A Maurícia explora novos instrumentos de cooperação internacional para acelerar a sua transição digital.
O ministro mauriciano do Ensino Superior, da Ciência e da Investigação, Kaviraj Sukon, recebeu na semana passada Irada Zeynalova, embaixadora da Federação da Rússia nas Maurícias, bem como Boris Titov, enviado especial do presidente russo para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Este encontro insere-se no âmbito de uma missão oficial centrada no reforço de parcerias nos domínios da inovação e do desenvolvimento sustentável.
No centro das discussões esteve a digitalização das pequenas e médias empresas (PME), identificada como um eixo estratégico para reforçar a competitividade da economia mauriciana. A parte russa evocou vias de assistência técnica suscetíveis de apoiar a Maurícia na implementação de soluções digitais adaptadas às necessidades das empresas locais, nomeadamente em matéria de gestão, produtividade e acesso aos mercados.
Para as autoridades mauricianas, esta abordagem enquadra-se numa visão mais ampla de desenvolvimento do capital humano e estímulo à inovação. Ao multiplicar as parcerias internacionais, o governo procura consolidar o ecossistema digital do país e apoiar um crescimento mais inclusivo, alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Nesta fase, não foi feito qualquer anúncio formal, mas as discussões abrem caminho para futuros acordos de cooperação. É o caso da Índia, com a qual o país insular se associou em vários domínios em 2025, nomeadamente nas áreas da ciência, da inteligência artificial e da resiliência digital.
Adoni Conrad Quenum
Os países africanos apostam no digital como alavanca do seu desenvolvimento socioeconómico. Para além da implantação de infraestruturas, o sucesso desta estratégia dependerá, em parte, do domínio dessas tecnologias por parte dos agentes públicos.
O governo do Ruanda anunciou a implementação de formações em inteligência artificial (IA) destinadas a todos os funcionários públicos do Estado, em todos os setores, independentemente das funções exercidas ou do nível inicial de competências tecnológicas. As autoridades consideram que esta iniciativa permitirá aos beneficiários adquirir competências que reforcem a sua capacidade de prestar serviços públicos de qualidade.
« Estas formações foram concebidas para serem acessíveis a todos e exigem apenas algumas horas por semana. Explicam o que é a IA, como funciona e de que forma pode ser utilizada nas nossas atividades quotidianas. É importante sublinhar que estas formações são obrigatórias para todos os agentes do Estado. As instituições onde trabalham estão preparadas para os acompanhar, de modo a que possam frequentar os cursos sem comprometer as suas tarefas diárias », declarou o Ministério das TIC num comunicado publicado nas redes sociais na segunda-feira, 12 de janeiro de 2026.
Esta iniciativa enquadra-se na estratégia do Ruanda de integrar as TIC em todos os setores, tornando-as um pilar do desenvolvimento socioeconómico nacional. A administração pública figura entre as áreas prioritárias, nomeadamente através da digitalização dos serviços. As autoridades sublinham que a IA passou a fazer parte do quotidiano, transformando os métodos de trabalho, de comunicação e de prestação de serviços, com potenciais ganhos de produtividade e de qualidade no atendimento aos cidadãos.
Esta visão do governo ruandês é partilhada pelas Nações Unidas. No seu « E-Government Survey 2024 », o Departamento de Assuntos Económicos e Sociais (DAES) destaca que a IA possui um elevado potencial para otimizar as operações do setor público. Através da automatização de tarefas administrativas, esta tecnologia pode não só aumentar a eficiência, como também reduzir atrasos e redundâncias. Pode igualmente detetar anomalias, classificar dados e formular recomendações precisas.
O DAES considera, aliás, que a maioria dos países enfrenta uma necessidade urgente de melhorar a eficiência dos serviços públicos dispondo, ao mesmo tempo, de orçamentos limitados — um desafio para o qual os algoritmos de IA constituem uma solução pertinente.
O Departamento sublinha, contudo, que, apesar destas oportunidades, a IA comporta riscos, nomeadamente relacionados com enviesamentos dos dados, bem como com questões éticas, de segurança e sociais. A instituição alerta ainda para a persistência da fratura digital, que continua a ser um entrave importante à adoção da IA no setor público, sobretudo nos países de baixo e médio rendimento e nos países menos desenvolvidos.
Recorde-se que o Ruanda ocupou a 118.ª posição mundial no Índice de Desenvolvimento do Governo Eletrónico do DAES em 2024. O país obteve uma pontuação de 0,5799 em 1, acima da média africana, mas abaixo da média mundial.
