O governo de Gana aprovou novos acordos de isenção de visto com Antigua e Barbuda, as Maldivas e a Zâmbia, anunciou o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Samuel Okudzeto Ablakwa (foto), na quarta-feira, 22 de abril. Estes acordos abrangem todas as categorias de passaportes, desde os passaportes ordinários aos passaportes diplomáticos.
Os acordos permitirão que os cidadãos ganeses e os de três países parceiros possam realizar estadas de até 30 dias por viagem, sem necessidade de visto. A ratificação pelo Parlamento é esperada nas próximas semanas.
Após dez anos de reformas, a agricultura beninense apresenta-se como um pilar da transformação económica. A eleição de Romuald Wadagni abre uma nova fase, com ambições industriais, num contexto mundial de tensões sobre os insumos e as cadeias de abastecimento.
Sob a governação de Patrice Talon, a agricultura beninense passou por uma transformação estrutural profunda. Impulsionada pelo Programa de Ação do Governo (PAG 2016-2021 e PAG 2021-2026) e pelo Plano Estratégico de Desenvolvimento do Setor Agrícola (PSDSA), esta política colocou a modernização do setor no centro das prioridades públicas.
Os investimentos foram particularmente marcados na mecanização e na irrigação. As áreas irrigadas foram multiplicadas por mais de quatro, passando de 6200 hectares em 2016 para mais de 26 000 hectares em 2025, enquanto a difusão de equipamentos agrícolas subsidiados ocorreu em grande escala, de acordo com os dados oficiais.
Simultaneamente, o Estado estruturou as cadeias agrícolas em torno de treze cadeias de valor prioritárias e reforçou as interprofissões. Instituições dedicadas, como a Sociedade Nacional de Mecanização Agrícola (SoNaMa) ou a Sociedade Beninense de Arranjos Agrícolas (SoBAA), foram criadas para apoiar esta transformação.
Desempenhos reconhecidos a nível regional
Os resultados destas reformas traduzem-se num aumento significativo dos indicadores agrícolas. O setor representa cerca de 26,3% do PIB, com um nível de investimento público superior a 10% das despesas do Estado, conforme os compromissos da União Africana (UA).
A nível continental, o Benim destacou-se no âmbito do Programa Detalhado de Desenvolvimento da Agricultura em África, classificando-se em primeiro lugar na CEDEAO e em quinto lugar em África, com uma pontuação de 7,15 na avaliação da Declaração de Malabo.
Os desempenhos produtivos refletem este fortalecimento. A produção de arroz passou de cerca de 200 000 toneladas antes de 2016 para mais de 600 000 toneladas, contribuindo para reduzir a dependência das importações. A soja teve uma rápida expansão, com uma produção atingindo 650 000 toneladas em 2024, contra cerca de 140 000 toneladas em 2015. O algodão, pilar histórico da economia nacional, continua a ser a principal cultura de exportação. O país tornou-se o maior produtor africano de algodão em caroço, com mais de 637 000 toneladas na campanha de 2024-2025. A cadeia do caju também continua a sua progressão, com uma produção estimada em 225 000 toneladas e um desenvolvimento crescente da transformação local, especialmente na Zona Industrial de Glo-Djigbé (GDIZ).
Além das culturas vegetais, as produções animais também progrediram, com um aumento estimado de 86% para a carne, 63% para os ovos e 77% para a produção pesqueira.
Impacto socioeconómico tangível, mas contrastado
A dinâmica agrícola gerou mais de 300 000 empregos desde 2016 e contribuiu para o aumento da renda agrícola, com ganhos diferenciados de acordo com o tamanho das explorações. O desenvolvimento dos mecanismos de financiamento, nomeadamente através do Fundo Nacional de Desenvolvimento Agrícola, facilitou o acesso aos insumos e aos equipamentos.
"O Benim poderia gerar até 6 mil milhões de dólares em receita por valor acrescentado, com um valor de mercado total estimado entre 12 e 16 mil milhões de dólares para a cadeia do algodão, para mais de 250 000 empregos apenas no setor têxtil", segundo as estimativas governamentais.
No entanto, esses avanços são acompanhados de limitações estruturais. Segundo o Banco Mundial, o setor enfrenta várias restrições estruturais: falta de insumos agrícolas, fracos sistemas de irrigação, rendimentos limitados e forte dependência de algumas culturas de exportação como o algodão, o ananás, a soja ou a noz de caju.
