Perante o aumento dos custos logísticos, os países africanos sem acesso ao mar procuram alternativas aos corredores tradicionais. Neste contexto, as infraestruturas portuárias interiores afirmam-se progressivamente como instrumentos para diversificar as rotas comerciais.
A Zâmbia pretende modernizar o porto de Mpulungu, situado no lago Tanganica, com o objetivo de o adequar às normas regionais e reforçar a sua integração nos corredores de transporte da África Austral e da África Oriental. O projeto foi recentemente apresentado por responsáveis do Ministério dos Transportes durante o workshop regional de validação do relatório final do estudo de viabilidade dedicado à harmonização da legislação dos transportes, dos procedimentos portuários e das operações no lago Tanganica.
Principal porto zambiano no lago, Mpulungu oferece ao país um acesso direto às trocas comerciais com o Burundi, a República Democrática do Congo e a Tanzânia. Segundo as autoridades, a sua modernização deverá reforçar o papel do porto na logística regional, impulsionar o comércio intra-africano e facilitar a circulação transfronteiriça de mercadorias.
O projeto prevê igualmente a construção de uma ligação ferroviária entre a linha principal do caminho de ferro Tanzânia–Zâmbia (TAZARA) e o porto de Mpulungu. Caso venha a concretizar-se, esta ligação permitirá melhorar a intermodalidade entre o transporte ferroviário, o transporte lacustre e as operações portuárias, reforçando simultaneamente a competitividade logística da bacia do lago Tanganica.
Sem acesso direto ao mar, a Zâmbia depende fortemente dos corredores que ligam os portos de Walvis Bay, na Namíbia, Dar es Salaam, na Tanzânia, Lobito, em Angola, e Nacala, em Moçambique. A distância em relação ao litoral obriga, por vezes, a percursos de cerca de 2.000 quilómetros até ao porto marítimo mais próximo, segundo o Trade Law Centre (Tralac). Esta realidade aumenta os custos logísticos e prolonga os prazos de transporte das importações e exportações.
Neste contexto, a modernização do porto de Mpulungu deverá criar uma capacidade logística adicional, contribuindo para tornar mais eficientes as rotas de acesso ao comércio regional. O projeto complementará uma rede de transportes atualmente assente sobretudo no transporte rodoviário e ferroviário, ambos confrontados com problemas de envelhecimento das infraestruturas e com a necessidade de investimentos significativos para responder ao crescimento do comércio intra-africano.
Henoc Dossa













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