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Equipe Publication

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Lukoil da Rússia aceitou oferta de compra de seus ativos internacionais pelo negociante suíço de commodities, Gunvor
Move-se em resposta às sanções americanas que ameaçam interromper severamente as operações internacionais da Lukoil

Sujeito a certas condições suspensivas, a gigante russa do petróleo irá se separar de todos os seus ativos no exterior para evitar os impactos negativos das sanções americanas, que podem complicar seriamente as suas atividades fora da Rússia.

Na quinta-feira, 30 de outubro, a empresa de petróleo russa Lukoil anunciou que havia aceitado uma oferta do negociante suíço de commodities Gunvor para a compra de todos os seus ativos internacionais, que incluem muitas concessões e participações em projetos na África.

"Lukoil informa que recebeu uma oferta do Gunvor Group para a compra da Lukoil International GmbH, subsidiária integral da LUKOIL que detém os ativos internacionais da empresa", indicou a gigante petrolífera.

"As principais condições da transação foram previamente acordadas pelas partes. Por seu lado, a Lukoil aceitou a oferta, comprometendo-se a não negociar com outros possíveis compradores", acrescentou.

A Lukoil também esclareceu que sua decisão de ceder seus ativos no exterior foi motivada pelas "medidas restritivas" tomadas por alguns Estados contra o grupo e suas subsidiárias, em referência às sanções anunciadas na semana passada pelos Estados Unidos contra os principais players do sector russo de hidrocarbonetos.

As sanções americanas, que visam a reduzir a força financeira da Rússia para forçá-la a negociar um cessar-fogo na Ucrânia, implicam num congelamento de todos os ativos da Rosneft e da Lukoil nos Estados Unidos, bem como a proibição de todas as empresas americanas de fazer negócios com as duas empresas, que representam 55% da produção petrolífera russa. Estas medidas limitam, de facto, o acesso da Lukoil a financiamentos, serviços técnicos e tecnologia necessários para a exploração petrolífera.

Condições suspensivas

A conclusão do acordo vinculativo de venda dos ativos internacionais da Lukoil à Gunvor ainda está sujeita a condições suspensivas, incluindo a obtenção pelo comprador de uma autorização da OFAC (Office of Foreign Assets Control), o organismo americano responsável pelas sanções. Licenças, permissões e outras autorizações em outras jurisdições competentes também são necessárias.

O Departamento do Tesouro Americano emitiu uma licença que concede às empresas um prazo até 21 de novembro de 2025 para encerrar quaisquer transações com Lukoil e Rosneft, sob pena de "sanções secundárias" que as impediriam de acessar os bancos, negociantes, expedidores e seguradoras americanas.

"Se necessário, as partes planejam solicitar uma extensão da licença OFAC existente e qualquer licença adicional, para garantir a continuidade das operações dos ativos internacionais e de seus serviços bancários até a conclusão da transação", indicou Lukoil.

O grupo russo, que anunciou na segunda-feira, 27 de outubro, o início de um processo de venda de todos os seus ativos fora da Rússia, possui um vasto portfólio de projetos na África, Oriente Médio, Europa, Ásia Central e América Latina. Este portfólio representava cerca de 15 a 20% da produção total do grupo em 2024, de acordo com a empresa.

Na África, Lukoil controla 20% do bloco OPL 245 na Nigéria, em parceria com a major italiana ENI e a estatal nigeriana NNPC. Em Gana, detém 38% de participação no bloco Deepwater Cape Three Points, operado pela Aker Energy. Além disso, possui uma participação de 25% no bloco Marine XII no Congo-Brazzaville, bem como várias concessões nas regiões do deserto oriental e do Golfo de Suez no Egito.

Walid Kéfi

 

Trienal ADEA 2025 promove a resiliência e financiamento interno dos sistemas educacionais na África, após decréscimo no financiamento internacional da educação.
Cerca de 100 milhões de crianças africanas continuam sem acesso à educação.

A Trienal 2025 da ADEA acontece em um contexto de redução do financiamento internacional para a educação, enquanto 100 milhões de crianças africanas permanecem fora da escola. A iniciativa enfatiza a resiliência e o financiamento doméstico dos sistemas educacionais no continente.