Essa vulnerabilidade foi acentuada pelos imprevistos climáticos, nomeadamente as inundações de 2010, que afetaram 55 dos 77 municípios do país e destruíram cerca de 40% das colheitas, colocando muitas famílias agrícolas numa situação crítica.
O acesso ao financiamento também continua limitado para parte dos pequenos produtores, apesar dos mecanismos implementados. Além disso, a transformação local ainda é insuficiente, uma vez que uma grande parte dos produtos agrícolas é exportada em estado bruto.
"A maior parte da colheita era vendida não transformada, limitando assim, para as comunidades locais, as possibilidades de rendimentos adicionais e de empregos relacionados com a transformação e valorização dos seus produtos", sublinhou a instituição.
Apesar de uma melhoria global, persistem focos de insegurança alimentar. Segundo a FAO, cerca de 398 000 pessoas no Benim estarão em situação de insegurança alimentar aguda entre março e maio de 2025, de acordo com a última análise do Quadro Harmonizado. Este número está em aumento em relação ao mesmo período de 2024, quando cerca de 364 000 pessoas necessitavam de ajuda humanitária. No entanto, esse agravamento aparente é atribuído a "problemas metodológicos", mais do que a uma deterioração real da situação.
Uma nova fase num contexto internacional tenso
A eleição de Romuald Wadagni para a liderança do país insere-se numa lógica de continuidade, ao mesmo tempo que marca uma inflexão para uma maior industrialização do setor agrícola. O seu programa foca-se na mecanização, na irrigação e na soberania alimentar, visando também a transformação local dos produtos agrícolas provenientes de cadeias estratégicas como o algodão, o caju e o ananás.
Nesta perspetiva, o novo presidente pretende melhorar o acesso ao financiamento para os produtores, reforçar as capacidades do Fundo Nacional de Desenvolvimento Agrícola e introduzir inovações como a agricultura de precisão, a rastreabilidade dos produtos e novas ferramentas de monitorização das culturas. O programa inclui também a implementação de um sistema de proteção social para os agricultores e o desenvolvimento da pesquisa, nomeadamente através de um centro dedicado à melhoria genética e à produção animal.
Desafios amplificados pelo contexto internacional
O novo presidente terá, no entanto, que lidar com um ambiente económico e geopolítico mais exigente. As tensões internacionais pesam sobre as cadeias de abastecimento, especialmente para os fertilizantes, cujos preços aumentaram consideravelmente.
Segundo o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), o preço da ureia subiu mais de 35% entre fevereiro e março de 2026, refletindo as perturbações causadas pelos conflitos e pelas restrições logísticas globais. A dependência do Benim das importações de insumos expõe assim o setor agrícola a riscos de aumento dos custos de produção e de pressão sobre os preços alimentares.
No final da década Talon, o Benim dispõe de um setor agrícola modernizado e melhor estruturado, tornando-se um fator central de crescimento económico. O desafio de Romuald Wadagni será agora duplo: consolidar os progressos feitos e adaptar o modelo agrícola às novas restrições climáticas e geopolíticas.
Num contexto de volatilidade dos mercados e de pressões sobre a segurança alimentar, a capacidade do país para desenvolver uma agricultura mais resiliente, mais inclusiva e mais orientada para a transformação local será determinante para apoiar de forma sustentável a sua trajetória de crescimento.
Charlène N’dimon
Entre os países beneficiários encontram-se a República Centro-Africana, o Chade, a Mauritânia e a Nigéria. Este financiamento dará prioridade à proteção das populações, à ajuda alimentar, aos serviços de saúde e nutrição, assim como à educação em emergências.
A União Europeia (UE) anunciou um financiamento de 235 milhões de euros (275 milhões de dólares) em ajuda humanitária para as populações mais vulneráveis de vários países da África Central e Ocidental, segundo um comunicado publicado na quarta-feira, 22 de abril.
Este financiamento ajudará as pessoas afetadas pelos conflitos e pelas crises alimentares atuais, os deslocados forçados, as comunidades anfitriãs, bem como as populações de difícil acesso.
Distribuição direcionada por país
A região central do Sahel receberá a maior parte do financiamento, estimada em 75 milhões de euros, destinada a fornecer uma resposta de emergência vital às áreas afetadas pelos conflitos e de difícil acesso.
72 milhões de euros serão atribuídos ao Chade para garantir os serviços essenciais para responder às necessidades das pessoas deslocadas nas províncias de leste, do Lago e de Hadjer-Lamis, e apoiar tanto as populações recém-deslocadas como as comunidades anfitriãs.
