Em abril de 2024, o Governo ugandês solicitou um empréstimo ao Standard Chartered Bank para financiar a construção da estrada Kitgum–Kidepo. O objetivo é melhorar a conectividade, reduzir os custos de transporte e reforçar o comércio regional no norte do país.
O ministro das Finanças do Uganda, Henry Musasizi, e o Standard Chartered Bank Uganda assinaram, na terça-feira, 30 de junho, um acordo de financiamento no valor de 110,5 milhões de euros (126 milhões de dólares) destinado à construção da estrada Kitgum–Kidepo, no norte do país.
Com uma extensão de 115,8 quilómetros, esta infraestrutura visa melhorar a conectividade, reduzir os custos de transporte e fortalecer o comércio regional no norte do Uganda e na sub-região de Karamoja.
O projeto pretende igualmente desbloquear o potencial económico do norte do Uganda e de Karamoja, promovendo o turismo, o comércio e o investimento.
A iniciativa integra-se num contexto de importantes investimentos na região, entre os quais se destacam a construção da fábrica de cimento e clínquer da Yaobai, em Moroto, avaliada em mais de 300 milhões de dólares, a melhoria dos acessos ao Parque Nacional de Kidepo Valley e o desenvolvimento do Aeroporto Internacional de Kidepo, num investimento estimado em 72 milhões de dólares.
«A assinatura de hoje não diz apenas respeito ao financiamento de uma estrada. Trata-se de investir no futuro do Uganda. Trata-se de ligar os agricultores aos mercados, as indústrias às matérias-primas, os turistas aos destinos e as empresas às oportunidades. Em conjunto com os nossos parceiros, lançamos mais uma pedra basilar para um Uganda mais produtivo, competitivo e próspero», declarou o ministro das Finanças do Uganda na rede social X (antigo Twitter).
Um setor em plena transformação
Recorde-se que, em 2024, o Governo ugandês apresentou este pedido de financiamento ao Standard Chartered Bank, argumentando que a estrada existente já não respondia ao aumento do tráfego rodoviário.
O projeto surge numa altura em que o Uganda prossegue a modernização das suas infraestruturas de transporte, através do desenvolvimento de projetos rodoviários e ferroviários, portos, serviços de ferry e plataformas aeroportuárias.
No Uganda, o sistema de transportes continua fortemente dependente da rede rodoviária, que assegura 99% do tráfego total de passageiros. Segundo o Ministério dos Transportes, mais de 60% das estradas encontram-se em mau estado de conservação, enquanto o orçamento destinado à manutenção cobre apenas 26% das necessidades.
Além disso, os custos de transporte no país figuram entre os mais elevados da sub-região, podendo representar até 40% do valor das mercadorias transportadas, com tempos de entrega que variam entre dois e três dias. O transporte rodoviário assegura mais de 95% do tráfego de passageiros e mercadorias, uma dependência estrutural que limita a produtividade das empresas e desencoraja investimentos nos setores agroalimentar e industrial.
Para o exercício orçamental de 2026/2027, o Governo prevê destinar cerca de 8,79 biliões de xelins ugandeses (aproximadamente 2,4 mil milhões de dólares) a projetos de transporte, com o objetivo de reduzir os custos comerciais, melhorar a fluidez das trocas e reforçar a conectividade dos principais corredores regionais.
Lydie Mobio













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