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Vários países africanos estão a adotar medidas de regulação das redes sociais. No Gabão, o regulador anunciou, a 17 de fevereiro, a suspensão imediata do acesso às redes sociais em todo o território.

O Presidente da República Democrática do Congo (RDC), Félix Tshisekedi, instruiu o governo a reforçar o enquadramento das redes sociais para prevenir abusos. A diretiva foi dada durante a 80.ª reunião ordinária do Conselho de Ministros, realizada na sexta-feira, 27 de fevereiro, em Kinshasa.

O Chefe de Estado incumbiu o Ministro de Estado, Ministro da Justiça e Guardião dos Selos, bem como o Ministro da Economia Digital, de propor e implementar, em coordenação com os serviços competentes, medidas destinadas a promover um uso responsável, ético e racional das redes sociais. Estas medidas poderão incluir, se necessário, “medidas restritivas proporcionadas e conformes à lei, respeitando sempre as liberdades fundamentais”, segundo o relatório apresentado por Augustin Kibassa Maliba, Ministro da Economia Digital.

Esta decisão surge num contexto de crescente adoção das redes sociais, paralelamente à expansão dos serviços de telecomunicações, nomeadamente da Internet. De acordo com a plataforma de dados DataReportal, o número de utilizadores de Internet passou de 21,14 milhões em 2021 para 34,7 milhões no início de 2026, um aumento de 64,1 %, com uma taxa de penetração estimada em 30,5 %. No mesmo período, o número de utilizadores de redes sociais subiu de 4 milhões para 10,4 milhões.

As autoridades congolesas consideram que “longe de servir exclusivamente fins positivos, as redes sociais constituem cada vez mais vetores de desinformação, distúrbios à ordem pública, discursos de ódio, manipulação da opinião e incitamento à divisão entre os congoleses, afetando assim a coesão nacional, a ordem pública e a estabilidade social”.

Além disso, esta decisão ocorre num contexto marcado por desafios de segurança persistentes em várias províncias do país, sendo a questão da segurança um dos temas mais debatidos nas redes sociais.

Divulgar e aplicar o Código do Digital

No centro da comunicação presidencial está a necessidade de divulgar e aplicar o Código do Digital, adotado para regulamentar o uso das plataformas digitais na RDC. Segundo o Chefe de Estado, este instrumento jurídico prevê mecanismos de prevenção, regulação e repressão de abusos online, mas permanece pouco conhecido e aplicado, tanto pelo público quanto por alguns atores institucionais.

A divulgação do Código do Digital não se dirigirá apenas aos cidadãos. O Ministro da Comunicação e dos Media foi incumbido, em colaboração com operadores públicos e privados, de garantir uma sensibilização contínua do público através de campanhas educativas. Os magistrados também deverão ser alvo destas ações, sob coordenação do Conselho Superior da Magistratura, para assegurar uma aplicação coerente e dissuasiva das disposições previstas.

Para além das medidas regulatórias, o executivo aposta na educação. Os Ministérios da Educação Nacional e do Ensino Superior foram chamados a integrar progressivamente módulos de formação e sensibilização sobre o uso responsável do digital nos programas escolares. As questões relacionadas com redes sociais e inteligência artificial deverão ser incluídas na formação dos jovens.

Um relatório detalhado sobre a execução de todas estas instruções, indicando as ações realizadas, os resultados obtidos e eventuais dificuldades encontradas, deverá ser apresentado pelos ministros competentes a cada quinze dias, permitindo o acompanhamento e avaliação. Contudo, importa sublinhar que as disposições precisas de implementação permanecem, até ao momento, desconhecidas.

Isaac K. Kassouwi

 

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Após ter obtido luz verde regulatória na Nigéria para os seus serviços por satélite, a Amazon acelera o seu desenvolvimento em África. O grupo visa agora as zonas rurais menos servidas, com uma oferta destinada a alargar o acesso à Internet e a apoiar a inclusão digital.

A iniciativa satelital da Amazon continua a expandir-se em África. O grupo norte-americano oficializou, na quinta-feira, 26 de fevereiro, uma parceria com a Vanu para alargar a conectividade à Internet nas zonas rurais através da sua rede de satélites em órbita baixa Amazon Leo, um acordo já anunciado em novembro de 2025 pela Vanu. O dispositivo visa prioritariamente as regiões onde as infraestruturas terrestres permanecem insuficientes ou economicamente inviáveis.

