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Esta iniciativa insere-se na continuidade das discussões de 2025 com o presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, que havia prometido apoiar a modernização do Roberts International Airport, a principal porta de entrada aérea de Monrovia.

A Turquia confirmou a sua intenção de abrir uma embaixada em Monróvia, marcando uma nova etapa no reforço das suas relações com o Libéria.

O anúncio foi feito após um encontro realizado na segunda-feira, 23 de março, entre a ministra dos Negócios Estrangeiros da Libéria, Sara Beysolow Nyanti, e uma delegação turca de alto nível liderada por Mustafa Kemel Basa, diretor-geral adjunto responsável pelas questões administrativas e financeiras no Ministério dos Negócios Estrangeiros turco.

Durante a reunião, a chefe da diplomacia liberiana, falando em nome do presidente Joseph Nyuma Boakai, destacou a importância de reforçar as relações bilaterais e intensificar a cooperação económica entre os dois países.

Esta dinâmica prolonga os intercâmbios iniciados em 2025 com Recep Tayyip Erdoğan, marcados pelo seu compromisso de apoiar a modernização do Roberts International Airport.

A Turquia prevê abrir a sua embaixada em Monróvia ao mesmo tempo que lança voos da Turkish Airlines, com o objetivo de reforçar rapidamente a sua presença económica e diplomática, além de promover investimentos e a instalação de empresas turcas em setores-chave da economia liberiana.

As discussões também abordaram a região da União do rio Mano, que o governo liberiano pretende transformar num polo estratégico para o comércio transfronteiriço e a conectividade regional, apoiando-se numa diplomacia económica ativa.

Paralelamente, a Turquia reafirmou o seu compromisso de apoiar o desenvolvimento do capital humano liberiano, nomeadamente através da concessão de bolsas de estudo a estudantes. A questão da reciprocidade diplomática também foi discutida, com Ancara a incentivar Monróvia a abrir uma embaixada na capital turca e um consulado em Istambul.

Esta iniciativa insere-se num contexto mais amplo de reforço da presença turca em África, onde o país tem multiplicado a abertura de embaixadas e parcerias económicas nos últimos anos.

Até agora, as relações entre os dois países baseavam-se em representações diplomáticas não residentes: a embaixada da Turquia em Acra está acreditada junto da Libéria desde 2013, enquanto a embaixada liberiana em Bruxelas cobre a Turquia.

As trocas diplomáticas intensificaram-se progressivamente, nomeadamente com a visita à Turquia, em maio de 2014, do então ministro dos Negócios Estrangeiros Augustine Kpehe Nagfuan, que permitiu a assinatura de acordos nas áreas da educação e da facilitação de vistos para titulares de passaportes diplomáticos.

A cooperação consolidou-se com a visita histórica a Monróvia do chefe da diplomacia turca Mevlüt Çavuşoğlu em julho de 2018, durante a qual se reuniu com a sua homóloga Marjon Kamara e foi recebido pela antiga presidente Ellen Johnson Sirleaf, bem como pelo atual chefe de Estado Joseph Nyuma Boakai.

No plano económico, as trocas comerciais bilaterais registaram uma queda significativa, passando de 191,9 milhões de dólares em 2019 para cerca de 35,33 milhões de dólares em 2023. Ainda assim, a Turquia continua a apoiar a Libéria através de programas de ajuda ao desenvolvimento liderados pela Agência Turca de Cooperação e Coordenação, abrangendo vários setores.

Carelle Yourann (estagiária)

 

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A Nigéria aposta numa combinação de financiamento reforçado, inovações médicas e coordenação institucional para acelerar a eliminação do VIH e da tuberculose como ameaças à saúde pública.

O governo nigeriano anunciou um cofinanciamento nacional adicional de cerca de 346 milhões de dólares para 2026, destinado a apoiar as suas prioridades de saúde, nomeadamente a luta contra o VIH e a tuberculose.

Segundo um comunicado do Ministério da Saúde publicado na quarta-feira, 25 de março, esta orientação insere-se numa abordagem coordenada que visa reforçar a eficácia, a responsabilização e a apropriação nacional das políticas de saúde. É acompanhada por reformas estruturais, incluindo a implementação do quadro multissetorial de responsabilização para a tuberculose (MAF-TB), concebido para melhorar o acompanhamento dos compromissos e dos desempenhos.

