os contratos IPM (Integrated Project Management) e LSTK (Lump Sum Turnkey). Estes modelos, desenvolvidos em colaboração com empresas tecnológicas especializadas, visam apoiar a execução de perfurações horizontais e da fraturação hidráulica, duas técnicas que permitem otimizar a recuperação de hidrocarbonetos em reservatórios complexos.

O ministro anunciou também incentivos específicos para acelerar a exploração em zonas ainda inexploradas e afastadas das infraestruturas existentes, nomeadamente no Mediterrâneo ocidental, no Mar Vermelho e no deserto ocidental.

Dívidas que paralisaram um setor

Segundo dados publicados pelo Ministério do Petróleo do Egito, a dívida acumulada com companhias petrolíferas internacionais atingiu 6,1 mil milhões de dólares em junho de 2024. Esta situação está associada a anos de escassez de divisas estrangeiras, que impediram o banco central de cumprir obrigações contratuais denominadas em dólares.

Perante atrasos nos pagamentos, as companhias internacionais reduziram gradualmente as suas atividades de exploração e produção. O Egito tem vindo desde então a liquidar esta dívida, reduzindo-a em 88% em menos de dois anos, para 714 milhões de dólares em abril de 2026, segundo o Egypt Today.

A queda dos investimentos traduziu-se numa diminuição da produção. De acordo com dados do Middle East Economic Survey, a produção de gás caiu 16% em 2024, atingindo o nível mais baixo em oito anos. Em paralelo, a produção de petróleo desceu para 476 000 barris por dia, o valor mais baixo desde o final da década de 1970.

Segundo a Enerdata, o gás natural representa 81% da produção elétrica do país, mas o consumo interno já ultrapassava a produção em cerca de 2 mil milhões de pés cúbicos por dia em 2024.

A Agência Internacional de Energia (AIE) estima ainda que as importações de gás natural liquefeito (GNL) aumentaram 188% nos primeiros onze meses de 2025. O Egito encontra-se assim numa situação paradoxal: possui capacidade de exportação de 12,7 milhões de toneladas por ano, mas é forçado a importar grandes volumes para satisfazer a procura interna.

Abdel-Latif Boureima

Published in Noticias Industrias

Perante o aumento das necessidades elétricas das indústrias sul-africanas, os contratos privados de eletricidade renovável envolvendo comercializadores estão a ganhar terreno. A Discovery Green continua assim a alargar o seu portefólio de clientes com este modelo de fornecimento privado.

O mercado privado sul-africano de eletricidade renovável continua a estruturar-se em torno de contratos de wheeling celebrados entre produtores, comercializadores e industriais. Neste contexto, o grupo Afrox, especializado em gases industriais, anunciou na quarta-feira, 6 de maio, a assinatura de um acordo de fornecimento com a Discovery Green para receber 28 GWh de eletricidade renovável por ano a partir de 2028.

Segundo o comunicado divulgado pela Afrox, o contrato tem a duração de 10 anos e basear-se-á num portefólio diversificado de ativos solares e eólicos localizados nas províncias do Cabo Ocidental, Mpumalanga e Estado Livre.

A empresa estima que este fornecimento de energia limpa permitirá reduzir as suas emissões em cerca de 25 000 toneladas de CO₂ por ano. A este propósito, Ferdinand Kuehner, diretor-geral da empresa, declarou: «Este acordo sublinha o compromisso da Afrox em aumentar o seu abastecimento em energias renováveis e reduzir as suas emissões de Scope 2».

Rumo à normalização do wheeling de energia

Este anúncio insere-se numa dinâmica mais ampla de desenvolvimento do wheeling na África do Sul. Este modelo permite transportar a eletricidade produzida por centrais privadas até aos locais dos clientes através da rede do operador público Eskom. Está a atrair cada vez mais empresas industriais que procuram garantir o seu abastecimento elétrico e reduzir a dependência do carvão.

