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A África afirma-se progressivamente como um novo polo de criação de riqueza. Há cerca de uma década, o patrimônio dos bilionários não para de crescer, apesar das pressões inflacionárias, bem como das incertezas macroeconômicas e políticas.

Ao longo do último ano, os bilionários africanos registraram um ganho líquido de US$ 21,9 bilhões em suas fortunas. É o que revela o mais recente ranking Bloomberg Billionaires Index das 500 maiores fortunas do mundo, publicado no fim de dezembro.

De acordo com esse ranking, o bilionário nigeriano Abdul Samad Rabiu foi quem mais aumentou sua riqueza no continente, com um ganho de US$ 6,2 bilhões, alcançando US$ 9,35 bilhões. Isso o torna a 7ª maior fortuna africana e a 383ª em escala global.

Natural de Kano, Rabiu tira a maior parte de sua fortuna de sua participação nos conglomerados industriais BUA Foods (92,6%) e BUA Cement (95,2%). Em agosto passado, ele se tornou o investidor mais rico da Nigerian Exchange (NGX), segundo dados de mercado no fechamento das negociações da sexta-feira, 8 de agosto de 2025, graças a uma melhor valorização dessas duas empresas.

No restante do ranking, Aliko Dangote continua sendo o homem mais rico da África e ocupa a 76ª posição mundial. A fortuna do fundador do grupo Dangote é estimada pela Bloomberg em US$ 29,9 bilhões, um aumento de US$ 1,87 bilhão em relação ao ano anterior.

Ao seu lado, o empresário sul-africano Johann Rupert, fundador e principal acionista do gigante do luxo Richemont (proprietário, entre outras, das marcas Cartier, Montblanc e Ralph Lauren), sediado na Suíça, e detentor de uma fortuna familiar de US$ 19,3 bilhões, ocupa a 135ª posição.

Na 3ª colocação africana encontra-se o bilionário sul-africano Nicky Oppenheimer, presidente da empresa diamantífera De Beers e da Anglo American, companhia mineradora criada por seu avô. Ele ocupa a 226ª posição, com uma fortuna de US$ 13,8 bilhões.

Logo atrás aparece o egípcio Naguib Sawiris, à frente da Orascom Construction Industries, na 312ª posição, com US$ 10,7 bilhões. Em seguida vêm Nathan Kirsh, magnata dos negócios e figura emblemática de Eswatini (US$ 9,66 bilhões), e Nassef Sawiris (US$ 9,52 bilhões).

Em escala global, o ranking indica que os ricos do planeta ficaram ainda mais ricos.

Segundo os dados mais recentes, a fortuna das 500 pessoas mais ricas aumentou em US$ 2,2 trilhões, atingindo um nível recorde de US$ 11,9 trilhões, impulsionada pela disparada dos mercados de ações, das criptomoedas e dos metais preciosos como ouro e prata.

O homem mais rico do mundo é Elon Musk, com uma fortuna líquida total de US$ 645 bilhões — mais do que a soma da riqueza de seus dois principais perseguidores, Larry Page (US$ 270 bilhões) e Jeff Bezos (US$ 254 bilhões).

O francês Bernard Arnault, com uma fortuna estimada em US$ 204 bilhões, e o espanhol Amancio Ortega, com US$ 136 bilhões, são os dois únicos europeus presentes em um top 15 amplamente dominado pelos Estados Unidos.

Espoir Olodo

 

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Com um valor global das transações em ações atingindo 274,4 bilhões de FCFA, o mercado financeiro da UEMOA confirma uma mudança de dimensão. Esse desempenho, em alta de 56,4% em relação a 2024, supera os volumes acumulados registrados em vários exercícios da década anterior (2014 a 2019), confirmando que a praça de Abidjan deixa o status de mercado de rendimento para se tornar um verdadeiro polo de intercâmbio de produtos financeiros.

O fato mais marcante desta safra de 2025 reside na desconcentração dos fluxos. Embora a Sonatel, peso pesado da região, mantenha sua liderança, sua dominação relativa se reduz em favor de uma animação mais difusa do mercado. Em 2024, a subsidiária senegalesa do grupo Orange ainda concentrava 35,5% do valor total das transações; em 2025, essa participação caiu para 21,7%. Essa mutação beneficia novas locomotivas.

