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As autoridades do Chade iniciaram a elaboração de um novo Código do Digital, atualmente em fase de finalização. Este integra normas internacionais em matéria de cibersegurança, proteção de dados e governação da Internet, dotando o Chade de um enquadramento jurídico moderno, alinhado com as melhores práticas mundiais.

A iniciativa foi anunciada por Boukar Michel, Ministro das Telecomunicações, Economia Digital e Digitalização da Administração, na terça-feira, 9 de dezembro, durante a terceira edição da Escola Chadiana de Governação da Internet (TCSIG). «O futuro pertence àqueles que identificam oportunidades antes que se tornem evidentes. Sobre a soberania digital, um país que não controla os seus dados não controla o seu destino», afirmou.

O Código do Digital reforça o enquadramento legislativo num contexto em que o governo coloca a transformação digital no centro da ação pública, com a ambição de tornar o digital um motor de desenvolvimento humano, económico e social. A 22 de outubro, a Assembleia Nacional ratificou uma ordem executiva tomada anteriormente este ano, alterando um artigo da lei de 2014 sobre a regulação das comunicações eletrónicas e atividades postais. O texto visa modernizar o quadro jurídico do setor, promover a concorrência, melhorar a cobertura de redes e reforçar a soberania digital do país.

O executivo apresentou recentemente um plano nacional chamado «Chade Conexão 2030», prevendo 1,5 mil milhões de dólares de investimentos em digitalização. O programa tem como objetivo posicionar o país entre as principais economias de África nos próximos seis anos e expandir significativamente a cobertura, conectando a maioria dos chadianos. Prevê também a digitalização e interconexão de todos os serviços públicos e semipúblicos, garantindo aos cidadãos acesso completo aos serviços de governo digital.

Para tal, o país intensifica a cooperação internacional, buscando a experiência dos líderes mundiais em transformação digital e atraindo investimentos. Desde o início do ano, aproximou-se de Emirados Árabes Unidos, Grécia, Camarões, Quénia, Índia, Canadá, Estados Unidos, entre outros. Foram também feitos esforços para reduzir o isolamento digital e territorial do país.

Atualmente, o Chade ocupa a 189.ª posição entre 193 países no último Índice de Desenvolvimento do Governo Eletrónico (EGDI) das Nações Unidas, com uma pontuação de 0,1785 em 1, abaixo da média africana (0,4247) e mundial (0,6382). O país encontra-se ainda no penúltimo nível (Tier 4) do Índice Global de Cibersegurança 2024 da UIT, com uma pontuação de 48,67/100. Apesar de apresentar desempenho relativamente sólido no âmbito legislativo e da cooperação, precisa reforçar as medidas técnicas, organizacionais e as suas capacidades nacionais.

Isaac K. Kassouwi

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O operador público camaronês quer recuperar o atraso em relação aos seus concorrentes, nomeadamente MTN e Orange. Para isso, voltou-se para um operador público que domina o seu mercado.

Ao se associar à Ethio Telecom, da Etiópia, para acelerar sua transformação digital e preparar o lançamento do Blue Money, seu serviço de mobile money anunciado para 2026, a Camtel não assina um simples acordo técnico. O Master Service Agreement (MSA) de três anos, concluído na quinta-feira, 4 de dezembro, em Yaoundé, insere-se em um movimento mais amplo: o dos campeões públicos africanos que querem provar que ainda podem competir com multinacionais e fintechs privadas.

Resta uma pergunta, menos glamourosa mas decisiva: este acordo mudará realmente o cotidiano digital dos camaronenses ou permanecerá apenas mais uma vitrine em um país já saturado de planos “estratégicos” raramente levados a cabo?

O Camarões já é o coração do mobile money na zona CEMAC. Em 2023, concentrava mais de 62% das contas, 63% das transações e 76% do valor das operações da sub-região, segundo relatório do BEAC. Em outras palavras, o país não parte do zero. Já concentra a maior parte dos fluxos digitais da CEMAC. O desafio, portanto, não é mais “recuperar” um atraso, mas evitar que essa vantagem se dilua na rotina bem conhecida de grandes anúncios, apresentações em PowerPoint e projetos inacabados.

