Através da Iniciativa Spotlight 2.0, a organização pretende enfrentar as causas estruturais das desigualdades de género, adotando uma abordagem abrangente que combina, nomeadamente, a prevenção da violência, o reforço da capacitação económica das mulheres e a responsabilização das instituições.
A ONU Mulheres Libéria, em colaboração com os seus parceiros de execução HOPE Liberia e Youth Crime Watch Liberia (YCWL), organizou na semana passada a reunião de lançamento da componente “Capacitação Económica das Mulheres” da Iniciativa Spotlight 2.0.
Segundo o comunicado da ONU Mulheres publicado na terça-feira, 26 de maio, este encontro reuniu as principais partes interessadas, instituições governamentais, organizações da sociedade civil e atores do setor privado, com o objetivo de reforçar a ação coletiva em prol da capacitação económica das mulheres e da prevenção da violência sexual e baseada no género (VSBG).
“Esta reunião constituiu uma plataforma essencial para promover uma compreensão comum do programa, validar processos de seleção de beneficiários transparentes e inclusivos, e identificar oportunidades viáveis de desenvolvimento de meios de subsistência e de competências para mulheres e raparigas vulneráveis”, sublinha o comunicado.
Através da Iniciativa Spotlight 2.0, mulheres e raparigas dos oito condados abrangidos beneficiarão de formação profissional, apoio ao empreendedorismo, educação financeira e oportunidades de geração de rendimento.
Na Libéria, as desigualdades de género persistem, alimentadas por normas patriarcais profundamente enraizadas, oportunidades limitadas para mulheres e raparigas, bem como pela persistência da violência sexual e baseada no género e de práticas nocivas como a mutilação genital feminina (MGF).
Para enfrentar estes desafios, o país ratificou a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW), bem como o Protocolo de Maputo relativo aos direitos das mulheres em África. Foram também registados progressos ao longo da última década, nomeadamente através da adoção de leis e políticas destinadas a promover o respeito pelos direitos das mulheres, segundo um relatório do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) publicado em 2025.
O programa Spotlight 2.0 pretende combater os fatores estruturais através de uma abordagem integrada, associando a prevenção da violência à capacitação económica das mulheres, ao reforço da participação e do poder de ação das comunidades, bem como a uma maior responsabilização das instituições.
Lydie Mobio
As tensões entre Washington e Pretória intensificam-se, num contexto marcado por divergências diplomáticas, debates sobre a reforma fundiária sul-africana e pela recomposição dos equilíbrios geopolíticos em torno dos BRICS.
A administração de Donald Trump decidiu aumentar em 10 000 vagas o limite anual de acolhimento de refugiados para o exercício fiscal de 2026, de modo a permitir a entrada de um maior número de sul-africanos brancos, principalmente oriundos da minoria afrikaner. Um documento presidencial assinado a 21 de maio e publicado na terça-feira, 26 de maio, no Federal Register, o Jornal Oficial norte-americano, justifica esta decisão com uma situação de emergência ligada à «incitação à violência com motivação racial» na África do Sul. Os Estados Unidos consideram que os afrikaners estão expostos a discriminações e violências direcionadas no país.
Com esta medida, o limite anual de acolhimento de refugiados nos Estados Unidos passa de 7 500 para 17 500 pessoas. Segundo dados da administração norte-americana, cerca de 6 000 sul-africanos brancos já tinham sido admitidos antes do final de abril, enquanto apenas três refugiados não sul-africanos foram acolhidos desde o início do exercício fiscal.
Esta orientação prolonga a política iniciada por Donald Trump após o seu regresso ao poder em janeiro de 2025. O presidente republicano suspendeu então quase totalmente o programa norte-americano de reinstalação de refugiados, com a notável exceção dos afrikaners.
Uma rutura com a doutrina migratória norte-americana
Criado em 1980 para responder à crise dos refugiados da Indochina, nomeadamente vietnamitas e cambojanos, o programa norte-americano de reinstalação tornou-se progressivamente um dos pilares da política humanitária de Washington. A abordagem atual representa, assim, uma rutura assumida com os critérios tradicionalmente aplicados ao acolhimento de refugiados.
A administração Trump afirma agir perante discriminações raciais e violências dirigidas contra agricultores brancos sul-africanos. Donald Trump e vários responsáveis norte-americanos chegam mesmo a evocar um «genocídio», qualificação rejeitada pelas autoridades sul-africanas, bem como por numerosos especialistas e organizações independentes.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros sul-africano, Chrispin Phiri, afirma que as acusações de discriminações organizadas contra os brancos são «totalmente infundadas».
Pretória sublinha igualmente que a violência rural afeta diferentes categorias da população e que nenhum dado oficial demonstra a existência de criminalidade especificamente dirigida contra os brancos.
A questão fundiária continua a ser um dos principais pontos de fricção entre os dois países. Os Estados Unidos criticam a possibilidade de expropriações sem indemnização, enquanto a África do Sul afirma que nenhuma apreensão foi implementada. Estas divergências inserem-se num contexto diplomático mais amplo, ligado a diferenças geopolíticas e à crescente influência dos BRICS. Durante um encontro em maio de 2025 na Casa Branca, Donald Trump acusou Pretória de violência contra os brancos, acusações rejeitadas por Cyril Ramaphosa, que reconhece, no entanto, desafios internos de segurança.
Os dois países procuram evitar uma rutura duradoura
O executivo sul-africano procura, paralelamente, preservar as suas relações económicas com Washington e destaca o papel estratégico do país no fornecimento de minerais críticos e terras raras, essenciais para as indústrias e tecnologias de defesa. Salienta igualmente a existência de investimentos sul-africanos nos Estados Unidos e indica que estão em curso discussões bilaterais para reduzir as atuais tensões.