A Trienal da Associação para o Desenvolvimento da Educação na África (ADEA) aconteceu desde quarta-feira, 29 de outubro, em Accra (Gana), focada no fortalecimento da resiliência dos sistemas educacionais africanos. O evento reuniu até sexta-feira, 31 de outubro, ministros, especialistas e parceiros técnicos, em um contexto de contração do financiamento internacional da educação.

Os dados apresentados na cerimônia de abertura mostram uma situação cheia de desafios. Cerca de 100 milhões de crianças africanas continuam sem acesso à educação, enquanto 80% dos alunos da África subsaariana não conseguem ler aos 10 anos. "Não podemos falar sobre resultados de aprendizado se as crianças não estão na escola", disse Albert Nsengiyumva, Secretário Executivo da ADEA, destacando que "A África é o único continente onde o número de crianças fora da escola continua a aumentar".

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), representado por Ayerusalem Fasika, revelou que as recentes reduções no financiamento da educação ameaçam privar 6 milhões de crianças adicionais do acesso à escola. Esta tendência soma-se a um investimento em pesquisa e desenvolvimento que representa apenas 0,59% do PIB continental, contra uma média global de 1,79%.

A virada do financiamento doméstico

Diante da progressiva retirada dos financiadores tradicionais, os países africanos são forçados a repensar seu modelo de financiamento. Para o Ministério das Finanças de Gana, representado pelo ministro Thomas Nyarko Ampem, "a África deve olhar para dentro e deixar de depender da ajuda externa, cujo volume atingiu seu nível mais baixo desde o ano 2000".

"Estamos em uma corrida contra o tempo, uma corrida que temos que vencer", afirmou ele, anunciando que Gana alocou seu orçamento mais alto para a educação este ano. O país aumentou o orçamento da alimentação escolar em 33% e as subvenções de capitalização em 73%.

A Vice-Presidente de Gana, Professora Jane Nana Opoku-Agyeman, pediu o aumento dos recursos nacionais, ao invés de se concentrar apenas nas porcentagens orçamentárias atribuídas à educação. "Se suas habilidades consistem apenas em coletar cacau e enviá-lo no estado bruto, nossos orçamentos não irão crescer", garantiu ela, lembrando a necessidade de cultivar um capital humano capaz de transformar localmente os produtos e agregar valor.

Fazer emergir mecanismos de financiamento inovadores

Vários mecanismos inovadores de financiamento foram lançados durante o evento. O Fundo Africano para a Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação (AESTIF), desenvolvido conjuntamente pela União Africana (UA) e o BAD, visa mobilizar recursos domésticos e catalisar o investimento privado. Gana, Botswana, Malawi, Quênia e Zâmbia já prometeram contribuições.

O Comissário da Educação da União Africana, o Professor Gaspard Banyankimbona, pediu uma "passagem da dependência para a auto resilência", frisando a necessidade de operacionalizar rapidamente esses instrumentos de financiamento no âmbito da Década Africana da Educação e Desenvolvimento de Competências (2025-2034).

O desafio tecnológico

A Trienal dedicou várias sessões à integração das tecnologias educacionais e inteligência artificial. Estas discussões ocorreram em um contexto em que os sistemas educacionais africanos precisam acelerar sua digitalização, enquanto mantêm a relevância cultural e linguística de seus programas.

Os participantes também examinaram a iniciativa FLIGHT (Foundational Learning Initiative for Government-led Transformation), uma parceria filantrópica que visa melhorar a aprendizagem básica, mobilizando expertise africana. O objetivo é erradicar a pobreza de aprendizado até 2035.

Vale ressaltar que a Trienal ADEA é o principal fórum de alto nível dedicado à educação no continente africano. Organizada a cada três anos pela Associação para o Desenvolvimento da Educação na África, a Trienal reúne ministros da educação, especialistas, pesquisadores, organizações internacionais e parceiros técnicos para avaliar os progressos e definir estratégias conjuntas para melhorar os sistemas educacionais. A edição 2025 em Accra sucede às reuniões realizadas em Ouagadougou, Dakar e Maurício (2022).

Estas três jornadas de trabalho devem resultar em recomendações políticas concretas e compromissos financeiros, na tentativa de transformar as ambições continentais em progresso mensurável nas salas de aula.