Paralelamente, o país introduziu uma inovação importante na prevenção do VIH com a implementação do lenacapavir, um tratamento injetável administrado duas vezes por ano. Já em fase de implementação em vários estados, este dispositivo será disponibilizado gratuitamente para reforçar a prevenção, especialmente junto das populações mais expostas.

«Ao harmonizar os recursos a todos os níveis do governo e ao colaborar de forma coordenada com os nossos parceiros, estamos a criar um sistema eficaz e eficiente, capaz de erradicar a tuberculose e o VIH», declarou o ministro da Saúde, Muhammad Pate.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recorda que a Nigéria está entre os países com elevada incidência de tuberculose, onde a coinfecção VIH/TB continua a ser um grande desafio de saúde pública. Assim, a instituição recomenda o reforço do rastreio ativo, a expansão do acesso a testes rápidos e a garantia da continuidade dos tratamentos antirretrovirais e antituberculose.

Neste contexto, a Nigéria lançou em 2023 uma campanha nacional de rastreio da tuberculose que abrange os 36 estados, bem como o Território da Capital Federal. Mais de 440 000 casos foram detetados em 2025, em comparação com cerca de 138 000 em 2020. A taxa de sucesso terapêutico é estimada em 94%, segundo dados oficiais.

Charlène N’dimon

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O país petrolífero tirou partido da subida dos preços do petróleo desde o início do conflito no Médio Oriente para obter taxas de juro mais baixas do que as aplicadas nas suas emissões anteriores.

Angola angariou 2,5 mil milhões de dólares através da emissão de um novo eurobond, anunciou o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, na quarta-feira, 25 de março.

A operação foi estruturada em duas tranches. No valor de 1,5 mil milhões de dólares, a primeira tranche teve uma taxa de 9,25% com maturidade de 7 anos, enquanto a segunda foi de 1 mil milhão de dólares com uma taxa de 9,8% e maturidade de 11 anos.

Falando no final de uma reunião do Conselho de Ministros, Massano destacou que Angola conseguiu obter taxas de juro «muito vantajosas», mais baixas em comparação com as aplicadas em emissões anteriores, apesar de um contexto internacional marcado por um conflito violento no Médio Oriente.

O país exportador de petróleo beneficiou, de facto, da subida dos preços da energia na sequência da guerra no Irão. As tensões geopolíticas e as perturbações no fornecimento de produtos energéticos causadas pelo fecho do estreito de Ormuz provocaram uma forte subida dos preços do crude, que ultrapassaram várias vezes a barreira dos 100 dólares nas últimas semanas.

O ministro angolano da Coordenação Económica destacou ainda a forte procura por parte dos investidores.

«Fomos aos mercados com o objetivo de angariar 2 mil milhões de dólares, mas a procura atingiu cerca de 5,2 mil milhões de dólares [...], e acabámos por angariar 2,5 mil milhões de dólares», afirmou, considerando que a operação «histórica» demonstra a «forte confiança dos investidores internacionais nos progressos da economia angolana».

Financiamento orçamental e gestão da dívida

Segundo Massano, os recursos mobilizados servirão para financiar o orçamento do Estado para o exercício de 2026 e para responder à «grande preocupação» relacionada com o pagamento de atrasados a prestadores de serviços públicos.

A última emissão de Angola nos mercados obrigacionistas internacionais ocorreu em outubro de 2025, quando Luanda angariou 1,75 mil milhões de dólares, parte dos quais foi utilizada para reembolsar obrigações internacionais com vencimento em novembro de 2025.

As emissões de longo prazo em moeda estrangeira de Angola são classificadas como «B-», com perspetiva estável, pela S&P Global Ratings.

Walid Kéfi

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Este financiamento insere-se no âmbito do projeto «Agrinvest», que visa reforçar a competitividade agrícola do país e transformar o corredor de Lobito num polo de desenvolvimento económico.

