Facebook Agence Ecofin Twitter Agence Ecofin LinkedIn Agence Ecofin
Instagram Agence Ecofin Youtube Agence Ecofin Tik Tok Agence Ecofin WhatsApp Agence Ecofin

×

Message

Failed loading XML... XML declaration allowed only at the start of the document

Cereais, açúcar e carne: que lugar ocupará a agricultura da África Subsaariana no panorama mundial até 2035?

Cereais, açúcar e carne: que lugar ocupará a agricultura da África Subsaariana no panorama mundial até 2035?
Quarta-feira, 1 de Julho de 2026

No dia 29 de junho, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) publicaram a 22.ª edição das suas Perspetivas Agrícolas Mundiais. Este relatório anual analisa as perspetivas da oferta, do consumo e do comércio agrícola para o período entre 2026 e 2035. Eis as principais conclusões para a África Subsaariana.

Tal como aconteceu nas últimas décadas, o consumo alimentar continuará a crescer na África Subsaariana até 2035. Esta dinâmica será impulsionada sobretudo pelo crescimento demográfico e pela evolução dos hábitos alimentares, embora o consumo per capita deva aumentar apenas de forma moderada, ao contrário do que se observa em algumas regiões da Ásia.

Os cereais continuarão a ocupar um lugar central na alimentação, com destaque para o milho. O consumo de arroz, açúcar e produtos pecuários também deverá aumentar, impulsionado pela urbanização e pelo crescimento de uma classe média favorecida pela expansão económica.

O consumo total de carne deverá crescer cerca de 32% até 2035. No caso dos produtos da pesca e da aquicultura, África registará o crescimento mais rápido do mundo, com um aumento de cerca de 20% até 2035, quase o dobro da média mundial.

Maior contribuição para o crescimento agrícola mundial

Segundo o relatório, a África Subsaariana reforçará o seu peso na agricultura mundial. A região deverá representar 15,6% do crescimento da produção agrícola mundial até 2035, face aos 11,2% registados na década anterior.

Esta evolução abrangerá tanto as culturas agrícolas como a pecuária, graças a uma melhoria gradual da produtividade das terras e dos efetivos leiteiros, mas também ao aumento das áreas cultivadas e dos efetivos pecuários. A produção de cereais deverá conhecer um forte crescimento na região, impulsionada por melhores rendimentos agrícolas e pela expansão das terras cultivadas.

A região deverá ainda assegurar cerca de metade do crescimento mundial da produção de outros cereais secundários, como o sorgo, o milheto, a cevada e a aveia, culturas essenciais para os sistemas alimentares locais e particularmente adaptadas às zonas semiáridas.

No setor do açúcar, a África Subsaariana, que reúne alguns dos produtores mais competitivos do mundo, especialmente na África Oriental e Austral, deverá também ganhar importância, contribuindo gradualmente para reduzir a sua dependência das importações.

«África deverá igualmente reforçar a sua contribuição para a oferta mundial de açúcar, aumentando a sua quota na produção global, graças sobretudo aos países da África Subsaariana e ao crescimento da produção do Egito, o maior produtor de açúcar do continente. As medidas de apoio público e o investimento estrangeiro deverão contribuir para aumentar a produção açucareira. A África Subsaariana dispõe de vastas áreas com condições agroecológicas favoráveis ao cultivo da cana-de-açúcar, enquanto o Egito poderá expandir as áreas dedicadas à produção de beterraba sacarina, além de melhorar a eficiência produtiva», refere o relatório.

Reduzir a dependência das importações continuará a ser um desafio

Num contexto de forte crescimento demográfico, o relatório considera que a África Subsaariana continuará dependente das importações de produtos agrícolas de base até 2035. Segundo as projeções, as importações líquidas de alimentos da região deverão aumentar 55%, apesar da expansão prevista da produção interna.

No total, a quota das importações no consumo alimentar deverá passar de 20% no período de 2023-2025 para 22% em 2035, permanecendo, ainda assim, como a segunda mais baixa do mundo, apenas atrás da América do Norte.

«A quota dos países africanos nas importações mundiais de arroz deverá aumentar dos atuais 35% para 45% em 2035, enquanto a participação da Ásia deverá diminuir de 46% para 39%, apesar do crescimento contínuo dos volumes importados», assinalam os autores.

Segundo os analistas, estas projeções da OCDE e da FAO evidenciam a necessidade de os países da África Subsaariana intensificarem os seus esforços para aumentar de forma sustentável a produção agrícola e responder melhor às necessidades nutricionais de uma região que continua a ser a mais afetada pela insegurança alimentar no mundo.

O desafio, contudo, não passa apenas por produzir mais. Implica também reforçar as políticas de substituição das importações, atrair mais investimento privado ao longo das cadeias de valor agrícolas e melhorar a articulação entre produção, transformação, transporte e comercialização. A isto junta-se a necessidade de reduzir as perdas pós-colheita, que continuam a afetar significativamente a disponibilidade efetiva de alimentos e os rendimentos dos produtores.

Espoir Olodo

Sobre o mesmo tema

A Etiópia é o maior produtor de cevada de África. Enquanto este cereal continua a ser um dos principais alimentos básicos do país, a par do milho, do...

Pequeno produtor da bacia algodoeira da África Ocidental, o Senegal continua a ter dificuldades em afirmar-se na produção de algodão. Envolvida há alguns...

No dia 29 de junho, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a...

A Guiné depende das importações para cerca de 80% das suas necessidades de carne de aves. No âmbito da sua estratégia de soberania alimentar, Conacri...

MAIS LIDOS
01

Após 48 horas de conversações em Cotonou, o Benim e o Níger anunciaram acordos de princípio nas área…

O Benim e o Níger lançam as bases para a normalização das suas relações.
02

A CopperTech, filial da Vedanta Resources, procura alcançar uma valorização de até 3,6 mil milhões d…

O cobre zambiano perante Wall Street: a aposta do multimilionário indiano Anil Agarwal ganha forma.
03

Num contexto de revitalização do ensino superior, o Estado burquinabê está a mobilizar financiamento…

Burquina Faso: um plano de 10 milhões de dólares para modernizar os campus universitários.
04

Dakar, capital do Senegal, destaca-se como um dos destinos mais atrativos do continente africano. Si…

Dakar, o Pulso da África Ocidental

A Agência Ecofin cobre diariamente as atualidades de 9 setores africanos: gestão pública, finanças, telecomunicações, agro, energia, mineração, transportes, comunicação e formação. Também concebe e opera mídias especializadas, digitais e impressas, em parceria com instituições ou empresas ativas em África.

DEPARTAMENTO COMERCIAL
regie@agenceecofin.com 
Tel: +41 22 301 96 11
Cel: +41 78 699 13 72

Mídia kit : Link para download
REDAÇÃO
redaction@agenceecofin.com


Mais informações :
Equipe
Editora
AGÊNCIA ECOFIN

Mediamania Sarl
Rue du Léman, 6
1201 Genebra – Suíça
Tel: +41 22 301 96 11

 

A Agência Ecofin é uma agência de informação econômica setorial, criada em dezembro de 2010. Sua plataforma digital foi lançada em junho de 2011.

 
 
 
 

Please publish modules in offcanvas position.