O Paquistão é um importador líquido de petróleo bruto e de produtos refinados. Os seus dois principais fornecedores, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, entregam as suas cargas quase exclusivamente através do estreito de Ormuz.
O Paquistão passa agora a incluir a Nigéria entre as opções em análise para garantir o seu abastecimento de petróleo. Segundo informações divulgadas na sexta-feira, 24 de abril, pelo Pakistan Today, Islamabad está a explorar a importação de petróleo bruto e combustíveis a partir deste país africano.
No mesmo dia, o The Express Tribune indicou que o governo paquistanês está a analisar ativamente fontes alternativas, para além da Nigéria. Esta iniciativa acompanha concursos para fornecimento de gás natural liquefeito (GNL), com o objetivo de compensar interrupções no abastecimento observadas nos circuitos tradicionais.
Esta estratégia surge num contexto em que o Paquistão importa mais de 80% das suas necessidades totais de petróleo bruto e produtos refinados. Os seus principais fornecedores são a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, cujas exportações passam quase exclusivamente pelo estreito de Ormuz, encerrado há várias semanas devido à guerra no Irão.
No mesmo contexto de tensões no abastecimento, esta dinâmica ultrapassa o caso paquistanês. No início do mês, a imprensa local nigeriana noticiou que a Índia, terceiro maior importador mundial de petróleo bruto depois dos Estados Unidos e da China, também iniciou esforços para aumentar as suas importações de petróleo bruto nigeriano, face às crescentes perturbações no mercado energético global.
No final de março, a Reuters noticiou que a Índia assegurou até 60 dias de abastecimento de petróleo ao diversificar as suas fontes, incluindo a África, beneficiando de maior disponibilidade fora do Médio Oriente, que fornecia até 40% das suas necessidades de crude.
Perante esta aceleração da diversificação, a Nigéria destaca a sua capacidade de responder a uma procura internacional crescente. Segundo a Agence Ecofin, o país posiciona-se como uma alternativa ao fornecimento do Médio Oriente.
De acordo com dados oficiais publicados em janeiro, a produção petrolífera nigeriana situou-se entre 1,6 e 1,7 milhões de barris por dia, confirmando o papel central do país no mercado africano.
Em paralelo, as autoridades nigerianas apontam margens de aumento a curto prazo. Bayo Ojulari, responsável da empresa estatal NNPC Ltd, afirmou durante a conferência CERAWeek que o país pode aumentar a produção em cerca de 100 000 barris por dia nos próximos meses.
Abdel-Latif Boureima













Landmark Centre, Victoria Island Lagos, Nigeria