Angola e a União Europeia assinaram em Luanda um acordo de financiamento de 50 milhões de euros (cerca de 58 milhões de dólares) destinado à implementação do Agrinvest, um projeto de desenvolvimento das cadeias de valor agroalimentares ao longo do corredor de Lobito.

Num comunicado publicado na terça-feira, 24 de março, a delegação europeia em Angola indica que este financiamento não reembolsável tem como objetivo melhorar a competitividade de várias cadeias agrícolas estratégicas, nomeadamente cereais, culturas hortícolas e frutas tropicais. O projeto será implementado ao longo de seis anos em várias províncias-chave do corredor, incluindo Benguela, Huambo e Bié, com o apoio de diversos ministérios angolanos e parceiros internacionais.

Um motor de diversificação económica e segurança alimentar

Para além da sua função logística, o corredor de Lobito pretende tornar-se um motor de desenvolvimento económico. O «Agrinvest» prevê apoiar a criação de emprego, em particular para jovens e mulheres, através do apoio técnico a organizações agrícolas, promoção de cooperativas e melhoria do acesso aos mercados para os pequenos produtores.

O projeto integra também um componente dedicado ao reforço das infraestruturas logísticas e de transformação, nomeadamente no armazenamento, transporte e distribuição, bem como à facilitação do acesso ao financiamento para os atores do setor, de forma a aumentar a produção e a sustentabilidade das cadeias de valor.

Esta iniciativa enquadra-se nas prioridades do Plano Nacional de Desenvolvimento 2023-2027, centrado na segurança alimentar e no desenvolvimento do capital humano, num contexto em que o setor agrícola continua central mas subexplorado. Segundo o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), a área cultivada passou de 10% das terras aráveis em 2018 para 17% em 2023, em Angola. O país continua dependente das importações alimentares, especialmente de cereais, e figura entre os principais importadores na África Austral.

Face a estes desafios, o governo angolano multiplica reformas e investimentos para tornar a agricultura um motor de diversificação económica. O Programa de Reforma do Setor Agrícola (PRSA), lançado em 2023 com o apoio do BAD, visa modernizar a produção e reforçar a competitividade das cadeias de valor. Uma estratégia nacional de transformação dos sistemas agroalimentares para 2026-2035 está também em preparação, com foco na segurança alimentar, inclusão social e sustentabilidade.

Como infraestrutura estratégica, o corredor de Lobito liga o porto homónimo às zonas mineiras da República Democrática do Congo e da Zâmbia. Desempenhará um papel-chave na exportação de recursos como cobre e cobalto para os mercados internacionais.

Charlène N’dimon

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Estes compromissos, materializados em vinte acordos, abrangem setores que vão da agricultura às minas. Inserem-se na ambição assumida de Nairobi de se afirmar como porta de entrada de capitais estrangeiros na África Oriental.

O Quénia anunciou, na quarta-feira, 25 de março, a conclusão de vinte acordos de investimento no valor de mais de 2,9 mil milhões de dólares, na abertura da Conferência Internacional de Investimento (KIICO 2026), um evento anual organizado em Nairobi com a presença de dirigentes empresariais e decisores políticos de todo o mundo.

Estes compromissos, apresentados pelo presidente William Ruto, deverão gerar mais de 63 000 empregos diretos no país. Os setores da agricultura, da indústria transformadora, das minas e do imobiliário concentram a maior parte dos investimentos anunciados.

À frente dos compromissos surge a agricultura, com 890 milhões de dólares mobilizados para projetos nas fileiras do arroz, do açúcar e da horticultura. Entre as iniciativas de destaque, incluem-se um programa integrado de irrigação e produção de arroz no valor de 300 milhões de dólares, promovido pela Tana Bliss Kenya, bem como uma moderna fábrica de açúcar de 285 milhões de dólares desenvolvida pela Tana River Sugar Company.

O setor imobiliário atrai, por sua vez, 630 milhões de dólares, dos quais 380 milhões destinados ao projeto Mombasa Creekside Gardens e 250 milhões ao Nairobi Belle Vue Arch — duas operações com forte participação de investimentos provenientes do Golfo.

No setor mineiro, a empresa australiana NGX Limited comprometeu-se a investir 350 milhões de dólares na exploração de terras raras no condado de Kericho, no oeste do país.