Isaac K. Kassouwi
O mercado de telecomunicações da República Democrática do Congo (RDC) é principalmente movimentado pela Airtel, Orange, Vodacom e Africell. Segundo dados oficiais, o país contava com cerca de 73,3 milhões de assinaturas de telefonia móvel e aproximadamente 36,1 milhões de assinaturas de internet móvel no terceiro trimestre de 2025.
As empresas de telefonia móvel da RDC estão sujeitas a sanções em caso de não cumprimento dos requisitos de qualidade de serviço em vigor. Durante o Conselho de Ministros de sexta-feira, 9 de janeiro, o presidente da República, Félix Tshisekedi, instruiu as autoridades responsáveis pelo setor a tomar as medidas necessárias para conter as perturbações recorrentes que afetam as redes e sistemas de telecomunicações em todo o território nacional.
O chefe de Estado exigiu a aplicação, sem tolerância ou complacência, das sanções previstas pelas leis e regulamentos contra qualquer operador que não cumpra as obrigações de qualidade, continuidade, cobertura ou proteção dos usuários. Ele também solicitou o reforço dos mecanismos de regulação, controle e monitoramento permanente da qualidade das redes e serviços, assim como uma coordenação efetiva entre os ministérios setoriais, as autoridades reguladoras e os serviços técnicos especializados. Um relatório detalhado é esperado dentro de 30 dias.
As perturbações registradas dizem respeito, em particular, à telefonia móvel e fixa, à internet, à transmissão de dados, aos serviços digitais, à interconexão de redes, assim como à radiodifusão e à televisão digital. “Essas falhas persistentes afetam gravemente o dia a dia dos cidadãos, a continuidade da ação pública e o funcionamento da economia nacional, provocando interrupções de comunicação, perturbações nas transações bancárias e comerciais, assim como uma degradação significativa dos serviços de radiodifusão e televisão digital”, destaca o resumo do Conselho de Ministros.
No final de dezembro, o ministro das Correios e Telecomunicações, José Mpanda Kabangu, convocou os operadores Orange, Airtel e Vodacom, após reclamações de usuários denunciando redes instáveis, chamadas interrompidas e acesso limitado à internet na província de Sankuru. Já em setembro, pouco após sua nomeação, o ministro havia identificado várias falhas em nível nacional, incluindo cortes frequentes, saturação das redes, perda de crédito considerada injusta e transações de mobile money que falharam, mas foram cobradas. Nas redes sociais, os consumidores se queixam regularmente desses problemas.
A pressão sobre os operadores de telecomunicações ocorre em um contexto em que as autoridades congolesas consideram o digital um motor de desenvolvimento socioeconômico. Elas acreditam que é imperativo ter redes confiáveis, eficientes, resilientes e contínuas, operando em um ambiente de concorrência justa, cobertura territorial equitativa e proteção rigorosa dos consumidores. Estes, por sua vez, precisam das redes, por exemplo, para acessar os serviços públicos digitalizados oferecidos pelas autoridades.
As possíveis sanções contra os operadores infratores ainda não foram detalhadas. No entanto, a Lei de Telecomunicações e TIC de 2020 estipula que “qualquer violação de uma ou mais cláusulas da licença, autorização ou do caderno de encargos anexado, que não resulte na suspensão ou revogação do título, é punida com multa não superior a um quarto do valor do título”.
Isaac K. Kassouwi
Nigéria reforça proteção dos consumidores em serviços digitais
As autoridades nigerianas estão fortalecendo a proteção dos consumidores nos serviços digitais. Duas instituições se uniram para resolver um problema que os assinantes de telecomunicações enfrentam há vários anos.
A Comissão de Comunicações da Nigéria (NCC) e o Banco Central da Nigéria (CBN) anunciaram conjuntamente na semana passada uma nova medida que obriga os atores envolvidos a reembolsar qualquer transação de recarga de tempo de antena ou de dados móveis que falhe em menos de 30 segundos, quando o cliente foi debitado sem receber o serviço. A medida deverá entrar em vigor a partir de 1º de março de 2026.
Na prática, esta diretriz abrange transações realizadas por meio de canais bancários, plataformas de pagamento e operadoras de telecomunicações. Assim que uma falha for constatada após o débito, o reembolso deve ser automático e quase instantâneo. Uma exceção é prevista para transações “pendentes”, para as quais um prazo máximo de 24 horas é tolerado antes da regularização.
“Recargas falhadas estão entre as três principais reclamações dos consumidores e, de acordo com nosso compromisso de tratar essas questões prioritárias, estávamos determinados a resolvê-las o mais rápido possível”, afirmou Freda Bruce-Bennett, diretora de Assuntos do Consumidor da NCC.