A Nigéria receberá 33 milhões de euros, dedicados a ações que visam as regiões do nordeste e do noroeste do país. A República Centro-Africana, por sua vez, receberá uma verba de 22 milhões de euros, e o Camarões 16,6 milhões.
A Mauritânia receberá 4,8 milhões de euros, para manter a resposta de emergência, destinada principalmente aos refugiados malianos, aos repatriados mauritanos e às comunidades anfitriãs vulneráveis, particularmente através de ajuda alimentar.
Além disso, «nos países costeiros, mais de 6 milhões de euros serão alocados para a ajuda de emergência, assistência alimentar, serviços de saúde, proteção e coordenação nas áreas mais afetadas pela insegurança e pelos deslocamentos populacionais», destaca o comunicado. É também indicado que um montante adicional de 6,4 milhões de euros apoiará projetos com alcance regional.
Necessidades humanitárias em forte aumento
As necessidades humanitárias estão a aumentar em vários países da África Central e Ocidental, que enfrentam crises complexas relacionadas com os conflitos, a instabilidade política e os efeitos nefastos das mudanças climáticas.
Em 2025, o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) estima que 14 milhões de pessoas estejam deslocadas à força nas duas sub-regiões, principalmente devido aos movimentos internos de população no Sahel Central - epicentro das crises, juntamente com a região do Lago Tchad, segundo a UE - e ao conflito em curso no Sudão, que provocou um fluxo maciço de deslocados para o Chade.
Para 2026, a ONU solicita 5,1 mil milhões de dólares para ajudar 24 milhões de pessoas entre as mais vulneráveis na África Central e Ocidental.
Lydie Mobio
Burkina Faso validou uma estratégia nacional de governança das fronteiras para o período de 2026 a 2030, conforme informado em um comunicado do Ministério da Administração Territorial publicado na terça-feira, 21 de abril. Este plano visa restabelecer o controle do Estado sobre as áreas fronteiriças, fortalecer a segurança das populações locais e promover um desenvolvimento mais equilibrado nas zonas afetadas pela crise de segurança e humanitária persistente.
Integração das Fronteiras Aéreas e Cooperação Regional
A nova estratégia incorpora as fronteiras aéreas ao dispositivo nacional, alinhando-se com a dinâmica da Aliança dos Estados do Sahel (AES), que reforça a coordenação de segurança na região. A estratégia adota uma abordagem combinada, unindo segurança e desenvolvimento, com foco especial nas populações das áreas fronteiriças.
O plano também leva em consideração a dimensão geopolítica regional, promovendo a mutualização de recursos e o fortalecimento da coordenação entre as forças de defesa e segurança, com o objetivo de melhorar a interoperabilidade e a vigilância, incluindo no espaço aéreo.
Quatro Eixos Estruturantes
A implementação dessa estratégia está baseada em quatro eixos principais:
Controle e segurança das fronteiras territoriais: Garantir o controle efetivo das fronteiras e fortalecer a vigilância para prevenir ameaças externas.
Desenvolvimento socioeconômico das zonas fronteiriças: Melhorar as condições de vida e promover o crescimento econômico nas regiões fronteiriças.
Gestão sustentável dos recursos naturais e coesão social: Proteger os recursos naturais enquanto fortalece a solidariedade e a paz social nas zonas afetadas.
Fortalecimento da governança e da cooperação: Melhorar a governança local e promover a colaboração com os países vizinhos para uma abordagem integrada de segurança.
Impactos Esperados
Segundo Fidèle GOUEM, secretário permanente da Comissão Nacional das Fronteiras, os principais impactos esperados dessa estratégia são uma melhora significativa da segurança nas áreas fronteiriças e uma redução da vulnerabilidade das populações locais. A implementação dessa estratégia visa uma maior proteção das comunidades e diminuição da ameaça terrorista nas regiões limítrofes.
Contexto de Crise
Esta estratégia se insere em um contexto de segurança particularmente desafiador, com o país enfrentando uma crescente onda de ataques terroristas. De acordo com o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), cerca de 4,5 milhões de pessoas precisarão de assistência humanitária em 2026 no Burkina Faso, evidenciando a magnitude dos desafios que o país está enfrentando.
Essa iniciativa segue as reformas iniciadas em 2024 para reestruturar a gestão das fronteiras e visa melhorar a segurança e a governança no país, além de promover um desenvolvimento mais equilibrado nas áreas mais afetadas pela instabilidade.