Baixe aqui nossa análise completa do mercado e as fichas detalhadas por ativo.

A grande surpresa vem da Filtisac CI: impulsionada por movimentos estratégicos, a empresa do portfólio do IPS (Aga Khan) alcançou a segunda posição entre os valores mais negociados, com 17,6 bilhões de FCFA em títulos trocando de mãos, contra apenas 1,2 bilhão no ano anterior.

Essa dinâmica coletiva é sinal da resiliência dos investidores diante dos ventos contrários. Apesar das incertezas ligadas à Aliança dos Estados do Sahel (AES) e de um poder de compra das famílias sob pressão, a BRVM se impôs como um santuário de valor. Essa confiança se baseia em fundamentos sólidos: em 2024, as empresas listadas geraram um faturamento acumulado de 9.404 bilhões de FCFA e um lucro líquido de 1.374 bilhões de FCFA. Em contrapartida, recompensaram seus acionistas com uma chuva de dividendos que alcançou 632 bilhões de FCFA, um nível nunca atingido desde a criação da bolsa.

A estabilidade do franco CFA

Ao comparar os desempenhos, o retorno bruto do índice BRVM Composite pode parecer inferior à explosão do índice nigeriano (+56%). No entanto, a análise muda de perspectiva quando convertida em moedas fortes.

Impulsionada pela estabilidade do franco CFA em relação ao euro, a BRVM oferece um retorno ajustado ao risco cambial que supera a maioria das praças emergentes, transformando a “serenidade” de Abidjan em uma rentabilidade real superior para os gestores de fundos internacionais.

O horizonte de 2026 anuncia-se sob os mesmos auspícios, com indicadores de rentabilidade claramente melhorados. Ao final do terceiro trimestre de 2025, as empresas já exibiam um lucro líquido acumulado de 1.219 bilhões de FCFA. Mais significativo ainda, a margem líquida média passou de 14,5% para 16% em apenas um ano.

Se essa eficiência operacional se mantiver e as políticas de distribuição continuarem generosas, os investidores poderão esperar uma nova colheita recorde de dividendos, reforçando ainda mais a atratividade de um mercado que parece instalado de forma duradoura em seus níveis mais altos.

Idriss Linge

 

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A oferta pública inicial (IPO), destinada a investidores locais e estrangeiros, insere-se em um plano mais amplo de privatização de empresas estatais. O objetivo é aprofundar os mercados de capitais domésticos e mobilizar recursos internos para reduzir a dívida externa.

A Kenya Pipeline Company (KPC), empresa pública especializada em infraestruturas de transporte e armazenamento de produtos petrolíferos no Quênia e em outros países da África Oriental, será listada na Bolsa de Valores de Nairóbi até o final de janeiro de 2026, no âmbito de um vasto plano de privatização de empresas estatais. O anúncio foi feito pelo presidente William Ruto na segunda-feira, 5 de janeiro.

Dissemos que as ações serão vendidas a todos. Mesmo que você tenha apenas 200 ou 300 xelins, venha comprar, para que, quando os lucros forem anunciados, você possa se beneficiar”, declarou ele durante um evento realizado no condado de West Pokot (noroeste), indicando que a abertura de capital da KPC permitirá que cidadãos comuns detenham uma participação em uma das empresas públicas mais lucrativas do país.

O chefe de Estado também afirmou que a operação faz parte de uma estratégia mais ampla de sua administração, que visa “liberar o valor dos ativos públicos, aprofundar os mercados financeiros e garantir que os cidadãos comuns se beneficiem dos frutos do crescimento econômico”.

Embora o Estado queniano mantenha uma participação significativa no capital da KPC para “proteger os interesses nacionais”, a listagem da empresa na Nairobi Securities Exchange (NSE) deverá igualmente permitir que investidores estrangeiros, incluindo parceiros de outros países da África Oriental, como Uganda, tornem-se acionistas da companhia. Isso deverá “reforçar a cooperação regional no domínio das infraestruturas energéticas estratégicas”.