Ayi Renaud Dossavi


 

TogoTech, plataforma criada por uma iniciativa coletiva de cerca de quinze startups tecnológicas do Togo, anunciou oficialmente seu lançamento.
A nova plataforma almeja mais de 2 bilhões de FCFA em receita acumulada e a criação de cerca de cem empregos diretos, visando transformar a economia digital do Togo em um motor de crescimento e inovação.

O governo do Togo vem buscando estruturar um ecossistema digital nacional. O objetivo é estimular a criatividade, apoiar empreendedores jovens e colocar o Togo como um hub tecnológico regional.

Enunciada recentemente pela TogoFirst, a TogoTech, uma plataforma decorrente de uma iniciativa coletiva que reúne cerca de quinze startups de tecnologia do Togo, oficializou o seu lançamento na sexta-feira, 24 de outubro. Isso ocorreu sob a égide da Ministra da Transformação Digital, Cina Lawson, juntamente com a presença de representantes de parceiros como a GIZ, setor privado e vários empreendedores.

"Nós, empreendedores do digital togolês, desejamos falar com uma só voz e construir um ambiente favorável à inovação, à criação de empregos e à competitividade", declarou Gaëlle Matina Egbidi, presidente da TogoTech.

A nova plataforma pretende ter mais de 2 bilhões FCFA de receita acumulada e criação de cerca de cem empregos diretos. Ela consolida a vontade das startups membros de transformar a economia digital do Togo em um motor de crescimento e inovação.

A associação, que reúne empresas ativas nos setores de saúde, finanças, educação, logística e segurança cibernética, pretende atuar como uma ponte entre as startups, instituições públicas e investidores.

Durante o lançamento, um acordo de parceria foi assinado com a Cyber Defense Africa para fortalecer a segurança cibernética e outro com a firma Acquereburu & Partners para garantir um enquadramento jurídico confiável para as empresas digitais togolenses.

A ministra Cina Lawson elogiou a criação desta sinergia, a qual ela classificou como um "ato de maturidade" para o setor. "Este evento marca uma etapa importante na estruturação do ecossistema tech e das startups no Togo. Ele representa a maturidade de uma geração de empreendedores decididos a contribuir ativamente para a transformação digital do país", acrescentou ela.

Para a GIZ, parceiro central do projeto através de seu programa ProDigiT, a TogoTech representa o resultado de um longo processo de estruturação. "Há três anos, não existia uma associação capaz de representar o setor privado digital no Togo. Hoje, finalmente temos um forte interlocutor para as startups", enfatizou Bettina Maier Neme, gerente de projetos na GIZ.

A instituição alemã planeja continuar apoiando a plataforma e a Agência Togo Digital para fortalecer a colaboração entre startups e instituições públicas.

Ao final do evento, Edem Adjamagbo, vice-presidente da TogoTech e fundador da SEMOA, ressaltou a necessidade de construir a credibilidade do setor digital do Togo: "Nosso apelo é simples, uma política para campeões nacionais baseada no desempenho. Quando uma solução local é melhor, mais rápida, com o custo certo, ela deve ser escolhida primeiro", disse ele.

Lembramos que a TogoTech inclui atores inovadores, como Gozem ativo em VTC, Semoa em fintechs, Édolé, presente no digital aplicado ao BTP, ou ainda Solimi, MiaPay, Kondjigbalé, Anaxar e Clinicaa, cujas atividades cobrem variados segmentos, tais como a saúde digital, logística e pagamentos eletrônicos.

No médio prazo, a plataforma planeja expandir sua rede para novas startups e intensificar colaborações com parceiros internacionais.

"O digital togolês agora tem uma voz unida. Estamos avançando em direção a um ecossistema sólido, estruturado e competitivo", concluiu Gaëlle Matina Egbidi, convidando as startups do país a se juntarem à iniciativa para "transformar juntos o futuro do Togo".

Ayi Renaud Dossavi


 

O Senegal lançou a segunda edição da Gov’athon, um hackathon voltado para a digitalização da administração pública;
Registrou forte adesão, com 812 projetos submetidos em dez dias por mais de 2000 participantes do mundo acadêmico, de startups e cidadãos em geral.

Em resposta aos desafios de governança, as autoridades senegalesas buscam restaurar a confiança entre o Estado e seus cidadãos. Para alcançar esse objetivo, apostam em uma reforma participativa de seus serviços públicos.

