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A fractura digital continua a ser particularmente acentuada na República Democrática do Congo (RDC). A União Internacional das Telecomunicações (UIT) estimava que cerca de 80% da população congolense não utilizava a Internet em 2024.

Na República Democrática do Congo, o Fundo de Desenvolvimento do Serviço Universal (FDSU) revelou, na semana passada, uma estratégia de dez anos destinada a reduzir esta fractura digital. Abrangendo o período 2026-2035, este plano aposta numa abordagem de infraestruturas partilhadas para ligar cerca de 68 milhões de pessoas que vivem em zonas rurais.

A estratégia foi apresentada na quinta-feira, 12 de fevereiro, durante o primeiro encontro do quadro de colaboração setorial. Este reuniu os principais atores públicos e privados do setor das telecomunicações, sob a liderança do diretor-geral do FDSU, Paterne Binene A Kadiat.

O plano prevê um modelo de infraestruturas partilhadas, designado «TowerCo Lead». Os fornecedores de torres (TowerCo), como principais atores, financiam e implementam as infraestruturas passivas (torres, energia, backhaul) em acesso aberto. Os operadores móveis (MNO) instalam os equipamentos ativos nessas torres para fornecer os seus serviços. A Autoridade de Regulação dos Correios e Telecomunicações (ARPTC) assegura a regulação, garantindo a qualidade do serviço e o cumprimento do quadro normativo.

Por sua vez, o FDSU assume um papel estratégico e financeiro: estrutura os mecanismos de subsídio e supervisiona a sua execução. As ajudas são atribuídas, por zona de exploração, aos consórcios formados entre TowerCo e MNO. O território está dividido em cinco zonas operacionais. Foi instituído um mecanismo de compensação para que os locais rentáveis contribuam para o equilíbrio económico das zonas deficitárias, limitando assim a necessidade de subsídios públicos.

Esta iniciativa surge num contexto em que a partilha de infraestruturas de telecomunicações é cada vez mais valorizada como forma de reduzir a fractura digital em África. Na RDC, a Orange e a Vodacom anunciaram a criação de uma joint venture destinada a instalar 2.000 estações-base móveis alimentadas a energia solar em zonas rurais, visando uma cobertura final de 19 milhões de pessoas. Em agosto de 2025, os grupos Vodacom e Airtel Africa anunciaram também a assinatura de um acordo de partilha de infraestruturas de telecomunicações em vários mercados-chave, incluindo a RDC.

Segundo a União Internacional das Telecomunicações (UIT), «a partilha de infraestruturas de serviços móveis é uma solução que permite reduzir o custo de implementação das redes, especialmente em zonas rurais ou em mercados marginais. Esta partilha pode também incentivar a migração para novas tecnologias e o desenvolvimento de banda larga móvel. Além disso, pode reforçar a concorrência entre operadores de serviços móveis e fornecedores de serviços, quando são aplicadas medidas de salvaguarda para impedir comportamentos anticoncorrenciais».

Para referência, as redes 2G, 3G e 4G cobriam, respetivamente, 75%, 55% e 45% da população congolense em 2024, segundo dados da UIT. A organização estimava a taxa de penetração da telefonia móvel em 44,3%, contra 19,7% para a Internet. No final de setembro de 2025, o regulador congolês indicava uma taxa de penetração da telefonia móvel de 65,3%, contra 32,2% para a Internet móvel, numa população de 112,2 milhões de habitantes. Além disso, a GSMA estimava em 40 milhões o número de pessoas não conectadas à Internet móvel na RDC em 2023.

Isaac K. Kassouwi

 

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O desenvolvimento da 5G acelera em África, num contexto de transformação digital acelerada. Em meados de 2025, 48 operadores em 21 países já forneciam a tecnologia, segundo dados da Agência Ecofin.

As autoridades de Cabo Verde estão a preparar o desenvolvimento da tecnologia móvel de quinta geração (5G). Para tal, uma estratégia nacional de implementação foi oficialmente apresentada na quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026.

Segundo o comunicado oficial, esta iniciativa estabelece uma visão clara e progressiva para o desenvolvimento da 5G. Tendo em conta a configuração geográfica, socioeconómica e infraestrutural do arquipélago, a implementação será feita de forma gradual e responsável, começando pelo modelo 5G Non-Standalone (NSA), que se apoia na rede 4G existente.

O plano inclui também a realização de projetos-piloto focados em casos de uso prioritários. «Estes projetos permitirão testar soluções tecnológicas em contextos reais, demonstrar o valor da 5G, estimular a inovação e recolher dados concretos sobre os impactos económicos, sociais e territoriais da tecnologia», indica o comunicado. Acrescenta ainda: «Servirão de base para a expansão gradual da rede e para o ajuste contínuo das políticas públicas associadas».