Oficialmente, o MSA responde a três prioridades: promoção dos pagamentos digitais, digitalização do setor público e modernização das infraestruturas. A assinatura, formalizada em audiência com o Primeiro-Ministro, dá ao projeto grande peso político. Também o expõe a um risco muito camaronês: transformar-se em um símbolo conveniente de “compromisso com o digital”, sem que práticas e resultados acompanhem.

Ethio Telecom: inspiração ou miragem?

Com dezenas de milhões de assinantes, receitas em forte crescimento e mais de 50 milhões de usuários da sua plataforma de mobile money Telebirr, a Ethio Telecom consolidou-se como um gigante público do digital africano. Em poucos anos, o operador expandiu sua rede de fibra, lançou 4G e depois 5G, e tornou o Telebirr um instrumento central da digitalização da economia etíope.

É essa trajetória que a Camtel espera, em parte, reproduzir: a de um operador público reposicionado no centro do ecossistema digital nacional. Mas o modelo etíope é produto de um contexto particular: mercado por muito tempo fechado à concorrência, decisões altamente centralizadas, vontade política explícita de fazer do digital uma ferramenta de soberania. Nada disso é transponível tal como está para o Camarões, onde a concorrência é estabelecida, os centros de decisão são fragmentados e os orçamentos apertados.

Transformar o exemplo etíope em um modelo “chave na mão” seria, portanto, ilusório. Por trás dessa ambição, há um perigo: contentar-se com o “efeito vitrine” da Ethio Telecom — números impressionantes, história de sucesso pública — sem enfrentar questões críticas do lado camaronês: governança, lentidão dos procedimentos, responsabilidade dos decisores.

Blue Money em um mercado consolidado

O primeiro eixo destacado pela Camtel é o desenvolvimento do Blue Money. Para o operador histórico, que há muito tempo permanecia à margem do mobile money, trata-se tanto de uma escolha estratégica quanto de um reconhecimento de atraso. Esse segmento concentra agora uma parcela crescente das transações diárias, das transferências da diáspora e dos fluxos informais: permanecer fora equivaleria, a médio prazo, a aceitar um rebaixamento.

Segundo o Investir au Cameroun, a entrada oficial da Camtel neste mercado está prevista para 2026, por meio de uma entidade dedicada com capital de 500 milhões de FCFA. No entanto, o Blue Money chegará a um ambiente já estruturado: MTN Mobile Money e Orange Money concentram a maior parte das transações eletrônicas, enquanto a fintech americana Wave, com depósitos e retiradas gratuitos e transferências de baixo custo, já reorganizou a concorrência em vários países antes de se instalar no Camarões.

Em outras palavras, o Blue Money não chega a um terreno virgem, mas a um mercado maduro, concentrado e já competitivo. Hábitos de pagamento, confiança dos usuários, rede de pontos de serviço e robustez das plataformas são barreiras significativas para este novo entrante público. Cabe à Camtel provar que não está apenas adicionando mais um logotipo ao universo do mobile money.

A parceria com a Ethio Telecom pode fornecer experiências úteis — especialmente via Telebirr — mas não responde às questões mais sensíveis: qual público-alvo, quais tarifas, qual serviço diferenciado, qual promessa crível para o usuário que já possui duas ou três contas de mobile money? Sem elementos concretos sobre a proposta de valor do Blue Money, permanece-se mais no registro do storytelling do que da inovação disruptiva.

Cloud soberano, modernização das redes… o teste da realidade

O segundo pilar do MSA visa criar um cloud governamental soberano para hospedar serviços e dados da administração. No papel, a ideia cumpre todos os requisitos da nova linguagem digital: soberania, compartilhamento, continuidade do serviço. Na prática, muitos planos de modernização administrativa, em Camarões e em outros países, já se perderam nos labirintos burocráticos, nas rivalidades entre administrações e nos silos informáticos.

Um cloud soberano impõe desafios pesados: segurança, localização dos dados, interoperabilidade, governança. Enquanto as autoridades não definirem quem decide, quem paga, quem presta contas e quais resultados mensuráveis são esperados, o cenário provável é: um “cloud” muito presente nos discursos, mas quase invisível no dia a dia de cidadãos e empresas.

