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Em África, o mercado da cerveja e das bebidas alcoólicas está em plena expansão, impulsionado pelo crescimento demográfico e económico. Uma dinâmica que desperta o interesse de novos intervenientes estrangeiros.

O grupo agroalimentar japonês Asahi Group Holdings anunciou, na quarta-feira, 17 de dezembro, ter celebrado acordos para adquirir as atividades do fabricante britânico de bebidas espirituosas Diageo na África Oriental. Num comunicado publicado no seu site, a empresa esclarece que esta operação, sujeita à obtenção das autorizações regulamentares, deverá ser concluída no segundo semestre de 2026.

Um investimento estratégico superior a 2 mil milhões de dólares

Em termos concretos, a aquisição das atividades da Diageo inclui, nomeadamente, a compra de 100% das ações da Diageo Kenya Limited (DKL), avaliadas em 2,35 mil milhões de dólares, e de 53,68% das ações da United Distillers Vintners Kenya (UDVK) por um montante de 646 milhões de dólares. Caso a transação se concretize, permitirá igualmente à Asahi Group Holdings deter indiretamente 65% do capital da cervejeira East African Breweries PLC (EABL), a holding regional que reúne as principais filiais da Diageo na África Oriental.

Com esta aquisição, a Asahi inicia o seu primeiro capítulo na África Oriental, um mercado em forte crescimento onde, até agora, não tinha qualquer presença, e onde pretende afirmar-se de forma duradoura. “O nosso objetivo é lançar as bases para um crescimento a médio e longo prazo através da aquisição de uma plataforma de referência no Quénia e na África Oriental, uma região cujo crescimento a longo prazo deverá ser sustentado pelo aumento da população e pela expansão económica”, indica o grupo japonês.

Um dos principais pesos-pesados da indústria cervejeira da região, a EABL comercializa cervejas, bebidas espirituosas e bebidas prontas a consumir no Quénia, no Uganda e na Tanzânia. O seu portefólio inclui marcas emblemáticas de cerveja como Tusker, Serengeti e Bell Lager, bem como bebidas espirituosas internacionais como Johnnie Walker, Smirnoff e Captain Morgan.

No final do seu exercício fiscal de 2025, a empresa registou um crescimento de 4% do volume de negócios, atingindo 128,8 mil milhões de xelins quenianos (999,1 milhões de dólares), e um aumento de 12% do lucro líquido, para 12,2 mil milhões de xelins (94,6 milhões de dólares).

Um contexto favorável à implantação

Importa salientar que a decisão da Diageo de ceder a sua participação na EABL se enquadra numa estratégia do grupo britânico que visa realizar desinvestimentos seletivos em ativos não essenciais, com o objetivo de reforçar o seu balanço e reduzir o endividamento. No seu relatório anual de 2025, a empresa declarou uma dívida líquida de 21,8 mil milhões de dólares.

A saída da EABL não constitui um caso isolado em África. Desde 2024, a Diageo já tinha alienado participações em várias filiais, como a Guinness Nigeria, a Guinness Ghana Breweries Ltd e a Seychelles Breweries Ltd (Seybrew).

Com efeito, o continente africano figura entre as regiões onde o grupo regista menores volumes de vendas. No final do exercício fiscal de 2025, a Diageo declarou um volume de negócios global de 20,2 mil milhões de dólares, dos quais 40% realizados na América do Norte, 24% na Europa, 18% na região Ásia-Pacífico e, respetivamente, 9% em África e na América Latina e Caraíbas.

Resta agora observar se a entrada da Asahi, um novo ator asiático num mercado historicamente dominado por grupos europeus e norte-americanos, irá alterar os equilíbrios concorrenciais da indústria cervejeira na África Oriental.

Stéphanas Assocle

 

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No Gana, o caju representa o segundo produto agrícola de exportação, depois do cacau. A questão do preço de compra aos produtores é uma das principais preocupações dos intervenientes da cadeia no início de cada campanha de comercialização.

No Gana, o preço mínimo de compra do quilo de castanha de caju crua junto dos produtores foi fixado em 12 cedis (1,04 dólares) para a campanha de 2025/2026. O anúncio foi feito num comunicado publicado na segunda-feira, 15 de dezembro, pela Autoridade de Desenvolvimento das Culturas Arbóreas (TCDA).

Este valor representa uma redução de 20 % face aos 15 cedis (1,3 dólares) praticados na campanha anterior. Embora as razões para esta queda não tenham sido especificadas, a TCDA esclarece que a decisão foi tomada de comum acordo com os diferentes intervenientes da cadeia (produtores, agregadores, comerciantes, exportadores e processadores), visando reforçar a concorrência no mercado interno.

«O preço baseia-se no preço atual de mercado, ou seja, Franco a Bordo (FOB), em referência a uma taxa de câmbio média de seis meses obtida junto do Banco do Gana, bem como noutros parâmetros operacionais e estatutários […] A TCDA irá monitorizar e rever regularmente o preço mínimo à porta da exploração em conformidade, para se adaptar às mudanças do mercado, garantir a estabilidade dos preços e a equidade na indústria do caju», sublinha o comunicado.

Até ao momento, não há previsão oficial de produção por parte da TCDA. Contudo, um relatório publicado em novembro último sobre o mercado de caju da África Ocidental, elaborado pelo analista e especialista internacional Jim Fitzpatrick, estima que a produção ganesa poderá situar-se entre 160 000 e 170 000 toneladas em 2025.