A saúde também não fica de fora, com 310 milhões de dólares em promessas de investimento destinadas a reduzir o recurso a cuidados no estrangeiro, nomeadamente através do projeto Balmer Healthcare, avaliado em 200 milhões de dólares, no condado de Uasin Gishu.

«Em todos os setores da economia, abundam oportunidades prontas a ser exploradas», afirmou Lee Kinyanjui, ministro dos Investimentos, Comércio e Indústria, apelando aos investidores para aproveitarem aquilo que classificou como um «cocktail de oportunidades».

Por sua vez, o chefe de Estado destacou as reformas recentes do governo, incluindo a isenção fiscal sobre serviços exportados, o flexibilizar das regras para empresas tecnológicas estrangeiras e a digitalização em curso do balcão único, cuja plena implementação está prevista para o final de 2026.

Aberta até sexta-feira, 27 de março de 2026, a KIICO 2026 acolhe também o Fórum de Investimento do COMESA e a iniciativa Africa Green Industrialization Initiative (AGII), centrada nas energias renováveis, mobilidade elétrica e economia circular.

Os investidores presentes provêm, nomeadamente, dos Estados Unidos, do Reino Unido, dos Emirados Árabes Unidos, da China, da Índia e da Coreia do Sul.

Editado por M.F. Vahid Codjia

 

 

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A plataforma digital destina-se a simplificar os procedimentos comerciais da Nigéria. A reforma insere-se numa dinâmica mais ampla de modernização das infraestruturas e de melhoria do desempenho económico do país.

A Nigéria procedeu, na terça-feira, 24 de março, ao lançamento do seu balcão único nacional, denominado «National Single Window», uma reforma estruturante destinada a modernizar as trocas comerciais e a melhorar a eficiência da economia. Sob a coordenação do Ministério das Finanças, esta plataforma digital centraliza os serviços das diferentes agências públicas, de forma a simplificar os procedimentos de importação e exportação.

A iniciativa visa reduzir os prazos, diminuir os custos do comércio e facilitar o acesso aos mercados por parte das empresas. Pretende igualmente reforçar a transparência, a coordenação administrativa e a mobilização das receitas públicas.

Para o ministro das Finanças, Wale Edun, este projeto constitui «um ponto de viragem decisivo, que marca a passagem da complexidade para a coordenação». E acrescentou: «isto facilitará as trocas comerciais, melhorará a competitividade e promoverá o crescimento económico». No entanto, salientou que os efeitos desta digitalização dependerão, em parte, da modernização em curso das infraestruturas portuárias.

Este lançamento ocorre num contexto em que a Nigéria regista uma melhoria significativa do seu desempenho comercial. No quarto trimestre de 2025, o país apresentou um excedente comercial de 1,22 mil milhões de dólares.

Ao mesmo tempo, a atividade portuária está em forte crescimento. Os portos nigerianos movimentaram 129,3 milhões de toneladas de mercadorias em 2025, face a 103,6 milhões em 2024, o que representa um aumento de 24,8%. As importações continuam a dominar o tráfego, com 59,2% dos volumes, enquanto as exportações representam 39%.

Além disso, as reservas externas brutas atingiram 50,45 mil milhões de dólares a 16 de fevereiro de 2026, o nível mais elevado dos últimos treze anos, cobrindo cerca de 9,7 meses de importações de bens e serviços.

Charlène N’dimon

 

 

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As ambições económicas para 2026 estão em alta, mas as autoridades togolesas alertam que as tensões geopolíticas globais e a volatilidade dos mercados de matérias-primas representam riscos reais para esta trajetória.

O Togo prevê uma aceleração do seu crescimento económico para 6,5% em 2026, face a 6,2% no ano anterior, anunciou na segunda-feira, 23 de março, o Conselho Nacional do Crédito (CNC), durante a sua primeira sessão ordinária do ano, realizada em Lomé na presença dos principais agentes económicos do país.

A previsão é acompanhada por uma ligeira subida da inflação, estimada em 1,8%, após um nível excecionalmente baixo de 0,4% em 2025, segundo as projeções apresentadas durante este encontro presidido pelo ministro das Finanças e do Orçamento, Essowè Georges Barcola (na foto, ao centro).

