Depois do Coral Sul, em 2022, Moçambique prepara a entrada em operação do projeto de gás Coral Norte, prevista para 2028. Os contratos sucedem-se, confirmando que o segundo navio de produção de gás natural liquefeito (GNL) do bacia do Rovuma mantém o calendário previsto.
Os contratos continuam a avançar para o projeto de gás Coral Norte, em Moçambique. A empresa japonesa MODEC anunciou, num comunicado publicado na quarta-feira, 24 de junho, que irá fornecer o sistema de amarração com torre interna da unidade flutuante de produção, no âmbito de uma parceria com a joint venture Technip Energies-JGC, responsável pela construção do projeto.
O Coral Norte FLNG está previsto para conseguir liquefazer gás natural diretamente no mar, ou seja, arrefecê-lo até ao estado líquido para depois o carregar em navios metaneiros destinados aos mercados internacionais. O sistema de amarração com torre interna fornecido pela MODEC é o mecanismo que permitirá ao navio girar livremente em função do vento e das ondas, mantendo-se firmemente ancorado ao fundo do mar.
O projeto é desenvolvido pela empresa italiana Eni, em parceria com companhias chinesas, moçambicanas, dos Emirados Árabes Unidos e sul-coreanas. A decisão de construir o navio (FLNG) foi tomada em outubro de 2025, e o casco foi lançado em janeiro deste ano num estaleiro naval na Coreia do Sul.
Com estas etapas concluídas, a primeira produção de gás natural liquefeito é agora esperada em 2028. Quando estiver operacional, o Coral Norte terá capacidade para produzir 3,6 milhões de toneladas de GNL por ano, quase o dobro da produção atual do seu navio gémeo, o Coral Sul, que já opera na bacia de Rovuma desde 2022.
«O Coral Norte é uma etapa importante para a indústria e para Moçambique, e estamos honrados por contribuir para este projeto histórico de FLNG», declarou Arun Duggal, responsável pela unidade comercial de soluções de amarração da MODEC.
Um projeto desenvolvido na continuidade do Coral Sul
A MODEC já tinha fornecido anteriormente o sistema de amarração do Coral Sul. «O trabalho realizado pela MODEC no Coral Sul estabeleceu uma base operacional sólida e demonstrou uma clara excelência em engenharia e execução», afirmou um porta-voz da joint venture Technip Energies-JGC.
O projeto incorpora assim as lições retiradas da operação do Coral Sul, com otimizações técnicas destinadas a melhorar a eficiência e a fiabilidade. O sistema de amarração com torre interna é particularmente importante devido às condições meteorológicas e oceânicas da bacia do Rovuma, onde as ondas e as correntes podem ser intensas.
Um sinal positivo para Moçambique após anos de espera
Este contrato surge num contexto difícil para o setor do gás moçambicano. Desde 2021, a insegurança na província de Cabo Delgado levou, nomeadamente, a TotalEnergies a suspender o seu projeto concorrente Mozambique LNG Área 1, antes de o relançar no início deste ano. O Coral Norte, localizado numa zona offshore mais afastada da costa, não foi afetado da mesma forma e continua a avançar.
Para Moçambique, cujo PIB per capita rondava os 657 dólares em 2024, segundo o Banco Mundial, o Coral Norte é apresentado como um importante catalisador económico. Um estudo do Standard Bank publicado em 2025 estimava que o desenvolvimento da bacia do Rovuma poderia gerar 11 mil milhões de dólares em benefícios económicos anuais e criar 151 mil empregos diretos e indiretos no país até 2035.
Abdel-Latif Boureima













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