A Discovery Green está assim a multiplicar contratos com grandes consumidores. Em outubro de 2025, a empresa tinha assinado um acordo de 20 anos com a Glencore para fornecer cerca de 290 GWh de eletricidade renovável por ano a vários locais mineiros. Poucos dias antes, tinha fechado uma parceria com a Red Rocket em torno do projeto solar Tournee de 331 MWp.

Segundo uma nota recente da Power Futures Lab publicada na segunda-feira, 4 de maio, cerca de 80% das capacidades privadas renováveis asseguradas na África do Sul em 2026 envolvem atualmente comercializadores de eletricidade, que se tornaram atores centrais do mercado de contratos de compra de energia em regime de negociação direta (corporate PPAs).

Abdoullah Diop

 

Published in Noticias Industrias

Fortemente dependente das importações regionais para o seu abastecimento elétrico, a Eswatini continua a desenvolver a sua produção interna, com um novo projeto solar apoiado por financiamentos locais e regionais.

Na quinta-feira, 7 de maio, a empresa sul-africana Anthem anunciou o fecho financeiro da central solar de Tsamela, um projeto fotovoltaico de 20 MW localizado na região de Hhohho, perto de Ngwenya. Segundo o comunicado publicado no LinkedIn, trata-se da primeira iniciativa do programa regional «ESERA Solar PV» a atingir esta fase, ilustrando assim o reforço da produção solar doméstica na Eswatini.

Uma parceria estratégica com o Standard Bank e o PSPF

Atribuído no âmbito de um concurso público destinado ao fornecimento de eletricidade à Eswatini Electricity Company (EEC), o projeto deverá ser construído num terreno de 44,8 hectares, com mais de 37 000 painéis bifaciais. A Anthem indica que as obras já começaram sob a coordenação da Alensy Energy Solutions, com entrada em operação comercial prevista para dentro de 15 meses. A produção estimada para o primeiro ano é de 47 788 MWh.

O financiamento é assegurado pelo Standard Bank Eswatini e pelo Standard Bank South Africa enquanto credores seniores, enquanto o Public Service Pension Fund (PSPF) participa tanto em dívida como em capital próprio. O custo do projeto, no entanto, não foi divulgado.

A soberania energética como imperativo nacional

O projeto surge num contexto em que a Eswatini procura reforçar a produção local de eletricidade e reduzir a dependência regional.

«Uma vez operacional, a central de Tsamela dará uma contribuição significativa para a capacidade de produção nacional da Eswatini, o que permitirá reduzir a dependência das importações e apoiar objetivos mais amplos em matéria de segurança energética e transição energética», indicou a Anthem no seu comunicado.

Segundo o Eswatini Financial Times, as importações de eletricidade representavam mais de 80% do consumo final do país em 2025. No mesmo período, um relatório publicado pela IRENA indica que a energia solar representava 14% do seu mix elétrico em 2024. A bioenergia dominava então a produção com 54%, seguida pela hidroeletricidade com 32%.

A IRENA indica ainda que 86% da população tinha acesso à eletricidade em 2024, um dos níveis mais elevados da África Subsaariana. Este dado confirma que o principal desafio da Eswatini é a soberania energética e não o acesso à eletricidade.

Abdoullah Diop

 

 

Published in Noticias Industrias

Argélia e Egito reforçam a sua cooperação energética com a assinatura de um protocolo de acordo entre a empresa pública argelina de hidrocarbonetos Sonatrach e a sua homóloga egípcia EGPC.

No dia 5 de maio de 2026, os dois países iniciaram um reforço da cooperação no setor energético, abrindo caminho para exportações de petróleo bruto e produtos petrolíferos argelinos para o mercado egípcio.

Este acordo não constitui ainda um contrato comercial definitivo. Trata-se de um enquadramento de negociação que permitirá definir volumes, condições de entrega e duração dos futuros contratos. O objetivo é estabelecer, a médio prazo, fluxos regulares de exportação de hidrocarbonetos entre os dois países.

As discussões abrangem tanto o petróleo bruto, em particular o tipo Sahara Blend, como produtos refinados como gasóleo e gasolina. O crude argelino apresenta características adequadas às refinarias egípcias, nomeadamente baixo teor de enxofre, enquanto a proximidade geográfica entre os dois países representa uma vantagem logística importante.

