Departamento no centro da ação governamental na Costa do Marfim, o Ministério da Economia, das Finanças e do Orçamento prepara a estratégia orçamental para 2027-2029, com enfoque no desempenho, nas reformas e na mobilização de recursos.
Na segunda-feira, 23 de março, o Ministério marfinense da Economia e das Finanças apresentou as oito prioridades que irão estruturar a sua ação para o período 2027-2029.
Este anúncio foi feito na abertura de um ateliê dedicado à validação da componente narrativa do Documento de Programação Plurianual das Despesas – Projeto Anual de Desempenho (DPPD-PAP) e do Relatório Anual de Desempenho (RAP). Estas duas ferramentas-chave de gestão orçamental permitem alocar os recursos de forma eficiente e avaliar a gestão dos programas em função dos compromissos financeiros.
Oito prioridades para consolidar o desempenho orçamental
Entre as prioridades destaca-se a conclusão do programa económico e financeiro 2023-2026, acordado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), na continuidade dos programas anteriores implementados desde 2012. A isto juntam-se a manutenção de um quadro macroeconómico estável e o reforço da mobilização de recursos internos para financiar as políticas públicas.
O ministério pretende igualmente acelerar as reformas das finanças públicas e do setor financeiro, preparando ao mesmo tempo, dentro dos prazos, o anteprojeto da Lei do Orçamento para 2027. Outro desafio importante é a saída da lista cinzenta do Grupo de Ação Financeira (GAFI), na qual a Costa do Marfim ainda se encontra. O reforço do diálogo com o setor privado completa esta folha de rota.
« A condução eficaz das missões do nosso ministério dependerá em grande medida da qualidade e do conteúdo do DPPD-PAP que será elaborado », afirmou Dely Soumahoro, conselheiro técnico do ministro da Economia, das Finanças e do Orçamento.
Esta estratégia insere-se num contexto de crescimento económico dinâmico. A Costa do Marfim continua a registar um crescimento sustentado, estimado em 6,2% em 2025, segundo o Banco Mundial, e em 6,4% a médio prazo, impulsionado pelo dinamismo dos investimentos públicos e privados. Neste contexto, as autoridades validaram novas orientações orçamentais e de desenvolvimento.
Do ponto de vista orçamental, a Lei do Orçamento de 2026 prevê um aumento das despesas públicas, particularmente direcionadas para as infraestruturas, os setores sociais e a transformação industrial. Assim, o orçamento de 2026 está fixado em 17.350,2 mil milhões de FCFA (30,6 mil milhões de dólares), face a 15.339,1 mil milhões de FCFA em 2025. Estrutura-se em torno de 29 dotações e 158 programas, dos quais 39 pertencem às contas especiais do Tesouro (CST).
Estas orientações estão alinhadas com os objetivos do Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) 2021-2025, que dá ênfase à industrialização, ao desenvolvimento do capital humano, à modernização das infraestruturas e ao reforço da governação.
Carelle Yourann (estagiária)
Através desta parceria, os dois países reforçam a sua cooperação económica e social bilateral. Os projetos previstos visam a educação, a segurança e as tecnologias.
A Tanzânia e a Áustria acordaram implementar projetos estratégicos no valor de 30 milhões de euros (34,8 milhões de dólares), com o objetivo de reforçar a sua cooperação em matéria de desenvolvimento.
O anúncio foi feito pelo vice-ministro das Finanças da Tanzânia, Mshamu Munde, na segunda-feira, 23 de março, após uma reunião com uma delegação austríaca liderada pela vice-ministra dos Assuntos Europeus e Internacionais, Hannah Liko.
Os projetos distribuem-se principalmente pelos setores da educação, da segurança e da tecnologia. O ministro explicou que a Áustria financia projetos-chave através de empréstimos em condições favoráveis, que contribuem diretamente para melhorar o bem-estar dos cidadãos, nomeadamente a renovação e instalação de sistemas modernos no Instituto de Ciência e Tecnologia de Karume (KIST), bem como o reforço do sistema educativo em Zanzibar.
Durante os encontros, ambas as partes abordaram a implementação da Estratégia Austríaca para África (2026–2029), que prevê o reforço da paz e da segurança, a promoção de uma economia verde, uma melhor gestão das migrações irregulares, ao mesmo tempo que desenvolve sistemas de migração legal e eficaz, e o incentivo aos avanços nos domínios da ciência e da educação.
A Tanzânia convidou igualmente a Áustria a aumentar os seus investimentos no âmbito da Visão 2050, que pretende transformar a Tanzânia numa economia industrial de elevado rendimento, com um PIB estimado em cerca de 1000 mil milhões de dólares americanos. A agricultura, o turismo, a indústria, a exploração mineira e a economia azul são identificados como motores essenciais desta transformação económica.
Um crescimento que atrai investidores
Nos últimos anos, a Tanzânia conseguiu manter a estabilidade macroeconómica apesar de choques externos severos. A sua economia manteve-se robusta, com um crescimento estimado em 6% em 2025, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), finanças públicas bem controladas e uma inflação moderada, inferior à meta de 5% estabelecida pelo Banco da Tanzânia.