Na sexta-feira, 24 outubro em Dakar, o governo do Senegal oficialmente lançou a segunda edição da Gov’athon, um hackathon nacional focado na modernização digital da administração pública. A iniciativa marca um passo importante para identificar e selecionar ideias e soluções concretas que visam melhorar a eficiência dos serviços públicos e impulsionar a inovação cidadã.

A edição de 2025 despertou grande interesse, com 812 projetos apresentados em dez dias, envolvendo mais de 2000 participantes do meio acadêmico, empreendedor e cidadão. No total, 104 projetos foram selecionados, sendo 72 na categoria "Estudantes", 11 na categoria "Startups" e 21 na categoria "Cidadãos".

A fase final, prevista para dezembro próximo, será precedida de um programa intensivo de acompanhamento e coaching para aprimorar os projetos selecionados. No final dessa etapa, as melhores equipes serão premiadas nas categorias Estudantes e Startups, conforme critérios definidos por um júri multidisciplinar. Os vencedores receberão um acompanhamento personalizado para implantar seus protótipos como soluções concretas para a administração.

O Gov’athon faz parte da dinâmica do "New Deal Tecnológico", a rota nacional lançada em fevereiro de 2025 para fazer do Senegal um ator importante na economia digital africana até 2034. Esta estratégia inclui a criação de 500 startups credenciadas, a capacitação de 100.000 jovens em profissões digitais e atingir uma taxa de conectividade de 95%.

A edição de 2024 já conseguiu concretizar vários projetos de grande impacto, incluindo AI Karangué, Firndé Bi e Agri-Drone Vision, premiados respectivamente com 20, 10 e 5 milhões de FCFA. Essas iniciativas destacaram o papel crucial do Gov’athon na modernização da administração e no surgimento de soluções digitais locais em setores como educação, saúde e agricultura.

Com esta nova edição, o governo espera fortalecer a ligação entre inovação cidadã e governança pública, apoiando o empreendedorismo tecnológico nacional. Os resultados esperados podem ajudar a tornar os serviços públicos mais eficientes, acessíveis e adaptados à realidade dos usuários.

Samira Njoya

 

São Tomé e Príncipe, em parceria com a FAO, lançam plataforma digital para apoiar agricultores na promoção e venda de seus produtos.
A plataforma busca melhorar a circulação de produtos agrícolas, reduzir perdas pós-colheita e aproximar produtores e consumidores.

Em resposta às limitações estruturais de seu setor agrícola, São Tomé e Príncipe adotam uma abordagem digital para reforçar a produtividade e facilitar os circuitos de comercialização.

O governo de São Tomé e Príncipe, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), apresentou oficialmente na sexta-feira, 24 de outubro, uma nova plataforma digital destinada a apoiar os agricultores na promoção e venda de seus produtos.

Desenvolvida pela Direção de Empreendedorismo a pedido do Executivo, esta solução visa melhorar a circulação de produtos agrícolas do campo ao mercado, reduzir as perdas pós-colheita e aproximar produtores e consumidores. Projetada para ser simples e acessível, ela se baseia em práticas digitais já difundidas entre os agricultores locais, muitos dos quais possuem smartphones e usam o WhatsApp.

Esta inovação faz parte de um programa mais amplo de promoção da empregabilidade jovem no setor agrícola. Pilar da economia nacional, a agricultura contribui com cerca de 14% do PIB e representa quase 80% das receitas de exportação, segundo a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD). O setor, no entanto, ainda enfrenta vários desafios estruturais, como dificuldade de acesso aos mercados, falta de informações sobre preços e demanda, fraqueza dos canais de distribuição e altas perdas pós-colheita.

A nova plataforma se posiciona como uma ferramenta estratégica para transformar o potencial agrícola do país em valor econômico tangível. Ela visa fortalecer a competitividade das cadeias produtivas locais, facilitar o acesso aos mercados, diversificar saídas comerciais e oferecer novas oportunidades a jovens empresários rurais. A longo prazo, a digitalização do setor agrícola poderá favorecer uma melhor rastreabilidade das trocas, um aumento na renda dos agricultores e uma modernização progressiva da economia rural do arquipélago.