Ingrid Haffiny
Privados de certidão de nascimento, muitos malgaxes não têm acesso a direitos essenciais como o cartão de identidade ou aos serviços públicos, em um contexto de preparação para as próximas eleições.
A Assembleia Nacional de Madagascar aprovou na terça-feira, 21 de abril, um projeto de lei sobre o registro especial de nascimentos, integrado ao programa de recenseamento biométrico em massa. Esta reforma tem como objetivo fortalecer o sistema de registro civil e melhorar a identificação dos cidadãos.
O texto prevê a criação de um mecanismo específico para as pessoas com 18 anos ou mais que não possuam certidão de nascimento. Sem limitação de prazo até o encerramento do programa biométrico nacional, este dispositivo combina a coleta de dados biométricos e a regularização de nascimentos não registrados dentro dos prazos legais, com o intuito de emitir certidões de nascimento juridicamente reconhecidas.
Deputados
Do ponto de vista operacional, o dispositivo prevê a participação das autoridades locais, especialmente os chefes de fokontany (unidades administrativas locais), na verificação das informações fornecidas, bem como o uso de testemunhas para apoiar as declarações. O texto também prevê sanções em caso de falsas declarações, enquanto o sistema digital será fortalecido para reduzir duplicações e melhorar a confiabilidade do registro.
Este projeto de lei surge em um contexto marcado pela preparação para as próximas eleições e pela necessidade de ter registros civis confiáveis, a fim de garantir uma melhor segurança na identificação dos cidadãos e melhorar a qualidade dos dados administrativos para uma gestão pública mais eficiente.
De acordo com as autoridades, este registro especial não implica na atribuição automática da nacionalidade, mas sim numa medida de regularização da identidade legal dentro do programa biométrico nacional.
Ingrid Haffiny
RDC: O acordo com a Turquia visa diversificar os parceiros militares para fortalecer as capacidades das FARDC.
A República Democrática do Congo (RDC) e a Turquia estão intensificando sua cooperação militar, com a assinatura de um contrato entre a AFRIDEX (empresa congolesa) e a Makine ve Kimya Endüstrisi (MKE), uma empresa pública turca especializada na produção de armamentos, munições e equipamentos militares. Este acordo foi formalizado durante a visita oficial a Ancara do vice-primeiro-ministro congolês responsável pela Defesa, Guy Kabombo Muadiamvita, e visa melhorar as capacidades de equipamento das Forças Armadas da RDC (FARDC), de acordo com um comunicado do Ministério da Defesa congolês.
O acordo vai além do simples aspecto industrial. O vice-primeiro-ministro congolês também teve encontros com seu homólogo turco, Yaşar Güler, para discutir a ampliação da cooperação bilateral. A colaboração se estrutura em três eixos principais: o fortalecimento operacional das FARDC, o compartilhamento de conhecimentos e o desenvolvimento progressivo de uma indústria de defesa nacional na RDC.
Uma cooperação estratégica em expansão
Kinshasa tem pressionado pela aceleração da implementação dos acordos firmados em 2022, especialmente no que diz respeito à industrialização do setor de defesa e ao apoio financeiro. Por sua parte, Ancara reafirma sua disposição em apoiar a modernização das forças armadas congolesas, buscando um relacionamento de parceria mutuamente benéfico.
A situação de segurança na RDC continua extremamente instável, especialmente no leste do país, onde há confrontos com grupos armados, como o M23 (AFC/M23), supostamente apoiado por Kigali. Como resposta a essa crise, Kinshasa participa das negociações realizadas em Washington e Doha, com o apoio do Qatar, dos Estados Unidos e da União Africana, buscando alcançar um cessar-fogo eficaz e verificável.
Cooperação estratégica com a Turquia
A colaboração militar entre a RDC e a Turquia adquiriu uma dimensão estratégica, com a assinatura de acordos que envolvem formação, fornecimento de equipamentos e o desenvolvimento de uma indústria de defesa nacional inspirada no modelo turco. A Turquia, uma das potências militares mais significativas da OTAN, com uma indústria de defesa em expansão, oferece à RDC acesso a equipamentos modernos, tecnologias avançadas e programas de treinamento.