Vice-PM: à esquerda Olavo Correia, vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças de Cabo Verde, e à direita o secretário de Estado da Economia Digital, Pedro Lopes.

A elaboração deste plano nacional ocorre num contexto em que cada vez mais países africanos se interessam pela tecnologia móvel de última geração, considerada um motor essencial da transformação digital. Esta atenção deve-se às capacidades oferecidas pela 5G, nomeadamente velocidades muito superiores às gerações anteriores, menor latência, conectividade massiva para objetos e maior fiabilidade dos serviços.

Cabo Verde ambiciona “tornar-se uma nação digital para acelerar a sua dinâmica de crescimento e desenvolvimento e tornar-se um país de rendimento elevado no horizonte de uma década”. O Estado pretende integrar as TIC em diversos setores, como educação, saúde, turismo, administração pública, comércio, agricultura e economia azul. Isto permitirá aumentar progressivamente a contribuição do setor das TIC para o PIB, que atualmente é de cerca de 5%.

É importante lembrar, no entanto, que a implementação da 5G requer investimentos significativos. Segundo um estudo publicado em 2022 pela Ericsson, o custo base da implementação da 5G num país é estimado entre 3 e 8 mil milhões de dólares, aos quais se somam 20 a 35% de investimentos adicionais para expandir a cobertura da rede a nível nacional.

Para além das infraestruturas, coloca-se a questão da adoção efetiva da 5G pelas populações. Diversos fatores influenciam, como o custo dos smartphones compatíveis, a acessibilidade dos planos de dados 5G, o nível de competências digitais dos utilizadores, a perceção da relevância dos serviços oferecidos e a qualidade da experiência do cliente.

Isaac K. Kassouwi

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Perante um mercado de trabalho jovem saturado e uma economia digital em forte expansão, as autoridades nigerianas apostam na formação em competências digitais para transformar o emprego e a inovação.

O governo federal da Nigéria, em colaboração com a empresa sueca de telecomunicações Ericsson, lançou o Connect NextGen Innovation Hackathon, um programa intensivo de formação digital de quatro meses destinado a 50.000 jovens, com o objetivo de colmatar lacunas em competências digitais e promover o emprego no setor tecnológico. Segundo a imprensa local, a apresentação oficial decorreu na quarta-feira, 11 de fevereiro, em Abuja, onde o vice-presidente Kashim Shettima classificou a iniciativa como um “plano estratégico para o ecossistema tecnológico nigeriano”.

Concretamente, este hackathon nacional é apresentado como um “canal de inovação”, com candidaturas abertas a estudantes, jovens empreendedores, start-ups e hubs tecnológicos do país. Segundo o representante do vice-presidente durante o evento, Ibrahim Hassan Hadejia, a iniciativa prevê selecionar 50 equipas de alto potencial para um acompanhamento técnico intensivo, após uma fase de mentoria em larga escala. Cerca de dez finalistas serão escolhidos para uma fase de incubação e aceleração, com perspetivas de implementação de soluções digitais comercializáveis.

Os responsáveis explicam que o programa prepara os participantes para tecnologias emergentes como inteligência artificial, computação em nuvem, Internet das Coisas e tecnologias sustentáveis, incentivando também a criação de soluções em setores estratégicos como inclusão digital, cidades inteligentes e agritech. Para Peter Olusoji Ogundele, diretor da Ericsson Nigéria, esta parceria reflete o compromisso da empresa com a transformação digital do país e a transferência de competências, permitindo que a Nigéria “exporte talentos digitais a nível global”.

Esta iniciativa insere-se num contexto em que o desemprego juvenil continua a ser um desafio significativo. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, a taxa de desemprego dos jovens entre 15 e 24 anos atingiu 6,5% em 2025, bem acima da média nacional. Para responder a este desafio, o Estado multiplicou programas destinados a reforçar competências técnicas e digitais, muitas vezes em parceria com o setor privado. Em 2025, apoios financeiros do setor privado permitiram fortalecer o programa de competências técnicas 3MTT (3 Million Technical Talent), que já formou mais de 135.000 jovens em dois anos e gerou oportunidades de emprego bem remuneradas em empresas tecnológicas locais e no estrangeiro, segundo as autoridades.

Paralelamente, uma nova Comissão Nacional de Literacia Digital foi inaugurada no início de 2026, com o objetivo de planear a formação e certificação de um milhão de nigerianos até 2030, no âmbito de um plano nacional que visa atingir 95% de literacia digital até ao final da década.

