Esta redução ocorre num contexto em que os Estados da CEMAC enfrentam necessidades de financiamento cada vez maiores.
O Banco dos Estados da África Central (BEAC) anunciou um alívio da sua política monetária, reduzindo as suas principais taxas diretoras, bem como os coeficientes das reservas obrigatórias. A decisão foi tomada na segunda-feira, 29 de junho, em Yaoundé, nos Camarões, durante a segunda reunião ordinária do Comité de Política Monetária (CPM) do ano.
Concretamente, o CPM reduziu a principal taxa diretora, a taxa de juro das operações de leilão (TIAO), de 4,75% para 4,50%. A taxa da facilidade de cedência marginal passou de 6,25% para 5,75%. O banco central comum aos seis países da CEMAC (Camarões, República Centro-Africana, Congo, Gabão, Guiné Equatorial e Chade) reduziu igualmente os coeficientes das reservas obrigatórias impostas aos bancos. Estes passam de 7,00% para 6,50% no caso dos depósitos à ordem e de 4,50% para 4,00% no caso dos depósitos a prazo.
A instituição monetária justifica este alívio pelo contexto de contenção das pressões inflacionistas e por uma melhoria moderada das reservas cambiais. Segundo as previsões do BEAC, a inflação deverá situar-se, em média, em 2,4% em 2026, um nível inferior ao limite comunitário fixado em 3%, depois de 2,1% em 2025 e mais de 4% em 2024. O défice orçamental excluindo donativos deverá diminuir de 3,7% do PIB em 2025 para 1,9% em 2026, refletindo uma melhoria esperada das finanças públicas.
Paralelamente, as reservas cambiais deverão atingir um nível suficiente para cobrir 4,72 meses de importações de bens e serviços, contra 4,12 meses um ano antes. A taxa de cobertura externa da moeda deverá atingir 70,7% no final de 2026, contra 65,2% em 2025. Contudo, o BEAC prevê um crescimento económico de 3,2% em 2026, ligeiramente inferior aos 3,4% registados em 2025.
Um apoio esperado ao financiamento das economias
Para os Estados da CEMAC, esta redução das taxas poderá aliviar gradualmente o custo dos financiamentos no mercado regional de títulos públicos e permitir aos bancos dispor de maior margem para aumentar o crédito às empresas e apoiar o investimento.
No entanto, o Fundo Monetário Internacional (FMI), na sua avaliação publicada em julho de 2025, sublinha que a recuperação na zona CEMAC continua «frágil» e alerta que, sem medidas «corretivas fortes», a estabilidade macroeconómica poderá ser ameaçada por desequilíbrios orçamentais e externos. Para limitar estes riscos, os países da CEMAC, nomeadamente os Camarões, o Congo e o Gabão, comprometeram-se a negociar novos programas com o FMI, na sequência de uma reunião de alto nível realizada a 17 de março de 2026, em Paris.
Sandrine Gaingne













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