No plano humanitário, a política norte-americana suscita numerosas interrogações. Vários observadores consideram que o tratamento acelerado reservado aos afrikaners contrasta fortemente com as restrições impostas a outras populações refugiadas oriundas de África, Ásia ou Médio Oriente.
Para acelerar as admissões, Washington reforçou as suas capacidades de processamento em território sul-africano e prevê um ritmo que poderá atingir 4 500 processos analisados por mês.
Alguns grupos de refugiados sul-africanos brancos já foram acolhidos através de procedimentos acelerados, sem envolvimento do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, normalmente central na avaliação dos pedidos.
Olivier de Souza
O Moçambique é atualmente o país mais afetado pela epidemia de cólera que atinge principalmente a África Austral desde o início de 2026. Perante esta situação, o governo pretende reforçar a resposta através de um vasto programa de investimento.
O governo moçambicano apresentou, a 22 de maio, em Genebra, o seu Plano Nacional de Eliminação da Cólera, à margem da 79.ª Assembleia Mundial da Saúde organizada pela OMS. Avaliado em 500 milhões de dólares, este plano quinquenal visa eliminar a infeção como problema de saúde pública até 2030 e reduzir em cerca de 90 % a mortalidade associada à doença.
Segundo informações divulgadas pelo meio de comunicação local 360 Mozambique, a nova folha de rota prevê intervenções integradas em vários domínios, nomeadamente vacinação, vigilância epidemiológica, expansão do acesso à água potável, reforço das infraestruturas de saneamento, bem como melhoria das capacidades de resposta sanitária ao nível comunitário nas zonas mais expostas.
Importa recordar que a cólera é uma doença diarreica grave de origem bacteriana, provocada pelo consumo de alimentos ou água contaminados, podendo causar a morte em poucas horas na ausência de tratamento.
Maputo aposta no apoio dos seus parceiros internacionais e financeiros presentes na Assembleia Mundial da Saúde para mobilizar os recursos financeiros necessários. «Estamos aqui para apresentar o compromisso do governo em eliminar a cólera e também para mobilizar apoio de forma a acelerar a implementação deste plano», declarou Ussene Isse, ministro moçambicano da Saúde.
Moçambique no centro de um contexto sub-regional sob tensão
Este anúncio surge num contexto de recrudescimento da cólera na África Austral. Segundo a OMS, cinco países afetados por surtos epidémicos na sub-região registaram 4 320 casos e 56 mortes entre 1 de janeiro e 15 de fevereiro de 2026, contra 586 casos e 11 mortes no mesmo período do ano anterior. O Moçambique representa, sozinho, cerca de 90 % dos casos reportados na sub-região.
Neste contexto, Moçambique tornou-se, em fevereiro passado, o primeiro país a relançar uma campanha de vacinação preventiva contra a cólera após mais de três anos de suspensão devido à escassez mundial de vacinas orais contra a cólera. O país já recebeu uma primeira alocação de 3,6 milhões de doses no âmbito de um programa internacional apoiado pela OMS, UNICEF e pela Aliança Gavi em 2026.
A retoma destas campanhas preventivas ocorre numa altura em que o abastecimento mundial de vacinas contra a doença melhorou significativamente. Segundo os parceiros internacionais, a produção anual passou de cerca de 35 milhões de doses em 2022 para quase 70 milhões de doses em 2025, permitindo retomar progressivamente estratégias de prevenção em larga escala.
Para as organizações de saúde, a vacinação constitui apenas uma componente da resposta. A melhoria duradoura do acesso à água potável, do saneamento e da higiene continua a ser essencial para reduzir de forma sustentável os riscos de surtos epidémicos.
Em Moçambique, a rápida implementação do plano de eliminação da cólera revela-se ainda mais crucial tendo em conta a deterioração das perspetivas regionais na África Austral. Segundo projeções publicadas pela OMS em fevereiro passado, a região poderá registar entre 12 000 e 22 000 novos casos de cólera entre março e agosto de 2026, nos cenários mais prováveis.
«Muitos fatores contribuem para os surtos de cólera na África Austral, nomeadamente os ciclones tropicais, as inundações que afetaram a África do Sul, Malawi, Moçambique e Zâmbia, os conflitos e deslocamentos populacionais, bem como a insuficiência dos sistemas urbanos de abastecimento de água», indica a organização das Nações Unidas para explicar estas previsões pessimistas.
Stéphanas Assocle
O padrão de beleza africano está ligado, entre outros elementos, aos penteados, dos quais as tranças e os entrançados são alguns dos mais famosos. Estes estilos capilares continuam ainda hoje a ilustrar a diversidade e a riqueza criativa do continente.
As tranças e os entrançados são penteados que unem identidade e estética, com interpretações e significados que variam conforme as ocasiões e os contextos. Datam da Antiguidade, como demonstram certas esculturas e hieróglifos egípcios de 3 500 a.C., segundo a revista especializada Camille Albane.
Assim, estes penteados ancestrais, muito mais do que simples arranjos capilares, constituem uma verdadeira expressão artística profundamente enraizada nas tradições africanas. Representam uma linguagem visual única que permite a homens e mulheres afirmarem a sua pertença a uma comunidade.
Tranças e entrançados: uma confusão frequente
Os entrançados, símbolos de sobriedade, seduzem pela sua aparência intemporal. Feitos através do entrelaçamento de três mechas, adaptam-se a todas as texturas capilares e, quando são colados ao couro cabeludo, desenham padrões geométricos refinados. Práticos e protetores, preservam a saúde do cabelo e exigem pouca manutenção.