O terceiro eixo é a modernização das redes, com expansão da 4G e 5G. A Camtel destaca uma rede de fibra óptica de aproximadamente 12.000 km, cobrindo quase todos os departamentos, um verdadeiro trunfo, mas insuficiente se a qualidade do serviço, a manutenção e o atendimento ao cliente continuarem sendo pontos fracos. Para o usuário, pouco importa o comprimento da fibra no mapa: o que conta é a conexão que funciona, a plataforma que não cai e o serviço que responde.

O aspecto politicamente mais delicado é a transformação interna. A Camtel carrega a imagem de operador histórico lento, pouco orientado ao cliente e fortemente sobrecarregado por procedimentos administrativos. O MSA promete assistência técnica e fortalecimento de capacidades, mas permanece silencioso sobre questões sensíveis: autonomia gerencial, responsabilidade dos dirigentes, cultura de resultados. Sem reformas nesses campos, a experiência da Ethio Telecom provavelmente produzirá relatórios, treinamentos… e poucas mudanças visíveis.

Soberania digital: discurso e realidade

Em segundo plano, o acordo é apresentado como um gesto forte em favor da soberania digital e da cooperação Sul-Sul. Os montantes envolvidos, no entanto, são tudo menos simbólicos: os países da CEMAC receberam mais de 500 bilhões de FCFA em transferências via mobile money em 2023, a maior parte passando por operadores baseados no Camarões.

A “renda digital” da sub-região já se concentra em grande parte em Yaoundé e Douala.

A escolha de recorrer a um operador público africano em vez de um grande fornecedor de equipamentos ou de uma consultoria internacional envia um sinal político: sim, a expertise também existe no continente.

 Mas este sinal não será suficiente para mascarar, por muito tempo, um possível descompasso entre o discurso sobre “soberania digital” e a dependência persistente de tecnologias, padrões e prestadores externos.

Um acordo-quadro à prova do terreno

Na forma atual, o MSA parece mais um acordo-quadro do que um roteiro de ação. As promessas — melhor conectividade, expansão dos pagamentos digitais, serviços públicos apoiados na cloud — só serão credíveis se vierem acompanhadas de objetivos datados, quantificados, públicos e com responsáveis claramente identificados. Sem isso, em três anos será fácil invocar o “parceria estratégica” e muito difícil medir o que realmente mudou.

No final, a parceria Camtel–Ethio Telecom será avaliada fora das salas de reunião climatizadas: na qualidade da rede para o assinante, na confiabilidade das transações para o comerciante, na simplicidade das interações do cidadão com a administração. Se não conseguir melhorar essa realidade, permanecerá apenas mais uma aposta Sul-Sul: muito presente nas fotos oficiais, muito menos na vida digital dos camaronenses.

Baudouin Enama (Investir au Cameroun)

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Senegal: Lançamento oficial do “New Deal Tecnológico” com investimento de 1 105 bilhões FCFA até 2026

A estratégia de transformação digital “New Deal Tecnológico” foi oficialmente lançada em fevereiro de 2025 e prevê investimentos de 1 105 bilhões de francos CFA até 2026.

O orçamento do Ministério da Comunicação, Telecomunicações e Economia Digital do Senegal para 2026 é de 81,06 bilhões FCFA (143,93 milhões de dólares), dos quais quase 60% são destinados a investimentos. Aprovado na semana passada pela Assembleia Nacional, o orçamento representa, segundo as autoridades, um passo importante para atingir a ambição governamental de transformar o Senegal, até 2034, numa sociedade digital soberana, um país de serviços de alto valor agregado e um líder incontestável do setor digital em África.

Cerca de 58,2 bilhões FCFA são direcionados ao setor digital e telecomunicações, com foco na governança e soberania digital e no desenvolvimento da economia digital. Os projetos prioritários incluem cobertura universal, conexão gratuita de um milhão de pessoas, cloud soberano, identidade digital biométrica, interoperabilidade das administrações, balcão único do cidadão e iniciativa “zero papel”.

“15% do PIB graças à economia digital até 2034: não é apenas um slogan, é o objetivo concreto do New Deal. Startup Act, Parque de Tecnologias Digitais, Senegal Digital Factory, fundo de 200 bilhões FCFA para startups: o Estado investe fortemente. Mas precisamos fazer mais coletivamente, acelerar ainda mais, para capturar plenamente os benefícios desta revolução”, lê-se no relatório da sessão plenária de 4 de dezembro publicado pelo Ministério no Facebook.