De acordo com o Banco Mundial, graças aos seus vastos recursos naturais e a uma dinâmica demográfica favorável, o país conseguiu sustentar um elevado nível de investimento, um motor essencial do seu crescimento. Beneficiou também de uma melhoria significativa do seu ambiente de negócios, o que impulsionou a entrada de investimentos, em particular de investimento direto estrangeiro (IDE) no desenvolvimento das capacidades de produção.
A Tanzânia e a Áustria mantêm uma parceria sólida e em plena expansão, centrada na diplomacia económica.
Lydie Mobio
Este pacote «Team Europe» financiará os setores digital, da saúde, da agricultura e da gestão das migrações, ao mesmo tempo que reforça a parceria estratégica. No total, os financiamentos mobilizados na Nigéria atingem 962,5 milhões de euros (1.114,6 milhões de dólares) desde 2025.
A União Europeia (UE) anunciou, na segunda-feira, 23 de março, um novo pacote de investimentos de 290 milhões de euros (336 milhões de dólares) a favor da Nigéria, no âmbito da iniciativa «Team Europe». O anúncio foi feito à margem do 8.º diálogo ministerial UE–Nigéria, realizado em Abuja.
Este programa, integrado na estratégia «Global Gateway», prevê o financiamento de sete projetos que abrangem setores considerados prioritários.
Uma repartição setorial direcionada
Em detalhe, 131 milhões de euros serão destinados ao desenvolvimento do setor digital, nomeadamente para melhorar a conectividade e reforçar as competências. O setor da saúde receberá 55 milhões de euros para apoiar a produção local de medicamentos e vacinas.
Além disso, 86 milhões de euros serão alocados ao desenvolvimento das cadeias de valor agrícolas, em particular nos setores do cacau e do leite, enquanto 16 milhões de euros serão dedicados à gestão das migrações, incluindo a reintegração de migrantes e o combate às redes de tráfico de seres humanos.
O comissário europeu para as Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, sublinhou que «estes investimentos no âmbito da iniciativa “Global Gateway” permitem criar novas infraestruturas de qualidade, empregos sustentáveis e oportunidades económicas a longo prazo que beneficiam a população nigeriana, ao mesmo tempo que abrem novas perspetivas para a Europa».
Considerada um ator central em África, devido ao seu peso demográfico e económico, a Nigéria beneficia do apoio da UE em vários domínios estratégicos. Para Abuja, esta parceria constitui uma alavanca para diversificar a economia para além do petróleo e reforçar o emprego jovem.
Um parceiro comercial de referência
A UE continua a ser o principal parceiro comercial multilateral da Nigéria. O país registou um excedente comercial de 9,6 mil milhões de euros em 2024, contra 5,2 mil milhões de euros no ano anterior.
Com este novo pacote, o volume total de financiamentos mobilizados pela iniciativa «Team Europe» na Nigéria atinge cerca de 962,5 milhões de euros desde 2025, incluindo projetos nos transportes, energias renováveis, governação democrática e combate às violências baseadas no género.
Charlène N’dimon
Face a um défice energético que ainda afeta cerca de metade da sua população, a CEDEAO recorre à China para acelerar o financiamento de projetos estimados em mais de 36 mil milhões de dólares.
A CEDEAO iniciou discussões com a Energy China International (CEEC), na segunda-feira, 16 de março de 2026, em Abuja, com o objetivo de explorar vias de colaboração no desenvolvimento de infraestruturas elétricas na África Ocidental.
O encontro, que contou também com a participação de representantes do West African Power Pool (WAPP), permitiu analisar vários portfólios de projetos, as capacidades técnicas da empresa chinesa, bem como os mecanismos de financiamento para acelerar a implementação de infraestruturas energéticas regionais.
Entre os projetos abordados figuram iniciativas estruturantes de interligação elétrica entre vários Estados-membros, incluindo a Costa do Marfim, o Gana, a Nigéria e o Senegal. Estes projetos inserem-se no plano diretor energético regional (2019–2033), que prevê a execução de 75 projetos prioritários, com um custo total estimado em 36,39 mil milhões de dólares.
As discussões incidiram igualmente sobre as oportunidades de financiamento associadas a estes projetos. A CEDEAO procura atrair mais investidores para colmatar o défice de infraestruturas. Estas iniciativas visam partilhar as capacidades de produção e melhorar a estabilidade do fornecimento de eletricidade na região.
Um setor energético sob pressão
A África Ocidental continua a enfrentar um défice energético significativo. A capacidade instalada (26 GW em 2020, segundo a IRENA) permanece insuficiente para uma população estimada em 401,9 milhões de habitantes, grande parte da qual concentrada na Nigéria.
As disparidades entre países continuam acentuadas. Em 2023, a taxa média de acesso à eletricidade nos países da CEDEAO situava-se em 61,6 %, mas descia para 32,1 % nos Estados da Aliança dos Estados do Sahel, nomeadamente Burkina Faso, Mali e Níger.
Apesar dos progressos registados nos últimos anos, a eletricidade disponível continua pouco fiável. As redes de transporte e distribuição permanecem pouco desenvolvidas, enquanto as capacidades de produção ficam aquém da procura crescente, impulsionada pela urbanização e pelo crescimento demográfico.