As tranças, por sua vez, abrem um campo infinito de criatividade. Quer se trate de “box braids” ou de estilos tradicionais, permitem acrescentar comprimento, volume e cor através de extensões. Mais complexas do que os entrançados, oferecem uma diversidade de formas e texturas, ao mesmo tempo que protegem o cabelo natural e mantêm a sua hidratação.
As tranças e os entrançados modernos inspiram-se em estilos mais antigos observados entre tribos e clãs espalhados pelo continente africano.
As tranças étnicas em África
Em África, existe uma grande variedade de tranças que variam conforme as regiões, os rituais tribais ou as organizações sociais. Em cada tribo, têm um significado particular e são adaptadas a determinadas circunstâncias.
Entre os Maasai do Quénia e da Tanzânia, os homens usam tranças finas cobertas de ocre, que indicam a idade e o estatuto social. As mulheres exibem tranças frequentemente adornadas com belas contas. Nas tribos Samburu do Quénia, os jovens deixam crescer longas tranças coloridas, enquanto as mulheres criam padrões complexos.
Nas tribos Himba da Namíbia, as mulheres aplicam uma mistura de manteiga nas tranças, refletindo a idade, a maternidade ou o estado civil. Entre os Zulus da África do Sul, os penteados esculpidos em formas geométricas servem como sinais distintivos durante cerimónias.
Além da função estética, as tranças representam um sinal de identidade e de memória coletiva. Oriundas de práticas ancestrais, perpetuam um saber transmitido de geração em geração dentro das comunidades. Estes estilos não permaneceram imóveis no tempo nem no espaço: evoluíram para dar origem a formas mais modernas.
As tranças modernas: cornrows, box braids, long long...
Os estilos de tranças africanas evoluem constantemente, mas mantêm-se fiéis a um saber-fazer ancestral.
As “cornrows”, caracterizadas pelas suas tranças finas e alinhadas junto ao couro cabeludo, oferecem uma infinidade de variações estéticas — linhas retas, curvas em espiral, traçados em ziguezague ou padrões elaborados — ilustrando toda a riqueza da coiffure cultural, onde uma mesma tradição capilar se reinventa através de expressões individuais e influências contemporâneas.
As “box braids” formam uma grande família de tranças de inspiração livre, que surgem do couro cabeludo para criar volume e movimento, permitindo alongar, colorir ou adornar o cabelo. Tornaram-se símbolos de moda nas passarelas e nos ecrãs graças a ícones culturais como Rihanna, Kim Kardashian ou Zendaya, segundo o meio digital de beleza Lessence Paris.
O estilo “Fulani”, com a sua divisão assimétrica, cria um visual decididamente moderno, enquanto o “long long” utiliza fios para criar texturas inéditas que envolvem a cabeça.
Evolução das tranças nas diásporas africanas
A arte capilar africana expressa memória e pertença. Os padrões desenhados nos cabelos contam histórias, transmitem símbolos e acompanham acontecimentos. Herdados dos antepassados, estes saberes perpetuam-se e transformam-se na diáspora, dando origem a formas contemporâneas que prolongam uma tradição dinâmica. O contacto com outros povos remodelou as tranças africanas, abrindo caminho a novas perspetivas.
Nas diásporas, as tranças evoluíram ao ritmo das experiências vividas pelas comunidades africanas instaladas nos quatro cantos do mundo. As influências das sociedades de acolhimento moldaram novas formas de entrançado, misturando inspirações locais com símbolos herdados das culturas ancestrais. Esta evolução manifesta-se também durante celebrações e encontros culturais, onde as tranças ocupam um lugar importante na valorização das identidades africanas.
Ubrick F. Quenum
Em queda em relação ao trimestre anterior, o crescimento do PIB real da Nigéria continua, no entanto, em alta na comparação anual. O desempenho é impulsionado principalmente pelo setor dos serviços, que contribui com 57,73% do PIB.
Na Nigéria, o Produto Interno Bruto (PIB) real cresceu 3,89% no primeiro trimestre de 2026, contra 4,07% registados no trimestre anterior.
É o que indica o mais recente relatório do Gabinete Nacional de Estatísticas (NBS), publicado na segunda-feira, 25 de maio. Em termos homólogos, esta taxa representa ainda uma melhoria face ao primeiro trimestre de 2025, quando se situava em 3,13%.
Segundo o documento, o setor agrícola registou um crescimento de 3,15%, contra apenas 0,07% no primeiro trimestre de 2025, refletindo uma recuperação mais vigorosa da produção. O setor industrial cresceu 3,5% e o setor dos serviços avançou 4,31%. Este último continua a representar a maior fatia do PIB global, com uma contribuição estimada em 57,73% no primeiro trimestre de 2026, contra 57,50% no mesmo período do ano anterior.
O setor petrolífero registou um crescimento de 2,57% no primeiro trimestre de 2026, em baixa face ao trimestre anterior, mas em alta de 0,70 ponto percentual comparativamente ao mesmo trimestre de 2025. Segundo o relatório, «numa base trimestral, o setor petrolífero registou uma taxa de crescimento de 9,31% no T1 de 2026». A sua contribuição para o PIB fixou-se em 3,92%.
As atividades não petrolíferas também desaceleraram para 3,94%, contra 3,99% registados no quarto trimestre de 2025, mas mantêm-se ligeiramente acima do nível observado no mesmo trimestre de 2025. Foram principalmente impulsionadas pelos setores da informação e comunicação, agricultura, comércio, indústria transformadora, serviços financeiros e de seguros, imobiliário, construção, bem como transportes e armazenagem.