Félicien Houindo Lokossou

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Os jogos móveis representam 87 % do mercado de gaming africano, embora a quota das consolas e dos PC deva crescer com a melhoria da acessibilidade financeira do equipamento informático e o surgimento de uma classe média mais aberta à cultura do «pay-to-play».

Em África, o mercado dos videojogos gerou mais de 2,29 mil milhões de dólares em receitas em 2025, impulsionado sobretudo pela expansão dos jogos distribuídos através de aplicações móveis, segundo um relatório publicado na terça-feira, 10 de fevereiro, pelo acelerador de estúdios de desenvolvimento de videojogos SpielFabrique e pela Xsolla, empresa especializada em soluções de pagamento para a indústria do gaming.

Intitulado «State of the Industry: African Video Game Report 2026», o relatório indica que este mercado regista uma taxa média de crescimento anual de 12,32 %, um nível significativamente superior ao do mercado global (7,5 %).

Os principais mercados em termos de receitas são o Egito (368 milhões de dólares), a Nigéria (300 milhões), a África do Sul (278 milhões) e o Quénia (46 milhões). Nestes países, como no restante continente, a atividade de gaming concentra-se nos grandes centros urbanos.

O rápido crescimento do mercado africano é impulsionado pelo forte desenvolvimento dos jogos disponíveis em telemóveis, que representam cerca de 87 % da base de jogadores.

Os jogos para PC e consola estão em crescimento, embora sejam menos difundidos do que os acessíveis via telemóvel e estejam amplamente limitados a segmentos urbanos específicos e a jogadores com rendimentos mais elevados. Já a adoção de videojogos em realidade virtual (VR) e realidade aumentada (AR) é atualmente negligenciável no continente. O cloud gaming é o segmento com crescimento mais rápido, com uma taxa média anual estimada em 14 %, oferecendo uma alternativa potencial às experiências tradicionais em consola, embora o seu desenvolvimento permaneça fortemente dependente da disponibilidade de ligações à Internet de qualidade. Esta situação deverá, contudo, evoluir com a melhoria da acessibilidade do equipamento informático e o surgimento de uma classe média mais recetiva à cultura do «pay-to-play».

Desenvolvedores africanos privilegiam mercados internacionais

Os jogos mais populares em África são Candy Crush (10,4 %), PUBG (6 %), FIFA (2,2 %), Dream League Soccer (1,8 %) e Temple Run (1,6 %).

A monetização dos videojogos no continente continua, no entanto, condicionada por dificuldades de pagamento, dado que cerca de 90 % dos africanos não têm acesso a cartão de crédito ou a crédito nas lojas de aplicações.

A Google Play continua a ser a principal plataforma de distribuição de aplicações de jogos no continente. A App Store detém uma quota de mercado menor, mas mantém relevância nos mercados mais maduros, como a África do Sul e o Egito.

O relatório destaca também o surgimento de novos intervenientes na distribuição de jogos móveis em África. Lançada em 2023, a Gara Store posicionou-se, por exemplo, como uma loja digital focada em África, visando inicialmente a África Ocidental francófona antes de se expandir a todo o continente.

Para além destes novos atores, as lojas de aplicações dos fabricantes (OEM – aplicações pré-instaladas ou integradas nos smartphones), como a Huawei AppGallery e a Samsung Galaxy Store, distribuem vários jogos, embora o seu impacto varie consoante os dispositivos e as regiões. A KaiStore, loja do sistema operativo móvel KaiOS, disponibiliza jogos em telemóveis básicos (feature phones), enquanto as lojas de terceiros que distribuem ficheiros APK (Android Package Kit) permanecem fragmentadas e apresentam riscos mais elevados em termos de confiança e segurança.

O relatório observa ainda que o ecossistema africano é amplamente composto por desenvolvedores em fase inicial e semiprofissionais, bem como por um número mais reduzido — mas em crescimento — de estúdios totalmente profissionais. De modo geral, os estúdios africanos privilegiam os mercados internacionais em detrimento dos públicos locais, como forma de reduzir riscos comerciais. Embora esta estratégia prudente tenha permitido alguns sucessos à escala global, também travou o desenvolvimento de narrativas afrocentradas e aumentou a dependência de consumidores estrangeiros para a geração de receitas.

Walid Kéfi

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Com mais de 44 milhões de assinantes, a AXIAN Telecom afirma-se como um ator de relevo nas telecomunicações em África. A empresa multiplica parcerias para apoiar o crescimento dos seus serviços digitais e acelerar o seu desenvolvimento nos mercados onde opera.