O acordo prevê a utilização da constelação de satélites da Amazon como solução de backhaul para as redes móveis implementadas pela Vanu. Concretamente, o operador tecnológico poderá instalar estações de telecomunicações em zonas isoladas sem depender de ligações terrestres dispendiosas. O lançamento do serviço deverá começar na África do Sul, antes de uma expansão gradual para outros mercados africanos.

Esta iniciativa surge num contexto de défice estrutural de conectividade no continente. Segundo dados do setor, várias centenas de milhões de africanos continuam sem acesso fiável à Internet, um atraso particularmente acentuado nas zonas rurais. No espaço da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), quase um quarto do território permanece fora de cobertura de rede, embora estas áreas acolham cerca de 40% da população regional.

Os sistemas satelitais em órbita baixa surgem assim como uma solução complementar às redes terrestres. Um estudo da consultora Access Partnership estima que a integração de constelações NGSO no ecossistema de conectividade da SADC poderá gerar até 16,9 mil milhões de dólares de benefícios económicos anuais, ao mesmo tempo que reduziria os custos de infraestrutura para os operadores em pelo menos 10,3 mil milhões de dólares.

Para além do acesso à Internet, a expansão da conectividade por satélite poderá apoiar vários setores económicos. Os usos relacionados com a Internet das Coisas, especialmente na logística e no transporte, poderão gerar cerca de 5,4 mil milhões de dólares em poupanças até 2030, segundo a consultora Ken Research, enquanto os sistemas de alerta precoce para a gestão de catástrofes naturais ofereceriam ganhos económicos estimados em mais de mil milhões de dólares.

O anúncio insere-se na crescente importância das soluções satelitais em África, um segmento estratégico na corrida à conectividade universal. Já autorizada a operar em alguns mercados do continente, nomeadamente na Nigéria, a Amazon junta-se a um ecossistema em que a conectividade via satélite é cada vez mais considerada como um motor de inclusão digital e desenvolvimento económico, sobretudo em territórios com baixa densidade populacional.

Samira Njoya

 

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Na África, o desdobramento da 5G está a avançar rapidamente, sendo visto como um catalisador para a transformação digital. Em meados de 2025, 48 operadores em 21 países já estavam a oferecer a tecnologia, de acordo com dados da Agência Ecofin.

O governo do Gana tem como meta expandir a cobertura da 5G para 70% da população até março de 2027. Este objetivo foi revelado esta semana, apesar de a tecnologia móvel de quinta geração ainda não ter sido comercializada no país.

A declaração foi feita na quarta-feira por Sam Nartey George, ministro das Comunicações, Tecnologias Digitais e Inovação, durante as celebrações do 30º aniversário da National Communications Authority (NCA), o regulador de telecomunicações nacional. Esta meta simboliza uma fase preparatória para o 70º aniversário da independência do Gana, a ser comemorado em 6 de março de 2027.

Desafios e Investimentos Necessários

George reconheceu que a meta é desafiadora, pois o prazo para alcançar os 70% de cobertura em apenas um ano é apertado. No entanto, expressou confiança na capacidade do regulador para alcançar essa meta. "É uma ambição exigente, mas tenho plena confiança na resiliência e nas competências das equipes que lideram a NCA", afirmou. Para atingir este objetivo, será necessário um desdobramento rápido das redes, expansão das infraestruturas e investimentos significativos em capital.

Segundo uma pesquisa de 2022 realizada pela Ericsson, o custo básico de desdobramento da 5G em um país varia entre 3 e 8 bilhões de dólares. Além disso, a empresa sueca estima que um investimento adicional de 20 a 35% seja necessário para expandir a cobertura da rede.

Abordagem Híbrida para o Desdobramento da 5G

O governo do Gana optou por uma abordagem híbrida para o desdobramento e a exploração da 5G. George afirmou que "a decisão foi tomada para retirar o mandato de exclusividade dado ao único detentor da licença e colocar as frequências disponíveis no mercado através de um processo nacional de licitação concorrencial, permitindo que os operadores de redes liderem o desdobramento da tecnologia 5G."

Essa decisão não anula o modelo atacado em vigor até então, mas oferece várias opções aos operadores do mercado. Agora, os operadores de telecomunicações ganeses poderão adquirir licenças e espectro para desenvolver sua própria rede 5G.