Indicadores macroeconómicos em melhoria
Nos últimos meses, a Nigéria tem apresentado indicadores macroeconómicos em melhoria. A agência S&P Global Ratings elevou, há algumas semanas, a notação de crédito soberano de longo prazo em moeda estrangeira e local do país de “B-” para “B”, mantendo a notação de curto prazo em “B”, com perspetiva estável. A agência destaca nomeadamente o reforço da dinâmica da balança de pagamentos.
Além disso, a moeda local, o naira, valorizou-se graças à acumulação das reservas cambiais, que atingiram 50,45 mil milhões de dólares em 16 de fevereiro de 2026.
Para 2026, o governo nigeriano prevê um crescimento económico de 4,68%, contra 3,87% em 2025, apoiado pela desaceleração da inflação, maior estabilidade cambial e continuação das reformas estruturais.
Apesar deste otimismo, o país continua confrontado com uma elevada taxa de desemprego, estimada em cerca de 30% segundo a antiga metodologia utilizada antes de 2023, de acordo com a S&P Global Ratings. A taxa de pobreza atinge 50% da população, contra 30% antes de 2020.
Lydie Mobio
Apesar do seu elevado potencial hidroelétrico, a RDC apresenta uma taxa de acesso à eletricidade estimada em 21,5% em 2025. O país aposta agora em soluções descentralizadas para acelerar a eletrificação das zonas rurais.
Em Kinshasa, o governo congolês e a União Europeia (UE) lançaram a «janela país» do programa ElectriFI. O anúncio foi feito num comunicado da instituição europeia publicado na terça-feira, 20 de maio.
Dotado de um orçamento de 15 milhões de euros (17,4 milhões de dólares), este mecanismo visa apoiar o acesso à eletricidade e o desenvolvimento das energias renováveis na República Democrática do Congo (RDC).
«O programa ElectriFI consolidou-se como um instrumento de referência incontornável para o financiamento de soluções energéticas inovadoras, viáveis e inclusivas. A criação deste orçamento dedicado à RDC […] constitui um sinal forte. É o testemunho de uma confiança renovada no potencial económico da nossa nação e, sobretudo, nas reformas corajosas empreendidas pelo nosso governo», declarou o ministro dos Recursos Hídricos e da Eletricidade, Aimé Sakombi Molendo, segundo declarações difundidas pela Agência Congolesa de Imprensa (ACP).
Uma eletrificação ainda muito insuficiente apesar do elevado potencial
A RDC figura entre os países africanos mais ricos em recursos energéticos, mas continua paradoxalmente a ser um dos menos eletrificados do continente. O país dispõe de um potencial hidroelétrico estimado em cerca de 167 000 MW, segundo o ministro Sakombi Molendo, principalmente concentrado no rio Congo, nomeadamente em torno do local de Inga, considerado um dos mais potentes do mundo.
No entanto, a capacidade efetivamente explorada continua limitada, restringindo a oferta de eletricidade disponível. Esta situação obriga alguns industriais a importar eletricidade de países vizinhos, como o Congo, a Zâmbia ou a Tanzânia, para manter as suas atividades.
A taxa de acesso à eletricidade atingiu 21,5% em 2025, contra 9% em 2019. Embora se trate da progressão mais rápida da história energética do país, esta taxa continua baixa, especialmente nas zonas rurais, onde grande parte da população ainda vive sem ligação à rede nacional. Mesmo as grandes cidades, incluindo a capital Kinshasa, enfrentam instabilidade no fornecimento elétrico, representando um desafio significativo para famílias e empresas.
Perante estas dificuldades, o país aposta progressivamente em soluções descentralizadas, nomeadamente mini-redes e sistemas solares fora da rede, considerados mais adequados para acelerar a eletrificação das zonas rurais e remotas.
Ingrid Haffiny
O Senegal registrou em 2025 uma queda de 2,14 pontos percentuais na taxa de implementação das reformas da UEMOA em relação a 2024. Essa redução é explicada por desempenhos insuficientes na governança econômica, na convergência e em certas reformas setoriais.
O Senegal alcançou uma taxa média provisória de 76,45% na implementação das reformas, políticas, programas e projetos comunitários da UEMOA em 2025, contra 78,59% no ano anterior, o que representa uma queda de 2,14 pontos percentuais.
O anúncio foi feito pelo ministro senegalês das Finanças e do Orçamento, Cheikh Diba, durante a 11ª edição da revisão anual da União, realizada em 19 de maio.
Uma avaliação marcada por desempenhos contrastantes
A avaliação de 2025 abrange 145 reformas e cinco projetos, contra 132 reformas em 2024. Segundo as autoridades, o recuo observado se deve principalmente a desempenhos abaixo do esperado nos domínios da governança econômica, da convergência e de certas reformas setoriais. Essas dificuldades foram parcialmente compensadas pelos resultados obtidos no mercado comum.
Em detalhes, as quedas foram estimadas em -1,3 ponto para a governança econômica e a convergência, e -6,3 pontos para as reformas setoriais, enquanto o mercado comum apresentou uma contribuição positiva de +0,91 ponto.
Por outro lado, “bons desempenhos também foram observados na harmonização dos quadros jurídicos, contábeis e estatísticos das finanças públicas (+1,88 ponto percentual); na união aduaneira (+4,55 pontos percentuais); na agricultura, pecuária, pesca e meio ambiente (+2,12 pontos percentuais); no desenvolvimento humano e social (+6,58 pontos percentuais); e na energia e minas (+3,33 pontos percentuais)”, declarou o ministro Cheikh Diba.
O presidente da Comissão da UEMOA, Abdoulaye Diop, classificou os resultados como “satisfatórios”.