Este acordo insere-se no reforço das relações de cooperação fraterna privilegiadas entre a Argélia e o Egito, concretizando as orientações dos chefes de Estado dos dois países”, afirmou o ministro argelino da Energia, Mohamed Arkab.

Uma reorganização dos equilíbrios energéticos no Norte de África

Esta iniciativa surge num contexto de transformação do setor energético egípcio. O Egito, outrora exportador líquido de petróleo, tornou-se progressivamente importador devido à diminuição de alguns campos maduros e ao aumento do consumo interno. Para responder a esta evolução, as autoridades procuram diversificar as fontes de abastecimento.

Do lado argelino, o acordo faz parte de uma estratégia para reforçar os mercados de exportação e consolidar a posição do país no mercado energético regional. A Sonatrach procura valorizar os seus recursos através de parcerias comerciais estruturadas, sobretudo em África.

Esta dinâmica insere-se numa tendência mais ampla de reforço dos intercâmbios energéticos intra-africanos. O acordo reflete assim a convergência de interesses entre os dois países na segurança do abastecimento energético e na integração regional.

Se as negociações forem concluídas com sucesso, este eixo energético poderá tornar-se estruturante no Norte de África, permitindo à Argélia garantir novos mercados e ao Egito assegurar parte das suas necessidades num contexto energético internacional instável.

Olivier de Souza

 

Published in Fils Direct

Em África, a companhia petrolífera Woodside Energy está ativa apenas no Senegal, onde opera o campo petrolífero offshore de Sangomar. A empresa procura expandir a sua presença operacional no continente.

A Woodside Energy procura alargar a sua presença africana até Angola. O grupo australiano, que em 2025 desistiu de entrar no bloco PEL 87 na Namíbia, assinou na quarta-feira, 6 de maio, um memorando de entendimento com a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG).

Segundo as informações divulgadas pelo organismo estatal, o acordo incide especificamente sobre a avaliação do potencial de hidrocarbonetos de três áreas, nomeadamente os blocos 25, 26 e 43, localizados na bacia do Namibe, no sul de Angola, em águas profundas e ultraprofundas.

O memorando estabelece um período inicial de estudo durante o qual as duas partes irão trabalhar em conjunto na análise de dados geológicos e geofísicos das áreas em causa. Estas atividades incluem sísmica 2D e 3D, o estudo de dados de poços já perfurados e a obtenção de outras informações técnicas.

O objetivo é determinar se as estruturas geológicas destas áreas apresentam potencial comercial suficiente para justificar investimentos em trabalhos de exploração. Assim, o acordo não constitui, nesta fase, um contrato de exploração vinculativo entre a ANPG e a Woodside, que não forneceu qualquer calendário nem valores relativos a este projeto.

«A assinatura deste protocolo de entendimento enquadra-se nos esforços desenvolvidos pela ANPG para promover o investimento e dinamizar as atividades de exploração e desenvolvimento dos recursos petrolíferos e gasíferos», pode ler-se no comunicado publicado pela empresa estatal.

Uma expansão africana seletiva

O acordo angolano insere-se numa estratégia africana que a Woodside vem desenvolvendo desde 2024. O grupo está, até agora, presente num único ativo em África, o campo petrolífero de Sangomar, ao largo do Senegal, cuja Fase 1 arrancou em junho de 2024, tornando o Senegal numa nova nação produtora de petróleo.

Em dezembro de 2025, a empresa australiana atingiu a marca de 50 milhões de barris produzidos neste campo, ou cerca de 8% dos recursos recuperáveis totais, segundo declarou Clive Jones, vice-presidente da Woodside para o Senegal, na última conferência MSGBC Oil, Gas & Power, em Dakar.

Em março de 2023, o grupo tinha celebrado um acordo com a Pancontinental para financiar uma campanha sísmica 3D de 35 milhões de dólares no bloco PEL 87, na bacia de Orange, na Namíbia, em troca de uma opção de aquisição de 56% do mesmo, segundo a Agência Ecofin.