O responsável, no entanto, moderou este otimismo, apontando vários riscos: a subida dos preços dos hidrocarbonetos e dos insumos agrícolas, as perturbações nas cadeias logísticas marítimas e aéreas, bem como as tensões de liquidez nos mercados financeiros regionais.

«Antecipámos estes choques em vez de simplesmente os sofrer», declarou, afirmando que «o governo continua determinado a prosseguir as reformas estruturais destinadas a reforçar a resiliência da economia nacional».

Para apoiar esta dinâmica, o CNC definiu várias prioridades setoriais, incluindo o desenvolvimento de produtos financeiros dedicados às energias renováveis e o reforço do financiamento às empresas agroalimentares. Este último eixo constitui uma alavanca fundamental para valorizar a produção local e reduzir a dependência das importações alimentares.

O Conselho sublinhou ainda a necessidade de consolidar o sistema financeiro no seu conjunto, de forma a apoiar plenamente a atividade económica.

 

 

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O ranking de 2026 dos melhores aeroportos mundiais confirma a dominação dos hubs asiáticos e europeus. No continente africano, apenas duas plataformas sul-africanas conseguem integrar o Top 100, ilustrando tanto os progressos realizados quanto os desafios persistentes do setor.

A consultoria britânica Skytrax divulgou, na quarta-feira, 18 de março, o seu ranking anual dos 100 melhores aeroportos do mundo, elaborado a partir de uma pesquisa realizada com viajantes internacionais entre 2025 e 2026.

Os hubs asiáticos dominam. O Aeroporto de Singapura-Changi ocupa o primeiro lugar, seguido por Incheon e Tóquio Haneda, enquanto a Europa mantém várias posições no Top 10. Apenas duas infraestruturas africanas estão presentes: o Aeroporto Internacional da Cidade do Cabo (74º) e o Aeroporto Internacional OR Tambo (84º).

Essa baixa presença é explicada principalmente por discrepâncias persistentes em relação à qualidade do serviço, à capacidade de acolhimento e à experiência do passageiro, critérios fundamentais na avaliação da Skytrax.

Restrições estruturais

Os custos operacionais das companhias africanas superam a média global: o combustível é 17% mais caro, as taxas e encargos são 12 a 15% mais elevados, a taxa de navegação aérea é 10% mais alta, enquanto a manutenção, os seguros e o custo do capital aumentam de 6 a 10%.

Esses fatores impactam o preço das passagens, ainda elevado para populações com renda modesta. As companhias também enfrentam desafios macroeconômicos e geopolíticos, infraestrutura aeroportuária de desenvolvimento desigual e uma conectividade intra-africana limitada. A ausência de implementação total da liberalização do céu africano dificulta a integração das redes e impede uma redução significativa nos custos para os passageiros.

De acordo com a Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA), o setor deverá registrar, em 2026, um crescimento do tráfego de 6%, superior à média global (4,9%). Apesar desse progresso, a rentabilidade permanece baixa: as companhias africanas gerarão apenas 200 milhões de dólares dos 41 bilhões de dólares de lucros globais, com uma margem de 1,3%, a mais baixa do mundo, e um ganho por passageiro consideravelmente inferior à média global. Isso representa um lucro líquido de 1,3 dólares por passageiro, contra 7,9 dólares a nível mundial.

Essa situação ocorre em um contexto onde o transporte aéreo mundial vive uma recuperação gradual, impulsionada pela retomada do tráfego pós-pandemia e pela crescente concorrência entre hubs regionais. No continente, vários países iniciaram programas de modernização e expansão de suas infraestruturas aeroportuárias com o objetivo de melhorar a competitividade e captar uma parcela maior dos fluxos de passageiros.

Essas iniciativas fazem parte de uma dinâmica mais ampla de fortalecimento da conectividade intra-africana, especialmente por meio de projetos de integração do mercado aéreo. Apesar da ausência no Top 100, plataformas como as de Marrakech, Addis-Abeba ou Kigali estão entre as mais bem classificadas a nível regional, refletindo uma melhoria gradual do setor.