Modelos de Desdobramento e Enfrentando Atrasos

Inicialmente, o Gana optou por uma rede neutra compartilhada, em vez de realizar leilões tradicionais. O objetivo era garantir a disponibilidade rápida e nacional da 5G, incluindo em áreas rurais. Segundo as autoridades, o modelo tradicional de leilões traria o risco de o desdobramento da rede ficar concentrado nas grandes cidades e na capital.

Em maio de 2024, a Next-Gen InfraCo (NGIC), uma empresa de infraestruturas compartilhadas e neutras, foi criada para fornecer as capacidades 5G aos operadores de telecomunicações. Esta empresa recebeu uma licença exclusiva de dez anos.

No entanto, a disponibilidade comercial da 5G foi adiada várias vezes: inicialmente prevista para setembro, depois para dezembro de 2024, e depois para janeiro, maio e finalmente junho de 2025. Embora um evento de lançamento tenha ocorrido em novembro de 2024, a comercialização da 5G para assinantes ainda não foi ativada.

Diante desses atrasos, a NGIC recebeu um ultimato até o final de 2025. A empresa deve desdobrar pelo menos 50 sites 5G em Accra e Kumasi até o final do ano, em comparação com apenas 16 sites em julho, segundo as autoridades. Se o compromisso não for cumprido, o ministério realizará uma revisão imediata e poderá renegociar os termos da licença.

Quando a 5G Comercial Estará Disponível no Gana?

Atualmente, o calendário de disponibilidade comercial da 5G para os cidadãos ganeses permanece incerto. Em uma entrevista à rádio Joy FM, o diretor-geral da NCA, Edmund Yirenkyi Fianko, indicou que a tecnologia será acessível até o final de 2026.

Fianko disse que, segundo as últimas verificações, a NGIC já concluiu o desdobramento da rede na cidade de Accra e está pronta para conectar os operadores de telecomunicações, permitindo que eles forneçam os serviços aos consumidores. Esta etapa é considerada como um pré-requisito essencial para a abertura comercial da 5G no país.

Isaac K. Kassouwi

 

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Para reduzir as desigualdades no acesso à internet, a África aposta cada vez mais em redes Wi‑Fi comunitárias. Implantadas a baixo custo em áreas urbanas e rurais, essas redes locais ampliam o acesso ao digital, mas trazem consigo novos desafios econômicos, técnicos e regulatórios.

Na África, o acesso à internet tem avançado, mas permanece profundamente desigual. Segundo a União Internacional de Telecomunicações, cerca de 36% da população africana estava conectada à internet em 2025, contra quase 74% no nível global. Ao mesmo tempo, cerca de 900 milhões de pessoas permanecem offline, principalmente nas zonas rurais. Frente às limitações estruturais das infraestruturas terrestres, um modelo tem se tornado mais relevante: o Wi‑Fi comunitário via satélite. Mais flexível para implantação e menos dependente de redes físicas, ele se apresenta como uma solução capaz de expandir rapidamente a conectividade nas áreas mal atendidas, além de transformar a economia das redes locais.

Um Modelo Comunitário Amplificado pelo Satélite

O Wi‑Fi comunitário baseia-se em uma arquitetura descentralizada, onde uma conexão principal alimenta uma rede local de pontos de acesso compartilhados instalados em um determinado perímetro. Quando ele utiliza uma ligação via satélite, esse modelo ganha uma nova escala. Um único terminal pode cobrir até 200 metros e atender até 40 usuários simultaneamente.

Ao contrário do que é amplamente percebido, o acesso não é normalmente gratuito. Os usuários compram pacotes adaptados às suas necessidades (volume de dados, duração ou nível de serviço) por meio de plataformas locais ou revendedores comunitários. Esse mecanismo permite a cobrança compartilhada da banda larga, ao mesmo tempo em que garante uma base de receitas para a operação da rede.

No plano técnico, uma ligação via satélite compartilhada fornece entre 50 e 100 Mbps de capacidade, com uma latência entre 20 e 50 milissegundos para as constelações em órbita baixa, comparado com mais de 600 milissegundos para satélites geostacionários tradicionais. Uma estação de usuário via satélite custa entre 300 e 600 dólares, sem contar com a assinatura mensal, que pode variar entre 20 e 100 dólares, dependendo do desempenho e dos mercados.