As interrupções frequentes, os elevados custos de produção e a dependência de energias fósseis fragilizam igualmente as economias da região. Neste contexto, os projetos de interligação promovidos pelo WAPP surgem como soluções estruturantes para otimizar a utilização dos recursos disponíveis e promover a integração regional.
A China, um parceiro-chave no financiamento de infraestruturas na África Ocidental
A aproximação à Energy China International (CEEC) insere-se numa dinâmica mais ampla de cooperação entre a CEDEAO e a China. Nas últimas duas décadas, Pequim afirmou-se como um parceiro central no desenvolvimento de infraestruturas na África Ocidental.
O comércio entre a China e África atingiu 348 mil milhões de dólares em 2025, um aumento de 17,7 % em relação a 2024. Este crescimento foi amplamente impulsionado pelas exportações chinesas, que ultrapassaram os 225 mil milhões de dólares, face a 123 mil milhões de dólares de importações africanas.
De acordo com o Boletim Económico China-África 2024, produzido pelo Global Development Policy Center, entre 2000 e 2022, os credores chineses concederam cerca de 170,08 mil milhões de dólares em empréstimos aos Estados africanos, principalmente através do Banco de Exportação e Importação da China e do Banco de Desenvolvimento da China, tornando a China o principal credor bilateral do continente. No mesmo período, as empresas chinesas anunciaram 112,34 mil milhões de dólares em investimento direto estrangeiro em novos projetos e realizaram 24,60 mil milhões de dólares em investimentos através de fusões e aquisições em África.
Ainda segundo o Global Development Policy Center, cerca de 34 % dos empréstimos concedidos ao continente foram direcionados para o setor da energia (ou seja, 52,4 mil milhões de dólares), maioritariamente para energias fósseis (51 %), enquanto as energias renováveis representaram apenas 2 % dos financiamentos.
Neste contexto, vários países da África Ocidental tornaram-se parceiros privilegiados da China, com os quais esta tem intensificado os seus investimentos. O país asiático pretende tirar partido desta posição para reforçar a sua presença no setor das infraestruturas.
Carelle Yourann (estagiária)
Os sistemas digitais africanos continuam vulneráveis às ciberameaças, devido à falta de competências locais, num contexto de adoção acelerada das tecnologias digitais por parte das administrações e empresas.
África está a estruturar a sua resposta face à explosão das ciberameaças e à escassez crítica de mão de obra qualificada. Neste contexto, a International Cybersecurity Community for Africa (ICCA), uma plataforma pan-africana de cibersegurança, foi lançada na sexta-feira, 20 de março, em Kigali, no Ruanda. Este novo organismo visa reunir os especialistas do continente e reforçar as capacidades operacionais regionais.
O dispositivo posiciona-se como um quadro de cooperação dedicado à partilha de informações sobre riscos digitais, à aprendizagem e ao aperfeiçoamento de talentos. A sua implementação ocorre num momento em que os ataques informáticos se intensificam. Segundo indicadores divulgados durante a inauguração, as organizações africanas sofrem, em média, cerca de 1.848 ataques por semana.
Para responder a esta pressão, a ICCA pretende formar um milhão de especialistas até 2030, um desafio significativo, tendo em conta que o continente conta atualmente com apenas 300.000 profissionais para uma procura em rápida expansão.
Para apoiar este objetivo, foram apresentados dois instrumentos tecnológicos. O primeiro, Umurinzi Cyber Threat Intelligence, permite identificar credenciais comprometidas na dark web e alertar as entidades visadas. O segundo é um sistema de formação prática do tipo Capture the Flag (CTF), que propõe simulações de ataques para reforçar a especialização técnica a custos controlados e num ambiente adaptado às realidades locais.
Apoiada pelas autoridades ruandesas e por parceiros internacionais, esta iniciativa insere-se numa estratégia global de valorização do capital humano e de proteção das infraestruturas críticas. Através deste projeto, os promotores pretendem fomentar o surgimento de um ecossistema digital integrado, capaz de enfrentar os desafios da transição digital.
No seu roteiro, a ICCA prevê alargar as suas atividades a cerca de quinze países até 2027 e implementar programas de certificação. A longo prazo, a instituição planeia lançar um índice africano de resiliência cibernética para medir o grau de preparação dos Estados face à cibercriminalidade.
Samira Njoya
Em 2023, o Chade fazia parte dos países que manifestaram a intenção de fornecer forças militares e policiais no âmbito de uma missão de segurança no Haiti. O destacamento deveria ocorrer após um período de formação.
O Chade prevê enviar 800 polícias e gendarmes para o Haiti para participar numa força internacional destinada a apoiar a polícia haitiana no combate aos gangues armados, informou a agência Reuters na sexta-feira, 20 de março, citando um alto responsável da polícia chadiana.
Foram fornecidos poucos detalhes. No entanto, segundo as informações disponíveis, os agentes deverão chegar ao Haiti em junho, após terem recebido formação ministrada por «parceiros europeus e americanos».