O New Deal Tecnológico prevê a criação de 500 startups certificadas, a formação de 100 mil jovens graduados em áreas digitais, a criação de 150 mil empregos diretos, a aceleração da inovação digital e a hospedagem local de todos os dados sensíveis. A GSMA (Associação Global de Operadores Móveis) estima que o setor digital poderá gerar 1 100 bilhões FCFA em valor acrescentado para a economia até 2030.

O Senegal ocupa atualmente a 135.ª posição entre 193 países no último Índice de Desenvolvimento de Governo Eletrónico das Nações Unidas (EGDI), com uma pontuação de 0,5162 em 1, acima da média africana mas abaixo da média global. No subíndice de infraestrutura de telecomunicações, obteve 0,7329 em 1, acima da média mundial, enquanto nos subíndices de serviços online e capital humano registou 0,4779 e 0,3380, respetivamente.

Isaac K. Kassouwi

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Com a aceleração da transformação digital no continente, a segurança digital impõe-se como um importante instrumento estratégico. Os países africanos multiplicam, assim, as iniciativas neste domínio.

No Burkina Faso, a Autoridade de Regulação das Comunicações Eletrónicas e dos Correios (ARCEP) lançou, na sexta-feira, 5 de dezembro de 2025, em Ouagadougou, o Domain Name System Security Extensions (DNSSEC) no domínio de Internet nacional «.bf». Esta tecnologia visa reforçar a fiabilidade e a segurança dos serviços online que utilizam a extensão burquinense.

“O DNSSEC é uma extensão de segurança do sistema de nomes de domínio (DNS). Trata-se de uma tecnologia que adiciona uma assinatura digital às informações do DNS, de forma a garantir a sua autenticidade e integridade”, explica o regulador das telecomunicações. Convém notar que o projeto contou com o apoio técnico da Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN), através da sua Coalition for Digital Africa, no âmbito do programa “DNSSEC Roadshow”.

Concretamente, o DNSSEC garante que os utilizadores acedam de facto aos sites legítimos quando visitam plataformas terminadas em «.bf», reduzindo assim os riscos de fraude e usurpação. A zona «.bf» está agora protegida por uma cadeia de confiança reconhecida a nível internacional.

Esta iniciativa insere-se na estratégia dos Estados africanos de reforçar a sua segurança digital. Para além do aspeto técnico, traduz a vontade do Burkina Faso de reforçar a sua soberania digital e de instaurar um clima de confiança na utilização dos serviços online.

Recorde-se que o país foi classificado em 2024 na categoria Tier 3 no relatório “Global Cybersecurity Index 2024” da União Internacional de Telecomunicações (UIT), com uma pontuação de 70,23 em 100 no índice global de cibersegurança.

Adoni Conrad Quenum

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A maioria dos países do continente abrangidos pelo índice aparece na parte inferior da classificação e apresenta pontuações fracas nos domínios do desenvolvimento, investigação, ecossistema empresarial, talentos e infraestruturas.

O Egipto, a África do Sul e o Gana são os países africanos mais bem posicionados na corrida mundial à inteligência artificial (IA), segundo uma classificação publicada na quinta-feira, 4 de dezembro de 2025, pelo semanário britânico The Observer.

O « Global AI Index (GAII) » classifica 93 países para os quais existem dados disponíveis, em função do seu nível de investimento, inovação e implementação da inteligência artificial. Baseia-se em 108 indicadores que cobrem o período 2020-2025, provenientes de 23 fontes de dados diferentes, incluindo relatórios governamentais, bases de dados públicas de organizações internacionais, think tanks e empresas privadas.

Entre esses indicadores contam-se, nomeadamente, as capacidades de computação de alto desempenho, as capacidades no domínio dos semicondutores, o número de start-ups especializadas em IA, os casos de utilização da IA no sector público, o número de programadores de software de IA, as capacidades eléctricas, as despesas em investigação e desenvolvimento, a qualidade das instituições responsáveis pela governação da IA, o número de estabelecimentos de formação especializados e a atividade em matéria de patentes relacionadas com a IA.

Estes indicadores estão distribuídos por três pilares (investimento, inovação e implementação) e sete subpilares (talentos, infraestruturas, ambiente operacional, investigação, desenvolvimento, ecossistema empresarial e estratégia governamental).