Uma Solução Adaptada às Limitações de Infraestrutura

O principal atrativo do satélite reside em sua capacidade de contornar as limitações das redes terrestres. Em muitas regiões africanas, a expansão da fibra ótica continua sendo cara e complexa: o custo de implantação em áreas rurais pode variar entre 5.000 e 15.000 dólares por quilômetro, dependendo do relevo e das condições de segurança. Nesse contexto, a conectividade via satélite permite uma implantação rápida, independente do relevo, da densidade populacional ou da continuidade das infraestruturas físicas.

Essa dinâmica é fortalecida pela chegada de novos operadores de satélite e pela diversificação dos modelos de distribuição. Fornecedores como Starlink, Eutelsat Group, OneWeb, YahClick, Viasat ou Avanti Communications fornecem atualmente capacidade de satélite utilizada como a espinha dorsal da conectividade local por operadores africanos, ONGs ou integradores técnicos. Atores regionais como Liquid Intelligent Technologies e Paratus Group também estão desenvolvendo modelos híbridos que combinam fibra e satélite para alimentar redes comunitárias.

Nessa configuração, o satélite não substitui as infraestruturas terrestres, mas transforma a economia dessas infraestruturas ao reduzir o custo marginal da expansão da conectividade.

Um Impulsionador da Inclusão Econômica Territorial

A principal vantagem do Wi‑Fi comunitário via satélite é sua capacidade de reduzir o custo real de acesso em áreas onde as alternativas são limitadas. No continente, 1 GB de dados móveis representa em média 2,4% da renda mensal, um nível acima do limite de acessibilidade de 2%. Ao compartilhar a banda larga entre múltiplos usuários, as redes comunitárias podem reduzir esse custo efetivo para menos de 1% da renda mensal em alguns contextos rurais.

Além do acesso individual, essas redes favorecem o surgimento de atividades econômicas digitais locais, sustentam a desmaterialização dos serviços públicos e contribuem para a integração das regiões periféricas na economia digital. A expansão da internet móvel pode gerar até 795 bilhões de dólares de contribuição econômica na África até 2030, caso o acesso continue se expandindo, segundo a GSMA.

Desafios Persistentes de Viabilidade e Regulação

Apesar de seu grande potencial, as redes comunitárias via satélite ainda enfrentam várias limitações estruturais. O custo da capacidade de satélite geralmente é mais alto do que o das infraestruturas terrestres quando estas existem, o que impõe a necessidade de modelos econômicos híbridos, que combinam tarifação local, parcerias institucionais e financiamentos complementares.

Os quadros regulatórios são outro fator determinante: a atribuição de licenças, a gestão do espectro, as exigências de soberania digital e a regulação dos serviços de satélite afetam diretamente a velocidade de expansão dessas soluções. Além disso, a gestão técnica e a manutenção exigem competências especializadas, que ainda são limitadas em várias regiões alvo.

Rumo a um Modelo de Conectividade Mais Adaptável

Durante muito tempo visto como uma solução local frágil, o Wi‑Fi comunitário tem evoluído com a integração do satélite. Ao proporcionar mais flexibilidade na implantação, capacidade e tarifação, a conectividade via satélite permite que as redes comunitárias se tornem infraestruturas digitais adaptáveis às realidades territoriais africanas.

Mais do que uma simples ferramenta de acesso, o satélite agora aparece como um impulsionador da otimização do modelo de conectividade local, capaz de aproximar de forma sustentável a internet das populações e das atividades econômicas ainda afastadas dela.

Samira Njoya

 

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Revelado em março de 2025, o projeto BRIDGE tem como objetivo reduzir a lacuna digital na Nigéria, oferecendo acesso expandido e acessível à internet de alta velocidade para as comunidades que até então estavam excluídas ou mal atendidas.

A Nigéria receberá um investimento de 100 milhões de dólares do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD) para financiar o projeto Building Resilient Digital Infrastructure for Growth (BRIDGE), um vasto programa de expansão da fibra ótica.

O ministro nigeriano das Comunicações, Inovação e Economia Digital, Bosun Tijani (foto), confirmou essa informação na quarta-feira, 25 de fevereiro, através de sua conta no X (antigo Twitter). Ele detalhou que esse investimento é resultado de uma missão de investimentos de duas semanas em seis países, com o objetivo de estabelecer parcerias estratégicas. Esse investimento segue após a aprovação de um financiamento de 500 milhões de dólares pela Banco Mundial para o mesmo projeto.

