Pequeno produtor da bacia algodoeira da África Ocidental, o Senegal continua a ter dificuldades em afirmar-se na produção de algodão. Envolvida há alguns anos num processo de relançamento, a fileira beneficia do apoio do Governo, que pretende reforçar esta dinâmica na campanha de 2026/2027.
O Senegal pretende elevar a sua produção de algodão em caroço para 35 000 toneladas na campanha de 2026/2027. Esta foi uma das principais conclusões da reunião interministerial dedicada ao arranque da nova campanha agrícola, realizada a 30 de junho.
Caso este objetivo seja alcançado, representará um aumento de cerca de 40% face à campanha anterior. De acordo com as últimas estimativas da organização interprofissional, divulgadas em janeiro pelo Programa Regional de Produção Integrada do Algodão em África (PR-PICA), a colheita de algodão em caroço no Senegal atingiu 25 643 toneladas na campanha de 2025/2026.
Para concretizar esta ambição, o Governo decidiu mobilizar um orçamento de 3,5 mil milhões de francos CFA (cerca de 6 milhões de dólares), em parceria com a Sociedade de Desenvolvimento e das Fibras Têxteis (SODEFITEX) e bancos locais, para apoiar o setor. Este montante será destinado à subsidiação dos fatores de produção e ao apoio dos preços pagos aos produtores.
As autoridades preveem igualmente reforçar a mecanização agrícola e modernizar os equipamentos disponibilizados aos agricultores, abrangendo todas as fases da produção, desde a preparação dos solos até aos tratamentos fitossanitários.
Uma fileira à procura de estabilidade
A produção de algodão no Senegal tem registado uma evolução irregular ao longo dos últimos anos. Embora o novo objetivo para 2026/2027 possa permitir ao país alcançar um terceiro ano consecutivo de crescimento da produção, continua bastante distante do recorde de 52 422 toneladas registado na campanha de 2006/2007, segundo dados oficiais.
Esta instabilidade resulta da persistência de vários desafios estruturais. Entre os principais destaca-se a irregularidade das chuvas, que afeta o ciclo de desenvolvimento da cultura. A isto junta-se a forte concorrência do amendoim, que em determinados anos oferece maior rentabilidade, levando muitos agricultores a direcionarem os seus investimentos para esta cultura em detrimento do algodão.
Controlar estes fatores é tanto mais importante quanto o Governo estabeleceu como meta aumentar a produção nacional de algodão em caroço para 100 000 toneladas por ano até 2030. Em declarações feitas em maio, o diretor-geral da SODEFITEX, Papa Fata Ndiaye, afirmou que será necessário intensificar os esforços para melhorar os rendimentos agrícolas.
«Produzimos cerca de uma tonelada de algodão por hectare, enquanto no Brasil esse valor varia entre 4 e 5 toneladas e ultrapassa as 10 toneladas na Austrália», lamentou o responsável, citado pelo órgão de comunicação social local Senplus.
Com um rendimento médio estimado em 1,25 tonelada por hectare na campanha de 2025/2026, segundo o PR-PICA, o Senegal apresenta a segunda melhor produtividade algodoeira da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA), apenas atrás do Benim (1,26 tonelada por hectare).
Stéphanas Assocle













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