Para garantir transparência, os reguladores também exigem o envio sistemático de um SMS de confirmação ao consumidor, independentemente de a transação ter sido concluída ou não. Além disso, será implementado um sistema centralizado de monitoramento para acompanhar as transações em tempo real, identificar responsabilidades em caso de falhas e avaliar o cumprimento dos prazos estabelecidos.
Essa decisão responde a um problema recorrente na Nigéria, onde os usuários frequentemente reclamam de recargas não creditadas, apesar de terem sido debitados, com procedimentos de reembolso geralmente longos e pouco claros. Em um país onde o celular é um instrumento central de comunicação, trabalho e serviços financeiros, esses problemas impactam diretamente o cotidiano dos consumidores.
A médio prazo, as autoridades esperam reduzir as reclamações, aumentar a confiança dos usuários e fortalecer a confiabilidade do ecossistema de pagamentos digitais e serviços de telecomunicações na Nigéria.
Chade adere oficialmente à União Internacional de Telecomunicações para acelerar a transformação digital
O Chade, já membro da União Internacional de Telecomunicações (UIT) ao lado de 193 países, reforçou sua integração ao setor digital ao anunciar oficialmente sua adesão através da Agência de Desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação do Chade (ADETIC).
Segundo a ADETIC, a adesão oferece acesso a expertise técnica de referência e a uma rede de parceiros internacionais, fundamentais para acelerar a transformação digital do país. A UIT reúne 194 Estados membros e mais de 1.000 entidades do setor privado, universidades e organizações internacionais. “Esta colaboração permitirá à ADETIC beneficiar-se de melhores práticas e recursos para enfrentar os principais desafios das TIC no Chade”, declarou a agência em comunicado.
O país pretende se inspirar nas melhores práticas globais para construir um setor digital soberano, eficiente e inclusivo. No âmbito do programa “Chade Conexão 2030”, estão previstos investimentos de 1,5 bilhão de dólares para ampliar a cobertura de redes, digitalizar e interconectar os serviços públicos e facilitar o acesso dos cidadãos ao e-gov.
Atualmente, o Chade ocupa o 189.º lugar entre 193 países no Índice de Desenvolvimento do Governo Eletrônico (EGDI) 2024 da ONU, com pontuação de 0,1785, abaixo das médias africana (0,4247) e global (0,6382). No Índice Global de Cibersegurança 2024 da UIT, encontra-se no penúltimo nível (Tier 4), com pontuação de 48,67/100. Em 2024, foi classificado em último lugar (47.º) entre os países africanos no Índice de Desenvolvimento das TIC da UIT, com cobertura de rede 2G, 3G e 4G de 86,9%, 84,5% e 60%, respectivamente, e taxa de penetração da internet de 13,2% em 2023.
Isaac K. Kassouwi
Em duas décadas, o panorama mediático africano transformou-se radicalmente. Ao lado dos meios de comunicação tradicionais – televisão, rádio e imprensa escrita – impuseram-se os sites na internet, os blogs e as redes sociais. Esta expansão considerável do espaço de expressão cidadã obriga também os reguladores a evoluir.
Reunido em Conselho de Ministros na quarta-feira, 7 de janeiro de 2026, o governo do Senegal aprovou o projeto de lei para a criação do Conselho Nacional de Regulação dos Media (CNRM). Esta nova instituição, que sucederá ao Conselho Nacional de Regulação do Audiovisual (CNRA), criado em 2006, representa uma profunda reformulação do quadro legal para melhor responder às mudanças digitais e aos novos usos da informação.
Segundo o Ministro da Comunicação, Telecomunicações e Digital, Alioune Sall, esta reforma do regulador visa “adaptar a regulação às mudanças tecnológicas, proteger os direitos, reforçar a responsabilidade dos atores e consolidar a democracia”. O texto jurídico será “em linha com as boas práticas internacionais em matéria de regulação dos media e comunicação digital, tendo em conta as recomendações das instâncias regionais e internacionais”.
Em duas décadas, o panorama mediático africano, nomeadamente senegalês, metamorfoseou-se sob o efeito da digitalização, da crescente influência das plataformas sociais e da multiplicação de criadores de conteúdo independentes. Doravante, a regulação pretende abranger um espaço público híbrido, onde a fronteira entre meios tradicionais e digitais se dilui. O CNRM terá como missão supervisionar as plataformas digitais e os criadores de conteúdo que difundem informação ao público.