Este anúncio surge após o regresso, a 17 de março, de 215 polícias quenianos, que constituíam o segundo contingente da Missão Multinacional de Apoio à Segurança (MSS) no Haiti. De acordo com o Ministério do Interior e da Administração Nacional do Quénia, a missão entrou agora numa fase de transição e de retirada progressiva, prevendo o regresso de um número crescente de agentes.
«Estes polícias faziam parte do destacamento de 2023 destinado a apoiar os esforços de estabilização no Haiti e a ajudar a Polícia Nacional Haitiana a restabelecer a ordem pública nas zonas afetadas pela insegurança», indicou o ministério.
Este anúncio insere-se num contexto de agravamento contínuo da situação de segurança no Haiti. Desde o assassinato do presidente Jovenel Moïse, em julho de 2021, a crise intensificou-se. O país ficou sem uma liderança política estável, as instituições enfraqueceram e os gangues expandiram o seu controlo sobre grande parte do território. Segundo a ONU, mais de um milhão de pessoas foram deslocadas e 5,7 milhões enfrentam insegurança alimentar aguda.
Paralelamente, o Chade enfrenta uma situação de segurança frágil, marcada por violência ligada a conflitos regionais, nomeadamente na fronteira com o Sudão. Na quarta-feira, 18 de março, o país anunciou um ataque com drones que causou a morte de pelo menos 17 civis e vários feridos. As autoridades chadianas também fecharam a fronteira com o Sudão em fevereiro de 2026, alegando «incursões repetidas e violações cometidas por forças em conflito no Sudão em território chadiano».
Lydie Mobio
Impulsionadas pelas tensões geopolíticas, pelas perturbações nas rotas marítimas e pela subida dos preços do petróleo, a volatilidade dos mercados e as restrições de abastecimento intensificam-se, levando vários países africanos a explorar alternativas.
Países como o Gana, a África do Sul e o Quénia estão agora a voltar-se para a refinaria do grupo Dangote, na Nigéria, para garantir o seu abastecimento de combustíveis, segundo o jornal nigeriano The Nation, que cita fontes próximas do processo.
Esta reorientação ocorre num contexto em que o barril de Brent ultrapassou os 100 dólares, atingindo picos em torno dos 120 dólares nos últimos dias, impulsionado pela escalada das tensões entre os Estados Unidos, Israel e o Irão. As perturbações no estreito de Ormuz, um ponto estratégico para o transporte mundial de petróleo, agravam as limitações da oferta no mercado.
Entrando em produção em 2024 após vários atrasos e um investimento significativo, a refinaria com capacidade de 650 mil barris por dia afirma-se como uma alternativa para países africanos historicamente dependentes das importações de produtos refinados provenientes do Médio Oriente. Vários Estados iniciaram negociações para contratos de fornecimento a médio prazo, com o objetivo de garantir volumes num contexto de incerteza.
No entanto, cerca de três quartos da produção da refinaria destinam-se ao mercado interno nigeriano, o que limita os volumes disponíveis para exportação. Apesar desta restrição, a procura regional continua a crescer, impulsionada pela necessidade de fontes de abastecimento mais próximas.
Uma dependência posta à prova pela crise energética
Esta dinâmica reflete uma vulnerabilidade estrutural do continente. Muitos países africanos importam grande parte dos seus produtos refinados, apesar de serem produtores de petróleo bruto, com uma dependência particularmente elevada na África Oriental, onde cerca de 75% das importações provêm do Médio Oriente. A ausência de reservas estratégicas alinhadas com os padrões internacionais aumenta ainda mais a exposição a ruturas no abastecimento.
Neste contexto, o surgimento de capacidades regionais de refinação representa uma resposta parcial aos desafios de dependência logística e comercial. O papel da refinaria de Aliko Dangote ilustra a crescente importância dos atores privados na estruturação da oferta energética no continente. Desde o início da crise, a refinaria tem ajustado os seus preços em função das flutuações internacionais, absorvendo parcialmente os aumentos para limitar o impacto no mercado nigeriano.
A curto prazo, a concorrência entre compradores africanos deverá permanecer elevada para aceder a volumes limitados. A médio prazo, o aumento das capacidades locais poderá reduzir parte da dependência das importações, sem, contudo, eliminar totalmente o défice regional. As estratégias nacionais deverão, assim, continuar a combinar diversificação de fontes, gestão de stocks e acordos bilaterais. A persistência das tensões geopolíticas continuará a ser um fator determinante para a evolução dos fluxos e dos preços, enquanto o desenvolvimento das infraestruturas de refinação em África poderá gradualmente reconfigurar os circuitos de abastecimento no continente.
Paralelamente, alguns Estados terão de reforçar as suas capacidades de armazenamento para aumentar a resiliência face a choques externos e gerir melhor os períodos de tensão.
Olivier de Souza
Impulsionado pelo boom das trocas de bens ligados à IA, o comércio mundial cresceu mais do que o previsto em 2025. No entanto, os ventos contrários deverão continuar este ano.
O comércio mundial resistiu bem aos desafios de 2025, mas essa resiliência pode não durar. É essa, em linhas gerais, a principal conclusão do mais recente relatório publicado na quinta-feira, 19 de março, pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo os dados da instituição sediada em Genebra, o volume do comércio mundial de mercadorias aumentou 4,6% em 2025, superando as previsões de outubro, que apontavam para cerca de 2,4%.