Estas projeções, que ainda carecem de confirmação, permitiriam ao Gana consolidar a sua posição como 5.º maior produtor de caju da África Ocidental, atrás da Costa do Marfim, Guiné-Bissau, Nigéria e Benim, segundo o relatório.

Stéphanas Assocle

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Principal produtor africano de trigo, o Egito é também o maior importador mundial deste cereal. Perante o crescimento da procura, a modernização das infraestruturas de armazenamento é essencial para assegurar uma regulação mais eficaz do mercado interno.

No Egito, a empresa pública responsável pela construção, gestão e modernização dos silos de armazenamento de cereais (EHCSS) beneficiará de uma subvenção de 12 milhões de euros (14,1 milhões de dólares), na sequência de um acordo celebrado com a Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS).

Num comunicado divulgado na segunda-feira, 15 de dezembro, a AICS indicou que este apoio financeiro será disponibilizado no âmbito do programa UE-KAFI, uma iniciativa da União Europeia implementada no país desde 2024, em parceria com a Itália, para apoiar as culturas cerealíferas.

O montante anunciado visa melhorar as infraestruturas de conservação do trigo e a gestão das reservas estratégicas do país. Concretamente, uma parte da subvenção destina-se a financiar a construção de cinco silos, com uma capacidade total de 50 000 toneladas — 10 000 toneladas cada — para o armazenamento de trigo nos governos de Dakahlia, Damietta, Beheira e Sharqia.

O acordo de subvenção prevê igualmente a modernização do sistema digital do Ministério do Abastecimento e do Comércio Interno, de modo a permitir o acompanhamento em tempo real da reserva nacional de trigo. O objetivo desta iniciativa é aumentar a fiabilidade dos dados, a eficácia do controlo e reforçar as capacidades de planeamento estratégico e de tomada de decisão das autoridades.

«Esta modernização reforçará significativamente as capacidades de armazenamento a nível local e nacional, melhorará a eficiência da gestão das colheitas e contribuirá para a redução das perdas pós-colheita», pode ler-se no comunicado.

De um modo geral, estes diferentes projetos estão alinhados com as ambições do governo no que diz respeito ao reforço do sistema nacional de armazenamento. Em setembro de 2024, o Ministério do Abastecimento tinha, por exemplo, apresentado um plano de investimento de 34 mil milhões de libras egípcias (718 milhões de dólares) para a construção de novos silos, com vista a aumentar a capacidade de armazenamento de cereais do país de 2,6 milhões de toneladas até 2030.

Reforço da cooperação com a UE

«Esta nova parceria reafirma o compromisso contínuo da União Europeia em apoiar as prioridades nacionais do Egito em matéria de segurança alimentar, modernização agrícola e sustentabilidade dos sistemas de armazenamento e abastecimento. Representa um passo fundamental para a construção de uma cadeia de abastecimento de trigo mais eficiente, mais resiliente e mais sustentável no Egito», sublinha igualmente a AICS.

Importa salientar que a UE figura entre os fornecedores de trigo do Egito. Dados compilados na plataforma Trade Map indicam, por exemplo, que o país do Norte de África importou cerca de 4,44 mil milhões de dólares em trigo em 2024, dos quais cerca de 70 % tiveram origem na Rússia. Com uma quota próxima de 14,20 %, a UE posicionou-se como o segundo maior fornecedor do Egito nesse ano, sendo seguida de perto pela Ucrânia (13,4 %).

O reforço das relações com o Cairo é ainda mais estratégico tendo em conta que a procura de trigo no mercado egípcio continua a crescer, impulsionada pelo aumento do consumo da população e pelo desenvolvimento do comércio de farinha de trigo e produtos derivados.

Segundo dados compilados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as importações de trigo do Egito aumentaram 10,41 %, passando de 11,25 milhões de toneladas na campanha comercial de 2021/2022 para 12,48 milhões de toneladas em 2024/2025.

Paralelamente, o USDA indica que as exportações de farinha de trigo e de produtos derivados a partir do país quase foram multiplicadas por oito, passando de 300 toneladas para 2 352 toneladas. Para a campanha comercial de 2025/2026, a agência norte-americana prevê que as importações egípcias de trigo atinjam 13 milhões de toneladas.

Stéphanas Assocle

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Apesar de uma urbanização crescente, a Costa do Marfim continua a ser uma sociedade profundamente agrícola. Mais pobres do que as cidades, as zonas rurais marfinenses também se modernizam mais lentamente. Para reduzir a insegurança económica no campo, o governo marfinense lançou vários projetos de grande envergadura: modernizar as práticas

agrícolas – sem comprometer a sustentabilidade –, reforçar as infraestruturas e transformar localmente mais produtos agrícolas. Estas questões desempenham um papel-chave no Plano Nacional de Desenvolvimento para 2026-2030, atualmente em fase de finalização.

Uma Bolsa de matérias-primas agrícolas para estabilizar os preços

Na Costa do Marfim, um produtor agrícola que deseja vender a sua colheita depende das avaliações subjetivas dos compradores para definir o preço. Inaugurada no verão de 2025 por iniciativa governamental, a “Bolsa de Matérias-Primas Agrícolas da Costa do Marfim” introduz um terceiro independente: o corretor, responsável por avaliar a qualidade do produto e garantir transações transparentes.