Carelle Yourann (estagiária)

Top 10 dos aeroportos africanos em 2026 (ranking regional Skytrax)

  1. Aeroporto Internacional da Cidade do Cabo (África do Sul)
  2. Aeroporto Internacional OR Tambo (África do Sul)
  3. Aeroporto de Marrakech-Ménara (Marrocos)
  4. Aeroporto Internacional King Shaka (África do Sul)
  5. Aeroporto Internacional Mohammed V (Marrocos)
  6. Aeroporto Internacional do Cairo (Egito)
  7. Aeroporto Internacional Sir Seewoosagur Ramgoolam (Maurício)
  8. Aeroporto Internacional de Kigali (Ruanda)
  9. Aeroporto Internacional de Addis-Abeba Bole (Etiópia)
  10. Aeroporto Internacional de Antananarivo (Madagáscar)

 

 

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Um relatório do BCG estima entre 140 e 150 mil milhões de dólares o potencial de exportação do setor criativo africano até 2030, impulsionado em mais de 60% por mulheres. No entanto, o financiamento continua praticamente inexistente.

Existe uma ironia persistente na narrativa económica africana. O continente, que alberga mais de 30% das reservas minerais mundiais, há muito que exporta as suas riquezas brutas para vê-las transformadas, valorizadas ou até renomeadas noutros lugares, antes de as recomprar a preços elevados. Ora, surge agora um tipo de recurso não extrativo, não externalizável e impossível de esgotar, que começa a remodelar esta equação. Trata-se da criatividade, e ela tem predominantemente rosto feminino.

Esta é a tese central de um relatório publicado em fevereiro de 2026 pelo Boston Consulting Group, intitulado «Africa Unleashed: Empowering Women in Creative Industries». O documento, assinado por Lisa Ivers e Zineb Sqalli, apresenta um retrato impressionante de um setor ao mesmo tempo dinâmico e estruturalmente negligenciado. A economia criativa africana, que engloba, entre outros, moda, música, cinema, design e conteúdos digitais, representa atualmente cerca de 59 mil milhões de dólares.

Isto representa menos de 3% de um mercado global avaliado em quase 2 000 mil milhões de dólares. A diferença é vertiginosa, mas constitui também, segundo o BCG, uma oportunidade.

A demografia como motor

Três motores sustentam esta perspetiva. O primeiro é demográfico: a África alberga cerca de 890 milhões de pessoas com menos de 25 anos, correspondendo a quase 60% da sua população total. Esta juventude constitui não só um reservatório de mão de obra, mas também uma base de consumidores culturais ávidos, e uma geração de criadores nativamente digitais.

O segundo motor é digital: entre 300 e 400 milhões de africanos interagem ativamente nas redes sociais, com a rápida disseminação dos smartphones e a melhoria da conectividade. Plataformas de entretenimento como TikTok, YouTube e Spotify tornaram-se circuitos de exportação cultural a baixo custo.

O terceiro motor é patrimonial: as tradições e códigos africanos em design, estética e narrativa constituem um capital de propriedade intelectual cultural ainda largamente submonetizado nos mercados externos, mas amplificado por uma diáspora de mais de 200 milhões de pessoas que aumenta a sua projeção comercial.

Segundo o BCG, se a África conseguisse duplicar a sua quota no mercado criativo mundial até 2030 — passando de 3% para 6% —, as suas exportações criativas poderiam atingir entre 140 e 150 mil milhões de dólares. Um cenário que pressupõe que as condições de investimento consigam acompanhar, pelo menos parcialmente, o potencial identificado.

Moda, setor-chave de 31 mil milhões de dólares, impulsionado por mulheres

No coração deste sistema está o género feminino. No setor da moda e design, avaliado em 31 mil milhões de dólares, as mulheres representam mais de 60% da força de trabalho a nível continental. No Quénia e em Madagascar, esta proporção ultrapassa os 80%.

Desde a produção têxtil até à direção criativa, passando pelo comércio transfronteiriço, elas estão presentes em todos os elos da cadeia de valor. Segundo o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), com apoio adequado, a indústria da moda africana poderia contribuir até 50 mil milhões de dólares para o PIB continental e criar 400 000 empregos na África subsariana.