A pontuação global de um país é constituída pela soma ponderada das pontuações dos seus subpilares, que são, por sua vez, a soma ponderada dos vários indicadores dentro de cada subpilar. As ponderações dos subpilares são as seguintes: talentos (11%), ambiente operacional (8%), infraestruturas (16%), investigação (17%), desenvolvimento (18%), ecossistema empresarial (18%) e estratégia governamental (12%).

A pontuação de cada subpilar e a pontuação global são normalizadas entre 100 pontos e uma pontuação mínima inicial. A pontuação 0 não foi utilizada para evitar a impressão de que não existe qualquer atividade no domínio da IA.

O Egipto (47.º lugar mundial) lidera a lista dos 16 países africanos abrangidos pelo índice, com uma pontuação global de 13 pontos. Este país do Norte de África obtém os seus melhores resultados nos subpilares estratégia governamental (56 pontos) e ambiente operacional (38). A África do Sul (54.º a nível mundial) ocupa o segundo lugar na escala africana, seguida pelo Gana (61.º), pela Argélia (65.º), pelo Marrocos (68.º), pela Nigéria (69.º), pelas Maurícias (70.º), pelo Quénia (74.º) e pelo Senegal (75.º). A Costa do Marfim, que se situa no 84.º lugar entre todos os países estudados, fecha o Top 10 africano.

No conjunto, os países africanos estudados apresentam pontuações muito baixas nos subpilares desenvolvimento, investigação, ecossistema empresarial, talentos e infraestruturas.

A nível mundial, são os Estados Unidos que lideram a corrida global à IA com uma pontuação de 100 pontos, à frente da China, Singapura, Reino Unido e Coreia do Sul.

Walid Kéfi

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Um novo relatório da GSMA mostra que o Senegal está entre os países africanos mais avançados em termos digitais, mas uma mudança na política fiscal e regulatória é essencial para libertar todo o potencial da 4G, 5G e do Mobile Money.

O Senegal pretende transformar o digital numa potência económica. Esta é a ambição do New Deal Tecnológico 2034, lançado em fevereiro de 2025, que prevê 1.105 mil milhões de FCFA (aproximadamente 1,7 mil milhões de USD) em investimentos para alcançar 95% de conectividade, 80% de utilização dos serviços públicos online, a criação de 350.000 empregos e a contribuição do digital elevada para 15% do PIB. No estudo “Estimular a transformação digital da economia no Senegal. Oportunidades, recomendações políticas e o papel do mobile”, entregue a 5 de dezembro de 2025 ao Governo senegalês durante a primeira edição do Digital Africa Summit Senegal, em Dakar, a Associação Global de Operadores Móveis (GSMA) apresentou um panorama da economia digital senegalesa e formulou uma série de recomendações.

O país apresenta já desempenhos acima da média da África Ocidental, com cobertura 4G quase universal, atingindo 97% da população, e 5G a cobrir cerca de 39%, principalmente nas grandes cidades. Para uma população de aproximadamente 18 milhões de habitantes, a GSMA estima que, em 2025, cerca de 9,9 milhões de pessoas no Senegal utilizavam serviços móveis, ou cerca de 52% da população total, superando a média regional de 49% e a africana de 48%. No entanto, apenas 8,16 milhões de senegaleses utilizam atualmente internet móvel de alta velocidade, cerca de 42% da população.

O “gap de utilização” — todas as pessoas que poderiam conectar-se mas não o fazem — é estimado em cerca de 54%. Ou seja, a questão não é apenas cobrir o território, mas tornar o acesso realmente utilizável e acessível, especialmente para famílias de baixa renda e populações rurais.

O Senegal destaca-se na inclusão financeira. De acordo com dados do BCEAO citados pela GSMA, 76% da população adulta possui uma conta de mobile money, uma das taxas mais elevadas do continente. Em 2024, o país contava com 14,65 milhões de contas ativas, com cerca de 2,9 mil milhões de transações, num valor total de 48.488 mil milhões de FCFA. O mobile money terá contribuído com cerca de 6 mil milhões de dólares para o PIB, aproximadamente 8,6% em 2023, um impacto comparável aos setores da construção e imobiliário. Esta revolução silenciosa apoia-se numa forte concorrência entre Orange Money, Wave, Yas, Wizall e E-Money, mas evidencia também a necessidade de coerência no quadro fiscal e regulatório, ainda fragmentado entre várias autoridades.