Em projeto desde 2016 e finalmente operacional, este mercado assenta numa rede de armazéns homologados onde os produtores podem depositar as suas colheitas. Ele pretende responder a três necessidades: garantir preços mais justos, estabilizar o mercado e dinamizar as cadeias de valor. Atualmente, três produtos – caju, noz de cola e milho – estão cotados nesta Bolsa. Cerca de vinte outros produtos deverão ser incluídos a médio prazo, incluindo o cacau, pilar histórico da economia marfinense.

A agricultura, coração frágil da Costa do Marfim

Esta iniciativa reflete a vontade das autoridades marfinenses de oferecer novos mercados aos agricultores, numa sociedade ainda amplamente rural. O setor agrícola emprega 60% da população ativa, contribui com 25% do PIB e 40% das exportações.

Nos últimos quinze anos, a economia marfinense estruturou-se, apoiada por uma forte vontade política, garantindo um crescimento anual médio superior a 6%. As zonas rurais beneficiaram desta dinâmica, mas em menor escala do que as áreas urbanas – principais motores da modernização e da criação de atividades.

A agricultura de subsistência continua a apresentar rendimentos insuficientes, enquanto as cadeias de exportação, embora prósperas, sofrem de uma baixa taxa de transformação local – principal fonte de valor acrescentado. Esta situação afeta diretamente o nível de vida no campo: em 2021, mais de metade da população rural (54,4%) vivia abaixo do limiar de pobreza, contra menos de um quarto dos urbanos (22,2%), segundo o Instituto Nacional de Estatística.

Programas estruturantes e acesso ao financiamento

Consciente destas fragilidades, o governo marfinense lançou reformas estruturais de longo prazo, apoiadas por programas específicos, como o Projeto de Desenvolvimento das Cadeias de Valor Alimentar (PDC2V) ou o Programa de Apoio ao Desenvolvimento das Cadeias Agrícolas (PADFA).

Paralelamente, a Câmara Nacional da Agricultura da Costa do Marfim estabeleceu, desde o início de 2024, uma parceria estratégica com o Ecobank para facilitar o acesso ao crédito aos atores do setor. Apoiado pelo Estado, este dispositivo visa reforçar a formação dos profissionais, renovar infraestruturas e modernizar técnicas agrícolas – e, em última análise, elevar a agroindústria marfinense a padrões internacionais.

Infraestruturas: a chave para ligar as regiões produtoras

No verão de 2025, o Banco Africano de Desenvolvimento concedeu à Costa do Marfim um financiamento de 116 milhões de euros para “desenvolver infraestruturas agrícolas e a integração transfronteiriça”. O objetivo deste programa governamental é crucial: nas regiões fronteiriças do Este e Oeste, o estado degradado das estradas e a falta de infraestruturas de transporte obrigam muitas vezes os agricultores a vender a produção a preços baixos ou a perder uma parte significativa.

O projeto prevê a modernização de dois corredores rodoviários estratégicos e várias vias urbanas, melhorando o acesso dos produtores aos mercados e fortalecendo os intercâmbios com Gana e Libéria.

Modernização agrícola: um eixo estratégico para 2030

A Costa do Marfim definiu, igualmente, a luta contra a pobreza como prioridade: o Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) para 2026-2030 (em fase de finalização) prevê reduzi-la para menos de 20% a nível nacional. Este desafio não poderá ser alcançado sem uma melhoria significativa do nível de vida nas zonas rurais.

A modernização da agricultura e o reforço das cadeias de valor agrícolas constituem, portanto, um eixo estratégico do PND, desdobrado em várias frentes, tanto para culturas de subsistência como para produtos de exportação:

  • melhorar a produtividade e os rendimentos, modernizando técnicas agrícolas sem comprometer a sustentabilidade – limitando assim os insumos químicos e o desmatamento;
  • garantir melhores mercados e preços para os produtores, através do reforço de infraestruturas, da modernização dos mercados locais e de iniciativas como a Bolsa Agrícola;
  • aumentar a transformação local, nomeadamente para as cadeias de exportação – cacau, algodão, café e caju.

Símbolo desta determinação: na cerimónia de encerramento do Salão Internacional da Agricultura e Recursos Animais, em junho de 2025, em Abidjan, o Primeiro-Ministro entregou aos produtores equipamento moderno – tratores, ceifeiras-debulhadoras, motocultores e outros equipamentos. Relembrou o roteiro definido pelo executivo: estar “à altura da produtividade e da transformação”, para transformar profundamente a agricultura da Costa do Marfim e avançar rumo a uma prosperidade mais equitativa.

 

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Na Nigéria, como em muitos países africanos, a qualidade das sementes continua a ser um dos principais gargalos para a produtividade de culturas alimentares como o arroz e o milho. Enquanto o país mais populoso de África procura aumentar a sua oferta para satisfazer a procura atual e futura, o fortalecimento e desenvolvimento de uma indústria de sementes sólida tornou-se uma prioridade para o governo.