Esta abordagem insere-se numa dinâmica global em que os Estados procuram conciliar a proteção das liberdades com a responsabilidade digital, face aos desafios colocados pelas fake news e pela manipulação da opinião na Internet. “Quando participam no espaço público da informação, devem estar sujeitos a princípios de responsabilidade, tal como os meios tradicionais”, explica Habibou Dia, diretor de comunicação do Ministério da Comunicação, Telecomunicações e Digital. Esta orientação visa estabelecer um quadro justo, promover uma ética comum e combater a desinformação, preservando a liberdade de expressão.
A aprovação do projeto de lei em Conselho de Ministros é apenas um primeiro passo. O texto será em breve submetido à Assembleia Nacional para exame e adoção definitiva. A sua implementação concreta marcará a entrada do Senegal numa nova era da regulação mediática: a de um modelo integrado, inclusivo e adaptado à economia digital.
Muriel Edjo
A inteligência artificial (IA) está a ganhar terreno nos sistemas de saúde para melhorar o diagnóstico, otimizar os recursos e ampliar o acesso aos cuidados. A profissão de especialista em IA para a saúde afirma-se como uma carreira estratégica, com forte impacto social e económico.
À medida que a saúde entra na era dos dados e dos algoritmos, um novo perfil torna-se indispensável. O especialista em inteligência artificial aplicada à saúde concebe e implementa soluções de IA capazes de assistir os profissionais médicos no diagnóstico, na prevenção e na organização dos cuidados.
Esta profissão situa-se na interseção da informática, da ciência de dados e do mundo médico. Consiste em transformar dados clínicos, biológicos ou de imagiologia médica em ferramentas de apoio à decisão confiáveis, respeitando elevados padrões éticos e de proteção dos dados dos pacientes, segundo a plataforma de orientação PrePeers.
Nos países ocidentais, a ascensão da inteligência artificial médica fez do especialista em IA para a saúde um dos perfis tecnológicos mais procurados. Empresas e instituições de saúde oferecem salários elevados, condições de trabalho flexíveis e oportunidades internacionais, de acordo com BigDogJobs, site especializado em carreiras em inteligência artificial.
Em África, o interesse por esta profissão vai além da atratividade salarial. O continente enfrenta um défice estrutural de profissionais de saúde e sistemas frequentemente sobrecarregados. A inteligência artificial surge como uma alavanca para melhorar a prevenção, otimizar a alocação de recursos e ampliar o acesso aos cuidados, sobretudo através da saúde digital, segundo a Organização Mundial da Saúde.
Um relatório colaborativo divulgado em abril passado pelo Africanewsquick indica que alguns países africanos investem atualmente em IA aplicada à saúde, através de estratégias nacionais, projetos-piloto e parcerias público-privadas, para desenvolver soluções adaptadas às realidades locais.
Figuras africanas já exemplificam esta dinâmica. O investigador sénior Moustapha Cissé, do Senegal, desenvolve projetos de IA aplicados à saúde no continente, demonstrando a capacidade de África produzir a sua própria expertise tecnológica, segundo We Are Tech Africa.
Como tornar-se especialista em IA para a saúde em África
Tornar-se especialista em IA para a saúde em África baseia-se em percursos variados e complementares. O caminho mais clássico passa pela universidade, com formação em informática, matemática aplicada, engenharia de software ou ciência de dados, seguida de especialização em inteligência artificial ou saúde digital, de acordo com PrePeers.
A estes percursos académicos juntam-se formações profissionais específicas. Na África Ocidental, o Certificado Executivo em Inteligência Artificial em Medicina e e-Saúde visa formar perfis capazes de compreender os usos clínicos da IA em contextos de recursos limitados, segundo EPI Mafrique.
As iniciativas privadas e comunitárias também desempenham um papel crescente. Hubs tecnológicos, associações e comunidades de inovação organizam bootcamps, hackathons e outros projetos colaborativos para formar talentos locais em IA aplicada à saúde, uma dinâmica sublinhada pela Agência Francesa de Desenvolvimento.
Por fim, os cursos online constituem um instrumento essencial para democratizar o acesso à profissão. Plataformas internacionais oferecem formações em inteligência artificial e análise de dados, amplamente utilizadas por aprendentes africanos para complementar a formação local ou para reconversão profissional, segundo BigDogJobs.
Os investigadores lembram, contudo, que a domínio das ferramentas técnicas deve ser acompanhado de experiência de campo, para integrar as restrições éticas, regulatórias e operacionais próprias dos dados de saúde africanos, como sublinha um estudo publicado no site ArXiv.