Lançado pelo governo nigeriano em março de 2025, o BRIDGE visa reduzir a lacuna digital do país, garantindo um acesso mais amplo e acessível à internet de alta velocidade para as populações desatendidas ou mal cobertas. O projeto prevê o implantação de mais de 90.000 quilômetros de cabos de fibra ótica, expandindo a rede nacional de 35.000 para 125.000 quilômetros.

Com um custo global estimado de 2 bilhões de dólares, a iniciativa será financiada por investidores privados, com o apoio do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), do Banco Europeu de Investimentos (BEI) e do Banco Islâmico de Desenvolvimento (BID).

Com esse projeto, o governo nigeriano pretende melhorar substancialmente "a velocidade e a confiabilidade da internet, aumentando a taxa de penetração da internet para mais de 70%, permitindo que milhões de lares, empresas, escolas e hospitais tenham acesso".

O programa também deverá gerar 20.000 empregos diretos e mais de 150.000 empregos indiretos, além de apoiar o crescimento da economia digital nigeriana. De acordo com as projeções, o projeto pode resultar em um aumento do PIB per capita de 1,5%, elevando o PIB da Nigéria de 472,62 bilhões de dólares para cerca de 502 bilhões de dólares em quatro anos.

Além desse investimento da BERD, Tijani informou que a União Europeia pretende investir 45 milhões de euros (53 milhões de dólares) na economia digital, dos quais 22 milhões de euros serão direcionados para o projeto BRIDGE, 18 milhões para serviços públicos digitais e 5 milhões para o programa 3MTT Nigéria.

Lydie Mobio

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A inovação financeira móvel contribuiu de maneira significativa para melhorar o nível de inclusão financeira na África ao longo dos últimos dez anos. Este é um setor em que a concorrência continua a crescer, beneficiando uma grande parte da população ainda excluída do sistema bancário tradicional.

O grupo de telecomunicações pan-africano Axian ampliou sua oferta financeira móvel nas Comores. A empresa anunciou na terça-feira, 24 de fevereiro, que obteve uma licença de instituição financeira digital descentralizada (IFDD) do Banco Central das Comores (BCC). Esta autorização abre caminho para a criação de uma estrutura regulada, 100% digital, operando sob um quadro prudencial e supervisionado, para oferecer serviços financeiros diretamente via celular.

Essa nova entidade operará em paralelo ao MVola, a solução de Mobile Money já implantada pela Axian no arquipélago. Erwan Gelebart, presidente e CEO do Axian Digibank & Fintech Cluster, destacou que "esta licença marca um passo decisivo na ambição da Axian de construir ecossistemas financeiros inclusivos e sustentáveis nas Comores e em todos os nossos mercados. Ela reforça nossas atividades de banco digital e fintech, e amplifica o impacto do Mixx e do MVola, permitindo que os serviços financeiros regulamentados completem nossas capacidades existentes de finanças móveis."

A nova entidade oferecerá soluções de crédito digitais, incluindo nanoempréstimos e microcréditos, com decisão e desembolso quase instantâneos. A ambição é oferecer serviços concretos, como financiamento de capital de giro, acesso à saúde, apoio à educação ou atividades informais, independentemente da localização geográfica dos usuários.

Serviço relevante para a realidade local

Em um arquipélago onde ir a uma agência bancária pode significar uma viagem entre as ilhas, o argumento de proximidade é central. "Concretamente, isso significa que um indivíduo ou agricultor em Anjouan poderá acessar um microcrédito diretamente de seu celular, sem precisar se deslocar até uma agência bancária", explicou Erwan Gelebart.

Esta novidade ocorre em um país onde o acesso aos serviços financeiros bancários ainda é limitado. Apesar do progresso registrado nos últimos cinco anos, o último relatório anual do Banco Central das Comores indica que a taxa de bancarização global (bancos e instituições financeiras descentralizadas) permanece abaixo de 40%, ficando em 39,23% em 2024. Foi nesse contexto que o MVola se estabeleceu no país em 2019, se unindo ao Holo Money, solução do Banco de Desenvolvimento das Comores (BDC), no segmento de transferências de dinheiro e pagamentos móveis. A Axian contribuiu assim para aumentar a taxa de inclusão financeira, definida como a porcentagem da população adulta com pelo menos uma conta bancária, de microfinanças ou com um operador de moeda eletrônica, que subiu para 49,20% em 2024. Graças ao aumento da concorrência, com a chegada do Huri Money da Comores Telecom em 2021, o Banco Central agora projeta uma taxa de inclusão financeira de 75% até 2030.