Essa avaliação ocorre em um contexto no qual o Senegal confirma sua posição de motor econômico dentro da UEMOA. O país continua sendo o segundo maior exportador da zona, atrás da Côte d'Ivoire, impulsionado pela aceleração de sua produção de hidrocarbonetos. No mercado regional, o Tesouro senegalês dobrou suas captações no mercado de títulos públicos em 2025, elevando a exposição dos bancos para 2.225 bilhões de FCFA (3,9 bilhões de dólares).
Essa dinâmica faz parte da estratégia de transformação conduzida pela “Vision Sénégal 2050”, lançada em outubro de 2024. Esse novo quadro estratégico, que substitui o “Plan Sénégal émergent”, pretende transformar o país em uma economia soberana, inclusiva e próspera até 2050, com uma meta de crescimento médio de 6,5% no período 2025-2029, podendo atingir 9,7% em 2025 graças ao setor de hidrocarbonetos, além de uma trajetória de redução progressiva da dívida pública.
Criada em 2013 pela Conferência dos Chefes de Estado da UEMOA, a revisão anual é um mecanismo central de acompanhamento e avaliação das reformas comunitárias. Ela permite medir os avanços realizados pelos Estados-membros na implementação dos compromissos ligados à integração econômica.
Charlène N’dimon
Perante os desafios ligados à gestão dos investimentos públicos e à modernização da administração, as autoridades angolanas estão a acelerar a transformação digital dos mecanismos orçamentais, de forma a melhorar a coordenação, o controlo e o acompanhamento dos projetos financiados pelo Estado.
O governo angolano lançou oficialmente, na segunda-feira, 18 de maio, em Luanda, o Sistema Integrado de Gestão do Programa de Investimento Público (SIGPIP), uma plataforma digital destinada a centralizar, acompanhar e controlar os projetos públicos.
«O sistema permitirá melhorar o registo dos projetos, reforçar o planeamento técnico e financeiro, assegurar um acompanhamento mais contínuo da execução e consolidar os mecanismos de supervisão e controlo», indicou a ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa. Explicou ainda que esta reforma visa corrigir várias fragilidades históricas na gestão dos investimentos públicos, nomeadamente a dispersão dos dados, a lentidão dos procedimentos administrativos e as dificuldades de acompanhamento físico e financeiro dos projetos.
A implementação do SIGPIP será feita em duas etapas. Uma fase-piloto abrangerá vários ministérios estratégicos, como os das Finanças, do Planeamento, das Obras Públicas, da Energia, dos Transportes e da Saúde, bem como o governo provincial de Luanda e o Gabinete das Obras Especiais. A segunda fase irá alargar progressivamente o sistema a todas as entidades orçamentais até ao final do exercício em curso, com um acesso operacional generalizado previsto a partir de janeiro de 2027.
Esta iniciativa insere-se na continuidade dos esforços desenvolvidos por Angola para modernizar a sua governação económica e reforçar a eficiência das despesas públicas, num contexto marcado pela diversificação da economia e pela necessidade de melhorar a gestão dos investimentos do Estado. O país prevê implementar cerca de 3500 projetos no âmbito do seu Programa de Investimento Público (PIP) de 2026, com um orçamento estimado em 5,1 mil milhões de kwanzas (5,56 milhões de dólares).
Para memória futura, o país continua fortemente dependente das receitas petrolíferas. Segundo o Banco Mundial, o petróleo representa 20% do PIB, 60% das receitas fiscais e 95% das exportações. Esta dependência torna os investimentos previstos vulneráveis às flutuações dos preços das matérias-primas.
Carelle Yourann (estagiária)
O governo malgaxe prevê implementar uma política de «tolerância zero», segundo a qual nenhum ato de corrupção será tolerado e qualquer infração será sistematicamente alvo de sanções imediatas.
Madagáscar aprovou o seu plano de implementação da estratégia nacional de luta contra a corrupção (SNLCC) para o período 2025-2030, segundo um anúncio da Primatura publicado no sábado, 16 de maio.
Este plano operacional visa traduzir a estratégia anticorrupção em ações concretas, com uma abordagem centrada nos resultados, o reforço da eficácia dos mecanismos de controlo e a melhoria da governação pública. As autoridades colocam agora a luta contra a corrupção entre as prioridades nacionais.
«A luta contra a corrupção não é apenas uma questão de governação, mas também uma alavanca essencial para o desenvolvimento económico, a soberania nacional e a restauração da confiança entre os cidadãos e as instituições públicas», precisa o comunicado.
Entre as medidas adotadas estão o reforço das investigações sobre bens de origem ilícita, a criação de mecanismos de confiscação de bens na ausência de condenação penal em determinados casos, a criação de equipas conjuntas entre as diferentes estruturas anticorrupção para tratar dossiers de elevado impacto económico, bem como a partilha em tempo real de dados entre os atores envolvidos.
Foram também anunciadas várias reformas estruturais, nomeadamente a luta contra a captura do Estado, a limpeza dos contratos públicos, a reforma dos mecanismos de sanções na gestão administrativa e o reforço da soberania digital do Estado.
Na sua tomada de posse, o presidente Andry Rajoelina tinha manifestado a sua ambição de refundar o Estado em torno de várias prioridades, incluindo o reforço da luta contra a corrupção, a melhoria da gestão das finanças públicas, a promoção da transparência na ação governamental, a redução do desemprego e a relançamento das infraestruturas, especialmente rodoviárias.
Segundo o ranking de 2025 da Transparency International sobre a perceção da corrupção, Madagáscar ocupa a 37.ª posição em África e a 148.ª a nível mundial, contra a 140.ª posição mundial em 2024.