O operador panafricano AXIAN Telecom anunciou, a 10 de fevereiro, a assinatura de um protocolo de acordo estratégico com o grupo chinês Huawei. O acordo, concluído em janeiro em Xangai, visa acompanhar a modernização das suas infraestruturas e apoiar o desenvolvimento de ecossistemas digitais mais inclusivos nos seus mercados africanos.

“Esta parceria reflete os valores fundamentais da AXIAN Telecom – compromisso de longo prazo, capacitação local e crescimento responsável. Trabalhando em estreita colaboração com a Huawei, reforçamos a nossa capacidade de fornecer serviços digitais de alta qualidade, ao mesmo tempo que desenvolvemos as competências digitais de que África precisa para competir e prosperar na economia global”, declarou Hassan Jaber, CEO da AXIAN Telecom.

O protocolo de acordo assenta em três pilares: conectividade digital, finanças digitais e transformação operacional. Prevê uma modernização conjunta das infraestruturas de rede, a expansão da oferta de serviços de valor acrescentado, bem como a integração de tecnologias de nova geração destinadas a melhorar a acessibilidade, a qualidade e a segurança dos serviços nos países onde o grupo opera.

A parceria foca-se, nomeadamente, no desenvolvimento de soluções escaláveis, incluindo 5G, arquiteturas de rede baseadas em cloud, plataformas digitais avançadas, bem como ferramentas de operação com integração de inteligência artificial. Estas tecnologias permitirão ao operador otimizar os custos operacionais, aumentar a capacidade das redes e oferecer serviços mais eficientes a particulares, empresas e administrações públicas.

Um continente ainda em busca de aproximação digital

Esta iniciativa surge num momento em que África apresenta uma dinâmica contrastante em termos de conectividade. Segundo o relatório “The Mobile Economy Africa 2025” da GSMA, cerca de 416 milhões de pessoas utilizam atualmente Internet móvel no continente. No entanto, aproximadamente 75% da população continua sem acesso à Internet móvel e cerca de 960 milhões de africanos ainda não usam a Internet, apesar da existência de cobertura de rede.

O atraso é ainda mais evidente nas tecnologias de nova geração. De acordo com a União Internacional das Telecomunicações (UIT), a 5G representa apenas cerca de 1,2% das subscrições móveis na África subsaariana. Este desfasamento tecnológico limita o desenvolvimento de serviços digitais de alto valor acrescentado, nomeadamente aqueles baseados em cloud, aplicações industriais ou inteligência artificial.

Neste contexto, os operadores de telecomunicações são forçados a investir maciçamente para modernizar as suas infraestruturas, mantendo serviços acessíveis em mercados sensíveis ao preço. As parcerias tecnológicas surgem assim como um alicerce para partilhar know-how, acelerar o lançamento de serviços e otimizar custos.

Para a Huawei, esta colaboração representa a oportunidade de consolidar a sua presença junto dos operadores africanos. O grupo chinês indicou querer “levar tecnologia de ponta e inovação aos mercados locais, apoiando o desenvolvimento sustentável, melhorando a conectividade e enriquecendo a experiência digital no continente.

Economia digital: um motor de transformação estrutural

Para além do acordo bilateral, a modernização das infraestruturas digitais representa um desafio macroeconómico de grande importância para África. Segundo a GSMA, o setor móvel já contribui com mais de 7% do PIB africano, e esta fatia deverá continuar a crescer à medida que se expandem a conectividade de alta velocidade, os serviços financeiros digitais, o comércio eletrónico e as soluções baseadas em inteligência artificial.

Para a AXIAN Telecom, presente em nove países africanos — incluindo Madagáscar, Comores, Tanzânia, Togo, Uganda, RDC e Senegal — o objetivo é apoiar esta dinâmica em mercados caracterizados por forte crescimento demográfico e elevada procura por conectividade e serviços financeiros móveis. O grupo conta já com vários milhões de assinantes e continua a expandir as suas infraestruturas num ambiente competitivo dominado por grandes operadores panafricanos.

Samira Njoya

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O governo ugandês pretende generalizar o acesso aos serviços digitais. Segundo o executivo, a multiplicação das ligações internacionais nos últimos anos contribuiu para reduzir o custo da Internet.

As autoridades ugandesas apelam à produção local de telemóveis e computadores, de forma a reduzir os preços e fomentar a adoção dos serviços digitais. O anúncio foi feito pelo ministro das TIC e da Orientação Nacional, Chris Baryomunsi (foto, à direita), durante uma intervenção a 10 de fevereiro no Instituto Nacional de Liderança de Kyankwanzi, reportada pela imprensa local.

«Se os preços dos telemóveis, computadores e da Internet baixarem, a população poderá efetuar transações através dos seus telemóveis, estudar online e aceder mais facilmente aos serviços. É este o objetivo do governo», declarou Baryomunsi.