Após análise dos dados, a Woodside notificou a Pancontinental, a 17 de março de 2025, da sua decisão de não exercer essa opção, sem divulgar os motivos, segundo a Offshore Magazine. O grupo abandonou assim um bloco considerado de elevado potencial, adjacente à descoberta de classe mundial Mopane, então operada pelo grupo português Galp.

O protocolo com a ANPG enquadra-se nesta ambição de expansão subsaariana da empresa australiana para além do Senegal. Surge num contexto em que Angola procura inverter uma queda de produção que a levou a descer abaixo do limiar simbólico de um milhão de barris por dia em julho de 2025, o nível mais baixo desde março de 2023. Para tal, as autoridades apostam na exploração de bacias ainda pouco valorizadas, como a bacia do Namibe, nomeadamente por empresas estrangeiras.

Abdel-Latif Boureima

 

 

Published in Noticias Industrias

As tensões no mercado mundial do gás estão a levar a Itália a reforçar as suas parcerias energéticas mediterrânicas, com o objetivo de garantir maior segurança no abastecimento energético.

A Itália e a Líbia pretendem acelerar os seus projetos conjuntos no setor do gás, a fim de reforçar a segurança dos abastecimentos energéticos no Mediterrâneo, num contexto marcado por tensões geopolíticas internacionais e perturbações no mercado global do gás. Reunidos em Roma, na quinta-feira, 7 de maio, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, e o chefe do governo líbio, Abdulhamid Dbeibah, manifestaram a vontade de reforçar a cooperação e os investimentos no setor energético.

Este encontro ocorre numa altura em que Roma procura reduzir a sua exposição aos choques que afetam os fluxos globais de energia. As recentes perturbações nas exportações catarianas de GNL, após ataques iranianos que afetaram parte das capacidades do país, reacenderam as preocupações em torno da dependência europeia dos abastecimentos transportados por via marítima. Muito dependente das importações, a Itália procura garantir maiores volumes junto de fornecedores próximos e ligados por gasodutos.

Nesta estratégia, a Líbia ocupa uma posição-chave. O país norte-africano continua a ser o principal fornecedor de petróleo bruto da Itália, representando cerca de um quinto das importações italianas. Os dois países estão igualmente ligados pelo gasoduto GreenStream, que conecta o complexo gasífero de Mellitah, na costa líbia, à Sicília.

Exportações líbias limitadas por constrangimentos estruturais

Contudo, as exportações líbias de gás para a Itália diminuíram nos últimos anos. Passaram de cerca de 1,4 mil milhões de metros cúbicos em 2024 para aproximadamente 1 mil milhão de metros cúbicos em 2025. Esta queda reflete vários constrangimentos estruturais, incluindo o aumento do consumo interno na Líbia, infraestruturas envelhecidas, interrupções frequentes nos processos de produção e a persistente instabilidade política. Estas dificuldades mantêm o gasoduto GreenStream amplamente subutilizado.

Perante esta situação, Roma e Tripoli procuram acelerar os investimentos destinados a relançar a produção e modernizar as infraestruturas. Membros da Comissão Parlamentar italiana responsável pela segurança já tinham sublinhado, no final de abril, a necessidade de aumentar os investimentos para reforçar as exportações líbias para a Itália.

O grupo italiano Eni está no centro desta estratégia. Presente na Líbia desde 1959, continua a ser o principal operador internacional no país, com uma produção de cerca de 162 mil barris equivalentes de petróleo por dia em 2025. Três projetos de desenvolvimento estão atualmente em curso, dois dos quais deverão entrar em produção já em 2026.

O programa de investimento, estimado em cerca de 10 mil milhões de dólares, inclui nomeadamente o projeto offshore de compressão de Sabratha, o “Bouri Gas Utilization Project”, destinado à recuperação de gás associado, bem como o desenvolvimento offshore A&E, apresentado como o maior investimento energético realizado na Líbia em mais de vinte anos.