Ingrid Haffiny
O governo apresenta esta reforma como uma alavanca destinada a aumentar a atratividade económica do país. A medida permanece enquadrada por formalidades de segurança.
O governo togolês anunciou a supressão de vistos de entrada para cidadãos africanos detentores de passaporte válido. Esta medida está em vigor desde segunda-feira, 18 de maio, segundo um comunicado do Ministério da Segurança do Togo.
Concretamente, os cidadãos africanos poderão agora permanecer no Togo sem visto por um período máximo de 30 dias. No entanto, esta isenção não elimina as formalidades administrativas e de segurança em vigor. Os viajantes deverão continuar a efetuar uma declaração prévia de viagem, registar-se na plataforma governamental e obter uma autorização de viagem pelo menos 24 horas antes da sua chegada ao território togolês.
O governo recorda igualmente que as regras relativas à imigração irregular, à permanência ilegal e à segurança nacional continuam em vigor.
Esta decisão responde a vários objetivos estratégicos, incluindo a promoção da integração africana, o reforço da livre circulação de pessoas e bens, bem como a intensificação da cooperação entre os Estados do continente. Lomé pretende aumentar a atratividade económica e turística e consolidar o seu posicionamento como centro regional de serviços, negócios e intercâmbios.
O país dispõe de um potencial turístico com mais de 800 locais identificados e procura reforçar a sua atratividade junto de visitantes nacionais e internacionais.
Segundo dados publicados pelo Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO) sobre os fluxos turísticos intra-comunitários, o Togo registou 49,9 mil milhões de FCFA (88,33 milhões de dólares) em receitas provenientes do turismo oriundo dos Estados membros da UEMOA em 2023, posicionando-se entre os principais beneficiários das deslocações turísticas no espaço comunitário.
Vários países africanos já adotaram políticas de isenção de vistos para promover os intercâmbios intra-africanos no âmbito da Zona de Livre Comércio Continental Africana. Depois do Gana, cujo presidente Nana Akufo-Addo aprovou em 2024 a supressão de vistos para cidadãos africanos, o Togo junta-se a países como o Ruanda, as Seicheles, a Gâmbia e o Benim, que já implementaram políticas de abertura semelhantes.
Carelle Yourann (estagiária)
No Burundi, a inflação anual abrandou ao longo dos últimos doze meses, passando de 45,5 % em abril de 2025 para 10,8 % em março de 2026, indica o Fundo Monetário Internacional (FMI) num comunicado publicado na segunda-feira, 18 de maio.
Esta evolução aproxima agora o país do objetivo de 8 % fixado pelo Banco da República do Burundi (BRB), num contexto marcado pelos esforços de estabilização macroeconómica conduzidos pelas autoridades. Segundo a instituição, esta queda da inflação explica-se principalmente por uma maior disciplina orçamental e pela redução do financiamento monetário do défice público pelo banco central.
O FMI sublinha igualmente uma melhoria na coordenação entre as políticas orçamental e monetária. «O défice da conta corrente deverá reduzir-se para 6 % do PIB em 2026 graças ao aumento das exportações de ouro. As reservas de divisas poderão atingir progressivamente cerca de 500 milhões de dólares, ou seja, 2,8 meses de importações a médio prazo», refere Alexandre Chailloux, chefe da missão do programa do Fundo para o Burundi.
A subida dos preços internacionais do ouro e do café, as duas principais exportações do Burundi, bem como o aumento dos volumes exportados, permitiram aumentar as receitas em moeda estrangeira e reduzir as tensões no mercado cambial. As exportações de ouro passaram nomeadamente de cerca de 400 quilogramas em 2024 para 1,2 toneladas em 2025, segundo estimativas do FMI.
Apesar desta melhoria, a instituição considera que a economia burundesa continua vulnerável. O país permanece confrontado com desequilíbrios externos importantes e com um diferencial ainda elevado entre a taxa de câmbio oficial e o mercado paralelo, estimado em 100 % no final de abril de 2026.
Além disso, o FMI prevê uma ligeira subida da inflação no segundo semestre. Em média anual, esta deverá atingir 14,5 %, antes de convergir progressivamente para uma faixa entre 10 % e 12 % a médio prazo, um nível ainda superior ao objetivo oficial de 8 %.
Esta situação ocorre num contexto em que o Burundi continua exposto a um risco elevado de sobre-endividamento. Em 2021, o FMI concedeu ao país um financiamento ao abrigo da Facilidade de Crédito Rápido de 75 milhões de dólares para ajudar a enfrentar a Covid-19.
A instituição aprovou igualmente um alívio da dívida de 7,6 milhões de dólares no âmbito do Fundo Fiduciário de Assistência e Resposta a Catástrofes, bem como uma alocação de Direitos de Saque Especiais (DSE) de 206,6 milhões de dólares. Em julho de 2023, foi aprovado um programa ao abrigo da Facilidade Alargada de Crédito (FEC), no valor de 272 milhões de dólares, com um primeiro desembolso imediato de cerca de 62 milhões de dólares.
O FMI apela às autoridades para prosseguirem os esforços de consolidação orçamental, manterem uma política monetária prudente e acelerarem as reformas estruturais, nomeadamente nos setores do café, do ouro e da energia, de modo a consolidar de forma duradoura a estabilidade macroeconómica e apoiar o crescimento.
«As perspetivas económicas do Burundi permanecem positivas, desde que a dinâmica atual das reformas seja mantida e que as condições externas se normalizem. O crescimento real do PIB está projetado em 3,9 % em 2026, antes de acelerar progressivamente para entre 4 % e 4,5 % a médio prazo», acrescenta M. Chailloux.