Com esta nova empresa, o grupo Axian eleva ainda mais o nível de concorrência no segmento de fintechs, enquanto se posiciona como um ator inovador nos serviços financeiros, com grande valor agregado. As Comores representam um verdadeiro teste, cujo sucesso poderá resultar na expansão do novo serviço para outros mercados do grupo na África, como Madagascar, Senegal, Togo e Tanzânia.

Muriel EDJO

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Diante das desigualdades persistentes no acesso à educação e das turmas superlotadas, uma iniciativa internacional pretende fornecer apoio material ao Chade para melhorar as condições de aprendizagem das crianças do ensino primário.

O Centro Rei Salman, uma organização saudita de ajuda humanitária e desenvolvimento social, lançou na quarta-feira, 25 de fevereiro, em N'Djamena, um projeto ambicioso para apoiar a educação primária no Chade. Segundo a imprensa local, a iniciativa beneficiará 23.000 alunos, distribuídos em oito províncias, incluindo Lac, Kanem e Hadjer-Lamis. A cerimônia de inauguração ocorreu na escola primária de Arola, na capital, com a presença do Ministro da Educação Nacional, Aboubakar Assidik Choroma, e de um representante da embaixada da Arábia Saudita.

A implementação do projeto está a cargo da Organização para a Promoção do Ensino no Chade (OPET). O programa inclui a distribuição de carteiras escolares coletivas, bem como kits contendo cadernos, canetas, instrumentos de geometria e uniformes. De acordo com os organizadores, 41 escolas primárias serão beneficiadas, com o objetivo de melhorar as condições de aprendizagem de milhares de alunos em todo o país.

Para Mahamat Djibrine, delegado provincial da educação em N'Djamena 1, este projeto marca “uma nova era para a educação no Chade” e abre o caminho para “a construção das gerações do amanhã”.

A iniciativa surge em um contexto de grave crise de aprendizagem. Segundo o Banco Mundial, em 2022, 94% das crianças chadianas não conseguem ler e compreender um texto adequado à sua idade aos 10 anos. A UNESCO também estima que 90% dos alunos do ensino primário apresentem um baixo nível de aprendizagem. As taxas de conclusão permanecem baixas, alcançando 38% para as meninas e 49% para os meninos.

Essas fragilidades impactam o potencial econômico do país. De acordo com o Banco Mundial, o capital humano representa apenas 42% da riqueza nacional, refletindo um investimento ainda insuficiente em educação e formação. Um relatório publicado em 2024 pelo UNICEF destaca, além disso, que muitas escolas carecem de mobiliário adequado, de acesso à água potável e de sanitários funcionais, fatores que contribuem para a evasão escolar e limitam o desempenho dos alunos.

Félicien Houindo Lokossou

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A empresa panafricana, especializada em soluções digitais, iniciou um programa de redução de dívida desde junho de 2024. Está a firmar vários acordos e parcerias financeiras para concretizar sua ambição de se tornar o principal fornecedor de soluções digitais no continente.

A Liquid Intelligent Technologies, subsidiária da Cassava Technologies, deu um novo passo na sua reestruturação financeira. O grupo panafricano de soluções digitais anunciou, na quarta-feira, 25 de fevereiro, que reembolsou integralmente o seu empréstimo de prazo fixo em rand sul-africano (ZAR), bem como a sua linha de crédito renovável em dólares (RCF), no valor de 220 milhões de dólares, ao mesmo tempo que garantiu 410 milhões de dólares em novas facilidades de crédito em ZAR e USD.

De acordo com o grupo Cassava Technologies, empresa-mãe da Liquid Intelligent Technologies, esses novos financiamentos provêm de um sindicato de credores comerciais e de instituições de financiamento do desenvolvimento. Em paralelo, a Cassava reforça a tesouraria da Liquid com uma injeção de capital fresco no valor de 195 milhões de dólares. Esta operação dupla — refinanciamento da dívida e aumento de capital — faz parte de uma estratégia mais ampla de redução da dívida, visando a sanear o balanço do grupo e melhorar o seu perfil de maturidade.

