No dia 29 de junho, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) publicaram a 22.ª edição das suas Perspetivas Agrícolas Mundiais. Este relatório anual analisa as perspetivas da oferta, do consumo e do comércio agrícola para o período entre 2026 e 2035. Eis as principais conclusões para a África Subsaariana.
Tal como aconteceu nas últimas décadas, o consumo alimentar continuará a crescer na África Subsaariana até 2035. Esta dinâmica será impulsionada sobretudo pelo crescimento demográfico e pela evolução dos hábitos alimentares, embora o consumo per capita deva aumentar apenas de forma moderada, ao contrário do que se observa em algumas regiões da Ásia.
Os cereais continuarão a ocupar um lugar central na alimentação, com destaque para o milho. O consumo de arroz, açúcar e produtos pecuários também deverá aumentar, impulsionado pela urbanização e pelo crescimento de uma classe média favorecida pela expansão económica.
O consumo total de carne deverá crescer cerca de 32% até 2035. No caso dos produtos da pesca e da aquicultura, África registará o crescimento mais rápido do mundo, com um aumento de cerca de 20% até 2035, quase o dobro da média mundial.
Maior contribuição para o crescimento agrícola mundial
Segundo o relatório, a África Subsaariana reforçará o seu peso na agricultura mundial. A região deverá representar 15,6% do crescimento da produção agrícola mundial até 2035, face aos 11,2% registados na década anterior.
Esta evolução abrangerá tanto as culturas agrícolas como a pecuária, graças a uma melhoria gradual da produtividade das terras e dos efetivos leiteiros, mas também ao aumento das áreas cultivadas e dos efetivos pecuários. A produção de cereais deverá conhecer um forte crescimento na região, impulsionada por melhores rendimentos agrícolas e pela expansão das terras cultivadas.
A região deverá ainda assegurar cerca de metade do crescimento mundial da produção de outros cereais secundários, como o sorgo, o milheto, a cevada e a aveia, culturas essenciais para os sistemas alimentares locais e particularmente adaptadas às zonas semiáridas.
No setor do açúcar, a África Subsaariana, que reúne alguns dos produtores mais competitivos do mundo, especialmente na África Oriental e Austral, deverá também ganhar importância, contribuindo gradualmente para reduzir a sua dependência das importações.
«África deverá igualmente reforçar a sua contribuição para a oferta mundial de açúcar, aumentando a sua quota na produção global, graças sobretudo aos países da África Subsaariana e ao crescimento da produção do Egito, o maior produtor de açúcar do continente. As medidas de apoio público e o investimento estrangeiro deverão contribuir para aumentar a produção açucareira. A África Subsaariana dispõe de vastas áreas com condições agroecológicas favoráveis ao cultivo da cana-de-açúcar, enquanto o Egito poderá expandir as áreas dedicadas à produção de beterraba sacarina, além de melhorar a eficiência produtiva», refere o relatório.
Reduzir a dependência das importações continuará a ser um desafio
Num contexto de forte crescimento demográfico, o relatório considera que a África Subsaariana continuará dependente das importações de produtos agrícolas de base até 2035. Segundo as projeções, as importações líquidas de alimentos da região deverão aumentar 55%, apesar da expansão prevista da produção interna.
No total, a quota das importações no consumo alimentar deverá passar de 20% no período de 2023-2025 para 22% em 2035, permanecendo, ainda assim, como a segunda mais baixa do mundo, apenas atrás da América do Norte.
«A quota dos países africanos nas importações mundiais de arroz deverá aumentar dos atuais 35% para 45% em 2035, enquanto a participação da Ásia deverá diminuir de 46% para 39%, apesar do crescimento contínuo dos volumes importados», assinalam os autores.
Segundo os analistas, estas projeções da OCDE e da FAO evidenciam a necessidade de os países da África Subsaariana intensificarem os seus esforços para aumentar de forma sustentável a produção agrícola e responder melhor às necessidades nutricionais de uma região que continua a ser a mais afetada pela insegurança alimentar no mundo.
O desafio, contudo, não passa apenas por produzir mais. Implica também reforçar as políticas de substituição das importações, atrair mais investimento privado ao longo das cadeias de valor agrícolas e melhorar a articulação entre produção, transformação, transporte e comercialização. A isto junta-se a necessidade de reduzir as perdas pós-colheita, que continuam a afetar significativamente a disponibilidade efetiva de alimentos e os rendimentos dos produtores.
Espoir Olodo













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