Neste contexto, a profissão de especialista em IA para a saúde impõe-se como uma via de futuro em África, combinando oportunidades profissionais, inovação tecnológica e contribuição direta para a transformação dos sistemas de cuidados de saúde.
Félicien Houindo Lokossou
Convencidos do potencial das tecnologias digitais para melhorar a eficiência económica e social (como salientam as Nações Unidas), muitos países africanos têm-se comprometido com a digitalização ao longo da última década.
O Marrocos acelera a transformação digital do seu setor pesqueiro. Segundo declarações feitas esta semana no Parlamento, 68 dos 76 mercados de peixe do país funcionam agora através de sistemas digitais.
Durante uma sessão de perguntas orais na Câmara dos Representantes, na segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, Zakia Driouich, secretária de Estado responsável pelas Pescas Marinhas, indicou que o desdobramento destas ferramentas nos mercados de primeira venda permite ao Estado aceder a informações mais precisas e reforçar a supervisão das transações comerciais.
Concretamente, o registo digital facilita o acompanhamento das vendas e a produção de dados exploráveis, reduzindo assim a opacidade das trocas. Melhora também as capacidades de controlo e auditoria, um instrumento essencial para sanear as práticas e a governação do setor.
Esta transição não se limita aos mercados. A supervisão foi alargada às zonas de pesca: todos os navios que operam nas águas marroquinas são agora monitorizados por satélite, precisou a responsável. Paralelamente, a identificação por radiofrequência (RFID) é utilizada para rastrear os barcos autorizados, reforçando os controlos e combatendo a pesca ilegal.
O governo aplica igualmente estas ferramentas digitais à investigação científica, à gestão das pescas, aos métodos de produção e à comercialização. Esta abordagem visa melhorar a colheita de dados, o planeamento e uma gestão mais sustentável dos recursos.
Estas iniciativas inserem-se numa estratégia de longa data. A estratégia Halieutis, lançada em 2009, já tinha iniciado uma modernização progressiva, nomeadamente substituindo a documentação em papel pelo tratamento eletrónico dos dados de exportação.
Hoje, com a digitalização dos mercados de primeira venda e o reforço dos controlos no mar, o Marrocos dá um novo passo rumo a uma cadeia pesqueira mais rastreável, melhor regulada e mais orientada por dados.
Dar à juventude guineense os meios para se tornar uma mão de obra qualificada reconhecida internacionalmente faz parte das ambições do programa Simandou 2040. Diversas medidas importantes estão previstas para isso, com o apoio das tecnologias digitais.
Sob a presidência da ministra das Postas, Telecomunicações e Economia Digital, Rose Pola Pricemou, a Guiné lançou oficialmente, no final de dezembro de 2025, o projeto “Univ Connect”. Este projeto de interconexão por fibra ótica das instituições de ensino superior (IES), conduzido pela Agência Nacional do Serviço Universal de Telecomunicações e do Digital (ANSUTEN), visa fornecer aos campi do país uma infraestrutura de internet mais rápida, estável e segura.
“Esta iniciativa representa um passo decisivo no apoio à evolução digital do setor educacional na Guiné e permitirá que nossas instituições ofereçam serviços acadêmicos de acordo com os padrões internacionais”, declarou a ANSUTEN.
Do ponto de vista operacional, 13 sites já estão conectados à fibra nacional. Nove estão totalmente funcionais, e quatro estão em fase de ativação. Além disso, quatro sites adicionais estão em fase de implementação. Ao final do programa, a conectividade e interconexão de 17 instituições de ensino superior permitirá criar uma rede universitária de alta velocidade e segura em todo o país.
Segundo a ANSUTEN, o projeto se insere na dinâmica de transformação digital impulsionada pelo governo no âmbito do programa socioeconômico sustentável Simandou 2040. O objetivo é fortalecer o acesso a uma infraestrutura digital moderna e confiável para universidades públicas e privadas em toda a Guiné.
Além do acesso à internet, a meta é criar uma verdadeira “rede acadêmica”, permitindo que as instituições compartilhem recursos e modernizem seus serviços. Univ Connect facilitará o acesso a bibliotecas digitais, plataformas de aprendizado online e ferramentas de pesquisa, além de melhorar a qualidade da interação entre quase 80.000 professores, pesquisadores e estudantes.
A interconexão abre caminho para usos mais intensivos: videoconferências, cursos híbridos, colaboração entre universidades, acesso a bases de dados científicas e hospedagem de aplicações pedagógicas. A médio prazo, essa base poderá apoiar plataformas nacionais de pesquisa e inovação.