Em julho de 2025, o presidente queniano havia anunciado que sua administração considerava privatizar empresas estatais por meio de ofertas públicas iniciais, com o objetivo de atrair mais investimentos do setor privado, melhorar o funcionamento dos mercados de capitais nacionais e reduzir a dependência da dívida externa. Eleito em agosto de 2022, William Ruto tem se empenhado em reduzir os níveis da dívida externa do país, recorrendo mais aos mercados de capitais domésticos e a empréstimos concessionais concedidos por financiadores multilaterais.

Essa abordagem contrasta com a adotada por seu antecessor, Uhuru Kenyatta, período em que Nairóbi contraiu empréstimos em grande escala nos mercados internacionais e junto à China para financiar projetos de infraestrutura de alto custo. A alienação de algumas empresas públicas representa, assim, um dos pilares da nova estratégia de mobilização de recursos domésticos.

Walid Kéfi

 

 

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A Flutterwave concluiu a aquisição da Mono, uma start-up atuante em open banking na Nigéria, em Gana e na África do Sul. A fintech busca ampliar sua oferta de serviços, reunindo em uma única plataforma soluções de pagamento, verificação bancária e acesso a dados financeiros.

A Flutterwave, empresa de tecnologia de pagamentos ativa na África, anunciou em 5 de janeiro de 2026 a compra da start-up nigeriana Mono, especializada em open banking. Segundo diversos meios de comunicação nigerianos que citam fontes próximas ao processo, a operação foi realizada integralmente por meio de ações, e o valor da transação está estimado entre 25 e 40 milhões de dólares. O acordo havia sido finalizado em dezembro de 2025, quando Abdulhamid Hassan, fundador e CEO da Mono, indicou que a maioria dos acionistas e o Conselho de Administração da start-up haviam aprovado o projeto de aquisição pela Flutterwave.

A Mono mantém seu funcionamento atual, continuando a operar de forma independente. Sua gestão, suas equipes e suas atividades cotidianas também não sofrem alterações. A Flutterwave não assume o controle operacional, sendo o objetivo declarado um alinhamento estratégico. Esse modelo permite que a Mono continue a desenvolver suas soluções, ao mesmo tempo em que coloca sua infraestrutura a serviço do ecossistema de pagamentos da Flutterwave.

Essa aquisição consolida uma colaboração iniciada em 2021, materializada por diversas parcerias comerciais e técnicas entre as duas entidades.

O open banking no centro da estratégia da Flutterwave

A Mono desenvolve interfaces de programação de aplicações (APIs) que permitem às empresas acessar os dados bancários de seus clientes, iniciar pagamentos e verificar identidades. Essas ferramentas são utilizadas por fintechs, empresas comerciais e desenvolvedores para criar serviços financeiros. Ao integrar as APIs da Mono, a Flutterwave amplia seu campo de atuação. Até então, a fintech concentrava-se principalmente em pagamentos locais e transfronteiriços em mais de 30 países africanos. A partir de agora, sua plataforma também passa a abranger a integração de clientes, a verificação de identidade, a confirmação de contas bancárias, a análise de riscos baseada em dados e os pagamentos bancários diretos, sejam eles pontuais ou recorrentes.

Na prática, essa integração possibilita vários avanços: as empresas conseguem integrar serviços de pagamento com maior rapidez, os controles de identidade tornam-se mais sistemáticos e os riscos de fraude são melhor detectados. Os pagamentos de conta a conta são facilitados, sem a necessidade de múltiplos intermediários. Para a Flutterwave, essa evolução reforça a integração vertical e permite cobrir uma cadeia mais ampla, desde o acesso aos dados bancários até a execução dos pagamentos, passando pelos controles regulatórios.

Qual o impacto sobre o ecossistema fintech?

No médio prazo, essa colaboração abre caminho para novos usos. A Flutterwave menciona o desenvolvimento de métodos de pagamento alternativos, fluxos de pagamento autenticados e, no futuro, casos de uso de stablecoins compatíveis com os princípios do open banking. Para a fintech, o desafio também é econômico: ao controlar uma parte maior da cadeia de valor, a empresa busca melhorar suas fontes de receita, fortalecer a fidelidade de seus clientes e construir uma infraestrutura difícil de replicar.