«[…] a forte procura por bens ligados à IA — impulsionada por um boom global de investimento neste setor — compensou os efeitos negativos do aumento das tarifas aduaneiras e da crescente incerteza em matéria de política comercial», explica o relatório.
Em detalhe, a OMC indica que as exportações mundiais de mercadorias atingiram 26,26 biliões de dólares em 2025, um aumento de 7% face a 2024.
«O comércio de serviços totalizou 9,56 biliões de dólares, registando um crescimento anual de 8%. No total, o comércio de bens e serviços, em termos de balança de pagamentos, alcançou 34,65 biliões de dólares em 2025, o que representa um aumento de 7% em termos anuais», acrescenta a organização.
Perspetivas sombrias para 2026
Embora em 2025 o crescimento do comércio tenha superado as expectativas, para este ano a OMC não é otimista. Em 2026, prevê um crescimento de apenas 1,9% no volume das trocas comerciais. Este nível, já em desaceleração, poderá ainda diminuir devido ao conflito no Médio Oriente e à recente escalada militar entre o Irão, Israel e os Estados Unidos, que provocou perturbações no comércio no estreito de Ormuz e fez subir os preços do petróleo.
«Se se mantiverem, os preços elevados do petróleo associados ao recente conflito no Médio Oriente poderão reduzir em 0,5 pontos percentuais o crescimento de 1,9% do comércio mundial de mercadorias em 2026», alerta a OMC, acrescentando, contudo: «Por outro lado, o crescimento poderá aumentar em 0,5 pontos percentuais se o dinamismo das trocas de bens ligados à inteligência artificial se mantiver ao nível de 2025. Resta saber qual destes fatores irá prevalecer ao longo do ano».
Além dos bens, a organização estima que o conflito no Médio Oriente poderá também afetar o transporte internacional e o turismo. «Um conflito prolongado poderá manter elevados os custos de transporte e combustível, perturbar rotas marítimas e aéreas essenciais e pesar sobre o turismo regional e a procura global de viagens», detalha o relatório.
Por outro lado, a organização prevê uma recuperação em 2027: «O comércio mundial deverá abrandar em 2026, após um crescimento mais forte do que o esperado no ano anterior. No nosso cenário de referência, o crescimento do volume do comércio de mercadorias passará de 4,6% em 2025 para 1,9% em 2026, antes de subir para 2,6% em 2027. No mesmo cenário, o crescimento do comércio de serviços diminuirá de 5,3% em 2025 para 4,8% em 2026, voltando a aumentar para 5,1% em 2027».
Recorde-se que o comércio mundial de mercadorias é dominado pelos Estados Unidos, China e Alemanha. Os Estados Unidos lideram as importações, com 3 507 mil milhões de dólares em 2025, enquanto a China é o maior exportador mundial, com receitas de cerca de 3 772 mil milhões de dólares. Já a Alemanha ocupa a terceira posição tanto nas importações como nas exportações de mercadorias.
Espoir Olodo
O recurso previsto às obrigações islâmicas surge na sequência da adoção de um ambicioso plano de desenvolvimento, que visa transformar a economia guineense até 2040, nomeadamente através da exploração do gigantesco jazigo de minério de ferro de Simandou.
A Guiné está a explorar a mobilização de uma emissão de sukuk soberanos no valor de 500 milhões de dólares para financiar projetos estruturantes, anunciou o Ministério da Economia, das Finanças e do Orçamento no sábado, 21 de março.
Neste contexto, foi organizada uma reunião exploratória com representantes do gabinete de intermediação financeira NOMAD AFIIP.
«A abordagem do gabinete de consultoria NOMAD AFIIP está alinhada com as vantagens oferecidas pela notação do país “B+” com perspetivas positivas e vai no sentido da diversificação e do reforço de soluções inovadoras de financiamento, através da participação de atores do setor privado no financiamento dos megaprojetos incluídos no Programa de Desenvolvimento Socioeconómico soberano, responsável e inclusivo Simandou 2040», destacou o ministério em comunicado.
Enquanto gabinete de consultoria, a NOMAD AFIIP deverá trabalhar na criação de um «quadro jurídico e institucional que permita mobilizar investidores estrangeiros interessados na valorização do potencial da Guiné nos setores das estradas, energia, transportes, entre outros».
A ministra guineense da Economia, das Finanças e do Orçamento, Mariama Ciré Sylla, precisou que a proposta relativa à emissão de sukuk soberanos surge «num contexto de renovado interesse por parte de financiadores e investidores privados motivados a apoiar a Guiné na transformação profunda da sua economia para o seu desenvolvimento».
Indicou ainda que a emissão de obrigações conformes à sharia islâmica ajudará o país a diversificar as suas fontes de financiamento e servirá de trampolim para o acesso a outros produtos semelhantes no mercado financeiro internacional, «contribuindo assim para uma maior visibilidade junto de investidores especializados».