No final de novembro, com o apoio da Aliança para uma Revolução Verde em África (AGRA), o governo lançou uma estratégia e um plano de investimento dedicados a este segmento. Em entrevista à Agência Ecofin, Esther Ibrahim, responsável de programa da AGRA na Nigéria desde 2017, fala sobre o envolvimento da organização na elaboração desta folha de rota, o seu lançamento, bem como outras iniciativas que visam a cadeia de valor das sementes no país.

Esther Ibrahim, responsável de programa da AGRA na Nigéria

Agência Ecofin (AE): O que faz concretamente a AGRA no setor agrícola na Nigéria, e mais especificamente no segmento das sementes?

Esther Ibrahim (EI): Começo por dizer que somos uma organização cuja visão é apoiar os agricultores, colocando-os no centro dos nossos programas. Trabalhamos com diversos parceiros ao longo da cadeia de valor — desde instituições públicas a investigadores e atores privados — para mudar a forma de cultivar, garantindo que a agricultura se torne uma atividade económica sustentável, e não apenas uma forma de produzir alimentos.

Na AGRA, acreditamos que um sistema de sementes sólido é fundamental, assim como práticas agrícolas sustentáveis, boas políticas públicas, um mercado inclusivo, comércio e financiamento. Para aumentar de forma sustentável a produtividade dos agricultores e conectá-los aos mercados globais, tudo começa com a semente. Costumamos dizer que 50% da produtividade depende da qualidade da semente. Se usar sementes de qualidade, resistentes ao clima e nutritivas, resolve pelo menos metade dos problemas. Sem boas sementes, perde-se tempo mesmo adquirindo outros insumos.

A AGRA desempenha, portanto, um papel importante no setor de sementes da Nigéria. Apoiamo vários atores, desde instituições a melhoradores, para fortalecer competências necessárias à melhoria varietal. Também trabalhamos para garantir políticas adequadas que apoiem o crescimento do sistema de sementes do país.

Falando em políticas públicas, no final de novembro a Nigéria lançou uma nova Estratégia e Plano de Investimento para o setor de sementes. Como contribuiu a AGRA para a elaboração deste quadro?

A AGRA teve um papel significativo. Desde 2016 apoiamos o Conselho Nacional de Sementes Agrícolas (NASC). Entre 2016 e 2020, por exemplo, colaborámos com eles na atualização da Lei Nacional de Sementes, adotada por decreto em 2019. Este trabalho envolveu modernizar o quadro legal para ensaios oficiais de sementes, certificação, controlo de qualidade, comercialização, comércio e utilização das sementes.
Também abrangeu a transposição do regulamento harmonizado de sementes da CEDEAO, estabelecimento de regras claras para a participação do setor privado na produção e certificação de sementes — incluindo gestão e licenças — e a reorganização do NASC para fortalecer o desenvolvimento do sistema de sementes.

Foi criado um comité de registo e aprovação de variedades para supervisionar a autorização nacional de novas variedades. A AGRA contribuiu para o desenvolvimento de um portal online para gerir procedimentos de aprovação e produção de sementes de primeira geração, resolvendo problemas de disponibilidade e acessibilidade para pequenos produtores. Também participámos na atualização do catálogo nacional de sementes, que deve ser revisto regularmente, conforme os regulamentos da CEDEAO.

Com este conjunto de ações, ajudámos a criar um quadro jurídico completo. A AGRA não faz todo o trabalho no terreno; parceiros chave agora participam ativamente. A estratégia e o plano de implementação fornecem uma folha de rota para trabalhar com diferentes atores e enfrentar os desafios persistentes do setor.

A Estratégia identifica várias intervenções prioritárias ao longo da cadeia de valor das sementes. Quais são as primeiras ações previstas?

O plano lançado em Abuja, no final de novembro, concentra-se primeiro em alcançar os objetivos de produção de sementes para as principais culturas, como milho, arroz, sorgo, feijão-fradinho, soja e amendoim, aumentando simultaneamente a proporção de sementes certificadas. Por exemplo, o objetivo é aumentar a utilização de sementes certificadas de milho de 50% para 70%, e a do arroz de 44% para 60%. Progressos semelhantes são esperados para outras culturas prioritárias, como o amendoim e o sorgo.

Uma das prioridades centra-se, portanto, no desenvolvimento de modelos de financiamento para empresas de sementes. A AGRA já colabora com a Sahel Consulting para apoiar a Seed Entrepreneurs and Development Association of Nigeria (SEEDAN), que reúne as empresas de sementes privadas na Nigéria. Juntos, ajudamos a implementar modelos sustentáveis e a fortalecer os sistemas de governança. Há poucos dias, o plano estratégico da SEEDAN foi validado, posicionando a associação para desempenhar um papel mais estruturante, defender melhor os interesses do setor e promover mecanismos de financiamento para as empresas de sementes.

Outra prioridade diz respeito ao fortalecimento das redes de distribuição e à profissionalização das empresas de sementes. Quanto ao custo, o investimento necessário para o plano é estimado em 2,48 mil milhões de nairas, cerca de 1,7 milhão de USD. A melhoria varietal e a homologação representam cerca de 34% do orçamento, refletindo a sua importância estratégica. O ciclo que vai da seleção até à comercialização tem sido tradicionalmente longo, entre 7 e 10 anos. Graças às intervenções direcionadas da AGRA e de outros parceiros, este prazo foi reduzido para cerca de 3 anos. Os esforços continuam para acelerar ainda mais o processo, especialmente para variedades de alto rendimento e elevado valor nutricional.