Por sua vez, a Mono passa a ter acesso a uma rede presente em vários mercados africanos e a um volume maior de transações. Fundada em 2020, a start-up atua atualmente na Nigéria, na África do Sul e em Gana. Ao integrar-se à Flutterwave, ela se insere em uma plataforma utilizada por empresas de diferentes portes em todo o continente, com o objetivo comum de construir uma base financeira de uso em larga escala.

 

Chamberline Moko

 

 

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O banco central do Gana prepara vendas de divisas aos bancos e às empresas no mercado cambial durante este primeiro mês de 2026. A operação faz parte de uma estratégia destinada a reduzir as flutuações da taxa de câmbio e a gerir as reservas do país.

O Banco do Gana (BoG) anunciou, em 5 de janeiro de 2026, a sua intenção de vender até 1 bilhão de dólares no mercado cambial ao longo do mês. Esses dólares serão oferecidos aos bancos comerciais e às empresas que necessitam de divisas para as suas atividades, em particular para o pagamento de importações.

A operação insere-se no programa de intermediação cambial implementado pelo banco central. Nesse âmbito, o BoG atua como intermediário para injetar dólares no mercado de forma organizada. As vendas serão realizadas por meio de leilões, de acordo com regras definidas em um novo quadro de operações cambiais, recentemente aprovado pelo seu conselho de administração. Os volumes vendidos podem variar em função das condições do mercado, do nível da demanda por divisas e da disponibilidade das reservas.

Os objetivos perseguidos pelo banco central

O BoG explica que a venda de dólares visa, преждеiramente, limitar as fortes variações da taxa de câmbio. Quando as empresas não encontram divisas suficientes no mercado, a pressão sobre o cedi aumenta. Essa situação pode levar a uma rápida desvalorização da moeda nacional. Ao injetar dólares no mercado, o banco central procura atender parte da demanda e evitar movimentos bruscos no curto prazo. No entanto, esclarece que não busca fixar um nível específico da taxa de câmbio nem orientar o mercado em uma direção determinada.

Além disso, esse programa também serve para gerir as reservas cambiais do país. O Banco do Gana persegue um objetivo de acumulação de reservas, ao mesmo tempo em que utiliza parte desses recursos quando o mercado necessita. Uma parte dos dólares colocados à venda provém do programa nacional de compra de ouro. Nesse mecanismo, o banco central compra ouro produzido localmente, que é posteriormente convertido em divisas estrangeiras. Os dólares obtidos são então injetados no mercado cambial de forma gradual e controlada. Essa abordagem permite canalizar os fluxos de divisas de maneira ordenada, sem perturbar o funcionamento normal do mercado.

Os resultados observados em 2025 e os desafios para 2026

Em dezembro de 2025, o Banco do Gana havia previsto vender até 800 milhões de dólares. O montante efetivamente vendido atingiu 721 milhões de dólares. Essas vendas foram realizadas por meio de leilões abertos, acessíveis a todos os bancos autorizados. Desde o lançamento do programa revisto, em setembro de 2025, os montantes injetados no mercado distribuíram-se da seguinte forma: 1,1 bilhão de dólares em setembro, 1,3 bilhão em outubro, 1 bilhão em novembro e 721 milhões em dezembro. Segundo os participantes do mercado, essas operações contribuíram para a estabilidade do mercado cambial e do cedi em 2025.

O Banco do Gana indica que o cedi se valorizou 40,67% em relação ao dólar ao longo de todo o ano de 2025, atingindo cerca de 10,45 cedis por dólar. De acordo com dados compilados pela Bloomberg, a moeda ganense registou em 2025 a sua primeira valorização anual desde pelo menos 1994. Entre as 144 moedas acompanhadas pela agência financeira, o cedi ocupa a segunda posição em termos de valorização frente ao dólar, atrás apenas do rublo russo.