Resta o desafio da sustentabilidade. O impacto de longo prazo dessa rede universitária dependerá da manutenção dos equipamentos, da robustez das redes internas nos campi, da disponibilidade de energia e da implementação de padrões de cibersegurança. Em outras palavras, a fibra ótica é apenas uma base: para alcançar os padrões internacionais desejados, será necessária também uma governança durável.
Muriel EDJO
A Argélia busca reduzir o desemprego estrutural e integrar de forma sustentável as populações mais vulneráveis em seu mercado de trabalho. As autoridades públicas apostam especialmente no digital para melhorar o acesso ao emprego para pessoas com deficiência.
O Ministério da Solidariedade Nacional, da Família e da Condição da Mulher lançou um guia eletrônico dedicado à inserção econômica de pessoas com necessidades específicas. Pensada como uma plataforma digital de orientação, esta iniciativa visa, segundo a imprensa local, aproximar formação, acompanhamento e emprego para pessoas com deficiência.
Supervisionado pela ministra Soraya Mouloudji, o lançamento marca uma etapa-chave na “estratégia nacional para fortalecer a autonomia econômica, a justiça social e a igualdade de oportunidades”. Apresentado como uma ferramenta de referência acessível, o guia destina-se a um amplo leque de atores, desde as pessoas beneficiárias até instituições públicas, associações especializadas e empregadores, em uma lógica multisectorial e coordenada.
O dispositivo é estruturado em vários eixos que cobrem todo o percurso de inclusão, desde a reabilitação e a formação profissional até a inserção no emprego e o apoio a atividades geradoras de renda. A formação profissional ocupa um papel central, com programas adaptados aos diferentes tipos de deficiência, incluindo formação presencial, alternância e ensino à distância via plataformas digitais.
O guia também lembra o quadro regulamentar vigente, incluindo a obrigação de os empregadores reservarem pelo menos 1% das vagas para pessoas com deficiência, conforme o Decreto Executivo n° 25-01 de 20 de fevereiro de 2025, citado pelo Le Jeune Indépendant.
Essa iniciativa surge em um contexto marcado por desequilíbrios persistentes no mercado de trabalho argelino. Segundo o Office National des Statistiques, a taxa de desemprego era de 12,7% em outubro de 2024, com grandes disparidades por idade e gênero.
Para pessoas com deficiência, o acesso ao emprego continua muito mais complexo. Um relatório de 2023 destacou que, apesar da existência de leis protetoras e quotas de contratação, estes raramente são respeitados, e a integração profissional ainda enfrenta obstáculos estruturais, discriminações persistentes e apoio insuficiente.
Félicien Houindo Lokossou
Com o lançamento de sua estratégia de desenvolvimento “Visão 2030” em 2016, o Egito fez do digital um pilar essencial de seu crescimento. O desenvolvimento das infraestruturas de TIC e a promoção da inclusão digital são seus principais vetores.
Na segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, o chefe de Estado egípcio, Abdel Fattah al-Sissi, ressaltou a importância de abrir novas perspectivas para a indústria de telecomunicações e digital. Ele solicitou o estudo de possibilidades de desenvolvimento de centros de dados e serviços de computação em nuvem, a expansão da produção local de equipamentos de telecomunicações e a implementação de mecanismos eficazes de apoio e promoção dos produtos nacionais.
Essas questões foram abordadas em reunião com vários colaboradores, incluindo o Primeiro-Ministro Moustafa Madbouly, o Ministro das Comunicações e Tecnologias da Informação, Amr Talaat, e o Presidente Executivo da Autoridade Nacional de Regulação das Telecomunicações (NTRA), Mohamed Shamroukh.
Amr Talaat afirmou que as telecomunicações representam atualmente cerca de 6% do PIB e que o setor registra um crescimento anual entre 14% e 16% pelo sétimo ano consecutivo. O ministro também mencionou um aumento das exportações de serviços digitais, projetadas em 7,4 bilhões de dólares, contra 3,3 bilhões sete anos antes.
Ao investir no desenvolvimento de centros de dados, o Egito ganha em segurança para os dados estratégicos do Estado e de diversos setores do mercado nacional. O país também atrai empresas internacionais graças a uma credibilidade de infraestrutura que contribuirá para posicioná-lo como um polo regional de serviços digitais de alto desempenho.
As telecomunicações são atualmente um dos pilares da economia digital na África, especialmente no Egito. Reforçar a produção local de equipamentos apoiará investimentos mais acessíveis dos operadores de telecomunicações na modernização das redes. No caso dos telefones móveis produzidos localmente, devido a preços mais sustentáveis, eles devem ser mais acessíveis e contribuir para um maior uso de serviços digitais de valor agregado por uma parcela maior da população.