200 mil milhões de dólares de investimentos
O anúncio de um eventual recurso da Guiné à emissão de sukuk soberanos surge poucas semanas após a adoção pelas autoridades guineenses de dois textos legislativos que conferem ao programa de desenvolvimento «Simandou 2040» um enquadramento jurídico, tornando-o a nova referência da ação pública. Destinado a transformar a economia guineense até 2040, nomeadamente através da exploração responsável do minério de ferro, este programa prevê a implementação de 36 reformas e o lançamento de 122 megaprojetos, incluindo o projeto integrado minas-infraestruturas de Simandou, considerado o maior jazigo de ferro inexplorado do mundo.
A implementação deste ambicioso plano de desenvolvimento, que requer mais de 200 mil milhões de dólares em investimentos, deverá decorrer em três fases. A primeira fase estende-se até 2030 e prevê mais de 65 mil milhões de dólares de investimentos em vários setores estruturantes, nomeadamente infraestruturas, energia, agricultura, educação e turismo. Uma segunda fase de diversificação económica e de reforço das indústrias de transformação local deverá decorrer entre 2030 e 2035, seguida de uma fase de consolidação destinada a reforçar a integração da economia guineense nos mercados regionais e internacionais.
A economia guineense tem registado, nos últimos anos, um crescimento significativo, impulsionado sobretudo pelo setor mineiro. O PIB real do país aumentou 7,1% em 2023 e cerca de 5,7% em 2024, segundo o Banco Mundial. A instituição, que estima um crescimento de 6,5% em 2025, prevê uma aceleração a médio prazo, com uma média próxima de 10% entre 2026 e 2027, impulsionada, nomeadamente, pelo desenvolvimento de Simandou.
Walid Kéfi
Os investimentos estrangeiros na Tunísia registaram um aumento de 30,3% em 2025. As indústrias transformadoras, os serviços, a energia e a agricultura figuram entre os setores mais atrativos.
Na Tunísia, os investimentos estrangeiros atingiram 3,572 mil milhões de dinares tunisinos (cerca de 1,2 mil milhões de dólares) no final de 2025, registando um aumento de 30,3% em comparação com 2024. O anúncio foi feito por Jalel Tebib, diretor-geral da Agência de Promoção do Investimento Exterior (FIPA), durante uma entrevista concedida na sexta-feira, 20 de março, à Agência Tunis Afrique Presse (TAP).
Segundo Tebib, o investimento direto estrangeiro (IDE) aumentou 30,1% em relação a 2024, atingindo 3,506 mil milhões de dinares tunisinos em 2025, enquanto os investimentos de carteira se fixaram em 65,6 milhões de dinares tunisinos. Os setores que mais atraíram IDE foram as indústrias transformadoras, os serviços, a energia e a agricultura.
Paralelamente, indicou que “os fluxos de investimento direto estrangeiro fora do setor energético registados em 2025 conduziram à realização de 921 operações de investimento, com um valor total de 2,935 mil milhões de dinares tunisinos, criando 14 085 novos postos de trabalho”.
A França é o principal investidor na Tunísia fora do setor energético, seguida da Alemanha, Itália, Países Baixos e Estados Unidos. “O investimento estrangeiro na Tunísia confirmou uma tendência de crescimento em 2025, refletindo a crescente atratividade do país como destino favorável ao investimento”, declarou Tebib.
Iniciativas para promover o investimento
Nos últimos anos, a Tunísia implementou várias iniciativas para promover o IDE e reforçar a sua atratividade económica. Estas medidas visam aumentar a confiança no ambiente de negócios e orientar os investimentos nacionais e estrangeiros para setores de elevado valor acrescentado, com impacto económico, social e ambiental.
Destacam-se, nomeadamente, novos incentivos adotados em 2024 para reduzir os obstáculos ao investimento, especialmente os relacionados com procedimentos administrativos complexos. Estas medidas são acompanhadas por reformas destinadas a melhorar as infraestruturas, reduzir os prazos de tratamento dos processos, simplificar e digitalizar procedimentos e serviços para investidores, garantir a transparência das transações, bem como assegurar o acompanhamento e a avaliação dos indicadores de investimento a nível setorial e regional.
Além disso, o país lançou a sua Estratégia Nacional para a Melhoria do Ambiente de Negócios 2026-2030, uma nova fase centrada na digitalização, no acesso facilitado ao financiamento e na melhoria dos serviços aos investidores.
No entanto, a Tunísia continua a enfrentar desafios, nomeadamente a concentração geográfica dos investimentos, maioritariamente direcionados para as regiões costeiras, embora uma nova dinâmica tenha surgido em 2025 nas regiões do interior. A isto juntam-se as dificuldades de acesso ao financiamento junto do FMI.
Para 2026, a FIPA prevê um volume total de investimentos estrangeiros de quatro mil milhões de dinares tunisinos.
Lydie Mobio
O projeto prevê a criação de mais de 2.200 empregos, o desenvolvimento de cadeias de valor verdes e rendimentos sustentáveis para cerca de 290.000 beneficiários.
O governo do Ruanda, através da Rwanda Environment Management Authority (REMA), lançou um projeto de restauração de ecossistemas no corredor Nyungwe-Ruhango, situado no sul do país.