Em comunicado, Lorraine Harper, diretora financeira da Liquid, descreveu esses avanços como "etapas-chave" do plano de refinanciamento da dívida, que é estimada em 883 milhões de dólares, uma diminuição com base numa receita de 561,2 milhões de dólares até 30 de novembro de 2025 (nos primeiros nove meses do ano fiscal de 2025). Ela classificou como "um fortalecimento significativo" do balanço. Por sua vez, Hardy Pemhiwa (foto), presidente e CEO do grupo Cassava Technologies, sublinhou o objetivo de redução da dívida e a intenção de alinhar melhor as receitas e passivos do grupo, à medida que se aproxima um importante vencimento de obrigações.

A empresa precisa de substituir uma obrigação existente de 620 milhões de dólares até o seu vencimento em setembro de 2026. "Estamos, portanto, no bom caminho para atingir os nossos principais objetivos de refinanciamento, nomeadamente um perfil de vencimento da dívida mais escalonado, uma melhor correlação entre os nossos lucros e passivos e uma redução significativa do nosso nível global de endividamento", explicou Hardy Pemhiwa.

Mais flexibilidade nos investimentos

Este anúncio insere-se numa sequência iniciada há vários meses. Em novembro de 2025, a Cassava já explicava que tinha empreendido várias transações destinadas a trazer mais de 150 milhões de dólares de capital próprio fresco para a Liquid, como parte do seu plano global de refinanciamento da dívida. Isso inclui 100 milhões de dólares provenientes da venda de uma participação minoritária da Africa Data Center na África do Sul à STANLIB, 25 milhões de dólares recebidos de um investimento de capital pela NVIDIA e 25 milhões de dólares levantados junto dos acionistas existentes da Cassava.

Além dos valores envolvidos, o anúncio transmite uma mensagem ao mercado: a Liquid está a procurar retomar o controlo sobre o seu calendário de dívida iniciado desde junho de 2024, num contexto em que os grupos de telecomunicações e infraestruturas digitais africanos precisam de financiar grandes investimentos, enquanto controlam o custo do capital. A capacidade de mobilizar tanto dívida bancária quanto financiamento de desenvolvimento e capital acionista torna-se um fator determinante para apoiar o crescimento.

Para a Liquid Intelligent Technologies, presente em vários mercados africanos, este refinanciamento pode oferecer mais margem de manobra para continuar as suas ambições em serviços digitais, conectividade, cloud, cibersegurança e data centers. Agora, resta concretizar a operação de emissão de obrigações anunciada e transformar este alívio financeiro em uma vantagem operacional sustentável.

Muriel EDJO

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Em outubro de 2024, as autoridades de Burkina Faso adotaram a iniciativa Faso Mêbo, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento do país por meio, entre outros, das doações dos cidadãos. O Ministério responsável pelas TIC decidiu também contribuir para a iniciativa.

O Ministério de Burkina Faso responsável pelas TIC anunciou na quarta-feira, 25 de fevereiro, a implementação de uma plataforma digital para o Faso Mêbo, uma iniciativa do governo para apoiar o desenvolvimento do país. Chamada Sereya, ela tem como objetivo garantir a gestão e o acompanhamento das contribuições dos cidadãos.

Na prática, Sereya permite rastrear as contribuições, acompanhar os estoques em tempo real, gerar automaticamente relatórios e visualizar o andamento das realizações financiadas. A solução também está interconectada à plataforma nacional de pagamento Faso Arzeka, facilitando a segurança e centralização dos fluxos financeiros relacionados às contribuições.

"Essa realização é fruto do compromisso coletivo de toda a equipe do ministério mobilizada a serviço do interesse público. [...] A tecnologia digital não é apenas uma ferramenta, mas um alavanca de transparência, responsabilidade e confiança entre o Estado e os cidadãos", afirmou Aminata Zerbo/Sabane, Ministra de TIC de Burkina Faso.

Além da ferramenta tecnológica, o projeto reflete a intenção de integrar ainda mais o digital na governança pública. Ao permitir um acompanhamento documentado e verificável das doações, as autoridades buscam fortalecer a confiança entre o Estado e os cidadãos, enquanto melhoram a eficácia operacional da agência Faso Mêbo.