Para 2026, a atenção concentra-se no primeiro trimestre. Esse período é frequentemente marcado por um aumento da demanda por divisas. As empresas ampliam as suas importações e as companhias listadas distribuem dividendos a acionistas estrangeiros. Esses fatores podem exercer pressão sobre o mercado cambial. A estratégia do Banco do Gana será, portanto, acompanhada de perto para avaliar a sua capacidade de responder a essa demanda mantendo, ao mesmo tempo, um funcionamento ordenado do mercado.

Chamberline MOKO

 

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Renaprov Finance lança oferta pública na BVMAC para captar 8,4 mil milhões FCFA

A Renaprov Finance anuncia uma introdução na Bourse des Valeurs Mobilières de l’Afrique Centrale (BVMAC), com o objetivo de levantar 8,4 mil milhões FCFA através de um aumento de capital aberto ao público correspondente a 44,44% do capital. Esta operação visa reforçar os fundos próprios, apoiar a atividade de crédito e ampliar os financiamentos oferecidos aos clientes. Após a introdução da La Régionale em julho de 2021, a Renaprov tornar-se-á, no final deste processo, a segunda instituição de microfinanças camerunesa cotada na bolsa de valores da África Central.

Aumento de capital e condições da oferta

A Renaprov Finance SA, instituição de microfinanças camerunesa de 2ª categoria, propõe 44,44% do seu capital a investidores, através da emissão de 400 000 novas ações em formato desmaterializado. O preço de subscrição está fixado em 21 000 FCFA por ação, com centralização das subscrições pela Afriland Bourse & Investissement, que atua como organizador da operação.

Os pagamentos são exclusivamente em Francos CFA (XAF). A oferta está aberta a todo o público da zona CEMAC (Comunidade Económica e Monetária da África Central), e as ações subscritas serão negociadas na BVMAC. O período de subscrição iniciou-se em 15 de dezembro de 2025 e termina em 15 de março de 2026. Os títulos emitidos serão admitidos à cotação da BVMAC após o encerramento da oferta.

Reforço dos fundos próprios e expansão do crédito

Com este projeto, a Renaprov Finance SA pretende reforçar os seus fundos próprios para aumentar a capacidade de financiamento e o volume de atividade no mercado de crédito. Este reforço permitirá cumprir de forma sustentável as exigências da Comissão Bancária da África Central (COBAC), nomeadamente o nível mínimo de fundos próprios e o índice de solvabilidade de 15%, exigido para microfinanças de 2ª categoria.

Os recursos captados também permitirão desenvolver o portfólio de créditos, passando do crédito de curto prazo para financiamentos de médio e longo prazo, especialmente nos setores imobiliário, de infraestruturas e investimentos produtivos.

Mudança na estrutura acionista

Atualmente, a Renaprov Finance SA tem o seu capital concentrado no fundador Bissai Emmanuel Noël, que detém 86% e é o principal decisor estratégico. Os outros acionistas são Bebga Bissai Esther (8,11%),

Tanga Ntone Jacques (3,83%) e outros acionistas minoritários com 2,06%.

Após a oferta pública, os acionistas antigos manterão 55,56% do capital, enquanto 44,44% será detido pelos novos investidores.

Renaprov num setor em crescimento

A Renaprov Finance SA foi criada em 1996 como Cercle des Amis du Secteur Informel (CASI) e, em 2005, transformada numa cooperativa de poupança e crédito sob o nome Renaprov. Em 2020, obteve a autorização da COBAC como microfinança de 2ª categoria.

Até final de 2024, o Camarões contava com 389 microfinanças, das quais 75 de 2ª categoria. Entre 2022 e 2024, os créditos concedidos por microfinanças no país passaram de 602 mil milhões para 675,35 mil milhões FCFA, um aumento de 12%, segundo o Ministério das Finanças.

As microfinanças de 2ª categoria representavam 55,4% dos créditos e 56,7% dos depósitos do mercado em 2024. A Renaprov ocupa o 12º lugar nacional em créditos com 9,55 mil milhões FCFA (2,86% de participação) e o 13º lugar em depósitos com 11,27 mil milhões FCFA (2,67% de participação), concentrando-se em créditos de curto prazo.