Segundo Amr Talaat, a capacidade de produção de celulares passou de 3,3 milhões de unidades em 2018 para 10 milhões em 2025, com valor agregado local de cerca de 40%. A meta declarada é elevar a capacidade anual para 15 milhões de unidades. Graças aos esforços de localização da indústria iniciados em 2016, incluindo vários incentivos, o país já atraiu 15 marcas internacionais, entre elas Samsung, Xiaomi, Oppo, Vivo e Nokia, além de cerca de 200 milhões de dólares em investimentos.
Muriel EDJO
O Egito aposta no setor das TIC para reforçar a sua economia e a sua presença nos mercados internacionais. As exportações digitais do país atingiram 7,4 mil milhões de dólares em 2025, contra 3,3 mil milhões em 2018, o que representa um aumento de 124% em sete anos.
O Egito prevê iniciar, a partir de 2026, a exportação de telemóveis produzidos localmente para os mercados internacionais. Para esse efeito, o país ambiciona fabricar 15 milhões de aparelhos, contra 10 milhões em 2025. Esta iniciativa insere-se na estratégia das autoridades para reforçar as exportações digitais e desenvolver uma base industrial local no setor das TIC.
Intervindo perante adidos militares designados no Instituto de Estudos das Ciências da Inteligência e da Segurança, o ministro das Comunicações e das Tecnologias da Informação, Amr Talaat, precisou que os 10 milhões de aparelhos produzidos este ano incorporam uma taxa de valor acrescentado local de 40%. Indicou igualmente que o Egito conseguiu atrair 15 marcas internacionais de telemóveis para a produção local, no âmbito de uma estratégia mais ampla destinada a transformar o setor das TIC numa potência estratégica orientada para a produção.
Esta dinâmica ocorre num contexto em que o mercado mundial de smartphones continua a crescer. Segundo a Research Nest, o seu valor deverá atingir 1 120 mil milhões de dólares em 2035, face a 609,2 mil milhões de dólares em 2025, impulsionado, em particular, pelo papel-chave das cadeias de abastecimento, das importações e dos fluxos de montagem. Esta progressão insere-se também no ressurgimento pós-Covid-19, após as perturbações das cadeias logísticas e a redução das despesas de consumo observadas em 2020.
A GSMA estima, por outro lado, que 250 milhões de pessoas adotaram um smartphone em 2024, elevando o número total de utilizadores para 4,4 mil milhões, o que corresponde a 54% da população mundial. Contudo, a organização sublinha que, entre as 3,1 mil milhões de pessoas cobertas por redes móveis de banda larga mas não subscritas à internet móvel, quase um terço possui um aparelho sem poder ou sem saber utilizá-lo para aceder à internet, enquanto os 2 mil milhões restantes não dispõem de qualquer terminal.
Embora estes indicadores apontem para oportunidades para os smartphones produzidos no Egito, o mercado internacional apresenta também desafios. A International Data Corporation (IDC) antecipa uma queda de 0,9% nas expedições mundiais de smartphones em 2026, devido a escassez de componentes e a ajustamentos dos ciclos de produtos. O instituto acrescenta que a persistente escassez mundial de memórias deverá restringir a oferta e pressionar os preços em alta, afetando de forma mais acentuada os smartphones Android de entrada e de gama média, mais sensíveis às variações de preço.
Isaac K. Kassouwi
Em novembro de 2021, a WIOCC anunciou ter angariado 200 milhões de dólares para lançar um novo rede pan-africana de centros de dados, denominada Open Access Data Centres (OADC). Para além da África do Sul, a empresa está presente na Nigéria e na República Democrática do Congo (RDC).
O operador de centros de dados Open Access Data Centres (OADC) está prestes a adquirir novas instalações na África do Sul, depois de ter recebido, na semana passada, o aval da Comissão da Concorrência. Esta filial do grupo WIOCC reforça assim a sua presença num mercado avaliado em 580 milhões de dólares, segundo a Mordor Intelligence.
Os ativos a adquirir incluem sete centros de dados atualmente explorados pela NTT Data na África do Sul, localizados em Bloemfontein, Cidade do Cabo, East London, Bryanston e Parklands (Joanesburgo), Gqeberha e Umhlanga. A transação abrange as infraestruturas e equipamentos associados, os contratos com fornecedores e de arrendamento, bem como o terreno onde se encontra o centro de dados de Parklands. Estas instalações oferecem uma gama completa de serviços, incluindo colocação (racks e fornecimento elétrico), serviços de rede e conectividade, bem como a implementação e gestão de centros de dados.