O presidente ugandês Yoweri Museveni (foto) promulgou, no domingo, 17 de maio, a Lei de Proteção da Soberania Nacional, oficializando assim a sua entrada em vigor. Segundo um comunicado do governo, o texto visa reforçar a independência decisória do país e proteger os interesses nacionais.
A lei prevê, nomeadamente, a regulamentação de organizações e indivíduos afiliados a entidades estrangeiras, bem como o enquadramento dos financiamentos e apoios que lhes são concedidos. A sua implementação ficará a cargo do departamento responsável pela paz e segurança no seio do Ministério do Interior.
Kampala considera que esta legislação permitirá reforçar a coordenação institucional, a estabilidade e a governação, ao mesmo tempo que apoia a estratégia de transformação económica do país e as suas relações com os parceiros internacionais.
Com 71 % dos países a melhorar a sua pontuação global em relação a 2025, a África foi a segunda região com melhor desempenho este ano, atrás da Ásia-Pacífico, embora nenhum país do continente figure entre os 50 primeiros do ranking mundial.
A República da Maurícia, Ruanda e Botsuana são os países africanos que apresentam os melhores desempenhos em termos de eficácia governamental em 2026, segundo um ranking publicado na quinta-feira, 14 de maio, pelo Chandler Governance Group (CGG), uma organização sem fins lucrativos que trabalha para fortalecer as capacidades do setor público em todo o mundo.
O ranking “The Chandler Good Government Index 2026” mede a eficácia dos governos de 133 países do mundo, independentemente do sistema político ou da ideologia, com base em 35 indicadores agrupados em sete pilares:
“Liderança e visão de futuro” (ética, liderança, visão a longo prazo, adaptabilidade, definição de prioridades, inovação, etc.)
“Sólidez das leis e políticas públicas” (Estado de direito, qualidade do sistema judicial, transparência, governação, etc.)
“Instituições fortes” (coordenação, capacidade de dados, qualidade da implementação de projetos, burocracia, etc.)
“Gestão responsável das finanças” (nível da dívida pública, orçamento, despesas, eficiência do gasto, risco-país, etc.)
“Atratividade do mercado” (direitos de propriedade, capacidade de atrair investimentos, desempenho logístico, competências, etc.)
“Influência e reputação global” (comércio internacional, diplomacia, força do passaporte, imagem de marca, etc.)
“Capacidade de promover o bem-estar dos cidadãos” (educação, saúde, emprego, distribuição de riqueza, desempenho ambiental, qualidade dos serviços públicos, não discriminação, estabilidade de preços, etc.)
Os países incluídos no índice são avaliados numa escala de 0 a 1 para cada indicador. As pontuações obtidas são depois ponderadas igualmente, normalizadas e agregadas para calcular uma pontuação final por país, variando de 0 (baixa eficácia governamental) a 1 (eficácia ótima).
A República da Maurícia, que ocupa o 55.º lugar entre os 133 países analisados, mantém a primeira posição africana desde o lançamento do índice em 2021. Este país, classificado na categoria de países de rendimento médio-alto, obtém uma pontuação global de 0,554. Os seus melhores desempenhos registam-se nos pilares “Sólidez das leis e políticas públicas” (37.º lugar mundial) e “Instituições fortes” (40.º lugar).
Com uma pontuação global de 0,515, Ruanda (62.º lugar mundial) ocupa a segunda posição no continente, à frente do Botsuana (70.º), Marrocos (79.º), Tanzânia (80.º), África do Sul (85.º), Egito (88.º), Benim (89.º), Gana (92.º). A Costa do Marfim e a Namíbia, que empatam no 94.º lugar mundial, fecham o Top 10 africano.
(Veja abaixo o ranking completo dos 35 países africanos incluídos no índice.)
De notar que sete países africanos entraram no índice pela primeira vez este ano: RDC, Libéria, Gâmbia, Chade, Lesoto, Guiné e Togo.
África progride, mas continua atrás a nível mundial
Globalmente, a África foi a segunda região com maior progresso em 2026, atrás da Ásia-Pacífico. Este ano, 71 % dos países africanos presentes na edição de 2025 do índice melhoraram a sua pontuação global em relação ao ano anterior.
As médias regionais em seis dos sete pilares do índice também melhoraram em relação a 2025. Os progressos mais significativos ocorreram nos pilares “Capacidade de promover o bem-estar dos cidadãos” e “Gestão responsável das finanças”. Isto sugere que, mesmo num contexto orçamental restritivo, alguns governos africanos começam a estabilizar as suas finanças públicas enquanto melhoram a prestação de serviços em áreas que impactam diretamente os cidadãos, incluindo cuidados de saúde, educação e serviços públicos essenciais.
Apesar destes avanços, a África continua a ser a região com pior desempenho no índice desde o seu lançamento em 2021. A pontuação média do continente encontra-se claramente abaixo da média mundial, e nenhum país africano integra o Top 50 mundial em 2026.
A nível global, Singapura mantém o 1.º lugar no ranking com uma pontuação global de 0,884, seguida da Noruega, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Suíça, Alemanha, Países Baixos, Emirados Árabes Unidos e Luxemburgo.