Além da cooperação militar, as relações bilaterais entre os dois países também se estendem ao comércio, ao investimento e à educação. Durante o 5º Fórum Diplomático de Antalya, os presidentes Félix Tshisekedi e Recep Tayyip Erdoğan expressaram sua ambição de aumentar o volume de trocas comerciais bilaterais, passando de 200 milhões para 500 milhões de dólares a médio prazo.
Charlène N’dimon
En RDC, a adoção de smartphones é dificultada pelo seu alto preço, num ambiente onde grande parte da população tem rendimentos insuficientes para acessar as ferramentas digitais.
O Banco Equity propõe lançar um programa de financiamento de telefones na República Democrática do Congo (RDC), permitindo que os assinantes adquiram smartphones a um custo mais baixo, através de pagamentos parcelados. A iniciativa visa acelerar a adoção de smartphones e, por extensão, o uso de serviços digitais no país.
O projeto foi apresentado na semana passada a Augustin Kibassa Maliba (foto), ministro congolês da Economia Digital, durante sua participação em Washington numa mesa-redonda ministerial sobre a digitalização dos pagamentos e a mobilização das receitas internas. A ação faz parte da intenção declarada do Banco Equity de estabelecer uma parceria estratégica com o ministério para apoiar a transformação digital do país.
"Imagine oferecer ao povo congolês telefones financiados a baixo custo, com uma conexão à internet acessível, permitindo abrir contas bancárias ou acessar mais facilmente os serviços públicos e os programas governamentais", afirmou Willy Mulamba (foto, à esquerda), diretor-geral do Equity BCDC, subsidiária congolesa do Equity Group, sem fornecer mais detalhes.
Esta iniciativa surge enquanto a acessibilidade financeira dos smartphones é considerada um dos principais obstáculos à adoção da internet na África. De acordo com os dados da GSMA, apenas 8% da população congolesa possuía um smartphone em 2024. Para comparação, a taxa de penetração da internet móvel era de 13%, segundo a mesma fonte.
No seu relatório "Accelerating Smartphone Adoption in Africa", publicado em dezembro de 2025, a GSMA aponta que o preço médio de um smartphone de entrada é de cerca de 30 USD, o que corresponde a mais da metade da renda mensal per capita na RDC. Para indivíduos pertencentes aos 20 a 40% dos lares mais modestos, esse custo ultrapassa a totalidade de seus rendimentos mensais, tornando a compra direta praticamente impossível sem recorrer a soluções de financiamento.
Operadores móveis e outros atores do ecossistema já introduziram opções de financiamento de smartphones na RDC. Por exemplo, a KaiOS Technologies, em parceria com o Mobihive Lab, oferece um sistema de financiamento de smartphones 4G destinado aos novos usuários, bem como àqueles que migram da 2G. Os operadores de telecomunicações Vodacom, Airtel e Africell também oferecem pacotes que incluem não apenas pagamento parcelado, mas também crédito de comunicação e/ou dados iniciais.
No entanto, apesar da disponibilidade dessas ofertas, os pagamentos à vista ainda dominam a compra de smartphones. Essa situação é explicada, segundo a GSMA, pelo baixo conhecimento das soluções de financiamento e pelo receio de inadimplência, o que pode resultar na retomada do aparelho e na perda dos valores já pagos.
Isaac K. Kassouwi
De acordo com o comunicado oficial, esta decisão visa reforçar a coesão e a sinergia na governação, bem como assegurar uma execução mais eficaz da política económica em benefício dos nigerianos.
O presidente nigeriano, Bola Tinubu, procedeu a uma remodelação ministerial, que levou à saída do ministro das Finanças e ministro coordenador da Economia, Wale Edun (foto).
Num comunicado publicado na terça-feira, 21 de abril, o secretário do Governo (SGF), George Akume, anunciou que o Sr. Edun cede as suas funções a Taiwo Oyedele.
Esta remodelação também afeta o Ministério da Habitação e do Desenvolvimento Urbano, onde o ministro cessante, Ahmed Musa Dangiwa, deixa o cargo. Ele é substituído por Muttaqha Rabe Darma.
«Estas mudanças visam reforçar a coesão e a sinergia na governação, bem como garantir uma gestão mais eficaz da economia em benefício dos nigerianos, através da Agenda da Esperança Renovada», refere o comunicado.
Além disso, as cerimónias de passagem de pastas deverão estar concluídas até quinta-feira, 23 de abril.
Esta decisão surge num momento em que a Nigéria continua a enfrentar pressões inflacionistas, com uma taxa situada em 15,38% em março. A isto juntam-se a fraqueza da moeda nacional e o impacto social dos vastos ajustamentos fiscais introduzidos sob a administração Tinubu.