Financiada pelo Fundo para o Ambiente Mundial (FEM) e implementada com o apoio técnico do Banco Mundial, a iniciativa estende-se por um período de cinco anos. Será desenvolvida em vários distritos da província do Sul, incluindo Nyanza, Ruhango e Nyamagabe, no âmbito do programa “Green Amayaga”, dedicado à gestão sustentável das paisagens e às soluções baseadas na natureza.
Insere-se igualmente nos compromissos climáticos do Ruanda, nomeadamente na estratégia nacional de transformação, na Vision 2050 de desenvolvimento a longo prazo e nos objetivos definidos no Acordo de Paris. O país ambiciona alcançar a neutralidade carbónica até 2050.
«Ao expandirmos os trabalhos iniciados no âmbito do projeto Green Amayaga, intensificamos os esforços de restauração dos ecossistemas com vista a proteger a biodiversidade, reduzir os riscos climáticos e promover meios de subsistência sustentáveis», declarou a diretora-geral da REMA, Juliet Kabera.
Um projeto com impactos ambientais e económicos
O projeto prevê a restauração de mais de 2.100 hectares de florestas e zonas húmidas, bem como a promoção de práticas de gestão sustentável em cerca de 9.000 hectares de terras agrícolas. Estão igualmente previstas ações de reflorestação, reabilitação das margens dos rios e desenvolvimento da agrofloresta. No total, cerca de 290.000 pessoas deverão beneficiar diretamente, graças à criação de atividades económicas.
O corredor Nyungwe-Ruhango enfrenta várias pressões ambientais, incluindo a erosão dos solos, a degradação das terras, a perda de biodiversidade, bem como inundações e deslizamentos de terra, que afetam a produtividade agrícola e os meios de subsistência das populações rurais.
Em julho de 2025, o Banco Mundial aprovou uma subvenção de 9 milhões de dólares do FEM para apoiar este projeto. Segundo a instituição, a iniciativa poderá permitir a criação de mais de 2.200 empregos, nomeadamente através do desenvolvimento de cadeias de valor ligadas aos produtos florestais não lenhosos, à plantação de árvores de fruto e ao apoio a pequenas empresas da economia verde.
Charlène N’dimon
O Bank Al-Maghrib antecipa uma aceleração da atividade económica em Marrocos, impulsionada por uma recuperação do setor agrícola e pela solidez das atividades não agrícolas. No entanto, alerta para um agravamento do défice da conta corrente devido ao aumento dos preços das matérias-primas.
Segundo as conclusões da reunião do seu conselho, realizada a 17 de março em Rabat, o banco central prevê um crescimento económico de 5,6% em 2026, acima dos 4,8% estimados para o ano anterior.
Esta dinâmica positiva assenta principalmente no desempenho robusto dos setores não agrícolas e na recuperação esperada da produção agrícola, favorecida por condições climáticas mais favoráveis. A instituição estima que a colheita das três principais culturas cerealíferas possa atingir 82 milhões de quintais, o que resultaria num aumento de 14,4% do valor acrescentado agrícola em 2026.
No que diz respeito aos preços, a inflação deverá manter-se moderada em 0,8% em 2026, antes de subir ligeiramente para 1,4% em 2027. Esta evolução explica-se, em parte, pela descida recente dos preços dos combustíveis e pela melhoria da oferta de alguns produtos alimentares. Ainda assim, o crescimento deverá abrandar para 3,5% em 2027.
Relativamente às contas externas, o banco central indica que o aumento previsto dos preços das matérias-primas deverá provocar um agravamento do défice da conta corrente, que passaria de 2,3% do PIB em 2025 para 3,1% em 2026, antes de recuar para 2,5% em 2027. Estas projeções surgem num contexto internacional marcado por fortes incertezas geopolíticas, nomeadamente devido às tensões no Médio Oriente e à Guerra na Ucrânia.
Apesar destas pressões, as perspetivas para as exportações permanecem favoráveis, apoiadas pelo crescimento esperado das vendas nos setores automóvel e dos fosfatos, bem como pela contínua subida das receitas do turismo e das remessas dos marroquinos residentes no estrangeiro.
Por sua vez, as reservas oficiais de divisas deverão continuar a aumentar, atingindo 482 mil milhões de dirhams (cerca de 51,3 mil milhões de dólares), o equivalente a quase seis meses de importações até 2027.
Charlène N’dimon
A Costa do Marfim multiplica as iniciativas para apoiar a sua transição digital. Entre as mais recentes destacam-se a formação dos atores do setor educativo em ferramentas digitais e em inteligência artificial (IA), bem como a implementação de serviços públicos online unificados.
Na Costa do Marfim, o Ministério da Transição Digital e da Inovação Tecnológica revelou, na terça-feira, 17 de março, cinco prioridades estratégicas para o ano em curso, por ocasião da abertura do exercício orçamental do ministério.
Estas prioridades incluem a democratização do acesso à Internet, com o objetivo de reduzir a fratura digital e facilitar o acesso dos cidadãos aos serviços digitais. O ministério pretende também otimizar a arrecadação de receitas do Estado através da implementação de soluções de pagamento digital. Prevê ainda reforçar as competências e a inclusão digitais, melhorar a cibersegurança e a confiança no ecossistema digital, bem como apoiar a inovação e a adoção de tecnologias emergentes.