Esta iniciativa surge num contexto em que a acessibilidade a dispositivos capazes de se ligar à Internet é considerada um dos principais obstáculos à adoção do digital, segundo a GSMA. A organização salienta que, apesar da multiplicação, no continente, de modelos de smartphones abaixo dos 100 dólares nos últimos anos, estes dispositivos continuam fora do alcance de muitas pessoas. A GSMA lançou recentemente uma coligação com operadores africanos para desenvolver smartphones 4G a 30–40 dólares.

No Quénia vizinho, uma parceria público-privada permitiu o lançamento, em outubro de 2023, de uma fábrica de montagem de smartphones de baixo custo. Em janeiro passado, as autoridades indicaram que cinco milhões de dispositivos já tinham sido montados no país, sendo vendidos entre 6000 e 8000 xelins quenianos (46,5 a 62,2 dólares).

Apesar destes custos relativamente baixos, um relatório da GSMA publicado em outubro de 2025 revela que a adoção dos smartphones montados localmente continua modesta. Os consumidores percebem-nos frequentemente como de menor qualidade e menos atrativos do que as marcas internacionais bem conhecidas, como Infinix, Itel, Redmi ou Vivo, também presentes no segmento de smartphones económicos. Segundo a GSMA, estas observações mostram que as iniciativas de montagem devem ser acompanhadas de estratégias de construção de marca e de reforço da confiança dos consumidores para competir eficazmente no mercado.

Para além do smartphone ou de dispositivos de acesso à Internet, vários outros fatores influenciam a adoção e utilização do digital. Entre eles estão a cobertura de rede, o custo da Internet, as competências digitais, a disponibilidade de conteúdos relevantes, a qualidade da experiência e questões de segurança ou normas sociais.

Segundo dados da Uganda Communications Commission (UCC), o país contava com cerca de 45,7 milhões de assinaturas móveis ativas no final de setembro de 2025, contra apenas 17 milhões de assinaturas de Internet ativas, para uma população de cerca de 50 milhões de habitantes. Contudo, estes números devem ser interpretados com cautela, uma vez que o regulador conta cada cartão SIM ligado como um assinante, embora uma pessoa possa possuir vários. O mesmo raciocínio aplica-se aos smartphones, cujo número ascendia a cerca de 19 milhões.

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O MTN Group não está presente na RDC, onde o mercado é dominado por Airtel, Orange, Vodacom e Africell. O grupo sul-africano está, no entanto, implantado em vários países limítrofes da RDC, nomeadamente no Ruanda, Uganda, Zâmbia, Sudão do Sul e República do Congo.

As autoridades congolesas acusam a empresa de telecomunicações MTN Group de fornecer serviços de telefonia móvel e acesso à Internet de forma ilegal no território nacional. Num comunicado publicado na quarta-feira, 11 de fevereiro, o regulador das telecomunicações apontou as cidades de Goma e Rutshuru, situadas próximas da fronteira com o Ruanda, país onde o grupo está presente. Esta acusação releva a questão sensível da gestão e controlo das frequências nas zonas fronteiriças em África.

Segundo a Autoridade de Regulação dos Correios e Telecomunicações do Congo (ARPTC), esta exploração irregular constitui uma violação das disposições legais e regulamentares em vigor e expõe a empresa a possíveis processos. O regulador afirma ter já acionado as instâncias nacionais e internacionais competentes e garante que não irá excluir qualquer via legal para assegurar o cumprimento das leis e a soberania digital do país.

Na terça-feira, 10 de fevereiro, a Primeira-Ministra Judith Suminwa Tuluka reuniu os principais intervenientes do setor, incluindo Airtel, Orange e Vodacom, para coordenar a resposta. A ARPTC recebeu instruções para tratar imediatamente do processo do ponto de vista técnico e acionar as instâncias internacionais competentes, com um lema claro: tolerância zero face a qualquer violação da soberania digital.

Até ao momento, o MTN Group ainda não se pronunciou publicamente sobre estas acusações. A empresa sul-africana está presente em países limítrofes da RDC, como o Ruanda, Uganda, Zâmbia, Sudão do Sul e Congo, onde o grupo já implantou a sua rede.

Propagação das ondas e desafios regulamentares nas fronteiras

Para implementar as suas redes num país, os operadores de telecomunicações utilizam frequências de rádio atribuídas pelo Estado, através do regulador nacional. Estes recursos, limitados e estratégicos, constituem a base do funcionamento dos serviços de telefonia móvel e acesso à Internet.