O sucesso da iniciativa dependerá agora da adoção pelos usuários e da sua capacidade de se tornar um referencial para a gestão transparente das contribuições públicas em Burkina Faso.

Adoni Conrad Quenum

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A Angola lançou a comercialização do seu satélite de telecomunicações nacional, AngoSat-2, em janeiro de 2023. Este satélite é utilizado para fornecer conectividade às populações em áreas rurais, bem como a hospitais, escolas, universidades e administrações.

A Tanzânia e o Botswana manifestaram recentemente o seu interesse pelas capacidades do satélite de telecomunicações angolano AngoSat-2, com o objetivo de reforçar as suas infraestruturas de conectividade nacionais. Esta dinâmica confirma o crescente interesse que o satélite nacional angolano está a gerar em África, especialmente na África Oriental e África Austral.

Os dois países expressaram o seu interesse durante o Fórum do Satélite Partilhado da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), realizado em Dar es Salaam, na Tanzânia, de 16 a 20 de fevereiro, segundo o Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN). Comprometeram-se a estudar a viabilidade da implementação desta iniciativa nos seus respectivos países, a participar no ANGOTIC 2026 e a estabelecer parcerias estratégicas no âmbito dos programas espaciais.

No dia 19 de fevereiro, o Quénia também manifestou a sua intenção de adquirir as capacidades oferecidas pelo AngoSat-2, particularmente na banda Ku, para internet de alta velocidade, telefonia móvel, radiodifusão e televisão. Outros países, como a República Democrática do Congo e Zâmbia, também expressaram interesse pelos serviços do satélite.

Satélite: Um Impulsionador de Conectividade em África

Em serviço desde o início de 2023, o AngoSat-2 é um satélite de telecomunicações de alta capacidade (HTS) posicionado em órbita geostacionária. Ele oferece serviços nas bandas C, Ku e Ka, com uma cobertura que abrange todo o continente africano e uma parte da Europa. Permite oferecer conexões de internet de alta velocidade, bem como serviços de televisão e telefonia, incluindo nas zonas sem infraestruturas terrestres.

Em agosto de 2023, a Angola anunciou o início de trabalhos técnicos para permitir que os países da SADC beneficiem dos serviços do satélite. Durante o fórum, o GGPEN apresentou o projeto “Conecta Angola Comercial”, destacando os resultados já alcançados e a sua intenção de expandir a iniciativa para o nível regional. Em Angola, o projeto visa fornecer internet gratuita em áreas remotas onde nenhum operador móvel está presente, aproveitando as capacidades do AngoSat-2. O projeto foca particularmente as instituições públicas, como escolas, hospitais e administrações municipais.

O Crescente Interesse e o Papel das Tecnologias Espaciais

Este crescente interesse pelo satélite nacional angolano está inserido num contexto africano em que as tecnologias espaciais são cada vez mais vistas como um impulsionador para reduzir a fractura digital que ainda existe. A Associação Mundial dos Operadores de Telefone Móvel (GSMA) estima que a conectividade via satélite terá um papel crucial na realização da conectividade universal na África Subsaariana.

“A região abriga algumas das geografias mais difíceis para as redes terrestres, incluindo florestas tropicais, desertos e cadeias de montanhas. Mesmo nas zonas rurais e com pouca população, o custo e a complexidade do desenvolvimento de redes móveis ou fixas convencionais constituem argumentos favoráveis para soluções alternativas de conectividade”, salienta a organização no seu relatório “A Economia do Móvel na África Subsaariana 2024.

De acordo com a União Internacional das Telecomunicações (UIT), cerca de 25 % da população africana não estava coberta pela 4G em 2025, em comparação com cerca de 11 % para a 3G e 6 % para a 2G. Além disso, a GSMA estima que o déficit de cobertura de internet móvel na África seja de 9 %, enquanto a UIT calcula que a taxa de penetração da internet no continente seja de 35,7 %.

Isaac K. Kassouwi

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A Agência Ecofin cobre diariamente as atualidades de 9 setores africanos: gestão pública, finanças, telecomunicações, agro, energia, mineração, transportes, comunicação e formação. Também concebe e opera mídias especializadas, digitais e impressas, em parceria com instituições ou empresas ativas em África.

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