Samira Njoya


 

A Tunisie Telecom lançou o serviço FTTR (Fiber-To-The-Room), estendendo a fibra óptica para cada cômodo das residências.
O objetivo é atender à demanda crescente por conectividade de alta velocidade em um contexto de rápida transformação digital.

A empresa tem como objetivo atender à demanda crescente por conectividade de alta velocidade em um contexto de rápida transformação digital. Atualmente, está implementando uma estratégia de migração de rede de cobre para fibra óptica, mais eficiente.

A empresa pública Tunisie Telecom (TT) deu início, no começo da semana, ao lançamento do serviço FTTR (Fiber-To-The-Room). Com esta inovação, o operador histórico agora estende a fibra óptica para todas as partes da casa, diferente do FTTH (Fiber-To-The-Home), que leva a fibra até a porta da casa.

Com essa nova abordagem, a Tunisie Telecom promete aos seus assinantes uma conexão ultra-rápida, estável e uniforme, eliminando as áreas mortas do Wi-Fi tradicional e atenuações do sinal em grandes casas ou casas com vários andares.

Já sendo pioneira na implantação de alta velocidade e soluções em nuvem, a Tunisie Telecom continua a integrar as melhores tecnologias globais. "Com o lançamento do TT-FTTR, a Tunisie Telecom confirma seu papel como ator-chave no desenvolvimento digital nacional, oferecendo aos seus clientes uma experiência de Internet uniforme, ultra eficiente e adaptada aos novos usos digitais. Esta é uma avanço concreto em direção à casa conectada do futuro", declarou Lassâad Ben Dhiab, CEO da Tunisie Telecom, durante a apresentação do serviço.

Em seu relatório "Africa Broadband Outlook 2024", a Africa Analysis explica que a tecnologia FTTR é criada para atender à crescente demanda por conectividade à Internet de alta velocidade e confiável, como casas, escritórios, hotéis e apartamentos. Garante velocidades da ordem do gigabit e baixa latência, elementos essenciais para atividades como ensino online, streaming de vídeo, realidade virtual e aplicativos de casa inteligente.

Para referência, a Tunisie Telecom detinha 17,3% dos 111.684 assinantes da fibra à domocílio na Tunísia até o final de março de 2025, segundo dados da National Telecommunications Authority (INT). Os operadores Ooredoo e Orange possuíam respectivamente 19,2% e 3,2% do mercado. O provedor de internet Topnet, subsidiário do grupo Tunisie Telecom, era o maior detentor de fatia do mercado, com 50,6%.O restante do mercado é dividido entre os provedores de acesso à internet BEE, Hexabyte, Nety e Globalnet.

Isaac K. Kassouwi

 

Angola prepara o lançamento de novo satélite e expansão da rede de fibra óptica para reforçar o acesso digital.
O projeto visa à modernização nacional e inclusão digital, com foco na melhoria da vigilância de recursos naturais e gestão de desastres.


Nos últimos anos, Angola já lançou dois satélites, melhorando consideravelmente a conectividade nacional. Agora, um novo plano de investimentos está em andamento, com o lançamento de um terceiro satélite e a expansão da rede de fibra óptica, visando fortalecer ainda mais o acesso digital no país.

João Lourenço, presidente da República, anunciou na terça-feira, 28 de outubro, em Luanda, durante o Summit sobre o financiamento para o desenvolvimento de infraestruturas na África, o lançamento iminente de um novo satélite de observação da Terra e a expansão da rede nacional de fibra óptica.

De acordo com o presidente, esses investimentos estão alinhados com a estratégia nacional de modernização e de inclusão digital. O objetivo é garantir um acesso equitativo às tecnologias digitais e aproveitar a inovação tecnológica para o desenvolvimento nacional.

O plano contempla a implantação de um novo satélite de observação, complementando o Angosat-2, lançado em outubro de 2022, e a expressiva expansão do backbone nacional em fibra óptica. Em abril, o governo já tinha anunciado a construção de aproximadamente 2.000 km adicionais de fibra óptica e a reparação de cerca de 883 km de linhas existentes, com capacidades almejadas de 200 Gbps a 1 Tbps.