Garantir bases essenciais para o acesso

O relatório aponta a fiscalidade como um dos principais obstáculos à aceleração do digital. Os serviços móveis suportam várias taxas sectoriais específicas — contribuição especializada e taxa de utilização — além do IVA de 18%. Os dispositivos, especialmente smartphones de entrada, continuam fortemente taxados, apesar de serem a porta de entrada para os serviços digitais para os mais pobres. A GSMA recomenda reduzir as duas taxas sectoriais para 3% cada, isentar de IVA e direitos de importação smartphones abaixo de um certo valor (17.500 FCFA), e eliminar os 0,5% de taxa sobre transferências e levantamentos de mobile money, harmonizando a fiscalidade entre todos os intervenientes. Paradoxalmente, estas reduções fiscais não resultariam numa perda líquida para o Estado: segundo simulações, o crescimento gerado pelo aumento do uso do digital poderá levar o impacto fiscal líquido a 417 mil milhões de FCFA até 2030, dos quais 174 mil milhões provenientes da própria digitalização da cobrança de impostos e taxas.

Outra condição essencial: o fornecimento de energia para os sites de telecomunicações

Cerca de 35% das antenas 4G estão atualmente localizadas a mais de um quilómetro da rede elétrica, e quase todos os novos sites necessários para expandir a cobertura estariam fora da rede. A GSMA defende que as telecomunicações sejam reconhecidas como infraestruturas nacionais críticas e integradas de forma prioritária nos grandes programas energéticos. A Associação estima que uma melhor alimentação eléctrica reduziria para metade (de 20 para 10 mil milhões de dólares) o investimento necessário para levar a cobertura 4G a 99,5% da população.

“Existe uma sinergia evidente entre o acesso aos serviços digitais e o acesso à energia no Senegal. O Pacto Energético do Governo senegalês, adotado no âmbito da Missão 300, prevê acesso universal à energia até 2029. A eletricidade, sendo um pré-requisito para o desenvolvimento dos serviços digitais, deve ter esforços coordenados, especialmente nas zonas não abrangidas por ambos os serviços e nos polos regionais em crescimento”, declarou Jana Kunicova, directora sectorial do digital para a África Ocidental e Central no Banco Mundial.

Agir rápida e eficazmente

Se todas as recomendações forem implementadas — política de espectro mais previsível, fiscalidade reduzida, apoio a smartphones acessíveis, fortalecimento das competências digitais e aceleração dos serviços públicos online — o Senegal poderá colher até 2030 um verdadeiro dividendo digital. As projeções da GSMA indicam 2,6 milhões de novos utilizadores de internet móvel, totalizando 13,1 milhões de pessoas (60% da população, 94% dos adultos); um ganho de 1.100 mil milhões de FCFA de valor acrescentado proveniente do impacto do digital em setores como agricultura, indústria, transportes, comércio, saúde e serviços públicos; e a criação de cerca de 280.000 empregos, apoiando a meta governamental de 350.000.

Resta uma questão política: conseguirá o Senegal alinhar rapidamente a sua fiscalidade, o seu quadro regulatório e a sua estratégia energética com a ambição do New Deal Tecnológico 2034? O país possui vantagens indiscutíveis: infraestruturas 4G avançadas, ecossistema mobile money dinâmico e visão estratégica clara. Mas, sem decisões fortes para remover os obstáculos identificados, existe o risco de aprofundar o fosso entre o discurso de “nação digital líder” e a realidade diária dos utilizadores, muitos ainda à margem do digital. Para a GSMA, a bola está agora no campo do Estado e do regulador: cabe-lhes transformar a oportunidade em realidade e fazer do mobile o motor — e não apenas o reflexo — da transformação económica do Senegal.

Para Alioune Sall, Ministro da Comunicação, Telecomunicações e Digital, “este relatório representa uma contribuição significativa para a reflexão nacional. Não substitui uma visão, mas ilumina, contextualiza e, por vezes, questiona com a rigorosidade das análises […] Este relatório contribui para reforçar uma dinâmica colectiva, convidando-nos a continuar os nossos esforços, consolidar as nossas conquistas e agir com lucidez na identificação das prioridades a curto, médio e longo prazo.”