O Mediterrâneo no centro da estratégia energética italiana

Para além dos projetos líbios, esta ofensiva traduz uma evolução mais ampla da política energética italiana. Desde a reconfiguração dos mercados europeus da energia nos últimos anos, Roma procura fazer do Mediterrâneo um eixo prioritário para garantir os seus abastecimentos.

A Itália reforça simultaneamente as suas negociações com a Argélia, o seu principal fornecedor de gás por gasoduto através do Transmed, explorando também alternativas com os Estados Unidos e o Azerbaijão. Contudo, num ambiente marcado por tensões nas rotas marítimas e pela volatilidade do GNL, os abastecimentos regionais por gasoduto ganham importância estratégica.

Para Tripoli, esta cooperação representa uma oportunidade de estabilizar a sua produção, modernizar um setor fragilizado e atrair mais capitais estrangeiros. No entanto, a capacidade da Líbia de transformar estes compromissos num aumento sustentável da produção continuará dependente da evolução dos seus constrangimentos internos e do contexto regional.

Olivier de Souza

Published in Noticias Industrias

Argélia continua a reforçar as suas capacidades de produção de hidrocarbonetos, apoiando-se em parcerias internacionais e em investimentos estruturantes nas suas bacias petrolíferas do sul.

O grupo público Sonatrach assinou, a 6 de maio, um contrato superior a 1 mil milhão de dólares para lançar a fase II do desenvolvimento do campo petrolífero de Hassi Bir Rekaiz, localizado na bacia de Berkine, no sudeste da Argélia.

Este contrato de engenharia, aprovisionamento e construção (EPC) foi concluído com um consórcio formado pela empresa egípcia Petrojet e pela italiana Arkad, em parceria com a companhia tailandesa PTTEP, associada ao projeto.

O acordo prevê a construção de uma nova unidade de tratamento de petróleo bruto com capacidade aproximada de 31 500 barris por dia, incluindo também instalações para o tratamento de gás associado e águas de produção, essenciais para melhorar a eficiência operacional do campo.

Expansão progressiva da produção

Os trabalhos deverão decorrer durante 39 meses. Esta nova fase dá continuidade a um primeiro desenvolvimento iniciado em 2019, que elevou a produção do campo para cerca de 17 000 barris por dia após o início da exploração em 2022.

O objetivo da segunda fase é aumentar gradualmente a produção, atingindo cerca de 30 000 barris por dia até 2029 e, posteriormente, cerca de 60 000 barris por dia a mais longo prazo, segundo as projeções do projeto.

Para além das unidades de tratamento, o programa inclui a perfuração de novos poços e a criação de redes de transporte para otimizar a recuperação dos recursos.

Estratégia energética nacional

Este desenvolvimento integra a estratégia mais ampla da Argélia de reforçar a produção nacional de hidrocarbonetos. A Sonatrach tem vindo a aumentar os investimentos no sul do país para sustentar a oferta energética e consolidar a sua posição nos mercados internacionais.

A participação de parceiros estrangeiros reflete também a aposta da Argélia na mobilização de competências técnicas e financiamento internacional para acelerar o desenvolvimento dos seus recursos petrolíferos.

Olivier de Souza

Published in Noticias Industrias
Page 4 sur 50

A Agência Ecofin cobre diariamente as atualidades de 9 setores africanos: gestão pública, finanças, telecomunicações, agro, energia, mineração, transportes, comunicação e formação. Também concebe e opera mídias especializadas, digitais e impressas, em parceria com instituições ou empresas ativas em África.

DEPARTAMENTO COMERCIAL
regie@agenceecofin.com 
Tel: +41 22 301 96 11
Cel: +41 78 699 13 72

Mídia kit : Link para download
REDAÇÃO
redaction@agenceecofin.com


Mais informações :
Equipe
Editora
AGÊNCIA ECOFIN

Mediamania Sarl
Rue du Léman, 6
1201 Genebra – Suíça
Tel: +41 22 301 96 11

 

A Agência Ecofin é uma agência de informação econômica setorial, criada em dezembro de 2010. Sua plataforma digital foi lançada em junho de 2011.

 
 
 
 

Please publish modules in offcanvas position.