Também trabalhamos na garantia de qualidade, outro domínio de investimento importante, que representa cerca de 31% do orçamento, pois a qualidade das sementes é fundamental para o desempenho do sistema. A AGRA já colaborou com o NASC para fortalecer os mecanismos de controlo de qualidade, e esta parceria continua. Uma ferramenta chave é o sistema electrónico de rastreabilidade de sementes, SeedCodex, que permite o acompanhamento através de códigos únicos, semelhante aos sistemas utilizados no setor farmacêutico. Permite aos compradores e reguladores verificar qual empresa produziu um determinado lote, facilitando a resolução de problemas de qualidade.

No geral, o plano visa garantir tanto a disponibilidade de variedades melhoradas como a integridade da qualidade das sementes, de modo a lançar as bases para um setor de sementes nigeriano mais sólido.

A formação dos agricultores, a sensibilização e os serviços de extensão de proximidade desempenham frequentemente um papel decisivo na adopção de sementes certificadas. Que mecanismos ou abordagens prevê a Estratégia para reforçar a sensibilização dos produtores e incentivar o uso de sementes certificadas?

De facto, a tecnologia está disponível nos laboratórios. Mas as sementes não têm pernas para ir onde são necessárias. É necessário um mecanismo para as levar até aos pequenos produtores, que representam 80% dos agricultores nigerianos. Este é precisamente o papel da extensão agrícola, que permite que as inovações provenientes dos centros de investigação cheguem onde estão os agricultores.  

Neste sentido, existe uma sinergia com parceiros para promover o modelo de aconselhamento comunitário. Trata-se de uma parceria público-privada implementada com o governo federal e atores privados, para colmatar o défice de extensão.

Segundo o Serviço Nacional de Extensão Agrícola e Ligação à Investigação (NAERLS), a proporção de agente de extensão por família agrícola era de 1 para 6000 em 2021, o que continua largamente insuficiente. Através do modelo comunitário, tentamos reduzir esta lacuna e melhorar a situação nos estados onde atuamos, como Kaduna e Niger. Mais amplamente, trabalhamos com o governo nigeriano para que a extensão receba todo o apoio necessário, de modo a difundir as tecnologias diretamente junto dos agricultores. Guias de formação para diferentes culturas já foram digitalizados, sublinhando a importância da utilização de sementes melhoradas para milho, arroz, feijão-fradinho, soja, tomate ou mandioca, em colaboração com os nossos parceiros.

Também reforçámos as capacidades dos conselheiros comunitários em parceria com o NAERLS, a Associação Sasakawa para África (SAA), e várias empresas de sementes privadas, como a Premier Seed. Estes parceiros produzem agora sementes de qualidade e expandem gradualmente este modelo para outros estados da Nigéria. Continuaremos a trabalhar para construir um sistema robusto de distribuição de proximidade, que permanece uma prioridade.

Por exemplo, a Premier Seed mobiliza atualmente cerca de 70 jovens na produção e multiplicação de sementes, e mais de 80 como promotores rurais. Estes conselheiros, formados pelo NAERLS e integrados na rede de distribuição da Premier Seed, estão constantemente no terreno. Este modelo já não se limita a uma única empresa, e continuamos a colaboração com vários atores para fortalecer este quadro de parceria público-privada.

Os investimentos em laboratórios de ensaio, infraestruturas de garantia de qualidade e redes de distribuição têm sido determinantes para o fortalecimento da indústria de sementes em vários países africanos. Que melhorias ou investimentos específicos estão previstos na Nigéria para reforçar o controlo de qualidade, reduzir a contrafação e melhorar o acesso a sementes certificadas?

EI: Devo dizer que este é um aspeto importante do nosso envolvimento no terreno. Em termos de infraestruturas, a AGRA apoiou o NASC na modernização do seu laboratório de certificação e de dois laboratórios regionais satélite. Estes investimentos permitiram-lhe obter a acreditação da Associação Internacional de Testes de Sementes (ISTA). Com a chegada de novas tecnologias, serão necessárias atualizações regulares, mas até agora a acreditação foi mantida e o NASC continua os seus esforços em conformidade e garantia de qualidade.

A Nigéria também se tornou, em março de 2025, o 80.º membro da União Internacional para a Proteção das Obtenções Vegetais (UPOV), graças aos progressos realizados no fortalecimento do setor de sementes nacional, com o apoio da AGRA e de outros intervenientes em colaboração com o NASC. Estamos a melhorar a regulamentação das sementes com a publicação do quadro de proteção das variedades (PVP) e a elaboração de procedimentos mais claros para certificação, controlos de importação e exportação e homologação de variedades, em conformidade com as regulamentações da CEDEAO. As iniciativas em curso através da plataforma Seed Connect visam harmonizar os processos, reduzir os gargalos e acelerar o comércio de sementes na região.

No que diz respeito à contrafação, realizámos um estudo de viabilidade que confirmou a presença de sementes fraudulentas no mercado, mas várias medidas de mitigação já estão em vigor. O Seed Codex, um sistema eletrónico de marcação e rastreabilidade, é agora aplicado a todos os sacos de sementes certificadas. Diferentes tipos de etiquetas são utilizados para vegetais, cereais e embalagens de 2, 5 ou 10 quilos, facilitando a autenticação pelos agricultores. O NASC realiza também inspeções de mercado e levou a cabo operações em lojas de agro-fornecimentos que vendiam sementes mal etiquetadas ou não certificadas.