Muriel Edjo

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Além dos esforços das autoridades para acelerar a transformação digital no país, o setor privado, através das empresas tecnológicas e das start-ups, também está empenhado nesse objetivo. A start-up Yassir recorre agora à empresa chinesa Huawei para apoiar o seu crescimento.

A filial argelina do grupo tecnológico chinês Huawei anunciou, no domingo, 7 de dezembro de 2025, uma parceria com a start-up Yassir. O objetivo é criar tecnologias adaptadas às necessidades do mercado argelino, acelerando ao mesmo tempo a modernização dos serviços digitais.

Concretamente, esta parceria incide sobre o desenvolvimento de soluções locais em áreas-chave como cloud computing, inteligência artificial (IA), infraestruturas de servidores, mobilidade digital e serviços de pagamento móvel. Enquadra-se num contexto em que a Argélia procura reduzir a sua dependência de soluções importadas e estruturar um ecossistema tecnológico mais autónomo.

Ao combinar a capacidade industrial e tecnológica da Huawei com a forte implantação local da Yassir, os dois parceiros ambicionam estimular a inovação, favorecer o surgimento de start-ups e apoiar o desenvolvimento de competências digitais.

Para as autoridades e os atores do setor, esta cooperação representa um instrumento estratégico para melhorar os serviços digitais, facilitar os pagamentos eletrónicos e reforçar a infraestrutura tecnológica do país nos setores dos transportes, do comércio eletrónico e da administração.

Adoni Conrad Quenum

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O Orange Digital Center tem investido nos últimos anos no apoio aos jovens da Costa do Marfim e aos seus projetos, oferecendo-lhes assistência técnica para desenvolver as suas soluções e ajudá-los a criar as suas próprias start-ups. O objetivo este ano é estimular a criatividade e valorizar a inovação.

Na sexta-feira, 5 de dezembro de 2025, realizou-se em Abidjan, na Costa do Marfim, a quinta edição do Orange Summer Challenge CI, um programa anual de inovação promovido pelo Orange Digital Center, reunindo jovens talentos do setor digital para desenvolver soluções úteis.

A edição deste ano teve como tema: «Que soluções podem ser criadas para o bem-estar da população», com o objetivo de estimular a criatividade e valorizar a inovação.

Quatro equipas, compostas por jovens estudantes provenientes de universidades e grandes escolas da Costa do Marfim, apresentaram os seus projetos, abordando desafios ligados ao desenvolvimento sustentável, agricultura sustentável e transição verde.

O PL’Power, uma solução inovadora marfinense que converte resíduos plásticos em eletricidade através de um sistema autónomo e conectado de pirólise, conquistou o primeiro prémio. A equipa, denominada StarTech, recebeu um prémio de 4 500 000 FCFA (cerca de 8 000 USD) e terá a oportunidade de participar numa competição internacional. Três outras equipas receberam prémios entre 1 700 000 e 2 500 000 FCFA.

«O nosso desafio hoje é o desenvolvimento sustentável: como reciclar materiais não degradáveis, como otimizar os recursos de que dispomos, dentro ou à nossa volta, para gerar energia e contribuir para a preservação dos nossos recursos, proteger a Terra, ter um ecossistema mais saudável […] para a nossa saúde, o nosso bem-estar e para a geração futura», declarou Latifa Diack, diretora-geral do Orange Digital Center.

O Orange Summer Challenge insere-se nas ações do governo marfinense destinadas a promover e apoiar as start-ups e a juventude, através de um projeto de lei que prevê a promoção das start-ups digitais, o acesso a financiamento e a construção de campeões nacionais.

Recorde-se que o Orange Digital Center tem investido nos últimos anos no apoio aos jovens da Costa do Marfim e aos seus projetos, oferecendo assistência técnica para desenvolver as suas soluções e ajudá-los a criar as suas próprias start-ups.

Lydie Mobio

 

 

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As autoridades gabonesas multiplicam os esforços para acelerar a integração das TIC, percebidas como um motor essencial para o desenvolvimento socioeconómico. Esta transformação digital abrange todos os setores da economia, incluindo a educação.

O governo gabonês lançou na quarta-feira, 3 de dezembro, a fase piloto do programa

«Escola Conectada» em dois liceus em Libreville e Oyem. A iniciativa, realizada em parceria com a Huawei e a Moov Africa Gabon Telecom, abre caminho à criação de uma rede nacional de escolas conectadas, onde as barreiras geográficas deixam de limitar o acesso a um ensino de qualidade.