No plano da bolsa, a BVMAC mantém-se pouco ativa: nenhuma introdução em 2024, com apenas 6 empresas cotadas. Em 2025, houve apenas uma operação, da BGFI Holding Corporation, com abertura de 10% do seu capital. Com esta operação, a Renaprov será a segunda microfinança camerunesa cotada, após a La Régionale (introduzida em julho de 2021), que captou 2,58 mil milhões FCFA de 8,23 mil milhões FCFA previstos, numa operação que visava a transição para o estatuto de banco.

 

Chamberline MOKO

 

 

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O Banco Central do Egito e a Afreximbank assinaram um memorando de entendimento para lançar um projeto de banco pan-africano do ouro. A iniciativa visa estruturar a cadeia do ouro, reforçar as reservas das autoridades monetárias e reduzir a dependência do continente em relação aos circuitos estrangeiros de refinação e comércio.

O Banco Central do Egito e o banco africano de importação e exportação assinaram, na terça-feira, 30 de dezembro de 2025, no Cairo, um memorando de entendimento relativo à criação de um banco pan-africano do ouro. Este protocolo estabelece as bases de um novo modelo de gestão do ouro africano. Prevê a realização de um estudo de viabilidade que permitirá analisar as condições técnicas, regulamentares e comerciais necessárias para a implementação de um ecossistema de banco do ouro.

O projeto persegue vários objetivos: estruturar a cadeia do ouro em África, reforçar as reservas de ouro dos bancos centrais africanos e reduzir a dependência face às refinarias e aos mercados fora do continente. Atualmente, grande parte do ouro africano é exportada em estado bruto, refinada fora do continente e vendida em plataformas estrangeiras, limitando assim os rendimentos e o controlo dos países sobre os seus recursos. A ideia é organizar melhor a cadeia de valor do ouro em África, desde a extração até ao comércio.

O banco anunciado poderá ser instalado no Egito, país que pretende tornar-se numa plataforma regional para o comércio e gestão do ouro africano. O banco incluiria, entre outros, uma refinaria de ouro acreditada internacionalmente, instalações de armazenamento seguras e serviços financeiros relacionados com o ouro, como financiamento, custódia e comércio.

Uma ambição continental liderada pela Afreximbank

A Afreximbank pretende alargar esta iniciativa a todo o continente. O banco africano de importação e exportação quer associar governos africanos, bancos centrais, empresas mineiras e operadores do comércio de ouro. A ideia é harmonizar as práticas, facilitar o comércio sustentável do ouro em África e reter melhor o valor criado no continente. Segundo a Afreximbank, o ouro poderá tornar-se numa ferramenta ao serviço da estabilidade financeira, da gestão das reservas e do financiamento do desenvolvimento em África. A médio prazo, um banco pan-africano do ouro poderia apoiar o financiamento do comércio, operações de cobertura e a estabilidade das moedas locais.

Chamberline MOKO

 

 

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Os fabricantes chineses de componentes automóveis multiplicam os anúncios de investimento em Marrocos, com vista a tirar partido das vantagens dos acordos de livre comércio assinados pelo país do Norte de África com a União Europeia e os Estados Unidos.

O fornecedor automóvel chinês Jiangsu Yunyi Electric anunciou, num comunicado publicado na terça-feira, 30 de dezembro de 2025, que o seu conselho de administração aprovou a construção de uma fábrica em Marrocos, num investimento de 66 milhões de dólares.

«Após deliberação, o conselho de administração concluiu que a criação de uma subsidiária totalmente detida em Marrocos representa um passo crucial na expansão da presença global da empresa», precisou a empresa, especializada na fabricação e comercialização de peças eletrónicas automóveis.

A Jiangsu Yunyi Electric acrescentou que a criação desta subsidiária permitirá «construir uma base de produção, otimizar as operações no estrangeiro, implementar capacidades globais de entrega integradas e impulsionar um desenvolvimento sustentável e de alta qualidade da empresa, servindo assim os interesses de todos os acionistas». A empresa pretende também «tirar pleno partido dos recursos locais e das sinergias industriais, aprofundando a cooperação transfronteiriça».

Fundada em setembro de 2022, a Jiangsu Yunyi Electric fabrica, entre outros, retificadores de alternadores automóveis, reguladores de tensão, semicondutores, sensores de óxidos de azoto, sensores de sonda lambda e peças de injeção de precisão.