Graças ao sistema de informação de gestão (MIS), o NASC consegue comparar a produção anual declarada por uma empresa com os volumes realmente observados no mercado. Se uma empresa declara 10 toneladas, mas circulam 20 toneladas, é imediatamente aberta uma investigação. Creio que este sistema, aliado ao Seed Codex, limita consideravelmente os riscos de fraude.

Quais são os principais desafios operacionais que antecipam na implementação da Estratégia?

Em termos organizacionais, o NASC liderará o processo. Possui escritórios nas seis zonas agroecológicas do país e é a principal agência responsável por coordenar e acompanhar a implementação da Estratégia. Trabalhará em estreita colaboração com a SEEDAN, o Ministério Federal da Agricultura e Segurança Alimentar, os centros do Grupo Consultivo para a Investigação Agrícola Internacional (CGIAR) e outros intervenientes privados. É um esforço coletivo que exige plena colaboração de todo o ecossistema.

Estas modalidades de implementação da Estratégia foram apresentadas e discutidas durante a 8.ª edição da conferência SeedConnect Africa, em Abuja, onde foi oficialmente lançada. As partes interessadas propuseram também hospedar o plano de investimento no site do NASC, ou até no da AGRA, para facilitar o acesso. Creio que a advocacia desempenhará um papel essencial, nomeadamente para aumentar os orçamentos públicos destinados à agricultura, fortalecer a SEEDAN e a plataforma nacional do setor de sementes, de modo a melhor representar o setor privado, e promover a utilização de ferramentas de autenticação como o Seed Codex, o Seed Tracker desenvolvido pelo IITA (Instituto Internacional de Agricultura Tropical), bem como outros sistemas digitais que serão integrados num sistema unificado de gestão de sementes.

Se quisermos transformar de forma sustentável o sistema agroalimentar, devemos dispor de um setor de sementes eficaz na Nigéria.

O plano de investimento deve servir como instrumento estratégico para o NASC atrair financiamentos para o setor de sementes. A AGRA continuará a fornecer apoio técnico para garantir uma implementação eficaz. Devo acrescentar que o trabalho sobre o sistema de sementes não começa do zero. Já existem colaborações, ferramentas e várias iniciativas em curso que abordam diferentes aspetos do sistema. Reforçar a coordenação e evitar duplicações será essencial para construir um sistema de sementes coerente e eficiente.

Em resumo, se quisermos transformar de forma sustentável o sistema agroalimentar, devemos dispor de um setor de sementes eficaz na Nigéria. A semente é o fundamento da agricultura. Por isso, devemos garantir que este componente essencial do setor agrícola esteja plenamente operacional.

Entrevista conduzida por Espoir Olodo.

 

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A taxa de inflação global da Nigéria desacelerou para 14,45% em novembro de 2025, contra 16,05% registados no mês anterior, continuando assim a sua tendência de queda. É o que indica o relatório do Escritório Nacional de Estatística (NBS), publicado na segunda-feira, 15 de dezembro de 2025.

Este recuo é favorecido pela diminuição nas categorias de produtos alimentares e bebidas não alcoólicas, de restaurantes e serviços de alojamento, bem como nos transportes.

 

Published in Noticias Agricultura

No Gana, a urbanização rápida e a evolução dos hábitos de consumo conferem ao mercado de retalho um forte potencial de crescimento, atraindo a atenção de novos operadores estrangeiros.

O grupo francês Carrefour prevê entrar no mercado ganense de distribuição em 2026, no âmbito de uma parceria de franchising estabelecida entre a sua filial dedicada ao desenvolvimento internacional, Carrefour Parceria Internacional, e o operador local Brands For All. O acordo foi anunciado na segunda-feira, 15 de dezembro, num comunicado conjunto de ambos os parceiros.

Segundo os termos desta nova parceria, a implantação do Carrefour no Gana começará com a aquisição e conversão, sob a sua marca, de toda a rede do distribuidor sul-africano Shoprite Gana. Este último tinha indicado desde junho de 2025 que tinha recebido uma proposta para a venda dos 7 hipermercados que opera no país.

A entrada em funcionamento destes pontos de venda sob a marca Carrefour deverá ocorrer a partir de abril de 2026, marcando o lançamento efetivo das atividades do grupo francês no território ganense.

Uma expansão já planeada

Para além da aquisição da rede existente da Shoprite, o acordo prevê um plano de desenvolvimento que inclui a abertura de cinco novos pontos de venda até 2028, elevando para 12 o número de lojas Carrefour no Gana. Esta estratégia visa reforçar a presença do grupo francês num mercado de cerca de 35 milhões de habitantes, dos quais quase 60% vivem em áreas urbanas, num contexto de transformação gradual dos hábitos de consumo.

Este projeto insere-se também no âmbito do “Plano Carrefour 2026”, que ambiciona a entrada do grupo em dez novos países através do franchising. “Esta expansão no Gana é mais um passo na implementação da nossa estratégia de crescimento internacional em franchising, cujo objetivo de 3 000 lojas em franchising foi ultrapassado em outubro de 2025”, declarou Patrick Lasfargues, diretor executivo da Carrefour Parceria Internacional.

