Angola produz petróleo desde os anos 1950, mas cerca de um angolano em cada dois continua sem acesso à eletricidade. O país procura diversificar o seu mix energético através do desenvolvimento da energia solar.
Em Angola, a central solar de Quilemba entrou na sua fase final antes da entrada em funcionamento. A agência de notícias oficial angolana ANGOP informou na segunda-feira, 22 de junho, que a instalação está em fase de testes operacionais, confirmando que o projeto avança de acordo com o calendário previsto para o primeiro semestre de 2026.
A central é desenvolvida pela Quilemba Solar Lda, uma empresa conjunta que reúne a italiana TotalEnergies (51%), a companhia nacional angolana Sonangol (30%) e a francesa Maurel & Prom (19%). Localizada perto do Lubango, na província da Huíla, terá uma capacidade inicial de 35 megawatts (MW), podendo ser ampliada para 80 MW numa fase posterior. Quando estiver operacional, irá fornecer eletricidade a cerca de 40 000 famílias.
«Estamos muito satisfeitos por contribuir para a concretização da central solar de Quilemba. Para este primeiro projeto solar industrial da Maurel & Prom, escolhemos Angola, um sinal forte da nossa vontade de acompanhar de forma duradoura o Estado angolano enquanto parceiro de confiança», declarou Olivier de Langavant, diretor-geral da Maurel & Prom, durante o lançamento das obras em maio de 2025.
A central de Quilemba será, no momento da sua entrada em funcionamento, a maior central fotovoltaica privada do país. Insere-se num contexto de crescimento da energia solar em Angola, onde vários parques já foram inaugurados nos últimos anos. Os parques de Biópio e Baía Farta, na província de Benguela, inaugurados em julho de 2022, permitem poupar, por si só, 430 milhões de litros de combustível por ano, segundo o diretor de projeto da Prodel, empresa pública angolana de produção de eletricidade.
Um projeto integrado numa estratégia nacional ambiciosa
A entrada em funcionamento de Quilemba ocorre num contexto de profunda transformação do setor elétrico angolano. Em abril passado, o fundo de impacto Enko Capital investiu num projeto solar de 724 MW desenvolvido pela empresa Omatapalo, em Luanda, segundo a Agência Ecofin. Este projeto beneficia de uma garantia do Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos.
O Governo pretende aumentar a capacidade nacional de produção de eletricidade de 6,4 para 9 gigawatts (GW) até 2027. Até 2050, Angola ambiciona que 95% das novas capacidades instaladas provenham de energias renováveis, de acordo com a Enerdata.
Abdel-Latif Boureima













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