Walid Kéfi
Ranking 2026 dos países africanos com melhor desempenho em eficácia governamental:
República da Maurícia (55.º lugar mundial)
Ruanda (62.º)
Botsuana (70.º)
Marrocos (79.º)
Tanzânia (80.º)
África do Sul (85.º)
Egito (88.º)
Benim (89.º)
Gana (92.º)
Costa do Marfim (94.º)
Namíbia (94.º)
Argélia (99.º)
Senegal (102.º)
Quénia (103.º)
Uganda (104.º)
Tunísia (105.º)
Zâmbia (110.º)
Malawi (111.º)
Madagascar (111.º)
Togo (113.º)
Gâmbia (114.º)
Camarões (115.º)
Etiópia (116.º)
Burquina Faso (117.º)
Lesoto (118.º)
Libéria (120.º)
Nigéria (121.º)
Guiné (122.º)
Moçambique (124.º)
Mali (125.º)
Zimbábue (127.º)
Angola (128.º)
Serra Leoa (130.º)
RDC (131.º)
Chade (132.º)
Com casos confirmados no Uganda, este 17.º surto de Ébola na RDC reacende as preocupações sobre a segurança sanitária regional numa área marcada pela insegurança, deslocações massivas de população e ausência de tratamento aprovado.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) enviou quase 12 toneladas de materiais de emergência para apoiar a resposta ao surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDC), com apoio aéreo da MONUSCO. Foi o que anunciou a organização na segunda-feira, 18 de maio.
Este destacamento foi acompanhado pela chegada a Bunia de 35 especialistas e primeiros intervenientes da OMS e do Ministério da Saúde congolês, ilustrando a aceleração da mobilização internacional para reforçar rapidamente a assistência vital no terreno.
Esta operação sucede à declaração de “emergência de saúde pública de interesse internacional” (ESPII) feita pela OMS em 17 de maio, devido à propagação do surto da doença pelo vírus Ébola, causada pela estirpe “Bundibugyo”, na RDC e no Uganda.
O epicentro da crise encontra-se na província congolesa de Ituri, onde as autoridades confirmaram oito casos positivos, registaram 246 casos suspeitos e reportaram 80 óbitos suspeitos nas zonas de saúde de Bunia, Rwampara e Mongbwalu até 16 de maio. Dois casos confirmados, incluindo um óbito, também foram detectados em Kampala, Uganda, após deslocações provenientes da RDC, confirmando a propagação transfronteiriça temida pelas autoridades de saúde.
A OMS estima que a dimensão real do surto possa estar largamente subestimada, devido aos numerosos óbitos comunitários suspeitos, casos registados entre profissionais de saúde e à dificuldade em estabelecer as cadeias de transmissão numa região afetada por insegurança crónica e elevada mobilidade humana. A situação é ainda mais preocupante dado que atualmente não existe qualquer vacina ou tratamento aprovado contra a estirpe “Bundibugyo”.
Mobilização continental e resposta reforçada
Perante esta ameaça, os governos congolês e ugandês ativaram os seus dispositivos de emergência sanitária, reforçaram a vigilância epidemiológica, destacaram equipas de resposta rápida e intensificaram campanhas de sensibilização comunitária. Na RDC, as autoridades prometeram atendimento gratuito e isolamento rigoroso dos casos, enquanto no Uganda o governo garantiu que a situação permanecia sob controlo, apesar da maior vigilância nas fronteiras.
O Africa CDC, por sua vez, lançou um alerta continental e reuniu mais de 130 parceiros internacionais para coordenar a resposta, mencionando mesmo uma possível declaração de emergência sanitária continental. O Presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, apelou a uma mobilização reforçada dos Estados-membros para evitar uma propagação regional.
Vários países vizinhos já tomaram medidas preventivas. O Ruanda, por exemplo, reforçou o rastreio e a vigilância nas fronteiras, mobilizou as suas equipas de saúde e consolidou os seus sistemas de monitorização.
Uma zona fragilizada por crises de segurança e migração
Este novo surto ocorre num contexto particularmente complexo. O leste da RDC continua marcado por insegurança armada, acesso limitado às zonas afetadas e fluxos migratórios massivos para Uganda, que acolhe já cerca de 600 000 refugiados congoleses. Esta porosidade fronteiriça complica consideravelmente o rastreio de contactos e aumenta os riscos de disseminação regional.
Desde 1976, a RDC registou dezassete surtos de Ébola, alguns dos mais mortíferos do mundo. O mais grave, entre 2018 e 2020, em Kivu Norte e Ituri, causou mais de 2 287 óbitos e exigiu uma mobilização internacional de grande escala. Segundo um relatório do BMJ Global Health publicado em outubro de 2023, o orçamento total previsto ascendia a 1,28 mil milhões de dólares e os fundos empenhados a 1,18 mil milhões de dólares, correspondendo a 92,5 % do montante orçamentado.
Apesar da gravidade da situação, a OMS não recomenda, nesta fase, o encerramento generalizado das fronteiras nem restrições ao comércio internacional, considerando que tais medidas poderiam favorecer passagens clandestinas mais difíceis de controlar. A agência privilegia antes uma resposta coordenada baseada em vigilância, rastreio, isolamento rápido e cooperação regional.
No que respeita à mobilização internacional, os Estados Unidos anunciaram a ativação de um plano de intervenção e mobilizaram uma ajuda inicial de 13 milhões de dólares para apoiar os esforços imediatos na RDC e no Uganda. Esta ação apoia-se nos fundos comuns da OCHA já mobilizados nos dois países, para assegurar um rápido envio de ajuda humanitária e uma coordenação estreita com o sistema das Nações Unidas.
O Reino Unido, por sua vez, alocou, em 16 de maio, um milhão de libras (1,3 milhões de dólares) à OMS para ajudar a conter o surto. «É essencial para a nossa segurança comum que seja implementada uma resposta rápida e eficaz, com acesso humanitário sem restrições», declarou Jenny Chapman, Ministra britânica do Desenvolvimento Internacional e da África.
Charlène N’dimon
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