Ao optar pelo desenvolvimento em franchising no Gana, o Carrefour adota um modelo de expansão sem investimento direto, capaz de limitar a sua exposição financeira, já que os investimentos são geralmente assumidos pelo parceiro local, enquanto o distribuidor se concentra na marca, no conceito e no abastecimento.

Um mercado em rápido crescimento disputado por vários operadores

O setor da distribuição no Gana registou um forte crescimento nos últimos anos. Num relatório publicado em novembro de 2025, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estimou que o tamanho deste mercado teria aumentado 36,06%, passando de 24,4 mil milhões de dólares em 2021 para 33,2 mil milhões em 2024.

Além disso, alguns fatores indicam a continuação desta tendência nos próximos anos. “O setor de distribuição alimentar ganense está geralmente concentrado na capital Accra (próxima do porto de Tema), bem como em Kumasi e Takoradi. No entanto, observa-se uma expansão dos centros comerciais e da distribuição alimentar nas capitais regionais do país. Embora uma parte significativa da população continue a preferir fazer as compras semanais nos mercados tradicionais, esta tendência está a mudar à medida que a classe média cresce”, destaca o relatório.

Segundo o USDA, a distribuição alimentar no Gana é dominada por pequenos mercearias locais ou lojas comunitárias, que representam 83% do mercado, enquanto a grande distribuição — que inclui supermercados, hipermercados e outros distribuidores modernos — representa apenas 17% do mercado.

Carrefour, que pretende entrar na grande distribuição, terá forte concorrência

O Carrefour, que pretende ganhar terreno na grande distribuição, terá de enfrentar a concorrência dominada pela marca Melcom, atualmente a maior cadeia de distribuição do Gana, com quase 75 hipermercados.

Segue-se a China Mall, com 12 supermercados, MaxMart Family Shopping Center com 7 supermercados, Palace Hypermarket com 5 hipermercados, e All Needs com 5 supermercados.

Outro desafio para o Carrefour será afirmar-se face ao crescimento do e-commerce, apoiado numa taxa de penetração de Internet de cerca de 70% e na forte utilização de dispositivos móveis no Gana. Operadores locais como a Jumia aproveitam esta tendência para expandir os seus serviços de entrega online.

De qualquer forma, ainda será necessário algum tempo para avaliar como o Carrefour poderá alterar as quotas de mercado no segmento da grande distribuição no Gana. Em 2024, o grupo francês declarou um crescimento de 9,9% no seu volume de negócios, atingindo 94,55 mil milhões de euros (111 mil milhões de dólares).

 

Stéphanas Assocle

 

 

Published in Noticias Financas

Em África, o Egito é um dos principais intervenientes no mercado de frutas, a par da África do Sul e de Marrocos. O potencial do país neste segmento de produtos hortícolas desperta o interesse de novos operadores estrangeiros.

O grupo polaco Fruitful, ativo na produção e no comércio de frutas e legumes congelados, acaba de celebrar um acordo com a empresa Elsewedy Industrial Development, filial do grupo egípcio Elsewedy Electric, com vista à sua instalação no Egito.

De acordo com um comunicado publicado pela Autoridade Geral para o Investimento e as Zonas Francas (GAFI) a 15 de dezembro, esta parceria permitiu ao grupo polaco adquirir um terreno situado na cidade do 10.º de Ramadan para a concretização de um novo projeto de transformação no setor hortícola.

Este projeto, cujo custo ainda não foi divulgado, será desenvolvido numa área de cerca de 0,9 hectares e incluirá a instalação de uma unidade de produção de produtos alimentares congelados. A unidade recorrerá a tecnologias avançadas, como o IQF (congelação individual rápida) e a liofilização, e disporá de uma capacidade de produção de 600 toneladas por mês.

«A maior parte da produção será destinada à exportação e cumprirá as normas internacionais. O projeto deverá gerar mais de 5 000 postos de trabalho diretos e indiretos ao longo de várias cadeias de valor, nomeadamente nas explorações de morangos e mangas, nas unidades de transformação agroalimentar, nas instalações de armazenamento frigorífico e nos serviços logísticos», refere o comunicado.

Segundo Yasser Morsi, diretor-geral da Fruitful, o Egito foi escolhido devido às suas infraestruturas avançadas, às medidas concretas de facilitação oferecidas aos investidores e à sua posição estratégica, que permite o acesso aos mercados regionais e mundiais. Importa igualmente salientar que o país dos faraós dispõe de uma ampla base de produção capaz de fornecer matéria-prima à futura fábrica.

O Egito afirma-se, por exemplo, como o principal produtor africano de morangos, com uma colheita média anual de cerca de 613 556 toneladas entre 2019 e 2023, segundo dados compilados pela plataforma Tridge. O país do Norte de África é igualmente o segundo maior produtor africano de mangas, a seguir ao Malawi, com uma produção média anual estimada em 1,5 milhões de toneladas no mesmo período, de acordo com a mesma fonte.

De forma mais abrangente, a entrada em funcionamento desta nova unidade promete reforçar a criação de valor acrescentado na indústria frutícola egípcia. Dados compilados pela FAO indicam que o Egito arrecadou 2,46 mil milhões de dólares em receitas de exportação de frutas em 2023, o que faz dele o segundo maior exportador africano de frutas em valor, a seguir à África do Sul.