No âmbito espacial, o Angosat-2 já atende 16 das 18 províncias do país, graças a mais de 150 terminais VSAT instalados para conectar áreas remotas. As redes terrestres também estão interconectadas com a República Democrática do Congo e Zâmbia por meio de conexões de 1.150 km, oferecendo uma capacidade de 40 Gbps para a RDC.

Esses esforços fazem parte da estratégia de Angola de se tornar um centro regional de infraestruturas digitais. O relatório sobre as TIC para o período 2023-2027 coloca no centro das políticas a expansão das infraestruturas, a soberania digital e o desenvolvimento de competências. A ascensão do setor espacial, com a criação de uma agência nacional e parcerias internacionais, bem como o programa "Conecta Angola", demonstra a continuidade dos investimentos públicos e cooperações.

Em termos concretos, esses recursos devem contribuir para a melhoria da vigilância dos recursos naturais, facilitar a gestão de riscos e desastres por meio de imagens de alerta, ampliar a cobertura da Internet em áreas não atendidas e apoiar o surgimento de uma economia digital local. O desafio permanece em garantir uma implementação transparente, abrir o setor a operadores privados para atrair investimentos adicionais e treinar recursos humanos locais para explorar completamente essas infraestruturas.

Samira Njoya

O Grupo Kaishan, empresa chinesa de engenharia, anuncia um acordo para a construção de uma usina geotérmica de 165,4 MW no Quênia.
O investimento total de $800 milhões será utilizado para produzir 100.000 toneladas de amônia verde e outros derivados, resultando em uma receita anual estimada entre $220 e $250 milhões.

O Quênia é um dos principais atores da indústria global de energia geotérmica. No país do leste africano, essa fonte de energia tem um papel crescente na produção de fertilizantes verdes.

A empresa de engenharia chinesa Kaishan Group Co. Ltd anunciou na terça-feira, 28 de outubro, um acordo entre sua subsidiária Kaishan Terra Green Ammonia Limited e a Kenya Electricity Generating Company (KenGen), para a construção de uma usina geotérmica de 165,4 MW no país do leste africano.

Conforme informações divulgadas pelo site especializado Thinkgeoenergy, a instalação, que tem um custo global estimado em $800 milhões, servirá principalmente para produzir 100.000 toneladas de amônia verde e outros derivados, como ureia e nitrato de cálcio amoniacal, destinados à produção de fertilizantes. A instalação busca uma receita anual entre $220 e $250 milhões, uma vez em operação.

Com este novo investimento, o Grupo Kaishan busca consolidar sua posição na indústria global de amônia verde e sua presença no setor energético queniano. Em outubro de 2024, a empresa já havia anunciado um investimento de cerca de $93 milhões em uma usina geotérmica de 35 MW em Menengai, denominada "Orpower 22". No geral, o grupo chinês busca desenvolver ainda mais o segmento de energia geotérmica.

Embora o Quênia seja o 7º maior produtor de energia geotérmica do mundo, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), apenas explora 950 MW de um potencial de quase 10.000 MW. A principal economia da África oriental, que tem um dos mix elétricos mais decarbonizados do continente, planeja dobrar sua produção de energia geotérmica até 2030.

Esperança Olodo

A subsidiária da Costa do Marfim do grupo NSIA disparou um lucro líquido de 25 bilhões de francos CFA até setembro, impulsionado pelo crescimento da margem de juros e de um aumento de 16% nos créditos e depósitos do cliente.
NSIA Banque Côte d'Ivoire, o segundo maior banco do UEMOA em termos de balanço, anunciou na quarta-feira, 29 de outubro de 2025, um lucro líquido de 25,03 bilhões de francos CFA (cerca de 44 milhões de dólares) até setembro de 2025, um aumento de 6% ano a ano, apoiado pela ascensão da margem de juros e o crescimento da carteira de crédito.

A subsidiária da Costa do Marfim do grupo NSIA registrou um lucro líquido de 25 bilhões de francos CFA até o final de setembro, sendo impulsionada pelo progresso das margens de juros e um aumento de 16% nos depósitos e créditos dos clientes.

O produto bancário líquido (PNB) foi de 77,36 bilhões de francos CFA, comparado a 72,57 bilhões um ano antes, ou seja, um aumento de 7%, segundo o relatório trimestral de atividades do banco. Essa evolução está principalmente relacionada ao aumento de 21% na margem de juros, devido ao aumento dos compromissos dos clientes e ao crescimento das receitas de títulos.