Nos últimos anos, Marrocos tem atraído numerosos fabricantes chineses de componentes automóveis e de baterias elétricas, como a Gotion High Tech, Guangzhou Tinci Materials Technology e BTR New Material Group.

Para além da proximidade dos mercados ocidentais e africanos, da disponibilidade de mão-de-obra local qualificada e das boas performances logísticas dos portos marroquinos, estes grupos originários do Império do Meio podem beneficiar das vantagens dos acordos de livre comércio assinados pelo reino marroquino com a União Europeia (UE) e os Estados Unidos.

O reino marroquino já alberga um importante ecossistema automóvel, reunindo fabricantes de renome mundial como Stellantis e Renault, bem como várias centenas de fornecedores locais e estrangeiros.

Walid Kéfi

 

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O dispositivo visa o aumento das receitas fiscais, a redução da fraude e um melhor acompanhamento das transações comerciais, através de um sistema controlado pela administração fiscal.

O Burkina Faso prevê lançar uma fatura eletrónica certificada já neste mês de janeiro de 2026. O anúncio foi feito a 31 de dezembro de 2025, durante o discurso à nação do seu dirigente, o capitão Ibrahim Traoré, para quem este dispositivo prossegue dois objetivos principais. O primeiro diz respeito ao aumento das receitas públicas: ao receber os dados de faturação de forma contínua, a administração fiscal pode acompanhar melhor os valores declarados pelas empresas. Tal permitirá reduzir a subdeclaração e limitar as perdas associadas à fraude ao IVA e aos impostos indiretos.

O segundo objetivo é o combate às práticas de corrupção nas transações comerciais. A fatura eletrónica certificada reduz, de facto, os contactos diretos entre os agentes fiscais e os operadores económicos. Os controlos passam a assentar mais em dados registados no sistema do que em intervenções presenciais, o que limita os acordos informais e reforça a rastreabilidade das operações. Com este dispositivo, o Burkina Faso pretende assim ligar comerciantes, empresas e a administração fiscal em torno de um sistema de faturação único e controlado.

Para os comerciantes e as empresas, a fatura eletrónica certificada facilita o acompanhamento das vendas e a organização da contabilidade, reduzindo simultaneamente os riscos de litígios com a administração fiscal graças à centralização dos dados. O sistema tem igualmente o potencial de melhorar o acesso ao crédito, uma vez que os bancos podem basear-se em dados de vendas verificáveis para analisar a situação e o perfil financeiro de um cliente.

Para o Estado, a fatura eletrónica certificada melhora a visibilidade sobre as transações económicas. Permite uma melhor previsão das receitas e uma gestão mais estruturada da fiscalidade. Pode também alargar a base tributária, integrando progressivamente atividades até então pouco ou nada declaradas. À escala da economia, esta fatura favorece a formalização das atividades comerciais, em particular nos setores onde os pagamentos em numerário continuam a ser predominantes.

Condicionantes técnicas e experiências estrangeiras

A implementação da fatura eletrónica certificada comporta, no entanto, várias condicionantes. A primeira diz respeito aos equipamentos. Os comerciantes devem dispor de um terminal, de um software certificado e de acesso à internet. Para as pequenas estruturas, estas exigências podem representar um encargo financeiro adicional. Além disso, a conectividade limitada em algumas zonas, nomeadamente rurais, pode dificultar a emissão de faturas em tempo real.

O dispositivo coloca também desafios ao nível da formação. Os comerciantes terão de aprender a utilizar as ferramentas digitais e a cumprir as novas obrigações fiscais. Os agentes da administração deverão igualmente ser formados para a exploração dos dados recolhidos. Por fim, a questão da proteção de dados permanece central: o Estado deverá garantir a segurança das informações comerciais recolhidas e prevenir qualquer utilização não autorizada.

Vários países já utilizam sistemas comparáveis. O Ruanda implementou, em 2021, a faturação eletrónica obrigatória para as empresas sujeitas a IVA, com transmissão direta dos dados para a administração fiscal. O Quénia implementou, entre 2021 e 2022, o sistema e-TIMS, que impõe a emissão de faturas eletrónicas certificadas às empresas abrangidas. Estas experiências sugerem que a eficácia deste instrumento de gestão fiscal dependerá da mobilização dos agentes económicos e da capacidade de acompanhamento técnico por parte do Estado.