De acordo com o seu website, a OADC dispõe atualmente de quatro centros de dados hyperscale na África do Sul, localizados na Cidade do Cabo, Joanesburgo e Durban, aos quais se juntam cerca de trinta centros de dados Edge, de menor dimensão.
A aprovação da aquisição surge poucos dias após a WIOCC ter obtido um novo financiamento de 65 milhões de dólares junto da IFC, Proparco, Emerging Africa Infrastructure, Asia Infrastructure Fund (EAAIF) e da Ninety One. Este financiamento insere-se no compromisso assumido pela OADC pouco depois do seu lançamento, em novembro de 2021, de investir 500 milhões de dólares ao longo de cinco anos para expandir a sua presença no continente. A WIOCC tinha já contraído um empréstimo inicial de 200 milhões de dólares para lançar a OADC.
Primeiro em África, o mercado sul-africano de centros de dados continua em forte crescimento, impulsionado por uma transformação digital acelerada. A Mordor Intelligence estima que este mercado poderá atingir 1,25 mil milhões de dólares até 2030, enquanto a Arizton Advisory & Intelligence projeta um valor de 3,4 mil milhões de dólares no mesmo horizonte. Esta última sublinha que «o vasto mercado de consumo, um ambiente regulatório favorável ao armazenamento local de dados e o dinamismo do setor tecnológico são os principais fatores que impulsionam o crescimento do mercado de centros de dados na África do Sul, tornando o país um destino-chave para investimentos no continente africano».
Isaac K. Kassouwi
Tal como em muitos países africanos, as autoridades burquinabês apostam numa integração generalizada do digital para apoiar o desenvolvimento socioeconómico. Esta estratégia abrange todos os setores, incluindo o da justiça.
O governo do Burkina Faso prevê acelerar a digitalização do setor da justiça a partir de 2026, com o objetivo de reforçar a inclusão da população. O anúncio foi feito pelo Presidente da República, Ibrahim Traoré, durante o seu discurso à Nação, na quarta-feira, 31 de dezembro.
«Os esforços vão prosseguir também ao nível da justiça, com a digitalização de todos os atos, de modo a que os utentes não tenham necessariamente de se deslocar aos tribunais, que geralmente se encontram nos centros urbanos; e para que possam permanecer onde estão e ter acesso a uma justiça equitativa e a todos os documentos que a justiça pode emitir», declarou.
Este anúncio surge cerca de duas semanas após o lançamento de três novas plataformas digitais destinadas a aproximar a justiça dos cidadãos. Estas permitem a submissão e o acompanhamento de queixas online, o pedido desmaterializado de autorizações de visita às prisões e centros de correção, bem como a obtenção online de atos derivados do RCCM (Registo do Comércio e do Crédito Mobiliário), nomeadamente certidões, comprovativos de inscrição e certificados de não falência.
O Burkina Faso já tinha iniciado a digitalização de vários serviços judiciais e administrativos, incluindo o pedido de certificado de nacionalidade e de registo criminal. Em dois anos, estas duas plataformas registaram 467 000 pedidos tratados, gerando receitas de 337 milhões de francos CFA (cerca de 603 700 dólares).
Esta iniciativa insere-se numa visão mais ampla de transformação digital promovida pelas autoridades, que colocam as TIC no centro do desenvolvimento socioeconómico. Segundo o Presidente Traoré, o país deve sair de uma situação precária para se tornar um modelo. No entanto, nesta fase, o Burkina Faso ocupa o 175.º lugar entre 193 países no Índice de Desenvolvimento do Governo Eletrónico (EGDI) das Nações Unidas, com uma pontuação de 0,2895 em 1, inferior às médias regionais e mundiais.
De acordo com dados oficiais de 2024, a taxa de cobertura da telefonia móvel (2G) atinge 85%, contra 64% para a Internet 3G e 46% para a 4G. Por sua vez, a União Internacional das Telecomunicações (UIT) estima que a taxa de penetração da Internet era de 17% em 2023, face a 55,9% para a telefonia móvel.
Cientes desta fratura digital, as autoridades preveem a construção, já a partir deste ano, de «Casas do Cidadão» em todo o país.
«Estas casas serão instaladas em muitos chefes de província, mas iremos até aos departamentos, para que qualquer pessoa que não domine as ferramentas informáticas possa lá dirigir-se e encontrar burquinabês que a ajudarão a aceder a todos os serviços através das plataformas que serão instaladas», explicou I. Traoré.
Isaac K. Kassouwi
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