Atribuídas por um período determinado e em bandas específicas, as frequências são estritamente regulamentadas por licenças que definem as condições de exploração, as zonas de cobertura e as obrigações técnicas. Em teoria, a sua utilização limita-se ao território nacional. Na prática, especialmente nas zonas fronteiriças, a propagação natural das ondas pode provocar derrames de sinal além-fronteiras.

Segundo a União Internacional de Telecomunicações (UIT), a propagação das frequências hertzianas ignora as fronteiras administrativas entre Estados, o que cria um problema de gestão conjunta das frequências nas fronteiras. A propagação excessiva pode resultar na presença, num país, de operadores vizinhos a fornecer serviços nas zonas fronteiriças. Se estes operadores não tiverem presença oficial, o facto de as populações conseguirem captar a rede do outro lado da fronteira cria um ecossistema de utilização de serviços, com agentes improvisados a vender cartões SIM e serviços.

Um exemplo notável ocorreu entre Camarões e Chade nos anos 2000. Em outubro de 2002, a Autoridade Reguladora do Chade (OTRT) acionou a ART do Camarões, acusando os operadores MTN e Orange baseados em Kousséri de concorrência desleal por inundarem o mercado de N’Djamena com telemóveis e cartões SIM a preços baixos, prejudicando os operadores chadianos CELTEL e LIBERTIS, então em fase de implementação. Após várias trocas e com a intervenção da UIT, um acordo de coordenação foi finalmente assinado em setembro de 2009 em Maroua para regulamentar a situação.

Harmonização das frequências: um projeto continental em expansão

Um acordo sobre a coordenação transfronteiriça das frequências em África, assinado por 54 países sob a égide da UIT, foi adotado em janeiro de 2022. O objetivo é prevenir interferências prejudiciais aos serviços fixos e móveis terrestres e otimizar a utilização do espectro com base em acordos bilaterais ou multilaterais.

Desde então, estes mecanismos de coordenação multiplicam-se no continente. Em agosto de 2025, delegações da RDC e de Angola reuniram-se para harmonizar o uso das frequências ao longo da sua fronteira comum. Ambas as partes definiram parâmetros de coordenação para sete bandas entre 700 MHz e 3500 MHz e adotaram medidas obrigatórias: limitação da cobertura a 1000 metros para além das fronteiras, proibição de antenas omnidireccionais nas zonas fronteiriças e demolição de pontos de venda irregulares.

Esta dinâmica vai além do eixo Congo–Angola na África Central. Ainda em agosto de 2025, Gabão e Camarões assinaram um acordo. O Congo também concluiu arranjos com a RDC em 2021 e com o Gabão em 2023, estando em curso negociações com o Camarões. Outras iniciativas recentes confirmam esta tendência, como a reunião bilateral entre Chade e Camarões em junho de 2025 ou o anúncio, em agosto de 2024, de um acordo tripartido reunindo Camarões, Gabão e Guiné Equatorial.

Na África Ocidental, os países membros da Aliança dos Estados do Sahel (AES) assinaram, em novembro de 2025, um acordo de coordenação das frequências nas fronteiras. O texto estabelece mecanismos para prevenir interferências numa faixa de 15 km de cada lado das fronteiras territoriais. Iniciativas similares foram também levadas a cabo entre Togo e Gana, Gana e Burquina Faso, bem como Nigéria e Níger.

Isaac K. Kassouwi

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Com a aceleração da transformação digital, a procura por serviços financeiros digitais está a diversificar-se. A Safaricom, pioneira em dinheiro móvel em África, posiciona-se para responder a estas novas necessidades.

A empresa de telecomunicações queniana Safaricom anunciou, na terça-feira, 10 de fevereiro, o lançamento da plataforma “Ziidi Trader”, em parceria com a Bolsa de Valores de Nairóbi (NSE). Integrada na aplicação de dinheiro móvel M-Pesa, a plataforma permite que os quenianos comprem e vendam ações cotadas na NSE diretamente pelo telemóvel.

Segundo a Safaricom, o Ziidi Trader simplifica o processo de investimento, oferecendo aos utilizadores a possibilidade não só de comprar e vender ações, mas também de acompanhar as suas carteiras e aceder a informações de mercado de forma fluida dentro da aplicação.

A nossa parceria com a Safaricom ajuda-nos a aproximar o mercado de ações do dia a dia dos quenianos. Tornando as transações na NSE acessíveis via M-Pesa, facilitamos o investimento a um maior número de pessoas, tanto a nível local como internacional, permitindo-lhes desempenhar um papel ativo no crescimento económico do Quénia”, afirmou Frank Mwiti, CEO da NSE.