«É essencial que asseguremos coletivamente uma execução ótima das nossas atividades, para alcançar os objetivos definidos no nosso Quadro de Desempenho 2026, contribuindo eficazmente para a transformação digital do nosso país», declarou Djibril Ouattara, ministro da Transição Digital.
Iniciativas concretas para reforçar competências e inovação
A transição digital constitui uma prioridade estratégica para a Costa do Marfim. Entre as iniciativas recentes do governo destacam-se a formação dos profissionais do setor educativo em ferramentas digitais e inteligência artificial, a criação de serviços públicos online integrados e a organização de eventos internacionais dedicados às tecnologias emergentes.
Neste contexto, o governo marfinense, em parceria com a Unesco e a cooperação alemã GIZ, lançou em março a segunda fase do projeto de Desenvolvimento das Competências Digitais dos Quadros e Professores (DCNPEE).
Para o exercício de 2026, o orçamento do Ministério da Transição Digital e da Inovação Tecnológica ascende a 83,2 mil milhões de francos CFA (145,2 milhões de dólares), contra 68,6 mil milhões de francos CFA em 2025.
Charlène N’dimon
A administração americana lançou um inquérito dirigido a 60 países em todo o mundo devido à sua alegada incapacidade de proibir importações ligadas ao trabalho forçado, uma iniciativa que poderá conduzir a novas restrições.
O Gabinete do Representante para o Comércio Externo dos Estados Unidos (USTR) iniciou, na quinta-feira, 12 de março, uma série de investigações comerciais que visam 60 economias a nível mundial.
Entre elas encontram-se sete países africanos, visados por alegadas insuficiências na implementação ou aplicação das proibições relativas a produtos provenientes de trabalho forçado. Trata-se da Argélia, Marrocos, África do Sul, Angola, Líbia, Egito e Nigéria. Estas investigações visam determinar se as suas políticas e práticas constituem medidas desrazoáveis ou discriminatórias suscetíveis de entravar o comércio americano.
Esta medida surge na sequência da decisão de aumentar os direitos aduaneiros aplicados à quase totalidade dos seus parceiros estrangeiros, em conformidade com uma disposição adotada por Donald Trump em 2025. Esta política, que desencadeou uma guerra tarifária à escala mundial antes de ser anulada por uma decisão do Supremo Tribunal, visou vários países africanos, incluindo a África do Sul.
Para justificar o inquérito, Washington considera que a ausência de controlos eficazes permite a alguns produtores beneficiarem de uma vantagem concorrencial indevida, em detrimento das empresas que respeitam as normas internacionais. «Estas investigações permitirão determinar se os governos estrangeiros tomaram medidas suficientes para proibir a importação de bens provenientes de trabalho forçado e de que forma o fracasso na erradicação destas práticas odiosas afeta os trabalhadores e as empresas americanas», declarou o representante comercial dos EUA, o embaixador Jamieson Greer.
O objetivo é avaliar, caso a caso, a eficácia dos dispositivos jurídicos nacionais contra o trabalho forçado nas cadeias de abastecimento.
No âmbito deste processo, as autoridades americanas iniciaram consultas com os governos em causa com base na secção 301 do Trade Act de 1974, um instrumento jurídico que permite sancionar práticas comerciais injustas.
Um desafio de 236 mil milhões de dólares
Para além da dimensão social, a questão é também económica. O recurso ao trabalho forçado permite reduzir artificialmente os custos de produção, criando distorções da concorrência. Em 2024, um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre o trabalho forçado no setor privado evidenciou um aumento de 37% dos lucros ilegais gerados desde 2014. A instituição estima que esta prática gere cerca de 236 mil milhões de dólares de lucros anuais a nível mundial, dos quais cerca de 20 mil milhões em África.
Para os países africanos visados, este inquérito evidencia os desafios persistentes em matéria de governação laboral e de controlo das cadeias de valor, nomeadamente nos setores extrativo, agrícola e industrial.
Segundo a OIT, cerca de 28 milhões de pessoas eram vítimas de trabalho forçado no mundo em 2021. A África subsaariana não é poupada, devido a fatores estruturais como a pobreza, a informalidade e a fragilidade dos mecanismos de controlo.
Exportações africanas sob vigilância
Esta iniciativa americana poderá aumentar a pressão sobre os exportadores africanos, sobretudo os integrados nas cadeias de abastecimento globais. As trocas comerciais de bens entre os Estados Unidos e África atingiram um valor estimado de 83,4 mil milhões de dólares em 2025.
O African Growth and Opportunity Act (AGOA), adotado em 2000, constitui o principal quadro comercial entre Washington e a África subsaariana. Permite a vários países africanos exportar para o mercado americano sem direitos aduaneiros. No entanto, estas trocas continuam dominadas pelos hidrocarbonetos, nomeadamente no caso da Nigéria e de Angola, bem como pelos recursos minerais e alguns produtos industriais no caso da África do Sul.
Carelle Yourann (estagiária)
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