Chamberline Moko

 

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Apesar de uma presença econômica significativa, a fiscalidade camaronense tinha dificuldades em enquadrar as atividades digitais transfronteiriças. A ausência de regras específicas limitava a tributação das receitas geradas localmente por empresas estabelecidas fora do território nacional.

A partir de 1º de janeiro de 2026, todas as plataformas on-line que realizam negócios nos Camarões sem estabelecimento físico passarão a ser tributadas. Com efeito, segundo revela a Direção Geral dos Impostos (DGI), a lei de finanças de 2026 do Estado dos Camarões sujeita agora essa categoria de empresas ao pagamento do Imposto sobre as Sociedades (IS), à taxa mínima de 3% do faturamento realizado localmente.

Dependendo do volume de atividade no país, essa tributação poderá evoluir para o chamado “regime de direito comum”, com um IS que representará, nesse caso, “30% do lucro real”, conforme se lê em um documento da DGI. No entanto, a administração fiscal estabelece dois critérios alternativos para ser elegível a esse regime: dispor de uma rede de 1.000 consumidores nos Camarões ou realizar um faturamento anual sem impostos de, no mínimo, 50 milhões de francos CFA.

O registro das empresas digitais envolvidas, as declarações fiscais e os pagamentos serão feitos em uma plataforma digital específica da DGI. Para a administração tributária, o objetivo dessa taxação é triplo: “capturar o valor criado pela economia digital no território nacional, assegurar a equidade fiscal em relação às empresas locais e aumentar as receitas do Estado em um setor de forte crescimento”.

Uma reforma alinhada à OCDE

A reforma instituída pela lei de finanças de 2026 do Estado dos Camarões baseia-se em uma diretriz da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Com efeito, para enfrentar os desafios fiscais colocados pela economia digital, formou-se um consenso internacional em favor de uma tributação mínima global de 15% sobre os lucros das empresas multinacionais que realizam atividades econômicas em todo o mundo, sem necessariamente ter presença física nos territórios dos diferentes Estados.

Nos Camarões, o desafio vai além do alinhamento a uma diretriz internacional: a tributação das empresas digitais não residentes também responde ao aumento das necessidades de financiamento público. Nesse contexto, o governo camaronês mira cada vez mais setores em forte expansão — entre eles o digital — com o objetivo de ampliar a base tributária e aumentar as receitas.

O digital: uma verdadeira niche fiscal

Essa nova etapa insere-se em uma sequência de reformas iniciadas há vários anos. A lei de finanças de 2020 consagrou, assim, a cobrança do IVA sobre as operações de comércio eletrônico, em vigor desde 2021. A cobrança de direitos aduaneiros sobre mercadorias importadas oriundas do comércio on-line, por sua vez, está em vigor desde 2023, com o objetivo de limitar as perdas fiscais ligadas à “desmaterialização cada vez mais crescente das transações econômicas”, segundo o Ministério das Finanças.

Em 2022, foi instituído um imposto sobre a transferência de dinheiro por via eletrônica, para tirar proveito da expansão do Mobile Money. Objetivo declarado pela DGI: arrecadar pelo menos 20 bilhões de francos CFA em receitas adicionais a cada ano. Desde 2024, foi também instituída “uma taxa reduzida de 5% a título do imposto sobre os benefícios não comerciais (BNC), aplicável às rendas geradas em plataformas digitais por pessoas físicas que realizam operações de venda de um bem, prestação de um serviço ou troca e compartilhamento de um bem (economia colaborativa)”.

No total, com pelo menos quatro reformas direcionadas ao setor nos últimos cinco anos, o digital se afirma cada vez mais como uma verdadeira niche fiscal nos Camarões.

 

Brice R. Mbodiam

 

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A Agência Ecofin é uma agência de informação econômica setorial, criada em dezembro de 2010. Sua plataforma digital foi lançada em junho de 2011.

 
 
 
 

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