O governo antecipa um crescimento de 4,68%, sustentado pela descida da inflação, uma maior estabilidade do naira e a continuação das reformas estruturais. Esta projeção supera ligeiramente a do Fundo Monetário Internacional, fixada em 4,1%.
Wale Edun é um economista e banqueiro de investimento nigeriano, com mais de quatro décadas de experiência a nível nacional e internacional nos domínios da banca de investimento, finanças empresariais e finanças internacionais. Ministro entre 2023 e 2026, é reconhecido pelo seu papel-chave nas reformas económicas da Nigéria.
Lydie Mobio
A iniciativa surge num contexto de forte tensão securitária na Nigéria, marcado por raptos, banditismo e uma insurreição jihadista. Perante estes desafios, o Estado lançou várias iniciativas.
A Nigéria aprovou a criação de um novo centro de formação policial em Erinja, no estado de Ogun, segundo um comunicado da presidência publicado na terça-feira, 21 de abril. Foi igualmente aprovada uma subvenção inicial de 15 mil milhões de nairas (11,1 milhões de dólares) para o projeto.
Esta iniciativa visa reforçar a governação institucional, modernizar a formação das forças policiais e melhorar a segurança nacional. O financiamento será proveniente do TETFund 2026 e cobrirá infraestruturas prioritárias, infraestruturas académicas, alojamento estudantil, bem como equipamentos essenciais de formação.
Esta decisão insere-se na implementação da lei de 2021 que criou a Academia de Polícia da Nigéria, que prevê a expansão da instituição, até agora sediada em Wudil, no estado de Kano.
O anúncio ocorre num contexto de segurança ainda preocupante. A Nigéria enfrenta uma insurreição jihadista no nordeste, bem como uma recrudescência do banditismo e dos raptos. Em novembro de 2025, vários estabelecimentos escolares foram alvo de ataques coordenados. Segundo as Nações Unidas, mais de 300 alunos foram raptados no estado do Níger.
As autoridades têm intensificado as medidas de segurança nos últimos meses, nomeadamente através do reforço das operações no terreno. O Presidente da República declarou o estado de emergência em novembro de 2025 e ordenou o recrutamento de 20 000 agentes adicionais para reforçar as capacidades das forças de segurança.
Ingrid Haffiny
O projeto, cuja primeira fase inclui a construção de 800 quartos de hotel e de uma aldeia de lazer, visa diversificar a oferta turística do país, que irá coorganizar o Campeonato do Mundo de Futebol de 2030 com Espanha e Portugal.
Um consórcio egípcio-emiradense, que reúne a empresa emiradense Al Nowais Investments, a empresa egípcia Sunrise Group e o bilionário egípcio Samih Sawiris, planeia investir 200 milhões de euros (cerca de 235 milhões de dólares) num projeto turístico integrado em Marrocos.
Este montante servirá para financiar a primeira fase deste grande projeto, que deverá estender-se por uma área total de 2,5 milhões de m² na cidade de Essaouira, situada na costa atlântica marroquina.
Segundo duas fontes próximas do processo citadas pelo site de informação Asharq Business, a primeira fase do projeto prevê a construção de 800 quartos de hotel, dos quais 270 deverão estar concluídos até ao final de 2027. Esta fase inclui igualmente a construção de uma aldeia de lazer com espaços comerciais, campos de golfe e 30 pequenas unidades hoteleiras do tipo “hotéis boutique”, numa área de 300.000 m².
A segunda fase, cujos detalhes não foram divulgados, deverá arrancar cinco anos após o início das obras da primeira fase.
O projeto tem como objetivo reforçar a atratividade turística da região de Essaouira, onde a oferta turística assenta numa combinação de riads (residências tradicionais marroquinas), hotéis e casas de hóspedes. Insere-se nos objetivos do roteiro de desenvolvimento do turismo elaborado pelas autoridades marroquinas, que prevê a receção de 26 milhões de turistas em 2030, ano em que Marrocos irá coorganizar o Campeonato do Mundo de Futebol com Espanha e Portugal.
O reino, onde o setor do turismo representa cerca de 7% do PIB e gera quase 900.000 empregos diretos, já é o principal destino turístico africano em termos de afluência, com um número recorde de 19,8 milhões de turistas em 2025 (+14% em relação a 2024).
Walid Kéfi