Esta iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla de diversificação dos serviços do M-Pesa, além das transferências de dinheiro. Em janeiro de 2025, a Safaricom já tinha lançado o Ziidi MMF, um fundo monetário que permite aos clientes poupar e rentabilizar os seus recursos com depósitos e levantamentos gratuitos através da carteira M-Pesa. Posteriormente, a empresa introduziu o Ziidi Shariah, uma oferta compatível com os princípios das finanças islâmicas.

Além destes produtos de investimento, o M-Pesa oferece também serviços de transferências internacionais, poupança, crédito através de agentes e seguros. Em setembro de 2025, a Safaricom lançou uma atualização da sua rede para melhorar o desempenho, aumentar a capacidade de transações e reforçar a segurança. A operadora afirma que pretende responder às crescentes necessidades da economia digital africana, ao mesmo tempo que se prepara para futuras oportunidades.

O M-Pesa consolidou-se ao longo dos anos como o principal motor de crescimento da Safaricom. Lançado em 2007, o serviço gerou 161,1 mil milhões de xelins quenianos (≈ 1,24 mil milhões de USD) no exercício de 2025 (1 de abril de 2024 – 31 de março de 2025), um aumento de 15,2% em relação ao ano anterior. Representou cerca de 44,2% dos 364,28 mil milhões de xelins gerados pelos serviços da operadora.

No primeiro semestre do exercício de 2026 (1 de abril – 30 de setembro de 2025), a receita aumentou 14% em termos homólogos, atingindo 88,06 mil milhões de xelins, ou 45,4% da receita dos serviços da empresa. Este crescimento deve-se a um aumento de 26,5% no volume de transações, que atingiu 21,87 mil milhões, e a um crescimento de 5% no valor das transações, totalizando 20.210 mil milhões de xelins. O número de subscritores ativos cresceu 7,5%, alcançando 37,92 milhões.

Isaac K. Kassouwi

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Face à rápida transformação das profissões e às persistentes dificuldades de inserção dos jovens licenciados, a Costa do Marfim coloca a inteligência artificial (IA) no centro da sua estratégia de orientação, procurando alinhar melhor a formação com as necessidades do mercado de trabalho.

Durante o lançamento da 13.ª edição das “Jornadas de Carreiras” na Costa do Marfim, o Ministério da Educação Nacional, Alfabetização e Ensino Técnico (MENAET) colocou a IA no coração da orientação dos jovens para as profissões do futuro. A cerimónia, presidida por Sangaré Moustapha, diretor do gabinete do MENAET, realizou-se na segunda-feira, 9 de fevereiro, no Palácio da Cultura de Treichville e reuniu alunos, formadores, empresas e outros atores do mundo profissional.

Segundo a Agência de Imprensa da Costa do Marfim (AIP), a edição de 2026 centrou-se num painel organizado pela Direção de Orientações e Bolsas, sob o tema: “Inteligência Artificial: que competências e profissões para uma juventude empenhada na transformação sustentável da Costa do Marfim?. Os debates abordaram as profissões emergentes ligadas à IA, as competências técnicas e transversais necessárias, bem como as questões éticas, sociais e ambientais associadas a estas tecnologias.

Para as autoridades educativas, a orientação já não pode limitar-se aos cursos tradicionais. Deve agora integrar todas as ofertas formativas, de modo a esclarecer as escolhas dos estudantes e aproximar de forma sustentável a escola do mundo do trabalho. O lançamento nacional marca assim o início de um desdobramento nas direções regionais, com o objetivo de garantir a cada aluno acesso a informações fiáveis sobre as profissões e competências mais procuradas.

Esta dinâmica ocorre num contexto de multiplicação de iniciativas de empregabilidade. Em dezembro passado, o governo lançou o Programa Nacional de Estágios, Aprendizagem e Reconversão (PNSAR 2026), que visa mais de 150 000 jovens, dos quais 100 000 através de estágios de imersão. Apesar de uma taxa oficial de desemprego estimada em 2,3%, especialistas sublinham que estes números não refletem plenamente as dificuldades de acesso dos jovens licenciados a empregos formais e duradouros, num mercado marcado pelo peso do sector informal.

Félicien Houindo Lokossou

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Primeiro operador africano em número de assinantes, MTN contava com 301,3 milhões de clientes no final de setembro de 2025, dos quais 165,8 milhões utilizadores de Internet. Apesar desta base sólida, o grupo procura adaptar-se às evoluções do mercado num contexto de transformação digital acelerada.