O lucro antes do imposto foi de 27,66 bilhões de francos CFA, em comparação a 25,98 bilhões um ano antes, um aumento de 6%. Os volumes de crédito chegaram a 1.774,5 bilhões de francos CFA, um aumento de 16% em relação a dezembro de 2024, sendo puxado por adiantamentos a curto e médio prazo. Os depósitos de clientes também aumentaram 16%, para 1.969,5 bilhões, como resultado do crescimento dos depósitos à vista, a prazo e garantias. O total de balanço é de 2.827 bilhões de francos CFA, um aumento de 12% ano a ano.

O NSIA Banque CI, subsidiária do grupo financeiro NSIA, indicou que manterá sua estratégia de crescimento cauteloso no quarto trimestre, focado no controle de riscos e no controle de custos, em um mercado ainda competitivo.

 BAD e outros parceiros investem US$ 137 milhões em um projeto de infraestrutura marítima para facilitar o comércio regional nas Ilhas Comores.
 A modernização tem como alvo as infraestruturas portuárias vitais, visando fortalecer a conectividade regional e tornar as Ilhas Comores um hub logístico entre África e Ásia.

O Presidente das Comores, Azali Assoumani, presidiu a cerimônia oficial de lançamento do projeto de desenvolvimento de um corredor marítimo e de facilitação do comércio regional, financiado pelo Grupo do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) num total de 137 milhões de dólares americanos.

Altos funcionários do banco estiveram presentes na cerimônia, que ocorreu em 27 de outubro de 2025, em Moroni. O financiamento do Grupo do Banco consiste em uma doação principal de 135 milhões de dólares pelo Fundo Africano de Desenvolvimento, o guichê concessional do Grupo do Banco, e outra doação de 2 milhões de dólares provenientes do Fundo de Apoio à Transição, um mecanismo destinado a estados em transição.

Outros parceiros incluem o Banco Mundial, o Banco Islâmico de Desenvolvimento, a Agência Francesa de Desenvolvimento, além da União Européia e o Banco Europeu de Investimentos, que devem co-financiar o projeto mobilizando mais de 110 milhões de dólares adicionais. O Centro Mundial para a Adaptação também prestou apoio na avaliação dos riscos climáticos para as infraestruturas portuárias e as opções de adaptação a serem consideradas na concepção das obras.

O projeto visa modernizar as infraestruturas portuárias essenciais ao desenvolvimento económico das Ilhas Comores, facilitando o comércio e reforçando a conectividade regional. Ele permitirá ao arquipélago tirar partido de sua posição geográfica estratégica no Canal de Moçambique e se tornar um polo logístico entre a África e a Ásia.

A ministra do Transporte Marítimo e Aéreo das Comores, Yasmine Hassane Alfeine, elogiou o Grupo do BAD como "um parceiro estratégico fiel, cujo apoio técnico e financeiro acompanha constantemente os esforços para concretizar uma visão de desenvolvimento baseada na sustentabilidade, integração e resiliência das infraestruturas".

O projeto está alinhado com a Estratégia Decenal 2024-2033 do Grupo do Banco e os "Quatro Pontos Cardeais" do Presidente da instituição, Sidi Ould Tah. Ele permitirá a construção de infraestruturas resilientes e o desenvolvimento de cadeias de valor agrícolas e pesqueiras, além de facilitar a criação de milhares de empregos para jovens e mulheres.

Desde o início da sua cooperação com a União das Comores em 1977, o Grupo do BAD financiou quase 40 operações num montante acumulado de cerca de 530 milhões de dólares. Os setores abrangidos por estes investimentos incluem transportes, energia, agricultura e governança. Este novo projeto confirma o compromisso da instituição panafricana de financiamento do desenvolvimento em apoiar o arquipélago em sua caminhada rumo a um desenvolvimento sustentável, inclusivo e resiliente.

A Agência Ecofin cobre diariamente as atualidades de 9 setores africanos: gestão pública, finanças, telecomunicações, agro, energia, mineração, transportes, comunicação e formação. Também concebe e opera mídias especializadas, digitais e impressas, em parceria com instituições ou empresas ativas em África.

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