No entanto, os números de investimento contam uma história radicalmente diferente. Em 2024, as indústrias criativas africanas captaram menos de 1% do financiamento de capital de risco no continente, correspondendo a apenas 1,5 milhões de dólares em transações divulgadas. Ao mesmo tempo, a fintech mobilizava 1,35 mil milhões de dólares. Mais de 90% das empresas de moda operam com capital inferior a 1000 dólares. As mulheres, em particular, recebem menos de 10% do financiamento disponível, um valor que muitas vezes cai abaixo de 1% na Nigéria.

Para além do capital…

O BCG toma cuidado em não reduzir a solução apenas ao acesso ao financiamento. Estudos de caso na Etiópia, onde o parque industrial de Hawassa criou mais de 24 000 empregos, 80% ocupados por mulheres, e no Ruanda, cuja política de restrição à importação de roupas usadas fez passar o número de empresas têxteis de menos de 10 para cerca de 70 em seis anos, mostram que uma intervenção pública direcionada pode produzir efeitos mensuráveis.

Nos dois casos, a variável determinante não foi o mercado, mas sim a vontade política. Segundo o gabinete, o que precisa ser construído é um ecossistema viável: capital adaptado às realidades informais e sazonais, hubs de produção descentralizados, acesso a mercados formais, proteção jurídica da propriedade intelectual e formação digital podem constituir os seus pilares.

Fiacre E. Kakpo

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Através desta parceria, os dois países reforçam a sua cooperação económica e social bilateral. Os projetos previstos visam a educação, a segurança e as tecnologias.

A Tanzânia e a Áustria acordaram implementar projetos estratégicos no valor de 30 milhões de euros (34,8 milhões de dólares), com o objetivo de reforçar a sua cooperação em matéria de desenvolvimento.

O anúncio foi feito pelo vice-ministro das Finanças da Tanzânia, Mshamu Munde, na segunda-feira, 23 de março, após uma reunião com uma delegação austríaca liderada pela vice-ministra dos Assuntos Europeus e Internacionais, Hannah Liko.

Os projetos distribuem-se principalmente pelos setores da educação, da segurança e da tecnologia. O ministro explicou que a Áustria financia projetos-chave através de empréstimos em condições favoráveis, que contribuem diretamente para melhorar o bem-estar dos cidadãos, nomeadamente a renovação e instalação de sistemas modernos no Instituto de Ciência e Tecnologia de Karume (KIST), bem como o reforço do sistema educativo em Zanzibar.

Durante os encontros, ambas as partes abordaram a implementação da Estratégia Austríaca para África (2026–2029), que prevê o reforço da paz e da segurança, a promoção de uma economia verde, uma melhor gestão das migrações irregulares, ao mesmo tempo que desenvolve sistemas de migração legal e eficaz, e o incentivo aos avanços nos domínios da ciência e da educação.

A Tanzânia convidou igualmente a Áustria a aumentar os seus investimentos no âmbito da Visão 2050, que pretende transformar a Tanzânia numa economia industrial de elevado rendimento, com um PIB estimado em cerca de 1000 mil milhões de dólares americanos. A agricultura, o turismo, a indústria, a exploração mineira e a economia azul são identificados como motores essenciais desta transformação económica.

Um crescimento que atrai investidores

Nos últimos anos, a Tanzânia conseguiu manter a estabilidade macroeconómica apesar de choques externos severos. A sua economia manteve-se robusta, com um crescimento estimado em 6% em 2025, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), finanças públicas bem controladas e uma inflação moderada, inferior à meta de 5% estabelecida pelo Banco da Tanzânia.

De acordo com o Banco Mundial, graças aos seus vastos recursos naturais e a uma dinâmica demográfica favorável, o país conseguiu sustentar um elevado nível de investimento, um motor essencial do seu crescimento. Beneficiou também de uma melhoria significativa do seu ambiente de negócios, o que impulsionou a entrada de investimentos, em particular de investimento direto estrangeiro (IDE) no desenvolvimento das capacidades de produção.

A Tanzânia e a Áustria mantêm uma parceria sólida e em plena expansão, centrada na diplomacia económica.

Lydie Mobio

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