As escolas conectadas são o Liceu Léon Mba em Libreville e o Liceu Público de Oyem. Cada um foi equipado com um ecrã inteligente de última geração, com sistema de captura audiovisual em alta definição, plataforma colaborativa segura e ligação de alta velocidade. Estes ecrãs permitem a transmissão em tempo real das aulas, projeção de conteúdos pedagógicos interativos, sessões de perguntas e respostas instantâneas entre professores e alunos dos dois locais, gravação das aulas para revisão e estudo, bem como acesso a recursos digitais integrados.

Esta iniciativa surge num contexto em que o governo gabonês «faz do digital um instrumento indispensável para modernizar a educação, reduzir as desigualdades e oferecer novas oportunidades à juventude gabonesa». Em julho passado, as autoridades gabonesas encontraram-se com os dirigentes do projeto Giga, promovido pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) e pelo UNICEF, que visa conectar todas as escolas do mundo à Internet. Desde 2022, o Gabão já havia manifestado o seu compromisso com esta iniciativa, com a ambição de conectar 90 % das suas escolas até 2026.

Em janeiro, o governo adotou uma ordem que institui a digitalização do ensino, no âmbito de uma estratégia de integração progressiva do digital nas práticas pedagógicas. Esta ação prolonga um acordo assinado em outubro de 2024 entre os ministérios da Economia Digital e da Educação Nacional, visando o desenvolvimento de infraestruturas digitais em colégios e liceus, incluindo zonas remotas. O executivo também se aproximou de parceiros como o Banco Mundial e o YouScribe para promover o ensino híbrido, a criação de um portal digital dedicado à educação e a implementação de bibliotecas digitais.

Se a UNESCO reconhece o potencial das TIC para melhorar a educação, os esforços do governo levantam várias questões, nomeadamente a disponibilidade de infraestruturas digitais em todos os países. A UNESCO considera que os investimentos em infraestruturas digitais, a acessibilidade financeira dos equipamentos e a expansão da conectividade à Internet nas zonas rurais e marginalizadas são essenciais para garantir um acesso equitativo a um ensino enriquecido pela tecnologia.

Isaac K. Kassouwi

 

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Enquanto as matrículas no pré-escolar avançam, a Guiné implementa reformas para garantir uma melhor qualidade nos primeiros anos de aprendizagem e preparar as competências das futuras gerações.

Na Guiné, realizou-se de quarta-feira, 3, a quinta-feira, 4 de dezembro, um atelier de validação dos textos regulamentares que enquadram o pré-escolar, na Escola Normal de Professores (ENI) de Kindia. O atelier, organizado pelo Ministério do Ensino Pré-Universitário e da Alfabetização (MEPUA) através da Direção Nacional de Educação Pré-Escolar, reuniu vários atores nacionais e parceiros internacionais. O objetivo é estabelecer normas e padrões de qualidade num setor até agora pouco regulamentado.

Durante estes dois dias, os participantes examinaram e validaram vários documentos essenciais. Foi adotado um texto que define a organização e o funcionamento das instituições pré-escolares, uma portaria que estabelece os papéis e responsabilidades do pessoal de supervisão, bem como o documento que fixa os padrões e normas de qualidade do pré-escolar na Guiné. Estes textos foram elaborados e revistos entre 13 e 20 de novembro de 2025. Segundo o comunicado oficial, esta iniciativa visa promover uma cultura de qualidade num sub‑setor fundamental para o desenvolvimento das crianças e a formação do capital humano nacional.

Esta iniciativa surge num contexto em que vários relatórios mostram que a educação pré-escolar continua muito limitada na Guiné. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), apenas 19 % das crianças guineenses frequentam uma instituição pré-escolar. Na sub-região, o Banco Mundial indica que apenas 28 % das crianças beneficiam de um programa de primeira infância, bem abaixo da média mundial de 58 % para os países de rendimento médio inferior.

A estes desafios somam-se infraestruturas frequentemente inadequadas e fortes disparidades geográficas. A ausência de um ensino pré-escolar generalizado faz com que muitas crianças comecem o ensino primário sem preparação, aumentando o risco de abandono ou insucesso escolar.

Félicien Houindo Lokossou

 

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