Bayobab (MTN Digital Infrastructure), a divisão de infraestruturas digitais do grupo sul-africano MTN, anunciou na terça-feira, 10 de fevereiro, uma parceria com a operadora de telecomunicações moçambicana TMCEL. No âmbito desta parceria, a Bayobab disponibilizará as suas plataformas digitais à operadora histórica, visando reforçar os seus serviços de comunicações internacionais. Esta iniciativa insere-se na ambição da MTN de evoluir de um modelo centrado nas telecomunicações para um modelo de empresa tecnológica.

Num comunicado, a Bayobab esclarece que a TMCEL recorrerá às suas plataformas globais de comunicação, incluindo serviços de voz internacional, roaming internacional e IPX, para oferecer aos seus clientes, particulares e empresariais, serviços avançados, escaláveis e de elevada qualidade. A parceria visa sobretudo melhorar a experiência de chamadas internacionais e garantir uma conectividade transfronteiriça mais fluida.

A empresa salienta que este lançamento marca uma etapa importante na sua estratégia de parcerias, que consiste em apoiar operadores africanos com o mesmo nível de especialização e capacidade que o grupo aplica na sua presença internacional.

Esta parceria com a TMCEL é um exemplo claro de como a MTN Digital Infrastructure expande o seu alcance e capacidades para apoiar operadores africanos”, afirmou Mazen Mroué, diretor-geral da MTN Group Digital Infrastructure.

Esta iniciativa surge num contexto em que a MTN, tal como outros operadores africanos de telecomunicações, procura diversificar as suas atividades para além dos serviços tradicionais. Esta transição é particularmente estratégica, dado que a transformação digital acelera no continente, impulsionada pela evolução dos hábitos, pelo crescimento dos serviços digitais e pelo surgimento de novas expectativas empresariais, incluindo no setor das telecomunicações.

Bayobab, um pilar da estratégia de diversificação da MTN

A MTN optou por tornar a Bayobab independente, separando-a da sua atividade tradicional de telecomunicações. Neste sentido, a entidade abandonou, em maio de 2023, a sua antiga designação MTN GlobalConnect. A Bayobab pretende agora posicionar-se como uma plataforma de infraestruturas digitais de classe mundial, de acesso aberto e centrada em África, ao serviço não só do grupo MTN, mas também de clientes externos.

Para atingir este objetivo, a empresa baseia-se numa das redes de fibra ótica mais extensas do continente, com 127.000 km de fibra de acesso aberto, presença em 54 países africanos, acesso a 24 cabos submarinos e 235 estações de aterragem.

Paralelamente, a Bayobab desenvolve soluções satelitais de alta velocidade e baixa latência para reduzir a divisão digital em zonas rurais e isoladas. A empresa investe também em centros de dados para reforçar a sua posição nos serviços de colocation e cloud destinados a hyperscalers, empresas e governos africanos.

Para além da infraestrutura física, a Bayobab oferece também plataformas de comunicação de nova geração – voz, mensagens, roaming, IPX e serviços IoT – para apoiar o desempenho das empresas.

Fintech e IA: MTN multiplica os motores de crescimento

Esta estratégia de diversificação traduz-se ainda noutras iniciativas estruturantes. A 5 de fevereiro de 2026, a MTN anunciou a intenção de assumir o controlo da IHS Towers, um dos principais fornecedores de torres de telecomunicações em África, da qual já detém 25% do capital. Caso a transação se concretize, o grupo entrará no mercado de torres de telecomunicações, infraestruturas essenciais para o desenvolvimento de serviços móveis. A procura por estes equipamentos deverá crescer nos próximos anos, impulsionada pelo rápido desenvolvimento da 4G e 5G, pelo aumento do consumo de dados, pela crescente penetração de smartphones e pela expansão da cobertura em zonas rurais.

Além disso, Ralph Mupita, diretor-geral da MTN, indicou recentemente ao meio Semafor que o grupo está interessado em adquirir startups fintech, nomeadamente em pagamentos, empréstimos e transferências de fundos, visando reforçar uma atividade que se tornou um dos principais motores de crescimento.

A MTN reforça também a sua posição nas tecnologias emergentes. Em setembro de 2025, o grupo anunciou que procurava parceiros internacionais para desenvolver centros de dados dedicados à inteligência artificial em África. Um mês antes, lançara o programa “MTN Genova”, destinado a promover uma utilização responsável da IA para estimular a inovação, aumentar a produtividade e melhorar a experiência do cliente. O programa está atualmente limitado à escala do grupo.

Entre os casos de uso já testados destacam-se a otimização do consumo energético dos centros de dados na África do Sul, a gestão inteligente da energia de estações celulares no Benim, a deteção de cortes de fibra ótica na Costa do Marfim ou a otimização do tráfego de rede na Nigéria.

Isaac K. Kassouwi

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