Stéphanas Assocle

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Na Tunísia, os citrinos constituem a segunda categoria de frutas exportadas, a seguir às tâmaras. Com o início iminente da campanha de comercialização 2025/2026, as perspetivas de exportação começam a definir-se nos principais mercados.

Na Tunísia, o setor dos citrinos prevê exportar 15 000 toneladas de laranjas da variedade maltesa para França durante a campanha 2025/2026, que terá início no próximo dia 31 de dezembro. É o que revelam as primeiras projeções avançadas na semana passada pelo Groupement Interprofessionnel des Fruits (GIFruits).

O volume anunciado representará mais do dobro das quantidades expedidas na campanha anterior (5 600 toneladas). Se esta projeção se confirmar, corresponderá igualmente ao volume de vendas mais elevado registado no mercado francês ao longo das últimas nove campanhas, desde o pico de 15 999 toneladas alcançado em 2016/2017, de acordo com dados do serviço estatístico da União Europeia (Eurostat).

Este aumento esperado dos volumes de exportação ocorre num contexto em que a produção de citrinos deverá manter-se estável. Segundo o GIFruits, a produção nacional de citrinos para 2025/2026 é estimada em 376 000 toneladas, em ligeira diminuição de 2 % face à campanha anterior (384 000 toneladas).

Para explicar as perspetivas favoráveis no mercado francês, a interprofissional destaca o programa de promoção das laranjas tunisinas que o Ministério da Agricultura prevê lançar. Este incluirá a participação em vários eventos especializados no estrangeiro, nomeadamente no Salão Internacional da Agricultura de Paris, previsto decorrer de 21 de fevereiro a 1 de março de 2026.

«No âmbito dos preparativos da campanha de promoção dos citrinos desta época, que visa atrair novas categorias de consumidores, em especial os com idades entre os 20 e os 40 anos, e alargar a base de consumidores, será realizada uma campanha publicitária para as laranjas maltesas nos mercados europeus», refere o jornal Kapitalis, no sábado, 13 de dezembro, citando Tarek Tira, diretor-adjunto do desenvolvimento das exportações no seio do GIFruits.

De forma mais ampla, as projeções anunciadas, a confirmarem-se, consolidariam a França como o principal mercado dos citrinos tunisinos. Já em 2024/2025, o Hexágono representou 51,3 % das exportações tunisinas de citrinos, exclusivamente através das compras de laranjas maltesas.

Stéphanas Assocle

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No Senegal, o setor agrícola contribui com cerca de 15% do PIB. Enquanto o governo aposta na mecanização agrícola para aumentar a produtividade do setor por meio de projetos industriais, o fortalecimento das competências também é indispensável para apoiar essas ambições.

No Senegal, a Agência Nacional de Promoção do Emprego Juvenil (ANPEJ) inaugurou, no sábado, 13 de dezembro, um centro de competências em maquinário agrícola localizado em Podor.

Segundo informações divulgadas pela Agência de Notícias do Senegal (APS), esta infraestrutura, cujo custo de instalação não foi revelado, foi realizada no âmbito do Projeto de Apoio à Formação Profissional e ao Autoemprego dos Jovens (PAFPAJ), com o apoio da cooperação andaluza na Espanha.

De acordo com Sinna Amadou Gaye, diretora-geral da ANPEJ, este centro visa desenvolver competências técnicas em profissões relacionadas à operação, manutenção e gestão de equipamentos agrícolas. Prevê-se, nomeadamente, a criação de 40 empregos diretos, bem como a incubação e acompanhamento de cerca de 1.000 jovens por ano, com ênfase no autoemprego e no empreendedorismo local.

“Este centro é muito mais do que um investimento em infraestrutura; considero-o uma aposta estratégica na juventude senegalesa […] É uma forma de dar respostas concretas aos desafios da empregabilidade juvenil, especialmente em zonas com elevado potencial agrícola, como o departamento de Podor”, explicou a responsável.

Um investimento estratégico

A inauguração deste centro ocorre num contexto em que o governo senegalês multiplica iniciativas capazes de criar uma crescente demanda por mão de obra qualificada na mecanização agrícola nos próximos anos.

Em agosto último, o Ministério da Agricultura anunciou, por exemplo, o início oficial de um projeto de construção de uma fábrica nacional de montagem de tratores e equipamentos agrícolas, destinado a aumentar a disponibilidade local de maquinário motorizado. Esta iniciativa, implementada em cooperação com o grupo turco Albayrak e outros parceiros, visa também apoiar o programa “Allo Tracteurs”, lançado um pouco antes, em abril de 2025, pelo governo, para facilitar o acesso a serviços agrícolas mecanizados, com a criação prevista de 13 Centros de Utilização de Material Agrícola (CUMA) nas regiões de Tambacounda, Kédougou, Kolda e Matam.

A questão é ainda mais estratégica, uma vez que o aparato produtivo ainda mobiliza principalmente força motriz humana e animal. No país da Teranga, dados recolhidos pela Direção de Análise, Previsão e Estatísticas Agrícolas (Dapsa) revelaram que apenas 11% dos agregados agrícolas utilizaram equipamentos agrícolas motorizados durante a campanha agrícola de 2022/2023.

Stéphanas Assocle

 

 

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